29 novembro 2009

Líder Judicioso

Há épocas em que a cabeça do dirigente, seja de que organização for, fica apinhada de muitas exigências, desequilibrando-o momentaneamente e impelindo-o a tomar decisões mais drásticas. John Heider, no livro O Tao e a Realização Pessoal, fornece diversas orientações aos líderes judiciosos. Sua intenção é lançar luz sobre os acontecimentos, para que o líder possa tomar decisões mais acertadas e com menos estresse.

Algumas frases do livro: “o líder judicioso, estando ciente de como funcionam as polaridades, não pressiona para que as coisas aconteçam, mas deixa o processo se desenrolar por si mesmo”; “o líder não aceita uma pessoa e se recusa trabalhar com outra”; “o líder não é proprietário das pessoas nem controla a vida delas”; “uma vez que a criação é um todo, a separação é uma ilusão. Gostes ou não disto, somos os integrantes de uma equipe. O poder provém da cooperação; a independência, do serviço e o eu mais pleno provém do altruísmo”.

De acordo com os pressupostos do livro, entendemos que o líder judicioso é o indivíduo que deve esquecer de si mesmo e da sua própria posição. Ele não está ali para mandar, mas para coordenar os anseios, bons ou maus, do grupo. Não deve defender este, nem tomar o partido daquele. Em realidade, ele deve captar as vibrações do grupo e agir em função delas. Forçando para que o grupo caminhe para uma determinada direção, perde tempo e trabalho.

O líder judicioso deve estar aberto para o que vier. Suponhamos que ele queira impor as suas ideias. Mesmo que dê resultado, no longo prazo será prejudicial, porque o modo de proceder de alguém foi violentado. O que poderá acontecer? A pessoa, cujo comportamento foi violentado, pode tornar-se menos receptiva e mais retraída. Lembremo-nos de que todos os acontecimentos tomam forma, crescem, trazem as suas lições, declinam e caem no esquecimento.

“Estando presente aos acontecimentos, e consciente do que está acontecendo, o líder pode fazer menos e, ainda assim, realizar mais”. A chave para uma boa administração não é querer fazer muito, intervir a torto e a direito, passando por cima deste e daquele. A função primordial do líder é colocar-se como ouvinte, tanto dos que ofendem como dos ofendidos. Cada qual tem razão no seu interesse pessoal.

O líder judicioso não busca proteger as pessoas. A sua liderança é de serviço esclarecedor e não de egoísmo. Sua meta é lançar luz sobre todos os acontecimentos.
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23 novembro 2009

Interesse Próprio e do Grupo

Enaltecemos os objetivos da organização, mas agimos de acordo com os nossos próprios interesses. Observe as seguintes colocações de pessoas investidas de cargos públicos: meu computador, minha sala, meu departamento. Se a coisa é pública, por que a tomamos como se fosse nossa? Não há um desvio de percepção? Modificar essas atitudes e comportamentos é um bom exercício para a melhoria de nossa conduta em sociedade.

Há algum governo que possa distribuir o que não tenha antes arrecadado? Por que razão, então, os detentores do poder propagam que fizeram isto e aquilo? Eles não percebem que estão revestidos de um cargo público e, que, por isso, têm deveres a cumprir junto à população? Se essas pessoas agissem como usufrutuárias desses bens, como nos exortam as máximas do Evangelho, com certeza alocariam eficientemente os recursos naturais à sua disposição.

A repetição e a propagação do erro transformam-no em uma verdade? Muitos assim pensam, mas a verdade não admite contestação. A verdade é verdade, quer queiramos suportá-la, quer não. Por isso, não tenhamos medo de argumentar e contra-argumentar para que a verdade possa fazer a sua trajetória, para que possa iluminar mais mentes, mais consciências. A incompreensão de hoje pode ser a luz de amanhã.

Num primeiro momento, a luz da verdade pode parecer estranha. Depois, toma vulto e vai ampliando a sua iluminação. Por isso, fala-se com razão que os filósofos convivem conosco, ou seja, as suas ideias, incompreendidas ontem, são difundidas hoje. Lembremo-nos dos ensinamentos trazidos por Jesus há 2000 anos. Quem poderia supor que um simples carpinteiro pudesse influenciar boa parte da humanidade?

A Doutrina dos Espíritos ensina-nos, por intermédio da lei de reencarnação, que o acaso não existe. Hoje, recebemos o impacto de ontem; amanhã, receberemos o impacto de hoje. Usando de forma indevida, tanto o dinheiro quanto a autoridade, seremos, por força da lei, obrigados a sofrer-lhes as consequências. Pobreza e riqueza complementam-se.

Os Espíritos superiores estão sempre nos incentivando a divulgar o Evangelho de Jesus. Semeemos a boa semente. Não tenhamos pressa, contudo, quanto à sua germinação.
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Argumentando com o Auditório

A argumentação presta-se a muitas interpretações. No silogismo, é a apresentação de premissas, cujos raciocínios devem nos levar a uma conclusão. De um modo geral, é advogar em causa própria, justificar comportamentos, condenar ou enaltecer pessoas. Pode ser também o método pelo qual uma pessoa – ou um grupo – intenta um auditório a adotar uma posição, um comportamento. Os argumentos são bons quando nos levam a uma conclusão verdadeira; maus, quando nos afastam da verdade.

Aristóteles, nos Tópicos, tratou a argumentação sob a ótica do raciocínio lógico; na Retórica, como um modo de persuadir o auditório. Nos Tópicos, parte de premissas (conhecimentos certos), que levam a conclusões verdadeiras. Na Retórica, parte de opiniões admitidas, que levam ao raciocínio dialético. Em todo o caso, é sempre em função de um auditório que devemos desenvolver qualquer argumentação.

Embora a teoria da informação utilize a argumentação, o seu objetivo difere fundamentalmente da argumentação propriamente dita. Na teoria da informação, há um emissor, uma mensagem e um receptor. Quer-se apenas transmitir uma mensagem (com lógica ou sem lógica). Na argumentação, a comunicação exige um raciocínio (indutivo ou dedutivo) que conduza a uma conclusão. Nesse caso, o emissor deve convencer o auditório pela boa argumentação.

A argumentação é útil a todos os indivíduos, mas muito mais ao expositor, porque terá que observar o elo de ligação de seu raciocínio para não cair em contradições, ou seja, falar uma coisa e concluir com o seu oposto, com a negação da tese. Observe que isso é muito comum de acontecer na fala natural das pessoas. Elas pregam a fraternidade, o interesse do grupo, mas suas ações caminham para o lado oposto, incitando a desunião.

A verdade é sempre verdade, quer queiramos suportá-la, quer não. Por isso, estejamos sempre abertos para argumentar e contra-argumentar, no sentido de fazer emergir uma verdade que estava oculta, submersa. A incompreensão de hoje pode ser a luz do dia seguinte. Lembremo-nos de que todos devem ter tempo para absorver novas verdades. A imposição de ideias não condiz com Espíritos superiores; eles deixam brechas, inspirações, para que o ouvinte tome a sua própria decisão.

Construamos bons argumentos, mas não nos apeguemos demasiadamente a eles. Há casos, em que a fluidez do raciocínio deve prevalecer, para o bom andamento dos negócios.
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04 novembro 2009

Como Melhorar Gradativamente uma Palestra

Tema escolhido: “Quem me segue não anda em trevas”.

Preparemos, primeiramente, um roteiro, sem consulta alguma; nele, coloquemos a ideia central, os tópicos principais e os secundários.

Depois de tudo pronto, pesquisemos o texto bíblico. Ele está em João 8,12: “Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo: quem me segue não anda em trevas, mais terá a luz da vida”. Já começamos a ampliar o texto inicial, que era somente “quem me segue não anda em trevas”. Percebemos que Jesus já tinha falado antes; deduzimos que seja da própria luz. Ele acrescenta que é a luz do mundo. Diz, ainda, que quem o seguir terá a luz da vida.

Podemos comentar cada um desses acréscimos: tomemos apenas algumas citações sobre a luz. Em João, 1, 4 a 9: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam”. Em João, 3,19: “A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”. Em João, 9,5: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. Há muitos outros textos sobre a luz do mundo. Basta procurarmos nos Evangelhos.

Esta passagem evangélica vem depois dos versículos sobre a mulher adúltera. 

Poderíamos resumi-la nos seguintes termos:

Os escribas e fariseus levaram uma mulher, pega em flagrante de adultério, para o julgamento de Jesus. Diziam que, segundo a lei de Moisés, aquela mulher deveria ser apedrejada em praça pública. Depois das insistências dos fariseus, Jesus responde: “Aquele que estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. Ouvindo isso, os escribas e fariseus retiraram-se, um após o outro, começando pelos mais velhos. A sós com a mulher, disse-lhe: “Vá e não peques mais”.

É depois desse diálogo que surge a frase: “Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo: quem me segue não anda em trevas, mais terá a luz da vida”. Nesse caso, poder-se-ia aprofundar a frase “luz do mundo” e a “luz da vida”.

O que queremos retratar aqui? as ideias associam-se umas às outras. Mas, para que isso aconteça, temos que provocá-las. E o método é pensar, raciocinar, antes de ler os textos, que tratam do tema.
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30 outubro 2009

Existência e Comunicação

O conceito de comunicação pode ser visto sob vários ângulos. O conceito etimológico – busca a origem da palavra, que vem de comunhão, comunidade. O conceito biológico – explica a comunicação em termos da sobrevivência e perpetuação da espécie. O conceito histórico – ao longo do tempo, as teses e as antíteses enaltecem a neutralidade das forças contrárias. O conceito sociológico – abrange o fluxo interativo das relações sociais. O conceito antropológico – ao conviver, o ser humano comunica a transformação que operou sobre a natureza. O conceito pedagógico – a comunicação tem fim educativo. O conceito psicológico – a comunicação pode mudar o comportamento do indivíduo.

As definições de comunicação são variadas. Eis algumas delas: Para G. Miller, a “Comunicação significa informação que passa de um lugar para outro”: L. Thayer diz: “Em seu sentido mais amplo, ocorre comunicação sempre que um indivíduo atribui significado a um estimulo interno ou externo”; S. Stevens assim se expressa: “Comunicação é a resposta discriminativa de um organismo a um estímulo. Ocorre comunicação quando alguma perturbação ambiental (o estímulo) vai de encontro a um organismo e o organismo faz alguma coisa a esse respeito (dá uma resposta discriminativa). Se o estímulo é ignorado pelo organismo, não há comunicação. A prova é uma reação diferencial de alguma espécie. A mensagem que não tem resposta não é comunicação”.

Observando o ser humano desde épocas remotas, compreendemos que o seu existir só é possível por meio da comunicação. Há sempre uma recuperação, um reaproveitamento de uma informação transmitida, que, por sua vez, vai atuar como fonte para a transmissão de novas informações. Assim, o processo da comunicação se refere a algo que está sempre transformando e transformando-se. David Belo diz que "O processo de comunicação é um fenômeno em constante mutação, cujas partes inteligentes influenciam umas às outras e cuja ocorrência, por seu dinamismo intrínseco, não tem começo nem fim fixos".

Aristóteles, na Grécia antiga, já nos dizia que o homem é um animal social, devendo viver em sociedade. Para viver em sociedade, há necessidade de se comunicar com os outros seres humanos. Jesus, percebendo que a comunicação é extremamente necessária à convivência humana, deixou-nos uma ordem: “Não coloqueis a candeia debaixo do alqueire”. Em outras palavras, não guardemos somente para nós os benefícios da vida; repartamos os dons da vida com os nossos semelhantes; quem assim não procede, não ama.

Presentemente, a divulgação de ideias é facilitada pelos meios de comunicação de massa, em especial a Internet. Podemos criar, sem quaisquer custos, sites e blogs e, com isso, divulgar o nosso pensamento. Não há necessidade de os outros serem obrigados a ler o que escrevemos; o que importa é a publicação e o exercício de nosso pensar. Tornando-os público, podem servir para alguém. Assim, estaremos contribuindo para a divulgação da ideia do bem e do belo.

Fonte: BARBOSA, Gustavo e RABAÇA, Carlos Alberto. Dicionário de Comunicação. 2.ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2001 – 6ª Reimpressão.
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14 outubro 2009

O Religioso e a Administração

“O religioso é, antes de tudo, um cristão, um crente, qualquer seja o serviço que desempenhe: servir governando, servir obedecendo”.

Michelina Tenace, em sua pesquisa sobre o serviço dos superiores, percebeu que havia muitos livros sobre a obediência, mas poucos sobre a autoridade; poucos sobre a fisionomia espiritual de quem é chamado a exercer a função de superior, de superiora. Entrou em contato com as obras de grandes religiosos cristãos, extraindo deles anotações úteis à boa administração.

A proposta de São Basílio, que “dá uma colocação nova à figura do superior, não aspira delinear poder autocrático; situa-se na linha do serviço do irmão. O superior deve favorecer a liberdade da ascese, mas garantir, sobretudo, a coesão do grupo como fraternidade”. Faz uma crítica aos eremitas, que preferiam o deserto ao contato humano. Acha que toda a regra existe em função da comunidade, motivo pelo qual não é estranho que os superiores sejam colocados menos em evidência, pois a sua função faz parte da comunidade; não é geradora dela.

O carisma de São bento era o de “afugentar as trevas e irradiar o dom da paz”. Para ele, “a obediência é o sinal da humildade do monge, índice de seu progresso espiritual, que faz parte do caminho de retorno ao Pai”. O superior, amado de Deus, deve querer o bem do seu irmão. O amor a Deus é sempre aquilo que faz crescer, aperfeiçoar, libertar, e colocar em contato com a lei divina.

Para São Francisco, a autoridade é sempre vigária e carismática. A autoridade vigária quer dizer que o superior não pode se sentir sujeito de poder ou de direito, mas somente investido sacramentalmente da autoridade de Cristo, a quem faz referência e de quem manifesta, como sinal consciente, o mistério e a palavra.

Inácio “pressupunha a indiferença” nos seus religiosos, ou seja, supunha que tivessem atingido a liberdade interior como fruto dos exercícios espirituais. Antes de propor uma missão, verificava a inclinação direta ou indiretamente para poder “considerar disposições”, porque contava com pessoas mais do que sobre a ideia do projeto.

Esses religiosos diziam que ninguém deve sentir-se satisfeito em fazer o mínimo, mas desejar sempre que lhe seja acrescida alguma coisa e deseja fazer mais: “a verdade na liberdade não está aquém, mas além da norma”.

Fonte de Consulta

TENACE, Michelina. Guardiões da Sabedoria: O Serviço dos Superiores. Tradução de Francisco de Assis Sant’Ana. Bauru, SP: Edusc, 2008. (Coleção Ecclesia Viva)
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04 setembro 2009

Ameaças e Oportunidades

Questão: como transformar ameaças em oportunidades?

Historicamente, o ser humano teve que dominar o fogo, para suprir as necessidades de transformação; teve que inventar a roda, para suprir as ameaças do isolamento. Assim, transformação dos recursos naturais e o seu transporte fundamentam toda a vida econômica do mundo.

O ser humano, na situação de nômade, sofria poucas ameaças, porque, conforme os recursos naturais iam se esgotando, em uma dada região, ele partia imediatamente para outra. Quando se fixou à terra, tinha que transformar as ameaças em oportunidades, ou seja, reaproveitar o que antes destruía.

Assim, em cada etapa do desenvolvimento econômico, o homem teve que inventar máquinas e utensílios, no sentido de melhor aproveitar os recursos naturais à sua disposição. As dificuldades aumentaram porque teve que aprender a raciocinar em termos do excesso de oferta, de demanda e dos custos envolvidos na produção. Presentemente, para transformar essas ameaças em oportunidades, a sociedade deve ter uma reserva substancial de líderes poli perceptivos, ou seja, líderes que veem, que captam as informações sob vários pontos de vista.
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20 agosto 2009

Feedback de 360 graus

A principal razão de uma avaliação é melhorar o desempenho do indivíduo — e, consequentemente, o da organização. Para isso, a avaliação tem que corresponder às necessidades pessoais e estar disponível a todos os indivíduos da empresa.

Para o crescimento de uma empresa, a avaliação dos níveis mais altos pelos níveis mais baixos, é de suma importância.

O feedback de 360 graus envolve o gerente, os subordinados, os chefes e até os clientes, que expressam suas opiniões sobre o desempenho do gerente — em geral, por meio de um questionário.

Dentre os métodos de avaliação, o feedback de 360 graus fornece uma visão mais completa do desempenho do indivíduo, pois grupos diferentes veem o indivíduo em circunstâncias e situações diversas. Nesse caso, podem fornecer dados mais completos do que a avaliação feita apenas pelo chefe.

Fonte

CRAINER, Stuart. Grandes Pensadores da Administração. Tradução de Priscilla Martins Celeste. São Paulo: Futura, 2000.
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18 agosto 2009

Tics - Tecnologias da Informação e Comunicação

A tecnologia da informação e comunicação engloba computadores, internet, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga...

Do ponto de vista do aprendizado, essas ferramentas devem colaborar para trabalhar com conteúdos. Não faz sentido, por exemplo, ver o crescimento de uma semente numa animação se podemos ter a experiência real.

O fundamental é familiarizar-se com o básico do computador e da internet: processador de texto, planilha eletrônica, mecanismo de busca...

Blog, fotologs... Cada um é responsável pelo que publica.

Na internet, procurar sempre sites seguros.

Fonte: Nova Escola: A Revista de quem Educa, nº 223, junho/julho de 2009.

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Cenários Futuros, de Naisbitt

"A história da civilização é uma história da comunicação. Se a comunicação deixa de ser verbal e passa a ser visual, precisamos aprender uma linguagem nova para interagir".

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14 agosto 2009

Onze Modelos Mentais de Naisbitt

"Convido-o a ler O Líder do Futuro não com sua mente lógico-racional, mas procurando ir além. Muito além. Esteja com todos os seus sensores ligados. Observe as entrelinhas. Capte sutilezas pelo conjunto. Use seu fuzzy thinking, sua lógica difusa".

No link abaixo, há algumas frases e pensamentos (cópia) da primeira parte do livro.

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07 agosto 2009

Palavra

A palavra é a matéria-prima do orador. Ela pode estar revestida por uma imagem, por um gesto, por um silêncio, mas ainda assim é palavra. O correio eletrônico, os websites e os fóruns de debates, na rede da Internet, nada mais são do que uma extensão da palavra. Pergunta-se:
  • Que significa o termo palavra?
  • Qual sua origem?
  • E o seu mecanismo?
  • Há maneiras mais adequadas de se proferir a palavra justa?


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Ouvir as Pessoas

As pessoas têm ouvidos e escutam muito bem. Estão longe, porém, de adquirir as habilidades que as tornem ouvintes eficazes.
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Linguagem e Comunicação

Há palavras que só devem ser empregadas corretamente por quem as compreenda.

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Teoria U e a Resposta para a Crise

Otto Scharmer, criador da Teoria U, afirma que a relação entre a economia financeira e a economia real entrou em crise, e é preciso um esforço de “liderança coletiva”, uma nova visão da gestão, que passa pela “liderança coletiva”.

Artigo (em pdf) de Otto Scharmer
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Futuro do Negócio é Grátis

"Por muitos anos, usuários do webmail tiveram de pagar pelo armazenamento de suas mensagens. Até que um dia, como os custos de armazenar caíam mais e mais no ciberespaço, o Google foi atrás de novos clientes oferecendo 1 gigabyte grátis para cada um".

Artigo (em pdf) de Chris Anderson
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06 agosto 2009

Princípio da Pirâmide

Há duas formas de comunicação: dos fatos para a conclusão... Ou da conclusão para os fatos. O princípio da pirâmide faz nos escrever de trás para a frente, entendendo que, com isso, vai-se direto ao ponto.


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Métodos de Ensino

O método - caminho para se chegar a um fim - depende dos propósitos que se tenha, da habilidade do professor ou líder, da disposição do aluno, do tamanho do grupo, do tempo disponível e dos materiais de trabalho.
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Ilustração para Palestras

Frases, sentenças, anotações e pensamentos para serem proferidos num discurso oratório.
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Gestos e Gesticulação

Ato ou ação por meio do qual se dá força às palavras. Deve ser feito sem exagero e sem excessos, isto é, com naturalidade e elegância. Deve sempre preceder à palavra ou acompanhá-la, nunca sucedê-la. Se anteceder, prepara o efeito da palavra; se acompanhá-la, reforça-a; se suceder, perde sua força.
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Dicção e Impostação da Voz

A voz e a linguagem corporal são, depois dos recursos visuais, os maiores responsáveis pelo sucesso de uma apresentação.

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Comunicação Interpessoal

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL é essencialmente um processo interativo e didático (de pessoa a pessoa) em que o emissor constrói significados e desenvolve expectativas na mente do receptor.


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Confiança e Determinação

Malogros. Quem não os sofre? Estímulo. Se nós não nos ampararmos, quem nos amparará?

Deve aquele que fala possuir temperamento expansivo para comunicar por meio da palavra, as idéias e os fatos; manter o máximo a serenidade de espírito e o domínio de si mesmo; possuir sensibilidade apurada, que o faça capaz de perceber rapidamente o efeito de suas palavras no espírito dos ouvintes; ter firmeza nas convicções e expô-las de modo veemente; conhecer amplamente o assunto de que vai tratar e ter suficiente cultura geral para eventuais digressões, ou para reforçar a sua exposição; possuir certo magnetismo pessoal e usar de atenciosa amabilidade para com os que o escutam.

Você não é a única pessoa que tem medo de falar em público. Pesquisas universitárias norte-americanas comprovaram que 80% ou 90% das pessoas temem falar em público. Acredite no que vai dizer. A dúvida deita raios de morte. Fale ao cérebro e ao coração. Enriqueça seu vocabulário, lendo com dicionário. O conhecimento vocabular é fundamental.

O público aprecia os homens de atitude serena e corajosa, os que sabem falar com bom timbre e com triunfante galhardia, pois se convence tanto pelas maneiras do orador quanto pela exposição de suas idéias. Sendo assim, para dominar o auditório, o tribuno deve ter o espírito de autoconfiança, com o que poderá vencer a timidez natural, evitar o excesso de reflexão, não sentir a dificuldade de concentração, manter afastadas de si a suscetibilidade e a impulsividade.

Antes de subir ao tablado, respirar lenta e profundamente, relaxar os músculos, manter-se altivo, curvando-se um pouco; em seguida, subir ao tablado rapidamente e começar a falar, fixando o pensamento apenas no assunto do discurso. Após as primeiras frases, o receio desaparecerá por completo. Para isto, o principiante deve tomar algumas precauções, tais sejam, não falar de estômago vazio, o que tende a aumentar a intensidade das reações psicológicas; enfrentar, primeiramente, um auditório que possa ser favorável ao seu sucesso para que adquira energia e confiança, com os quais se apresentará em futuras oportunidades.



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Recursos Audiovisuais

A confecção de cartaz (slide) caracteriza-se por apresentar, através de ilustrações, textos reduzidos e cores, uma mensagem clara e direta do tema escolhido. As ilustrações assemelham-se ao slogan, que exprime numa frase a idéia central do que se quer transmitir.
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23 julho 2009

Escrever Melhor

Em tudo o que fazemos há sempre algo a melhorar. Com a escrita não é diferente. Embora já tenhamos lido e ouvido diversas instruções a respeito de como escrever melhor, a lembrança e a repetição dessas dicas servem para sedimentar esses conhecimentos. Partamos, assim, da seguinte tese: ninguém nasce sabendo escrever, e todos, sem distinção, são capazes de produzir bons textos.

O mau comunicador não se preocupa com o leitor: ele joga as informações de qualquer maneira. O bom comunicador, não; ele organiza-se antes de escrever. Ele pergunta a si mesmo: o que o leitor precisa saber? Para que o leitor precisa dessas informações? Que tipo de conhecimento o leitor já tem sobre o assunto? Qual vai ser a utilidade do texto? Em outras palavras, o bom escritor está sempre preocupado com a melhor forma de comunicar a sua mensagem. Para isso, concentra-se no tema e traça um roteiro lógico e racional.

A concisão e a utilização de verbos na voz ativa devem prevalecer nos escritos. Os manuais de como escrever melhor tratam da concisão em termos do evite/prefira. Evite: durante o ano de 2000...; prefira: em 2000... Evite: servimo-nos da presente para informar que...; prefira: informamos que... Evite: antes de entrar no elevador verifique se o mesmo se encontra parado no andar; prefira: antes de entrar, verifique se o elevador se encontra parado no andar. Em se tratando da utilização do verbo, comparemos essas frases: 1) este livro foi escrito por mim; 2) eu escrevi este livro. Qual das duas nos parece mais enfática?

O bom comunicador deve estar sempre atento com a padronização da abertura e fechamento das cartas, as expressões do modernoso e as redundâncias. Quanto às cartas, evitar: “sirvo-me da presente”, “tem esta a finalidade de”. Quanto às expressões do modernoso, rechaçar: “atingir patamares”, “alavancar processos” e “priorizar espaços”. Quanto às redundâncias, prestar atenção: “elo de ligação”; “concluímos finalmente”.

A nossa escrita comunica a nossa imagem na sociedade. Cuidemos para que a informação que transmitimos aos outros seja fiel à verdade dos fatos.

Fonte: OLIVEIRA. J. P. M. de e MOTTA, C. A. P. Como Escrever Melhor. São Paulo: Publifolha, 2000. (Série sucesso profissional)
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15 julho 2009

Escrever: Exercício do Pensamento

Georges Picard enfatiza que todos os seres humanos deveriam escrever, não para publicação, mas para si mesmos, a fim de disciplinar o pensamento. É uma sugestão estimuladora, porque a maioria das pessoas que não lê não dá muita atenção à escrita. Para Picard, o ato de escrever é o "desejo de se descobrir tanto a si mesmo como aos outros". Ele defende a ideia de uma literatura livre, contrária ao canto de sereia do marketing e da publicidade, que procura reduzir tudo ao vendável.

Um bom método, para ler corretamente, é escrever o que se vê diariamente. São poucos os que percebem que escrever é uma espécie de trabalho. Observe o texto bíblico em que Adão, depois de ter pecado, recebe de Deus a seguinte advertência: "Por teres escutado a voz de tua mulher e comido da árvore da qual eu te havia prescrito não comer, o solo será maldito por sua causa. É com fadiga que te alimentarás dele todos os dias de tua vida. E com fadiga escreverás teus ensaios todas as noites de tua vida". (Gênesis, 3, 17) Escrever faz-nos pensar sobre um determinado assunto. Colocando-o no papel, memorizamos melhor o acontecimento.

A diversidade, as ideias contraditórias e a contestação são verdadeiras armas para aqueles que fundamentam os seus argumentos na esgrima da palavra. A oposição de ideias, tal qual Hegel defendia, é um verdadeiro manancial de conhecimento e aprendizagem porque a seqüência de tese, antítese, síntese, tese, antítese, síntese... propicia-nos um conhecimento mais amplo e mais aprofundado de qualquer tema. Lembremo-nos de que a beleza da escrita está na tensão entre o que está escrito e o que está por ser escrito.

O ato de escrever é uma espécie de concentração, porque obriga aquele que escreve a ficar inteiro no que está escrevendo, sob pena de não anunciar a sua afetividade e o seu sentimento de maneira genuína e profunda. As notas valem mais do que as palavras. Escrever nos obriga a escolher entre um monte de ideias vagas aquelas que são mais compreensíveis ao texto. Claude-Louis Combet diz: "A dedicação à escrita, em todo o seu rigor de forma e em sua disciplina moral, estimula o recolhimento, o gosto pelo silêncio, a atenção do coração, o respeito pela língua, a renúncia à exterioridade".

No livro de Picard há diversas frases soltas: "’Escrevo, logo sou’ pode fundar uma ética da existência"; "não é com fatos, mas com palavras que se escreve"; "o escritor deve fugir do jogo de tolos que consiste em escrever obscuramente fingindo profundidade"; "pensar não significa fazer teoria, pensar é também compor ficção ou escrever poesia"; "na medida em que o cesto de lixo, físico ou virtual, se enche de rascunhos, cresce a energia intelectual mobilizada para chegar a uma página que valha a pena"; "é justamente porque não se tem nada a esperar do midiático e do social em geral que escrever parece ser, cada vez mais, uma vocação desinteressada".

Os slogans, as expressões audiovisuais e as imagens simplistas retratam o triunfo da literatura medíocre, da literatura pouco aprofundada e tendente à uniformidade. Para fugirmos dessa influência automática e rotineira, dediquemo-nos à escrita e à leitura de bons livros.

Fonte de Consulta

PICARD, Georges. Todo Mundo Devia Escrever: A Escrita como Disciplina do Pensamento. Tradução de Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2008.
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01 julho 2009

Administrando o Erro


"Independente do cargo que ocupa todo mundo erra."

A Revista Você, de junho de 2009, dedica boa parte de sua edição ao problema do erro. Eis algumas anotações:

1) Os comportamentos que costumam gerar mais erros são: a) ignorar outros pontos de vista; b) recusar-se a aprender com os erros; c) achar que sabe mais do que os outros; d) agarrar-se às suas convicções sem questioná-las; e) ignorar o talento das pessoas.

2) O tipo de informação que ajuda um gestor a evitar erros são: a) não se pautar por rumores. Para isso, deve se munir constantemente de novas experiências, dados e análises; b) é fundamental ouvir o que clientes, fornecedores, empregados e outras partes envolvidas no negócio têm a dizer. Ao fazer isso, o risco de uma decisão equivocada pode ser reduzido na fonte.

3) Quem nunca disse "sim" a uma demanda do chefe quando na verdade pensou em dizer "não"? Esse é outro equívoco que aparece entre os mais citados pelos 17 profissionais de recursos humanos consultados pela VOCÊ S/A. Sob pressão, muita gente dá o braço a torcer e aceita o projeto do chefe.

4) Confira quais são os sete erros mais comuns cometidos por funcionários, segundo as respostas de 17 executivos de RH ouvidos pela reportagem:
  • Não ter ou não sustentar uma postura de aprendiz.
  • Dificuldade de dizer "não" para a liderança ou para seu próprio time.
  • Análises incorretas ou erros estratégicos no planejamento.
  • Não privilegiar a excelência de desempenho.
  • Falta de rigor e profundidade na análise de problemas.
  • Tomada de decisão e encaminhamento de ações pensando somente no seu "próprio negócio", sem considerar eventuais reflexos em outras células da organização.
  • Falta de alinhamento com a estratégia e os valores da companhia.
http://vocesa.abril.com.br/sumarios/0132.shtml
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26 junho 2009

O Orador e a Refutação


O raciocínio pode se apresentar de diversos modos: direto, indireto ou como refutação. Segundo os estudiosos da lógica, todo raciocínio pode se refutado até o infinito. Não é o caso de nos exercitarmos nas lucubrações mentais, tal qual faziam os filósofos da Idade Média. Queremos apenas chamar a atenção para que o orador tome consciência das possíveis refutações que se poderiam fazer ao seu discurso.

Segundo Aristóteles, refutação é "todo raciocínio com contradição na conclusão". Trata-se de mostrar que o raciocínio do adversário transgride as regras da língua ou da lógica, embora apresentando as aparências de validade. O sofisma supõe a intenção de enganar; o paralogismo não coloca em questão a boa-fé de quem enuncia.

A Lógica de Port-Royal, no capítulo XIX, lembra-nos de que podemos ser sempre refutados quando:

1. Provar outra coisa sem ser o que está em questão.
2. Supor por verdadeiro o que está em questão.
3. Tomar por causa o que não é causa.
4. Proceder a enumerações imperfeitas.
5. Julgar uma coisa pelo que lhe diz respeito somente por acidente.
6. Passar do sentido dividido ao sentido composto ou do sentido composto ao dividido.
7. Passar do que é verdadeiro sob certo aspecto ao que é verdadeiro simplesmente.
8. Abusar de diversas maneiras da ambigüidade das palavras.
9. Tirar uma conclusão geral de uma indução defeituosa.

Em se tratando das transgressões ou erros suscetíveis de invalidar as formas diretas, os céticos nos transmitiram cinco modos da suspensão do julgamento:

1) discordância – "Descobrimos que, numa proposição que nos põem diante dos olhos, há, na vida e nos filósofos, uma discordância que não se pode eliminar, e portanto, sem podermos preferir ou rejeitar, chegamos à suspensão do julgamento".
2) regressão ao infinito – "Dizemos que a prova que é dada para garantir a proposição tem necessidade de outra, e esta de uma outra, infinitamente, e assim, por não termos onde começar o raciocínio, a suspensão do julgamento é a conseqüência natural".
3) tirado da relação – "O objeto aparece deste ou daquele modo conforme o que julga e o que acompanha a observação, mas abstemo-nos de julgar o que esse objeto é por natureza".
4) postulado ou posição de base – "Lançados ao infinito, os dogmáticos tomam um ponto de partida que não provam, mas ao qual acham justo dar o assentimento de maneira simples e sem demonstração".
5) círculo vicioso – "Aquilo que deve confirmar a coisa em questão tem necessidade de ser provado pela coisa em questão; assim, não podendo tomar nenhum dos dois para encontrar o outro, abstemo-nos de julgar a ambos".

Comentários:

1) Começamos a discorrer sobre determinado assunto e uma pessoa pergunta pela sua causa. Falamos, ela pergunta pela causa da causa, e assim sucessivamente. Somos conduzidos a um círculo vicioso e não conseguimos chegar a lugar algum.
2) Quando um ouvinte já formou uma imagem negativa de nós, comor orador, tudo o que viermos a falar, mesmo a mais pura verdade, será imediatamente refutado por ele, pois, por princípio, já nos refutou, mesmo antes de nos ouvir. É opreconceito.

Fonte de Consulta

COSSUTTA, Frédéric. Elementos para Leitura dos Textos Filosóficos. Tradução de Ângela de Noronha Begnami e outros. 2.ed., São Paulo: Martins Fontes, 2001. (Coleção Leitura Crítica)
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17 junho 2009

Semântica


Semântica é o estudo das relações entre linguagem, pensamento e comportamento: entre como conversamos, por conseguinte, como pensamos e, portanto, como agimos. De acordo com Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia, semântica é a doutrina que considera as relações dos signos com os objetos que lhes se referem, que é a relação de designação. Daí, o significado ou significância ser a possibilidade de um signo referir-se a um objeto.

Semântica e discussões. Muitas discussões se degeneram por falta de entendimento entre os seus participantes. Algumas vezes, pelas afirmações egocêntricas, tais como: "Você está absolutamente errado"; "Eu possuo anos de experiência neste assunto"; "Eu sei o que estou falando". Outras vezes, pela colocação indevida das frases. Exemplo: desenha-se um quadrado e se escreve dentro dele: "Toda a afirmação neste quadrado é falsa". Ora, como esta frase está dentro do quadrado, ela também será falsa.

Incapacidade de ouvir o outro. As pessoas, devido às diversas tribulações do dia-a-dia, estão mais preocupadas com elas mesmas, rejeitando a audição do próximo. Observe um ouvinte numa conferência. Como quer fazer valer os seus pontos de vista, tende a achar as elocuções dos outros uma interrupção enfadonha do fluxo dos seus próprios pensamentos. Este bloqueio, contudo, pode ser amenizado se o ouvinte usar a empatia, ou seja, vivenciar o problema do mesmo modo que o emissor.

Semântica internacional. As dificuldades na comunicação internacional são inúmeras; a pior delas, porém, é a de não ter consciência da mesma. Numa conferência internacional, podemos até nos valer de bons intérpretes, que fazem a devida tradução da língua. O problema, contudo, não reside aí, mas, sim, nos padrões de pensamentos daquela comunidade, pois quer queiramos ou não somos influenciados pelos usos e costumes de um povo, de uma nação. Observe as palavras contribuable (francês) e taxpayer (inglês). As duas palavras denotam pagamento de imposto. Para os franceses, contribuable expressa a generalidade do imposto; para os americanos, taxpayer é dinheiro debitado em conta.

Semântica e senso comum. O senso comum é útil para as ações do cotidiano, mas não serve para situações de grande complexidade. Vejamos. Em uma determinada sala, há um grupo de filósofos discutindo sobre os problemas existenciais do ser humano. Terminada a reunião, dirigem-se para a porta, que não se abre. Chega uma pessoa, que não tem a beca de doutor, e diz que é só puxar a maçaneta. Esta solução fácil não pode ser estendida para as questões vitais da existência, porque o sentido da vida é muito mais complexo do que simplesmente abrir uma porta.


A semântica e a decifração dos signos, que se escondem por detrás das palavras, é sempre louvável. Louvável também é a preocupação com o contexto em que a palavra foi dita. Tendo esses cuidados, podemos melhorar consideravelmente a nossa comunicação em sociedade.

Fonte de Consulta

HAYAKAWA, S. I. (Org.). Uso e Mau Uso da Linguagem. Tradução de Anne Maria Jane Koenig e outros. São Paulo: Pioneira, 1977 (Biblioteca Pioneira de Arte e Comunicação)

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Sem Compreensão não Há Comunicação


A comunicação pode ser dividida em: 1) atos que comunicam certo comportamento ou estados emocionais (comunicação do comportamento); 2) atos que comunicam certo conhecimento ou estados mentais (comunicação intelectual). Em toda comunicação há os ruídos, ou seja, as interferências entre a emissão da mensagem e a decodificação por parte do receptor. As avarias na percepção do signo vão desde a forma incorreta de ouvir uma conferência até as dificuldades semânticas na comunicação internacional.

Diz-se que as abelhas se comunicam através da "dança", as formigas por intermédio dos "toques nas antenas", os pássaros pelos "cantos" e os seres humanos pelos "gestos". Será isto comunicação? Sim, mas pertencem ao grupo da comunicação dos estados emocionais. Contudo, difere da comunicação essencialmente humana, que transfere certos conhecimentos e certos estados mentais.

O ato de comunicação realiza-se da seguinte maneira: uma pessoa faz uma declaração; a outra pessoa, ouvindo esta declaração, compreende-a, isto é, experimenta estados mentais análogos (não os mesmos do declarante). Em contraste com a comunicação emocional, a comunicação intelectual pressupõe a compreensão da mensagem, pois as tarefas intelectuais de comunicação só podem ser desempenhadas por uma linguagem de palavras, uma linguagem fônica (ou sua forma escrita).

Anotações sobre as dificuldades de compreensão.

1) Uma criança está brincando numa sala de estar. Um observador diz: "Que criança comportada!" Outro observador, que gosta de móveis mais do que crianças, diz: "Que criança indisciplinada!" Pode-se notar que nenhuma destas afirmações nos dá um "mapa" descritivo do "território" do comportamento da criança.

2) Segundo um relato popular, George Westinghouse projetou um freio de trem operado por ar comprimido. Após tê-lo patenteado, lutou para convencer os administradores das ferrovias do valor da sua invenção. Afirma-se que Cornelius Vanderbilt da Central de Nova York respondeu: "você pretende me dizer, frente a frente, que um trem em movimento pode ser parado com vento?"

3) Padrões de pensamento entre povos. "O entendimento mútuo e as relações pacíficas entre os povos têm sido obstaculizados não apenas pela multiplicidade de línguas, mas também, em grau maior, pelas diferenças dos padrões do pensamento, isto é, pelas diferenças dos métodos adotados para definir as fontes do conhecimento e para organizar o pensamento coerente. Nenhum cérebro pode funcionar livremente sem determinadas suposições quanto à origem de seus conceitos básicos e sua capacidade de relacionar estes conceitos com os de outros. Estas suposições têm sofrido mudanças significativas no transcorrer do tempo e têm variado mais ou menos entre nações e grupos sociais num dado tempo. Estas diferenças nos métodos de raciocinar têm gerado rancor e mesmo ódio". (Karl Pribam)

Ainda: o maior bloqueio à comunicação é a falta de capacidade do homem para ouvir outra pessoa de modo inteligente, compreensivo e hábil.

Fonte de Consulta


HAYAKAWA, S. I. (Org.). Uso e Mau Uso da Linguagem. Tradução de Anne Maria Jane Koenig e outros. São Paulo: Pioneira, 1977 (Biblioteca Pioneira de Arte e Comunicação)
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11 junho 2009

Enunciação do Discurso


Ao enunciar um discurso, o orador deve se preocupar tanto com o conteúdo a ser transmitido quanto com a sua postura física e emocional. O discurso deve tender à universalidade que, para atingir o seu fim, deve apagar as marcas da particularidade, na qual está inserido o enunciador. Embora haja outros tipos de enunciador, como o de identificação e o singularizado, o enunciador universal é o que deve prevalecer.

Em se tratando do enunciador universal, o uso da terceira pessoa é a mais aconselhável. E mesmo que o orador use a primeira pessoa (eu), o teor da mensagem deve caminhar para o universal. Opiniões são opiniões e não refletem a verdade dos fatos. Em Espiritismo, que já tem um corpo doutrinário estabelecido, o "eu acho", o "eu penso" e o "eu creio" deveriam ser rechaçados, e usados somente como força de expressão, pois a convicção doutrinária oferece-nos elementos substanciais para afirmações mais concretas.

Enunciação pressupõe destinação. O destinatário também tem que ser universal. Não é recomendável que o orador dirija-se a uma pessoa em particular. É possível que, durante a sua exposição, separe pessoas e grupos, mas que fique apenas no campo do exemplo. A universalidade significa um conhecimento abrangente, um conhecimento que tende para a verdade, um conhecimento que capte os princípios fundamentais de uma ciência, de uma filosofia, de uma religião.

O enunciador veio para enunciar tal qual o semeador veio para semear. As palavras devem captar a essência do que se pretende transmitir. Tudo, porém, deve passar pelo crivo da razão e da lógica. Uma peça oratória confusa, cheia de impressões vazias, podem mais atrapalhar do que ajudar na divulgação de uma ideia, de uma doutrina. Nesse caso, um estudo mais aprofundado do tema é o recomendável.

A lei da expectativa determina que o principal requisito para que determinadas coisas aconteçam é acreditar que elas vão acontecer. Nesse caso, o enunciador, ao preparar o seu discurso, deve se preocupar e até auxiliar na formação das expectativas do público que vai ouvi-lo. Não adianta apenas a razão, a lógica e a boa argumentação; para atrair, é preciso agradar. Este é o segredo daqueles que falam em público e conseguem permanecer por longos e longos anos arrebatando as plateias. Há oradores tão eloquentes que conseguem até arrancar lágrimas de seus ouvintes. A divulgação dos princípios doutrinários do Espiritismo não precisa chegar a esse ponto, mas um pouco de emoção é bem-vinda.

O enunciador deve tender sempre para o universal, para o racional, para a verdade dos fatos, sem esquecer o emocional. Somente assim conseguirá passar a sua mensagem com mestria.
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27 maio 2009

Liderança Compartilhada

Há dois artigos da lei: 1. O chefe sempre tem razão; 2. Caso passe pela cabeça de alguém de o chefe não ter razão, entra imediatamente em ação o artigo 1. O chefe tem sempre razão não porque sabe mais, mas porque é chefe.

Liderança compartilhada é dividir as responsabilidades entre dois ou mais indivíduos. É delegar mais autonomia a pessoas que atuam em todos os níveis organizacionais bem como dar-lhes oportunidade de assumir a dianteira. As gestões verticais, de cima para baixo, estão dando lugar a gestões horizontais descentralizadas, muito mais ágeis.

De acordo com J. K. Deiss e George Soete, “A liderança compartilhada fomenta um ambiente que responde a novidades de maneira ágil. Ela promove um novo grau de criatividade e de pensamento racional nos níveis em que é necessária. Capacita os indivíduos da organização a testar suas próprias hipóteses e as de outras pessoas, em vez de esperar que as ideias e as decisões lhes sejam legadas pela hierarquia. A liderança compartilhada pode ocorrer em qualquer lugar de uma organização“.

Organizações horizontalizadas significam divisão de responsabilidade e a prestação de contas em todos os níveis da empresa, de forma que o poder, a autoridade e a tomada de decisão sejam mais distribuídos.
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06 maio 2009

Comunicação Visual

A comunicação visual pode ser vista sob diversos ângulos.

No livro Antropologia da Comunicação Visual, de Massimo Canevacci, editado pela DP&A, em 2001, encontramos:

Visual é a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. Inclui, também, o cinema, a TV e a fotografia.

Para ele, "o sistema de comunicação não se situa na tradição mecanicista do século XIX (um emissor que remete uma mensagem a um destinatário) e talvez nem na tradição cibernética (na qual – através do feedback ou retroatividade – o sistema se torna complexo e circular). O texto visual deve ser visto como o resultado de um contexto inquieto que envolve sempre esses três participantes, cada qual com seus papéis duplos de observados e observadores: autor, informante e espectador são atores do processo comunicativo".
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29 abril 2009

Persuasão


A persuasão é o emprego de argumentos, legítimos e não legítimos, com o propósito de se conseguir que outros indivíduos adotem certas linhas de conduta, teorias ou crenças. Pertence ao domínio da influência. É uma técnica de comunicação "calculada", pois tem em mira um determinado resultado.

Em termos históricos, os sofistas são considerados os primeiros profissionais da persuasão. Eles não tinham por base a busca do conhecimento, mas a preparação de seus alunos para vencer um debate. O seu ensino baseava-se em: leituras públicas (treinamento de conferências); sermões de improvisação (treinamento para falar e responder espontaneamente sobre diversos temas); crítica aos poetas (leitura e interpretação de suas poesias); debates erísticos (treinamento em exercícios de dialética, espécie de "combate da palavra").

Sócrates e Platão combateram o modus operandi dos sofistas. Para eles, o verdadeiro filósofo é simplesmente o "amigo da sabedoria", e independe do pagamento de salário. Afirmavam, também, que se poderia "persuadir" moralmente. Para isso, o orador devia valer-se das ciências, ou seja, conhecer a natureza das coisas, ter conhecimento da psicologia dos indivíduos e formar os seus argumentos dentro da lógica, da síntese, da análise, das generalizações e das subdivisões.

Presentemente, a mídia assemelha-se ao discurso persuasivo dos sofistas. A função da propaganda é vender o produto, seja útil ou não. Para isso, vale-se de alguns processos: epíteto insultante (recurso ao medo e ao ódio); generalização atraente (referência à fraternidade e ao amor);transferência (avalizar alguma coisa por outra de prestígio); recomendação (avalizar alguma coisa por uma pessoa de notoriedade); o "estar à vontade" (parecer o mais natural e o mais familiar possível).

Quanto à mídia política, podemos acrescentar: praticar a tautologia (eu sei, eu creio, eu acho); praticar a metonímia (a crise nos obrigou a tomar medidas desagradáveis); utilizar máximas (nem tudo é possível); colocar-se no meio dos interlocutores (nós todos podemos); criar frases feitas, estribilhos (uma sociedade mais justa, mais humana, mais livre). Há, ainda: a mistificação, a fabulação, a simulação, a dissimulação e a calúnia.

Em se tratando da persuasão, evitemos os rodeios, as frases apelativas e as "lavagens cerebrais". Lembremo-nos da frase: "não se deve persuadir de nada que não seja moral".


Fonte de Consulta


BELLENGER, Lionel. A Persuasão e suas Técnicas. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

Cópia de texto do livro citado

A persuasão é apenas uma das facetas do ato de influenciar outra pessoa. Sob tal aspecto, aproxima-se da propaganda, avizinha-se da retórica, e não é estranho à sedução, mantendo fundamentalmente uma relação ambígua com a manipulação, quando não experimenta as maiores dificuldades em distinguir-se desta. 

A persuasão mal acompanhada, marcada de práticas suspeitas ("guerras psicológicas", "lavagem cerebral", "normalização"...) afasta as consciências porque ousa atingir o livre-arbítrio, até mesmo a própria liberdade e, em última análise, a autonomia do "eu". 



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