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01 março 2026

Símbolo e Comunicação

Símbolo - do gr. symbolon = neutro - vem de symbolé‚ que significa aproximação, ajustamento, encaixamento, cuja origem etimológica é indicada pelo prefixo syn, com e bolé, donde vem o nosso termo bola, roda, círculo. Referia-se, deste modo, à moeda usada como sinal. O símbolo é, pois, tudo quanto está em lugar de outro. Comunicação - do lat. communicatio, de communis = comum -, ação de tornar algo comum a muitos. É o estabelecimento de uma corrente de pensamento, dirigida de um indivíduo a outro, com o fim de informar, persuadir ou divertir.

A comunicação de uma ideia deve estar inserida dentro do contexto simbólico do ouvinte. Observe, por exemplo, o anúncio de uma nova descoberta científica a um grupo de indígenas. É preciso muito tato e muita sabedoria para fazê-los entender, visto pertencerem a um universo de valores diametralmente oposto ao discurso científico. Às vezes, essa distância é tão grande, que torna inviável qualquer comunicação.

O homem é um animal simbólico. Fabrica mitos, ídolos, salvadores da pátria, e vive de acordo com essas concepções. Há, na Filosofia, a simbólica, ou seja, uma matéria voltada para o estudo da gênese, do desenvolvimento, da vida, da morte e da ressurreição dos símbolos. A simbólica tem por objetivo descobrir o que está escondido atrás dos ritos e dos dogmas sob emblemas tão diversos. Por isso, utiliza-se do método dialético-simbólico, no sentido de, através da analogia, tornar compreensível o processo mágico, as fantasias e os mistérios.

O símbolo é a espécie e o sinal o gênero. Quer dizer, todo símbolo é sinal, mas nem todo sinal é símbolo. Para que o sinal seja símbolo ele tem que estar no lugar de outro. O sinal pode ser apenas convencional, arbitrário. O símbolo, não. Este deve repetir, analogicamente, algo do simbolizado. Além disso, o símbolo é meio de acesso às realidades pessoais, misteriosas e inacessíveis a uma observação direta e imediata. Por exemplo: o signo bandeira simboliza os vários graus de heroísmo.

O homem, praticamente, não dispõe de um símbolo mais privilegiado para a comunicação do que a palavra. Imagine um indivíduo feito uma estátua. Nessa circunstância, é difícil sondar-lhe o pensamento e o sentimento. Porém, ao se expressar, torna-se logo conhecido. Além da transmissão de conteúdo, a palavra é muito mais um instrumento de comunicação espiritual: faculta ao ouvinte a elaboração de novas ideias sobre o discurso proferido.

A palavra é um dom divino. Revistamo-la da simbologia necessária, mas não nos esqueçamos de que ela deve ser usada para instruir, educar e elucidar as almas que nos rodeiam.

17 março 2024

Informação e Comunicação

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. O Problema da Informação: 4.1. Importância da Informação; 4.2. Direito e Dever da Informação; 4.3. A Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948). 5. O Problema da Comunicação: 5.1. O Ser Social; 5.2. Tipos de Comunicação; 5.3. A Sintonia entre o Emissor e o Receptor. 6. Informação e Doutrina Espírita: 6.1. Não Acreditemos em Todos os Espíritos; 6.2. A Candeia e o Alqueire; 6.3. Na Tribuna. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O que é informação? O que é comunicação? Informar é formar? Temos o direito e o dever de comunicar todo e qualquer tipo de conhecimento? O que é realmente relevante saber para poder comunicar?

2. CONCEITO

Informação. Significa, originariamente, dar forma a alguma coisa que por esta forma se torna cognoscível e, como tal, transmissível. Liga-se a todo o processo de criação, conservação e comunicação do conhecimento humano.

Comunicação. Do lat. communicatio de communis = comum significa a ação de tornar algo comum a muitos. É o estabelecimento de uma corrente de pensamento ou mensagem, dirigida de um indivíduo a outro, com o fim de informar, persuadir, ou divertir. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo). Significa, também, a troca de informações entre um transmissor e um receptor, e a inferência (percepção) do significado entre os indivíduos envolvidos.

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A informação tornou-se, nos dias que correm, a mercadoria mais valorizada. Hoje, fala-se da tecnologia da informação, em que se dá mais valor aos serviços prestados por um bem do que a sua produção. Em se tratando da informática, o software (programa) tem mais valor do que o hardware (máquina física).

Segundo Richard S. Wurman, uma edição do The New York Times em um dia da semana contém mais informações do que um mortal comum poderia receber durante toda a vida na Inglaterra no século XVII; nos últimos 30 anos produziu-se um volume maior de informações novas do que nos 5.000 anos precedentes.

Por esta razão, diz-se que "O conhecimento é ‘moeda’ de nosso tempo, e a velocidade de mudanças é a ‘taxa de inflação’. Quanto mais alta for essa taxa, mais rapidamente essa moeda perde seu valor. A reciclagem nada mais é do que a ‘correção monetária’ do ativo conceitual ‘depositado’ nos ‘bancos’ de memória humanos".

Em vista do acúmulo das informações, tenhamos um cuidado especial para navegar e não naufragar, principalmente na Internet.

4. O PROBLEMA DA INFORMAÇÃO

4.1. IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO

A liberdade humana está intimamente ligada à capacidade de obter informação. A determinação de fazermos isto ou aquilo supõe que tenhamos a informação necessária para tomarmos esta ou aquela decisão. A escolha de governantes, por exemplo, supõe a capacidade de juízo crítico, proveniente da informação adequada. Sem informação, não teríamos a propagação das descobertas científicas, tão necessárias à longevidade da vida humana. A informação é comparada à função que o sistema nervoso exerce no organismo, ou seja, a de regulação social.

4.2. DIREITO E DEVER DA INFORMAÇÃO

O ser humano, pela sua característica comunicativa, tem o direito de informar e de ser informado. As nossas experiências e as nossas vivências podem ser úteis às experiências e vivências do próximo, tanto quanto as suas experiências e vivências podem ser úteis ao nosso progresso material e espiritual. O direito e o dever devem estar alicerçados na verdade, da verdade descoberta e da verdade a descobrir. Isto porque os livros, os jornais, e os meios de comunicação de massa podem transmitir tanto a verdade quanto o erro. Por isso, a máxima: "Nada transmitir de falso e nada omitir de verdadeiro". Devemos ser fiéis à mensagem – recebida e captada –, porque todos temos a grandiosa tarefa de promover o bem comum do gênero humano.

4.3. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM (1948)

No que diz respeito ao tema, anotamos:

Art. XVIII – "Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;..."

Art. XIX – "Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras".

Art. XXVII – 1. "Todo homem tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios".

2. "Todo homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor".

5. O PROBLEMA DA COMUNICAÇÃO

5.1. O SER SOCIAL

Aristóteles, na Antigüidade clássica grega, falava que o ser humano é um ser social por excelência, e, por isso, deveria viver em sociedade. Viver em sociedade implica comunicação, relacionamento, aprendizagem. Em termos práticos, é a convivência com os contrários. Se nosso próximo é um enigma para nós, nós também o somos para ele. Por isso, a tolerância deve ser praticada em qualquer circunstância, mesmo quando tivermos que ouvir insistentemente os nossos supostos adversários.

5.2. TIPOS DE COMUNICAÇÃO

Em linhas gerais, há dois tipos de comunicação: a comunicação interpessoal e a comunicação de massas. A comunicação interpessoal, mais estreita, é aquela praticada em casa, nas empresas e nos círculos de amigos. A comunicação de massas necessita de um aparelho multiplicador, mais conhecido como mídia. Quando o presidente da República se dirige à nação, ele utiliza-se este tipo de comunicação. Ou seja, ele não fala para atingir uma ou duas pessoas, mas todos os cidadãos, estejam onde estiverem.

5.3. A SINTONIA ENTRE O EMISSOR E O RECEPTOR

De acordo com J. Krishnamurti, "A comunicação implica termos de compreender as palavras ao ser transmitida alguma coisa. Ambos – receptor e emissor – temos de ser intensos no mesmo plano e ao mesmo tempo. Capazes de nos encontrar mutuamente nem um momento antes nem um momento após. Do contrário não será possível a Comunicação".

A fidelidade de uma comunicação é medida pela compreensão da mensagem. Uma mensagem é tanto mais fiel quanto produza em nós uma ressonância idêntica ao emissor. O ruído perturba a fidelidade da comunicação. Pergunta: como posso me comunicar com os outros se não me comunico comigo mesmo? Este é o paradoxo da vida moderna. Assim, só deveríamos nos expressar em público quando tivermos convencidos a nós mesmos que aquilo que vamos dizer é verdade.

6. INFORMAÇÃO E DOUTRINA ESPÍRITA

6.1. NÃO ACREDITEMOS EM TODOS OS ESPÍRITOS

São João, na 1.ª Epístola, 4,1, diz: "Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espírito, mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porque vários falsos profetas se ergueram no mundo". A comunicação mediúnica sofre a inserção de muitos ruídos. Há a inspiração dos mentores espirituais, mas por medo ou falta de confiança permitimos que idéias malsãs interfiram no processo de comunicação. A inserção de idéias menos felizes está bem explicada por Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, quando ele discute o problema da obsessão. Diz-nos que há três graus, ou seja, obsessão simples, fascinação e subjugação. Na obsessão simples, há a persistência do Espírito em comunicar-se, quer o médium queira, quer não, impedindo que outros Espíritos o façam; na fascinação, há a ação direta exercida por um Espírito inferior sobre a do indivíduo, perturbando ou embaralhando suas idéias; na subjugação, há a constrição exercida por Espírito (ou Espíritos inferiores), a qual paralisa a vontade de maneira contrária aos próprios desejos e sentimentos, levando-o à aberração das faculdades psicofisiológicas.

6.2. A CANDEIA E O ALQUEIRE

Em questão de comunicação, Jesus deu-nos grandes exemplos, tanto teóricos quanto práticos. A "candeia sob o alqueire" e o "falar por parábolas" retratam bem o nosso tema. Nesse trecho do Evangelho, Jesus ensina-nos a comunicar o que sabemos: não podemos esconder, nem tampouco dizer tudo o que conhecemos. A sua ordem é: comunique-se de acordo com a compreensão do ouvinte. Nada de termos rebuscados, palavras difíceis, vocabulário chulo. Aquele que nos ouve merece todo o nosso respeito. Se o nosso interlocutor não nos entender, a comunicação não se completará. A justa medida, como apregoava Aristóteles, em sua Ética a Nicômaco, é sempre bem vinda.

6.3. NA TRIBUNA

O Espírito André Luiz, no capítulo 14, de Conduta Espírita, dá-nos algumas orientações para o uso da palavra.

1) Palestrar com naturalidade, governando as próprias emoções, sem azedume, sem nervosismo e sem momices;

2) Calar qualquer propósito de destaque, silenciando exibições de conhecimentos, e ajustar-se à Inspiração Superior;

3) Nos comentários, respeitar pessoas e instituições;

4) Abster-se de historietas impróprias ou anedotas reprováveis;

5) Nas conversações, evitar fatos e estudos doutrinários de entendimento difícil;

6) Diante de um imprevisto, manter inalterável a sua alocução;

7) Abolir, nas palestras, os vocábulos impróprios, as expressões pejorativas e os termos da gíria das ruas.

7. CONCLUSÃO

Temos o dever de informar e de sermos informados. Atendamos, pois, à exortação de Paulo, em Efésios, 4,29: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem".

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]

POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.

 

16 março 2024

Contador de Histórias

Contar histórias é a arte de usar palavras, gestos e presença de palco para agradar àqueles que emprestam os seus ouvidos. Contos populares são próprios da cultura oral (auditiva), enquanto os literários são próprios da cultura escrita (visual de mensagem). Todos resultam de produções coletivas de um povo. A cultura oral, entretanto, sobrepõe-se à cultura literária. Por isso, diz-se que: “Na África, cada velho que morre é uma biblioteca que se queima”.  

A importância de se contar histórias baseia-se em:  

  • histórias despertam o gosto pela leitura;
  • ajudam no desenvolvimento psicológico e moral;
  • ampliam o vocabulário;
  • aprimoram a atenção, a imaginação, a observação, a memória, a reflexão e a linguagem;
  • adaptam as pessoas ao meio ambiente;
  • aliviam sobrecargas emocionais;
  • desenvolvem funções cognitivas para o pensamento: comparação, o raciocínio lógico, as relações de tempo e espaço, o pensamento hipotético e o pensamento divergente ou convergente;
  • colabora para a formação ética e cidadã das crianças, dos jovens e dos adultos.

As histórias podem ser extraídas dos contos de fadas, dos mitos, das fábulas (Esopo, Fedro e La Fontaine), das histórias de animais, dos contos cumulativos, dos contos etiológicos, dos contos do Demônio logrado, das anedotas e das lendas. Há, também, os contos de  Charles Perrault, dos Irmãos Grimm e de Andersen.

A história de Sherazade é muita famosa. Resume-se no seguinte:  

"Sherazade foi casada com o sultão árabe Sheriar. O sultão já teria sido traído pela rainha, a sua primeira esposa, e desde então, casava-se todos os dias com uma nova mulher e, no dia seguinte do casamento, mandava matá-la. Sherazade, ao se casar com o sultão, lhe contou uma história e a interrompeu na melhor parte. O sultão, que adorava ouvir histórias, permitiu que ela vivesse para ouvir a continuação na noite seguinte. E assim passaram-se mil e uma noites, até que o sultão resolveu não matá-la mais." 

As expressões de espanto, de admiração e de indignação dos ouvintes estimulam o contador de histórias. O conto oral permite que haja expressão corporal, improvisação, interpretação e interação com os ouvintes. O conto lido, deixa muito a desejar, porque não se consegue improvisar a partir dos estímulos do auditório.

Para que o contador de histórias tenha êxito, convém processar a história em seu interior. Nada de “decoreba”.  

Fonte de Consulta

Curso de Contadores de Histórias 

MATOS, Gislayne Avelar e SORSY, Inno. O Ofício de Contador de Histórias: Perguntas e Respostas, Exercícios Práticos e um Repertório para Encantar. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2007.

São Paulo, março de 2013.

 

Barreiras à Comunicação Humana e sua Minimização, As

A) TIPOS DE BARREIRAS

1. LIMITAÇÃO DA CAPACIDADE DO RECEPTOR

O receptor tem uma capacidade, capacidade essa relativa ao seu grau cultural, aos seus interesses e ao seu modo de ver o mundo. A expressão “perda da informação” sugere um déficit mecânico, como o vazamento de água por um cano. Churchill observou: “Quando há uma inundação não se modificam os hábitos do cano de quatro polegadas. Continua a transmitir o seu fluxo costumeiro, rejeitando prazenteiramente o resto”.

2. DISTRAÇÃO

São todos os fatores extrínsecos que interferem na recepção da mensagem. É mais conhecido como os ruídos na fórmula E-c-M-d-R, onde E (emissor), c (código), M (mensagem), d (decodificação) e R (receptor).

Fatores extrínsecos são aqueles que não se  relacionam com o significado nem com a interpretação do tema.
Podem ser: clarão ofuscante, um ribombo atroador, telefonema inesperado, conversa sobre o mesmo tema de que o receptor está tentando seguir.

3. PRESUNÇÃO NÃO ENUNCIADA

Muitas informações são perdidas porque o orador pressupõe que o receptor já saiba o significado do termo que lhe vai comunicar. Nesse caso, deve-se considerar a ignorância do receptor e não a sua predisposição.

4. APRESENTAÇÃO CONFUSA

A comunicação de assuntos, sem uma ordem lógica e coerente, dificulta a formação de imagens na cabeça do receptor. Não a tendo de imediato, começa a focar outras imagens, que nada têm a ver com o tema em questão. Nesse caso, o receptor opõe-se, tanto afetivamente quanto inconscientemente, ao teor da mensagem do emissor.

5. REPRESENTAÇÃO MENTAL

O ouvinte não é uma estátua. Ao mesmo tempo em que ele recebe os dados, ele vai formando uma imagem afetiva do que está sendo comunicado. Observe quanto o carisma de um emissor consegue que sua mensagem seja recebida. Uma voz melodiosa, como a dos radialistas, também chama a atenção do ouvinte. Por outro lado, pense naquela pessoa que tem fama de faladora. Mal começa a falar, o seu discurso parece que não tem mais fim.

6. CREDIBILIDADE

Como algumas pessoas contam com mais credibilidade que as outras, temos a tendência de acreditar nessas pessoas e descontar a informações recebidas de outros. A autoridade e o status têm um peso muito grande.

7. DISTÂNCIA FÍSICA

Resultados de pesquisas têm sugerido que a probabilidade de duas pessoas se comunicarem decresce proporcionalmente ao quadrado da distância entre elas.  

8. DEFENSIDADE

Quando os ouvintes têm um conceito já formado de algum orador, eles acabam se colocando na defensiva, impedindo que os seus ouvidos participem da comunicação interpessoal.

B) COMO MINIMIZAR AS BARREIRAS 

  • Usar linguagem apropriada e direta
  • Fornecer informações claras e completas
  • Usar canais múltiplos para estimular os vários sentidos do receptor (visão, audição etc.)
  • Comunicação face a face. Observe que os políticos, em época de eleição, falam da campanha corpo a corpo. 
  • Escuta ativa. Não permitamos que os oradores falem para nós. Participemos ativamente da comunicação.
  • Empatia.  Colocar-se na posição ou situação da outra pessoa, num esforço de entendê-la.

Fonte de Consulta

PARRY, John. Psicologia da Comunicação Humana. Tradução por Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix, 1976.

BOWDITCH, James L. BUONO, A. F. Elementos de Comportamento Organizacional. São Paulo: Pioneira, 1992. (capítulo 5)

 

31 março 2015

Conversas Difíceis

Foto

As conversas difíceis ocorrem quando nos sentimos vulneráveis, quando há riscos para o relacionamento, quando envolve assuntos importantes e resultados duvidosos. Exemplos: separação, divisão de herança, decisão de carreira, demissão, lidar com um sequestro, agressão, decepção no relacionamento.

Para resolver esta situação incômoda, convém: 

Preparação: apesar das desconfianças, não percamos a cabeça com ameaças e acusações, como por exemplo, "eu acho que você está usando drogas". Há outros modos de situar o problema. Há sempre outras alternativas para essa abordagem. Pensemos naquelas que não ofendam o interlocutor. 

Informar os fatos: os fatos proporcionam um começo mais seguro. Para tanto, use um tom neutro, sem julgamentos. Pode-se dizer: "ontem você chegou à 2h da manhã", em vez de "você não é confiável". Não queremos convencer os outros que estamos certos, mas os fatos dão subsídios para o outro pensar e refletir numa melhor resposta.

Relate sua história: ela dá o grau da importância que os fatos têm para você. É preciso muita cautela, pois às vezes nossas conclusões têm um potencial incendiário. Não se desculpe por suas opiniões. Ao perceber que a segurança foi rompida saia da história, reconstrua a segurança e volte. Demonstre humildade, solicitando a opinião do outro.

Incentive-a a se expressar: para você saber a opinião do outro, ele precisa expressá-la e somente o fará caso sinta-se seguro e respeitado. Caso contrário haverá silêncio, evasivas ou agressão. Garanta-lhe que quer escutá-lo, mesmo em opiniões, versões diferentes das suas. 

 

 



20 setembro 2011

Comunicação: Ênfase

Para direcionarmos a atenção do público sobre determinado assunto, nada melhor do que uma figura e frases de efeito. Eis um exemplo:




PROCURADO VIVO OU MORTO!
BOA RECOMPENSA PARA QUEM
PRENDER O CIGARRO ASSASSINO!
CUIDADO! É DE ALTA PERICULOSIDADE!
JÁ MATOU MILHÕES!



Fonte
: Izidoro Blidstein. Técnicas de Comunicação Escrita. 22. ed. Ática, 2006, p. 92

21 abril 2010

Comunicação e Interesse

“O sapato que seve no pé de uma pessoa aperta o da outra. Não existe uma receita de vida que sirva para todos os casos.” Carl Jung.

Aristóteles, no seu livro Retórica, já nos descortinava que o interesse implicava em ativar a memorização. Ninguém esquece uma marca, uma música, um filme e um diálogo em que esteve presente o interesse do sujeito. Por isso, a comunicação tem uma perfeita relação com o interesse.

Comunicação e interesse se relacionam com a persuasão. Na persuasão, levam-se em conta três pontos fundamentais: 1) caráter de quem fala; 2) forma de pensar da audiência; 3) palavras escolhidas pelo orador.

Presentemente, a mídia tem procurado avivar o interesse do consumidor pelos anúncios digitais, aqueles veiculados na rede da internet. Ao ligarmos o nosso computador e acionarmos qualquer página, haverá a propaganda, propaganda esta que procura chamar a nossa atenção, descortinar a nossa curiosidade para que consultemos algo, tendo por objetivo a compra do produto.

Os anúncios têm a incumbência de atender a necessidades. O Adsense, do Google, sempre traz anúncios a respeito do título da página. O mesmo deveríamos fazer com relação às pessoas que nos ouvem. Atender aos seus interesses, mas de forma objetiva e clara. Nada de divagações, nada de comunicar o que não quer ouvir. Deve-se equilibrar o conteúdo emocional e racional.

Atingindo o interesse, o público sempre se lembrará de nós.




03 março 2010

Signo e Comunicação

O ser humano se vale de diversos signos para se comunicar. Para que um objeto qualquer seja um signo de comunicação, ele deve conter alguma informação. Sem isso, é mero objeto. A luz não é signo. Pode, contudo, se tornar signo, quando usada em determinada circunstância. Observe a luz vermelha nos semáforos. O vermelho significa que os motoristas devem parar o seu veículo. A cor verde, por sua vez, mostra que ele pode prosseguir o seu trajeto.

Muitos signos transmitem naturalmente a sua informação. As nuvens escuras são indícios de chuva, uma faixa branca no céu indica que acaba de passar um avião a jato, a febre é sintoma de alguma doença. Vemos, assim, que o signo é um objeto, ação ou fenômeno que se pode perceber por meio dos sentidos e que contém algum tipo de informação. Ainda: na comunicação, os signos são empregados como intermediários.

Os ícones, que se caracterizam pela sua semelhança ou analogia com o objeto, são também formas de signo. A fotografia de um edifício mostra o que o edifício é. O desenho de um presidente da república representa o próprio presidente. Na mídia, tanto escrita quanto falada, recorre-se a muitos ícones. Pelé, como figura, é um ícone por excelência, pois ele é mundialmente conhecido.

Os símbolos são signos inventados. Nesse caso, a relação entre o signo e o objeto é convencional. Por tratar-se de algo conhecido, há necessidade de alguém que saiba interpretar o referido símbolo. A aliança é o símbolo do casamento. Por quê? Porque é um anel usado para simbolizar um compromisso e a união afetiva entre duas pessoas, em noivados e cerimônias de casamento.

O signo linguístico, que contém um significado e um significante, é um acordo entre pessoas. As palavras pronunciadas são apenas manifestações do signo linguístico, mas não o próprio signo, pois este só existe na mente. No signo linguístico árvore, a imagem de alguns sons (á – r – v – o – r – e), junto com a imagem mental da árvore, adquire um significado global que constitui o signo.



15 julho 2009

Escrever: Exercício do Pensamento

Georges Picard enfatiza que todos os seres humanos deveriam escrever, não para publicação, mas para si mesmos, a fim de disciplinar o pensamento. É uma sugestão estimuladora, porque a maioria das pessoas que não lê não dá muita atenção à escrita. Para Picard, o ato de escrever é o "desejo de se descobrir tanto a si mesmo como aos outros". Ele defende a ideia de uma literatura livre, contrária ao canto de sereia do marketing e da publicidade, que procura reduzir tudo ao vendável.

Um bom método, para ler corretamente, é escrever o que se vê diariamente. São poucos os que percebem que escrever é uma espécie de trabalho. Observe o texto bíblico em que Adão, depois de ter pecado, recebe de Deus a seguinte advertência: "Por teres escutado a voz de tua mulher e comido da árvore da qual eu te havia prescrito não comer, o solo será maldito por sua causa. É com fadiga que te alimentarás dele todos os dias de tua vida. E com fadiga escreverás teus ensaios todas as noites de tua vida". (Gênesis, 3, 17) Escrever faz-nos pensar sobre um determinado assunto. Colocando-o no papel, memorizamos melhor o acontecimento.

A diversidade, as ideias contraditórias e a contestação são verdadeiras armas para aqueles que fundamentam os seus argumentos na esgrima da palavra. A oposição de ideias, tal qual Hegel defendia, é um verdadeiro manancial de conhecimento e aprendizagem porque a sequência de tese, antítese, síntese, tese, antítese, síntese... propicia-nos um conhecimento mais amplo e mais aprofundado de qualquer tema. Lembremo-nos de que a beleza da escrita está na tensão entre o que está escrito e o que está por ser escrito.

O ato de escrever é uma espécie de concentração, porque obriga aquele que escreve a ficar inteiro no que está escrevendo, sob pena de não anunciar a sua afetividade e o seu sentimento de maneira genuína e profunda. As notas valem mais do que as palavras. Escrever nos obriga a escolher entre um monte de ideias vagas aquelas que são mais compreensíveis ao texto. Claude-Louis Combet diz: "A dedicação à escrita, em todo o seu rigor de forma e em sua disciplina moral, estimula o recolhimento, o gosto pelo silêncio, a atenção do coração, o respeito pela língua, a renúncia à exterioridade".

No livro de Picard há diversas frases soltas: "’Escrevo, logo sou’ pode fundar uma ética da existência"; "não é com fatos, mas com palavras que se escreve"; "o escritor deve fugir do jogo de tolos que consiste em escrever obscuramente fingindo profundidade"; "pensar não significa fazer teoria, pensar é também compor ficção ou escrever poesia"; "na medida em que o cesto de lixo, físico ou virtual, se enche de rascunhos, cresce a energia intelectual mobilizada para chegar a uma página que valha a pena"; "é justamente porque não se tem nada a esperar do midiático e do social em geral que escrever parece ser, cada vez mais, uma vocação desinteressada".

Os slogans, as expressões audiovisuais e as imagens simplistas retratam o triunfo da literatura medíocre, da literatura pouco aprofundada e tendente à uniformidade. Para fugirmos dessa influência automática e rotineira, dediquemo-nos à escrita e à leitura de bons livros.

Fonte de Consulta

PICARD, Georges. Todo Mundo Devia Escrever: A Escrita como Disciplina do Pensamento. Tradução de Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2008.

 

01 julho 2009

Administrando o Erro

"Independente do cargo que ocupa todo mundo erra."

A Revista Você, de junho de 2009, dedica boa parte de sua edição ao problema do erro. Eis algumas anotações:

1) Os comportamentos que costumam gerar mais erros são: a) ignorar outros pontos de vista; b) recusar-se a aprender com os erros; c) achar que sabe mais do que os outros; d) agarrar-se às suas convicções sem questioná-las; e) ignorar o talento das pessoas.

2) O tipo de informação que ajuda um gestor a evitar erros são: a) não se pautar por rumores. Para isso, deve se munir constantemente de novas experiências, dados e análises; b) é fundamental ouvir o que clientes, fornecedores, empregados e outras partes envolvidas no negócio têm a dizer. Ao fazer isso, o risco de uma decisão equivocada pode ser reduzido na fonte.

3) Quem nunca disse "sim" a uma demanda do chefe quando na verdade pensou em dizer "não"? Esse é outro equívoco que aparece entre os mais citados pelos 17 profissionais de recursos humanos consultados pela VOCÊ S/A. Sob pressão, muita gente dá o braço a torcer e aceita o projeto do chefe.

4) Confira quais são os sete erros mais comuns cometidos por funcionários, segundo as respostas de 17 executivos de RH ouvidos pela reportagem:

  • Não ter ou não sustentar uma postura de aprendiz.
  • Dificuldade de dizer "não" para a liderança ou para seu próprio time.
  • Análises incorretas ou erros estratégicos no planejamento.
  • Não privilegiar a excelência de desempenho.
  • Falta de rigor e profundidade na análise de problemas.
  • Tomada de decisão e encaminhamento de ações pensando somente no seu "próprio negócio", sem considerar eventuais reflexos em outras células da organização.
  • Falta de alinhamento com a estratégia e os valores da companhia.

 Fonte de Consulta

http://vocesa.abril.com.br/sumarios/0132.shtml

17 junho 2009

Semântica

Semântica é o estudo das relações entre linguagem, pensamento e comportamento: entre como conversamos, por conseguinte, como pensamos e, portanto, como agimos. De acordo com Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia, semântica é a doutrina que considera as relações dos signos com os objetos que lhes se referem, que é a relação de designação. Daí, o significado ou significância ser a possibilidade de um signo referir-se a um objeto.

Semântica e discussões. Muitas discussões se degeneram por falta de entendimento entre os seus participantes. Algumas vezes, pelas afirmações egocêntricas, tais como: "Você está absolutamente errado"; "Eu possuo anos de experiência neste assunto"; "Eu sei o que estou falando". Outras vezes, pela colocação indevida das frases. Exemplo: desenha-se um quadrado e se escreve dentro dele: "Toda a afirmação neste quadrado é falsa". Ora, como esta frase está dentro do quadrado, ela também será falsa.

Incapacidade de ouvir o outro. As pessoas, devido às diversas tribulações do dia-a-dia, estão mais preocupadas com elas mesmas, rejeitando a audição do próximo. Observe um ouvinte numa conferência. Como quer fazer valer os seus pontos de vista, tende a achar as elocuções dos outros uma interrupção enfadonha do fluxo dos seus próprios pensamentos. Este bloqueio, contudo, pode ser amenizado se o ouvinte usar a empatia, ou seja, vivenciar o problema do mesmo modo que o emissor.

Semântica internacional. As dificuldades na comunicação internacional são inúmeras; a pior delas, porém, é a de não ter consciência da mesma. Numa conferência internacional, podemos até nos valer de bons intérpretes, que fazem a devida tradução da língua. O problema, contudo, não reside aí, mas, sim, nos padrões de pensamentos daquela comunidade, pois quer queiramos ou não somos influenciados pelos usos e costumes de um povo, de uma nação. Observe as palavras contribuable (francês) e taxpayer (inglês). As duas palavras denotam pagamento de imposto. Para os franceses, contribuable expressa a generalidade do imposto; para os americanos, taxpayer é dinheiro debitado em conta.

Semântica e senso comum. O senso comum é útil para as ações do cotidiano, mas não serve para situações de grande complexidade. Vejamos. Em uma determinada sala, há um grupo de filósofos discutindo sobre os problemas existenciais do ser humano. Terminada a reunião, dirigem-se para a porta, que não se abre. Chega uma pessoa, que não tem a beca de doutor, e diz que é só puxar a maçaneta. Esta solução fácil não pode ser estendida para as questões vitais da existência, porque o sentido da vida é muito mais complexo do que simplesmente abrir uma porta.

A semântica e a decifração dos signos, que se escondem por detrás das palavras, é sempre louvável. Louvável também é a preocupação com o contexto em que a palavra foi dita. Tendo esses cuidados, podemos melhorar consideravelmente a nossa comunicação em sociedade.

Fonte de Consulta

HAYAKAWA, S. I. (Org.). Uso e Mau Uso da Linguagem. Tradução de Anne Maria Jane Koenig e outros. São Paulo: Pioneira, 1977 (Biblioteca Pioneira de Arte e Comunicação)

 

Sem Compreensão não Há Comunicação

A comunicação pode ser dividida em: 1) atos que comunicam certo comportamento ou estados emocionais (comunicação do comportamento); 2) atos que comunicam certo conhecimento ou estados mentais (comunicação intelectual). Em toda comunicação há os ruídos, ou seja, as interferências entre a emissão da mensagem e a decodificação por parte do receptor. As avarias na percepção do signo vão desde a forma incorreta de ouvir uma conferência até as dificuldades semânticas na comunicação internacional.

Diz-se que as abelhas se comunicam através da "dança", as formigas por intermédio dos "toques nas antenas", os pássaros pelos "cantos" e os seres humanos pelos "gestos". Será isto comunicação? Sim, mas pertencem ao grupo da comunicação dos estados emocionais. Contudo, difere da comunicação essencialmente humana, que transfere certos conhecimentos e certos estados mentais.

O ato de comunicação realiza-se da seguinte maneira: uma pessoa faz uma declaração; a outra pessoa, ouvindo esta declaração, compreende-a, isto é, experimenta estados mentais análogos (não os mesmos do declarante). Em contraste com a comunicação emocional, a comunicação intelectual pressupõe a compreensão da mensagem, pois as tarefas intelectuais de comunicação só podem ser desempenhadas por uma linguagem de palavras, uma linguagem fônica (ou sua forma escrita).

Anotações sobre as dificuldades de compreensão.

1) Uma criança está brincando numa sala de estar. Um observador diz: "Que criança comportada!" Outro observador, que gosta de móveis mais do que crianças, diz: "Que criança indisciplinada!" Pode-se notar que nenhuma destas afirmações nos dá um "mapa" descritivo do "território" do comportamento da criança.

2) Segundo um relato popular, George Westinghouse projetou um freio de trem operado por ar comprimido. Após tê-lo patenteado, lutou para convencer os administradores das ferrovias do valor da sua invenção. Afirma-se que Cornelius Vanderbilt da Central de Nova York respondeu: "você pretende me dizer, frente a frente, que um trem em movimento pode ser parado com vento?"

3) Padrões de pensamento entre povos. "O entendimento mútuo e as relações pacíficas entre os povos têm sido obstaculizados não apenas pela multiplicidade de línguas, mas também, em grau maior, pelas diferenças dos padrões do pensamento, isto é, pelas diferenças dos métodos adotados para definir as fontes do conhecimento e para organizar o pensamento coerente. Nenhum cérebro pode funcionar livremente sem determinadas suposições quanto à origem de seus conceitos básicos e sua capacidade de relacionar estes conceitos com os de outros. Estas suposições têm sofrido mudanças significativas no transcorrer do tempo e têm variado mais ou menos entre nações e grupos sociais num dado tempo. Estas diferenças nos métodos de raciocinar têm gerado rancor e mesmo ódio". (Karl Pribam)

Ainda: o maior bloqueio à comunicação é a falta de capacidade do homem para ouvir outra pessoa de modo inteligente, compreensivo e hábil.

Fonte de Consulta

HAYAKAWA, S. I. (Org.). Uso e Mau Uso da Linguagem. Tradução de Anne Maria Jane Koenig e outros. São Paulo: Pioneira, 1977 (Biblioteca Pioneira de Arte e Comunicação)

 

29 abril 2009

Persuasão

A persuasão é o emprego de argumentos, legítimos e não legítimos, com o propósito de se conseguir que outros indivíduos adotem certas linhas de conduta, teorias ou crenças. Pertence ao domínio da influência. É uma técnica de comunicação "calculada", pois tem em mira um determinado resultado.

Em termos históricos, os sofistas são considerados os primeiros profissionais da persuasão. Eles não tinham por base a busca do conhecimento, mas a preparação de seus alunos para vencer um debate. O seu ensino baseava-se em: leituras públicas (treinamento de conferências); sermões de improvisação (treinamento para falar e responder espontaneamente sobre diversos temas); crítica aos poetas (leitura e interpretação de suas poesias); debates erísticos (treinamento em exercícios de dialética, espécie de "combate da palavra").

Sócrates e Platão combateram o modus operandi dos sofistas. Para eles, o verdadeiro filósofo é simplesmente o "amigo da sabedoria", e independe do pagamento de salário. Afirmavam, também, que se poderia "persuadir" moralmente. Para isso, o orador devia valer-se das ciências, ou seja, conhecer a natureza das coisas, ter conhecimento da psicologia dos indivíduos e formar os seus argumentos dentro da lógica, da síntese, da análise, das generalizações e das subdivisões.

Presentemente, a mídia assemelha-se ao discurso persuasivo dos sofistas. A função da propaganda é vender o produto, seja útil ou não. Para isso, vale-se de alguns processos: epíteto insultante (recurso ao medo e ao ódio); generalização atraente (referência à fraternidade e ao amor);transferência (avalizar alguma coisa por outra de prestígio); recomendação (avalizar alguma coisa por uma pessoa de notoriedade); o "estar à vontade" (parecer o mais natural e o mais familiar possível).

Quanto à mídia política, podemos acrescentar: praticar a tautologia (eu sei, eu creio, eu acho); praticar a metonímia (a crise nos obrigou a tomar medidas desagradáveis); utilizar máximas (nem tudo é possível); colocar-se no meio dos interlocutores (nós todos podemos); criar frases feitas, estribilhos (uma sociedade mais justa, mais humana, mais livre). Há, ainda: a mistificação, a fabulação, a simulação, a dissimulação e a calúnia.

Em se tratando da persuasão, evitemos os rodeios, as frases apelativas e as "lavagens cerebrais". Lembremo-nos da frase: "não se deve persuadir de nada que não seja moral".

Fonte de Consulta

BELLENGER, Lionel. A Persuasão e suas Técnicas. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

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Cópia de texto do livro citado

A persuasão é apenas uma das facetas do ato de influenciar outra pessoa. Sob tal aspecto, aproxima-se da propaganda, avizinha-se da retórica, e não é estranho à sedução, mantendo fundamentalmente uma relação ambígua com a manipulação, quando não experimenta as maiores dificuldades em distinguir-se desta. 

A persuasão mal acompanhada, marcada de práticas suspeitas ("guerras psicológicas", "lavagem cerebral", "normalização"...) afasta as consciências porque ousa atingir o livre-arbítrio, até mesmo a própria liberdade e, em última análise, a autonomia do "eu". 

 

26 junho 2008

Ensino

A etimologia da palavra ensino deriva de ensinar, que vem do latim in+signare e significa pôr marcas ou sinais, designar e mostrar coisas. O professor, quando ensina, coloca uma marca no aluno. Na linguagem espanhola, a palavra ensinar corresponde a enseñar e significa mostrar, como na frase enseñame tu livro (mostra-me o teu livro). A dinâmica do ensino tem muito a ver com sua etimologia, ou seja, tornar as coisas legíveis, que se traduz na clareza da exposição para um aprendizado eficiente dos alunos.

O conceito de ensino abarca muitos sentidos. Algumas vezes fala-se de ensino como sendo um setor da organização social de um país, tal como a Saúde e a Segurança Pública; outras vezes, como uma ação da qual se espera um determinado efeito; pode também significar a maneira de estruturar ou organizar a própria ação de ensinar; há ainda a acepção de ensino como domínio de especialização e investigação, consagrado ou não academicamente.

O ensino ação remete-nos a uma situação em que o emissor A deve transmitir uma mensagem ao receptor B. A é o professor; B o aluno. Nessa relação há um professor que ensina e um aluno que aprende. Se um ensina e o outro não aprende não podemos dizer que houve ensino. Por isso, o par ensino-aprendizagem tem mais peso do que simplesmente a palavra ensino. Como pôr marcas no outro se este não as aceita, se este não as entende? Por isso, a inclusão dos meios didáticos na relação entre o professor e o aluno é de vital importância.

A comparação entre a Escola Tradicional — docendicêntrica — e a Escola Moderna — discendicêntrica — está sempre presente na relação ensino-aprendizagem. No conceito de escola tradicional aliam-se outros conceitos tais quais diretividade do professor, passivismo do aluno, memorização da aprendizagem e ensino oral. No conceito de escola nova ligam-se conceitos como ativismo do aluno, aprendizagem por intuição e descoberta, ensino audiovisual e não-diretivdade do professor. Esse antagonismo vara os séculos e, ainda hoje, serve de tema para muitos debates a respeito da educação.

Uma avaliação mais crítica mostra que não há uma separação radical entre a Escola Nova e a Escola Velha. Observe que um professor da escola velha pode ser mais dinâmico e mais didático do que o professor da escola nova. O método serve apenas para obter um fim; ele não deve ser um fim em si mesmo. Podemos estar usando as tecnologias modernas, tais como o retroprojetor e o data show e não estarmos comunicando eficientemente as nossas idéias. Por outro lado, o professor que não faz uso desse instrumental pode estar construindo um saber muito mais consistente.

O ensino é o ponto central de qualquer comunicação. Moderemos nossas palavras para transmitirmos tudo com clareza e correção gramatical.

Fonte de Consulta

POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.


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O erro fundamental do projeto de transmissão consiste na crença de que se podem transmitir conhecimentos como se passam os conteúdos de um recipiente para outro, ou como se transfere um objeto de um proprietário para outro.

O conhecimento é a capacidade de ação efetiva ou simbólica, material ou verbal, e essa capacidade está ligada à existência de esquemas provenientes da ação. Um esquema é uma disposição para agir, uma estrutura potencial para ações futuras, tais como elas se desenvolverão segundo formas semelhantes àquela assumida pelas ações anteriormente organizadas em circunstâncias semelhantes. 

"Tudo o que inventa sobre a educação é lastimável, se não refletirmos sobre a dificuldade de pensar." (Alain — Propos sur l'education)

"As crianças de quem se espera menos podem aprender rapidamente se todos simplesmente lhes derem os meios de aprender e se evitar instruí-las." (C. R. Rogers — Liberdade para Aprender)

Fonte de Consulta

NOT, Louis. Ensinando a Aprender: Elementos de Psicodidática Geral. Tradução de Carmem Sylvia Guedes e Cláudia Signorini. São Paulo: Summus, 1993. 




Diálogo

Diálogo — do lat. dialogus — para grande parte do pensamento antigo, não é somente uma das formas pelas quais se pode exprimir o discurso filosófico, mas a sua forma própria e privilegiada, porque este discurso não é feito pelo filósofo a si mesmo e não encerra em si mesmo, mas é um conversar, um discutir, um perguntar e responder entre pessoas associadas pelo interesse comum da pesquisa.

A ilha de Robinson Crusoé é o mito da autossuficiência do homem. Dá-se a impressão que o homem é anterior à sociedade, esquecendo-se de que quando vem ao mundo já a encontra. Nesse sentido, há um diálogo permanente entre as pessoas, pois no isolamento e na solidão todos fenecemos.

Toda a vida do homem é um diálogo ininterrupto. Organicamente, somos frutos do diálogo biológico dos nossos pais terrestres. O Deus cristão não é um ser isolado na sua transcendência, mas manifesta-se aos homens através das "alianças", antiga e nova. Ninguém consegue aprender sem o diálogo com o mestre. E, mesmo calados, estamos dialogando conosco mesmos.

O verdadeiro diálogo inclui crítica e oposição. São os elementos diversos e contraditórios que deverão convergir para uma síntese. Note-se o diálogo numa reunião, em que as pessoas pensam de forma diferente. A função do coordenador é ouvir atentamente cada uma delas, para depois tomar a sua decisão. Esta decisão engloba uma síntese do discutido e do não discutido, ou seja, daquilo que ficou dito nas entrelinhas dos discursos.

A comunicação aberta e dialogal é muitas vezes ambígua, tornando-se frequentemente um pseudodiálogo. Isto ocorre nas relações internacionais, em que os países ricos impõem-se pelo poder e não pela razão; nas relações sociais, em que as pessoas mais pobres estão impedidas de se fazerem ouvir, tendo de aceitar o diálogo opressor de quem os dirige; nas relações entre casais, em que o homem dita as normas e a mulher tem que obedecer.

O diálogo é necessário. Saibamos encaminhar as nossas discussões para o verdadeiro diálogo, a fim de que as críticas e as oposições tragam novas fontes de aprendizado e compreensão.

Fonte de Consulta

IDÏGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.


Comunicação Genuína

O princípio básico, inerente à comunicação genuína, é a procura do outro, sem quaisquer tendências que visem ao interesse próprio. Quando o procuramos para proveito próprio, como, por exemplo, para pedir favores escusos, a comunicação deixa de ser genuína, pois foi introduzido um viés no relacionamento interpessoal. Pergunta-se: como estamos nos relacionando com o nosso próximo? Estamos sendo autênticos? Estamos procurando tirar proveito dele? Estamos o usando para o nosso benefício pessoal? Façamos uma pequena reflexão em torno do tema.

O mito, no seu sentido pejorativo, é um dos entraves à boa comunicação. Como isso se dá? Em muitos mitos, há a criação de heróis, de salvadores da pátria. Consciente ou inconscientemente, transferimos a esses heróis a realização de nossos desejos, de nossas aspirações. Damos-lhes uma demasiada importância, fora da realidade. Observe o mito do "cowboy" americano. Ele chega não se sabe de onde, com a finalidade precípua de debelar o mal, de fazer justiça. O casamento não está em seus planos, pois, mesmo com o assédio das mulheres, ele permanece só. Depois de ter estabelecido a paz e a harmonia, despede-se e dirige-se a outra região, para dar continuidade ao seu trabalho.

Vejamos, também, o mito do Narciso. Conta-se que Narciso se debruça sobre um poço e se apaixona pela sua imagem que vê espelhada na água. Nesse mito, o que muitas vezes se esquece, é que Narciso realmente acredita que ama uma outra pessoa. Esse é o ponto essencial do mito; se não prestarmos atenção nele, perderemos a verdadeira mensagem. O que é terrível, é que Narciso não sabe que a imagem no poço é a sua própria imagem e não a de uma outra pessoa. Ao tentar abraçar essa outra pessoa – a sua própria imagem refletida no poço – a fim de sentir o outro, Narciso é amaldiçoado pelos deuses e o objeto de seu amor desaparece.

O celibato é uma forma de comunicação, geralmente caracterizada por mal-entendidos, em virtude dos estereótipos linguísticos ao seu derredor. Pensa-se, de forma geral, que o celibatário é contra o casamento. Esquece-se de que a palavra celibato, cuja origem alemã é ehelos, significa "não-casamento", estado de não ser casado. Muitos espíritos escolhem esta difícil prova, não para o prazer da liberdade, mas para se dedicarem mais inteiramente ao seu próximo. À semelhança de Jesus, essas pessoas estão sempre repletas do amor ágape, do amor transcendental.

Para ilustrar o tema, lembremo-nos das palavras magnanimidade e magnificência, tão bem explicadas por Santo Tomás de Aquino. A magnanimidade é a "grandeza de alma", é o indivíduo que se projeta no tempo e no espaço para adquirir os conhecimentos superiores do espírito. A magnificência é "grandeza no fazer", é a pessoa que sai de si mesmo para auxiliar o seu próximo, através da caridade material e espiritual.

Sair de si implica risco. Saibamos ir ao encontro das necessidades alheias sem, contudo, esforçarmo-nos demasiadamente. Lembremo-nos do adágio dos antigos: "A corrupção do melhor é o pior".

Fonte de Consulta

CURRAN, Charles A. A Dinâmica Psicológica da Vida Religiosa. Tradução de Margarida M. C. Oliva. São Paulo: Loyola, 1978.