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26 outubro 2011

Cérebro e Pensamento

“Tudo mudou, exceto nosso modo de pensar.” (Albert Einstein)

Folheando o livro Novas Estratégias do Pensamento, de Edward De Bono, tomamos conhecimento que o cérebro só percebe o que está diante dele, geralmente de forma padronizada. Ele responde com padrões fixos. Reagimos ao novo nos termos conhecidos.

Uma pergunta intrigante, retirada deste livro: se você está fazendo bem certa coisa, como essa coisa pode ser ruim? Quando se nos apresentam um problema, tentamos resolvê-lo. Quando algo não vai bem, tentamos acertá-lo. Quando algo está inadequado, tentamos adequá-lo ao padrão. O que fazer quando as coisas estão indo bem? O que é ir bem? Mas, essa mesma coisa não poderia ser melhorada?

Todos estão indo numa certa direção. Se alguém vai em direção contrária, está errado. E, se o que estiver indo em direção contrária, estiver certo? A história não está repleta desses exemplos?

De Bono afirma que: “O cérebro foi concebido para aprender por meio de repetidas exposições. Aos poucos os padrões vão se formando. Depois, esses padrões são usados em ocasiões futuras. A opção pelo padrão apropriado depende do juízo. Não existe no cérebro um mecanismo natural para o pensamento criativo ou para o pensamento projetivo. Queremos saber ‘o que é’ para podermos responder com um padrão rotineiro conhecido e comprovadamente eficiente.”

 

15 julho 2009

Escrever: Exercício do Pensamento

Georges Picard enfatiza que todos os seres humanos deveriam escrever, não para publicação, mas para si mesmos, a fim de disciplinar o pensamento. É uma sugestão estimuladora, porque a maioria das pessoas que não lê não dá muita atenção à escrita. Para Picard, o ato de escrever é o "desejo de se descobrir tanto a si mesmo como aos outros". Ele defende a ideia de uma literatura livre, contrária ao canto de sereia do marketing e da publicidade, que procura reduzir tudo ao vendável.

Um bom método, para ler corretamente, é escrever o que se vê diariamente. São poucos os que percebem que escrever é uma espécie de trabalho. Observe o texto bíblico em que Adão, depois de ter pecado, recebe de Deus a seguinte advertência: "Por teres escutado a voz de tua mulher e comido da árvore da qual eu te havia prescrito não comer, o solo será maldito por sua causa. É com fadiga que te alimentarás dele todos os dias de tua vida. E com fadiga escreverás teus ensaios todas as noites de tua vida". (Gênesis, 3, 17) Escrever faz-nos pensar sobre um determinado assunto. Colocando-o no papel, memorizamos melhor o acontecimento.

A diversidade, as ideias contraditórias e a contestação são verdadeiras armas para aqueles que fundamentam os seus argumentos na esgrima da palavra. A oposição de ideias, tal qual Hegel defendia, é um verdadeiro manancial de conhecimento e aprendizagem porque a sequência de tese, antítese, síntese, tese, antítese, síntese... propicia-nos um conhecimento mais amplo e mais aprofundado de qualquer tema. Lembremo-nos de que a beleza da escrita está na tensão entre o que está escrito e o que está por ser escrito.

O ato de escrever é uma espécie de concentração, porque obriga aquele que escreve a ficar inteiro no que está escrevendo, sob pena de não anunciar a sua afetividade e o seu sentimento de maneira genuína e profunda. As notas valem mais do que as palavras. Escrever nos obriga a escolher entre um monte de ideias vagas aquelas que são mais compreensíveis ao texto. Claude-Louis Combet diz: "A dedicação à escrita, em todo o seu rigor de forma e em sua disciplina moral, estimula o recolhimento, o gosto pelo silêncio, a atenção do coração, o respeito pela língua, a renúncia à exterioridade".

No livro de Picard há diversas frases soltas: "’Escrevo, logo sou’ pode fundar uma ética da existência"; "não é com fatos, mas com palavras que se escreve"; "o escritor deve fugir do jogo de tolos que consiste em escrever obscuramente fingindo profundidade"; "pensar não significa fazer teoria, pensar é também compor ficção ou escrever poesia"; "na medida em que o cesto de lixo, físico ou virtual, se enche de rascunhos, cresce a energia intelectual mobilizada para chegar a uma página que valha a pena"; "é justamente porque não se tem nada a esperar do midiático e do social em geral que escrever parece ser, cada vez mais, uma vocação desinteressada".

Os slogans, as expressões audiovisuais e as imagens simplistas retratam o triunfo da literatura medíocre, da literatura pouco aprofundada e tendente à uniformidade. Para fugirmos dessa influência automática e rotineira, dediquemo-nos à escrita e à leitura de bons livros.

Fonte de Consulta

PICARD, Georges. Todo Mundo Devia Escrever: A Escrita como Disciplina do Pensamento. Tradução de Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2008.

 

26 junho 2008

Diálogo

Diálogo — do lat. dialogus — para grande parte do pensamento antigo, não é somente uma das formas pelas quais se pode exprimir o discurso filosófico, mas a sua forma própria e privilegiada, porque este discurso não é feito pelo filósofo a si mesmo e não encerra em si mesmo, mas é um conversar, um discutir, um perguntar e responder entre pessoas associadas pelo interesse comum da pesquisa.

A ilha de Robinson Crusoé é o mito da autossuficiência do homem. Dá-se a impressão que o homem é anterior à sociedade, esquecendo-se de que quando vem ao mundo já a encontra. Nesse sentido, há um diálogo permanente entre as pessoas, pois no isolamento e na solidão todos fenecemos.

Toda a vida do homem é um diálogo ininterrupto. Organicamente, somos frutos do diálogo biológico dos nossos pais terrestres. O Deus cristão não é um ser isolado na sua transcendência, mas manifesta-se aos homens através das "alianças", antiga e nova. Ninguém consegue aprender sem o diálogo com o mestre. E, mesmo calados, estamos dialogando conosco mesmos.

O verdadeiro diálogo inclui crítica e oposição. São os elementos diversos e contraditórios que deverão convergir para uma síntese. Note-se o diálogo numa reunião, em que as pessoas pensam de forma diferente. A função do coordenador é ouvir atentamente cada uma delas, para depois tomar a sua decisão. Esta decisão engloba uma síntese do discutido e do não discutido, ou seja, daquilo que ficou dito nas entrelinhas dos discursos.

A comunicação aberta e dialogal é muitas vezes ambígua, tornando-se frequentemente um pseudodiálogo. Isto ocorre nas relações internacionais, em que os países ricos impõem-se pelo poder e não pela razão; nas relações sociais, em que as pessoas mais pobres estão impedidas de se fazerem ouvir, tendo de aceitar o diálogo opressor de quem os dirige; nas relações entre casais, em que o homem dita as normas e a mulher tem que obedecer.

O diálogo é necessário. Saibamos encaminhar as nossas discussões para o verdadeiro diálogo, a fim de que as críticas e as oposições tragam novas fontes de aprendizado e compreensão.

Fonte de Consulta

IDÏGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.


10 junho 2008

Exercitando a Escrita

O mundo atual é caracterizado pela mentalidade da notícia. Há informações e mais informações para serem inseridas em nosso banco de dados. Para tanto, o nosso cérebro deve ser intensivamente estimulado, a fim de poder suportar essa avalanche de pensamentos que nos chega a todo o momento. O registro e a manutenção de ideias são um fato real. A cada instante precisamos recorrer ao nosso passivo intelectual, no sentido de utilizar os dados armazenados em nossa memória.

Ao escrever aquilo que nos vem à mente, estamos aprendendo a observar e a pensar. Na realidade, não somos nós que produzimos os pensamentos; eles é que nos visitam. Colocando-os no papel, tomamos consciência dos mesmos. Além disso, o ato de escrever torna-nos conscientes da facilidade ou da dificuldade que temos para exprimi-los. Exercitando a escrita, vemos o quanto estamos distantes daquilo que pensamos. Ou seja, nem sempre encontramos as palavras corretas para expressar o nosso discurso mental.

Usar a palavra correta para exprimir o pensamento correto demanda trabalho. A maioria de nós escreve sem ter a dimensão exata de como uma palavra ou uma frase ecoa na cabeça daquele que a lê. Para que possamos bem expressar aquilo que pensamos, devemos escolher as palavras adequadas, esforçando-nos em procurar no dicionário toda palavra dúbia ou de sentido desconhecido. Lembremo-nos também de que a simplicidade, a clareza, a concisão e a objetividade são os pontos centrais em nossa comunicação, escrita ou falada.

Todos podemos e devemos escrever, mas os cientistas com muito mais razão, porque precisam veicular suas descobertas, o resultado de suas pesquisas. Por isso, o cuidado e a preocupação constante com a forma de nos expressarmos. Aí está inclusa a nossa personalidade. Um relatório, um recibo, uma carta mostra o que cada um é. Para que alguém nos conheça basta ler o que escrevemos. A soma de coisas pequeninas forma o conjunto do indivíduo. Cuidemos de que haja perfeição em cada um dos nossos atos, mesmo que os estejamos fazendo contrariados.

Devemos estar de atalaia; a cada dia que passa muitas coisas vão para o esquecimento. Urge, vez ou outra, consultar livros que tratam dessa matéria, ou seja, de como escrever melhor, com o intuito de estarmos sempre sendo lembrados desta nobre tarefa, que é de veicular as nossas pesquisas e os nossos insights para todos aqueles que fazem parte de nosso raio de ação. A palavra é o câmbio de nossa personalidade. Usemo-la a peso de ouro, se assim quisermos ser avaliados.

O discurso é a mensagem do coração. Saibamos colocá-lo com precisão, ou seja, onde houver necessidade de uma palavra, não usemos duas, onde houver necessidade de uma palavra curta não usemos uma comprida.

Fonte de Consulta

BARRASS, Robert. Os Cientistas Precisam Escrever: Guia de Redação para Cientistas, Engenheiros e Estudantes. Tradução por Leila Novaes e Leônidas Hegenberg. São Paulo: T. A. Queiros: Edusp, 1979.