26 junho 2008

Ensino

A etimologia da palavra ensino deriva de ensinar, que vem do latim in+signare e significa pôr marcas ou sinais, designar e mostrar coisas. O professor, quando ensina, coloca uma marca no aluno. Na linguagem espanhola, a palavra ensinar corresponde a enseñar e significa mostrar, como na frase enseñame tu livro (mostra-me o teu livro). A dinâmica do ensino tem muito a ver com sua etimologia, ou seja, tornar as coisas legíveis, que se traduz na clareza da exposição para um aprendizado eficiente dos alunos.

O conceito de ensino abarca muitos sentidos. Algumas vezes fala-se de ensino como sendo um setor da organização social de um país, tal como a Saúde e a Segurança Pública; outras vezes, como uma ação da qual se espera um determinado efeito; pode também significar a maneira de estruturar ou organizar a própria ação de ensinar; há ainda a acepção de ensino como domínio de especialização e investigação, consagrado ou não academicamente.

O ensino ação remete-nos a uma situação em que o emissor A deve transmitir uma mensagem ao receptor B. A é o professor; B o aluno. Nessa relação há um professor que ensina e um aluno que aprende. Se um ensina e o outro não aprende não podemos dizer que houve ensino. Por isso, o par ensino-aprendizagem tem mais peso do que simplesmente a palavra ensino. Como pôr marcas no outro se este não as aceita, se este não as entende? Por isso, a inclusão dos meios didáticos na relação entre o professor e o aluno é de vital importância.

A comparação entre a Escola Tradicional – docendicêntrica – e a Escola Moderna – discendicêntrica - está sempre presente na relação ensino-aprendizagem. No conceito de escola tradicional aliam-se outros conceitos tais quais diretividade do professor, passivismo do aluno, memorização da aprendizagem e ensino oral. No conceito de escola nova ligam-se conceitos como ativismo do aluno, aprendizagem por intuição e descoberta, ensino audiovisual e não-diretivdade do professor. Esse antagonismo vara os séculos e, ainda hoje, serve de tema para muitos debates a respeito da educação.

Uma avaliação mais crítica mostra que não há uma separação radical entre a Escola Nova e a Escola Velha. Observe que um professor da escola velha pode ser mais dinâmico e mais didático do que o professor da escola nova. O método serve apenas para obter um fim; ele não deve ser um fim em si mesmo. Podemos estar usando as tecnologias modernas, tais como o retroprojetor e o data show e não estarmos comunicando eficientemente as nossas idéias. Por outro lado, o professor que não faz uso desse instrumental pode estar construindo um saber muito mais consistente.

O ensino é o ponto central de qualquer comunicação. Moderemos nossas palavras para transmitirmos tudo com clareza e correção gramatical.

Fonte de Consulta


POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.

São Paulo, 15/3/2006.

Complemento (31/05/2016):

O erro fundamental do projeto de transmissão consiste na crença de que se podem transmitir conhecimentos como se passam os conteúdos de um recipiente para outro, ou como se transfere um objeto de um proprietário para outro.

O conhecimento é a capacidade de ação efetiva ou simbólica, material ou verbal, e essa capacidade está ligada à existência de esquemas provenientes da ação. Um esquema é uma disposição para agir, uma estrutura potencial para ações futuras, tais como elas se desenvolverão segundo formas semelhantes àquela assumida pelas ações anteriormente organizadas em circunstâncias semelhantes. 


"Tudo o que inventa sobre a educação
é lastimável, se não refletirmos
sobre a dificuldade de pensar."
Alain  Propos sur l'education 

"As crianças de quem se espera
menos podem aprender rapidamente
se todos simplesmente lhes derem
os meios de aprender e se evitar
instruí-las."
C. R. Rogers Liberdade para Aprender

Fonte: NOT, Louis. Ensinando a Aprender: Elementos de Psicodidática Geral. Tradução de Carmem Sylvia Guedes e Cláudia Signorini. São Paulo: Summus, 1993.



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