10 julho 2022

O Esforço Intelectual

Entre o fato e a ideia. Mas em que consiste o esforço intelectual? Passar de um plano de ideias para um outro plano. Pensemos no seguinte: é o fato iluminado por uma ideia; ou seja, a ideia encarnada no fato. O fato deve ser transportado a uma lei geral. E do mesmo modo, uma lei pura e abstrata não é concebível: a lei deve sintetizar uma multidão de fatos. Por isso, a capacidade de adaptação, que é a habilidade do espírito.

Dizia Foch, na Escola de Guerra: “Ponhamos de lado esses esquemas automáticos, retenhamos princípios gerais, depois apliquemos esses mesmos princípios ao caso novo e inédito, colocando-nos, sem cessar, o problema da finalidade, problema que o cérebro tanto despreza”. O mesmo deve ser aplicado aos trabalhos do intelecto.

Quando nos pomos a escrever, tudo se nos parece obscuro, pois estamos diante de uma ideia global. Em seguida, as primeiras palavras do orador ou do escritor constroem uma espécie de andaime para o que virá depois. Por isso, muitos se surpreendem com o poder de rascunhar as suas ideias, mesmo nas horas contadas de um exame.

Dai-me uma alavanca!”. Onde encontrar o ponto de aplicação? “Dai-me uma alavanca!”, dizia Arquimedes. “Dai-me, sobretudo, um ponto de apoio para nele aplicar a alavanca, e ela funcionará”. O erro está em procurar demasiado; eliminemos, simplifiquemos, substituamos as incógnitas por símbolos; façamos como se o problema estivesse resolvido. Repitamos esta regra natural: ir, em tudo, do conhecido para o desconhecido.

As fronteiras, passagens, analogias. O instinto do gênio consiste em reparar nas coisas singulares que contêm em si o universal em potência e que são suscetíveis de dar-nos, graças ao acréscimo da analogia, muitos outros conhecimentos. Cavamos no lugar onde estamos até que encontremos a galeria escavada pelo nosso vizinho e percebamos então a convergência de todos esses esforços.

Para distinguir o conhecimento profundo do superficial, fez uso da circunferência e um ponto a dentro dela. Se a pessoa rodar o a em círculo, terá um conhecimento enciclopédico, mas não o aprofundamento do saber. Vamos dar a esse ponto a um pouco de intuição e aplicação; dotemo-lo de uma potência de esforço e perseverança. Ele escolherá um ponto da circunferência e apontará para o centro da mesma. Essa é a imagem das duas espécies de saber, das quais uma, a da tentação, dispersa-nos à superfície, numa agitação sem fim, arranca-nos de nós próprios e do ser, convencendo-nos de que tudo difere de tudo; e a outra, pelo contrário, reconduz-nos ao centro e demonstra-nos, com encanto, a semelhança que liga as partes da experiência.

Fonte de Consulta

GUITTON, Jean. O Trabalho Intelectual: Conselhos para os que Estudam e para os que Escrevem. Tradução de Lucas Félix de Oliveira Santana. Copyright 1951. São Paulo, Campinas: Kibion, 2018.

 

 

09 julho 2022

Preparação ao Trabalho Intelectual

Na preparação ao trabalho intelectual, devemos em primeiro lugar tomar consciência de nossa própria energia mental. Não é a quantidade de livros à disposição, mas a nossa capacidade de adaptação às circunstâncias que nos cercam é que conta. Não é examinando tudo, mas escolhendo objetivamente aquilo que nos interessa. Ainda: façamos uso da regra de vontade que aconselha a escolher e persistir.

Todo o método, dizia Descartes nas Regras, consiste “na ordem e disposição daquilo para onde é necessário dirigir a ponta do espírito, a fim de apercebermos ali qualquer verdade”. Além disso, aquilo a que se chama espírito não é senão a qualidade da atenção, e não é sem razão que se compara a atenção a uma ponta (acies mentis, dizia Descartes).

Distingamos ocupação do trabalho.  Na ocupação, podemos nos distrair; no trabalho aplicado, há concentração e entrega do indivíduo ao seu foco de atenção.  Para Payot, "O tempo do verdadeiro trabalho é curto”. Refutava, assim, as grandes obras que causam mais confusão do que o verdadeiro conhecimento. As ocupações diárias não são trabalhos. Acender as velas não é rezar a missa. O correto seria um esforço em descobrir as horas divinas.

Quanto aos lugares e à vizinhança, há várias maneiras de os interpretar. Para Rilke, é necessário um pequeno apartamento, exíguo e monástico; para outros, ao contrário, como Sertillanges, há necessidade da planície, das montanhas ou do mar. Ruskin dizia: “Não tolere nada junto de si que não lhe seja útil ou que você não ache belo”.

Sobre as condições desfavoráveis. A maioria dos grandes homens enfrentaram muitas dificuldades para chegarem ao topo de suas realizações. “É que a falta do objeto exterior faz surgir em nosso centro um impulso que o substitui; é o eu substituindo a coisa, é o gênio. Todas as vezes que substituímos um objeto por um auxílio vindo do nosso interior, estamos no caminho da renovação de nós próprios e do mundo”. Anatole France dizia: “O tumulto é-me necessário; quando estou só, leio; quando sou perturbado, não posso ler, então escrevo”.

Ouçamos, também, o conselho de Novalis: “Quanto mais o espírito quer ser tranquilo e ativo, mais lhe é necessário procurar ocupar-se ao mesmo tempo de coisas insignificantes. É como um fio negativo que se deixa arrastar pela terra, para poder ser mais positivamente ativo e fecundo”.

Fonte de Consulta

GUITTON, Jean. O Trabalho Intelectual: Conselhos para os que Estudam e para os que Escrevem. Tradução de Lucas Félix de Oliveira Santana. Copyright 1951. São Paulo, Campinas: Kibion, 2018.

 

 

10 junho 2022

Relação entre o Mestre e o Discípulo

François Waquet, diretora de pesquisa do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França), em Os Filhos de Sócrates, elabora um trabalho sobre a relação entre o mestre e o discípulo.

Na Introdução Geral, realça o papel de Vincenzo Viviani, matemático do grão-duque de Toscana e último discípulo de Galileu que, acima do portal de entrada do seu palácio, mandou instalar um busto em bronze de Galileu e, de lado a lado, sobre dois cartuchos monumentais fizera gravar um resumo da vida e obra do ilustre cientista, não omitindo nada das descobertas que levaram à sua condenação. Acima do busto, a inscrição Aedes a Deo Data (“casa doada de Deus”), feliz alusão ao primeiro nome — Dieudonné — rei da França, lembrando a generosidade desse soberano, que aposentara Viviani.

Não era vaidade sua dizer-se “último discípulo de Galileu”, pois convivera com seu mestre desde 1638, quando Galileu, que ficara cego, buscava ajudante para os seus trabalhos, Viviani tinha então 16 anos e fora aceito por Galileu, considerando-o “seu hóspede”. Tornou-se os olhos de Galileu, servindo-lhe de leitor e secretário, mas ainda auxiliando em seus trabalhos. O relacionamento entre os dois tornou-se tão estreito que Galileu considerava Viviani como “um filho”, e este permaneceu com Galileu até a sua morte.

O livro está repleto de referências, indicando a seriedade dessa publicação.

Algumas notas do livro:

“Se o gênio é um gigante inimitável, o pigmeu pode, por si, ver mais longe do que aquele.” (pág. 18)

“MESTRE se diz [...] daquele que é superior a outro com respeito à educação, à instrução nas ciências e nas artes.” (pág. 61)

“DISCÍPULO, escolar, aquele que algo aprende sob orientação de mestre.” (pág. 62)

Discípulo: “1.º) Pessoa que recebe ensinamento de um mestre. 2.º) Pessoa que adere às teorias de um mestre.”

Mestre: “II. 2.º) Pessoa que ensina” e, em outra acepção: “5º) Pessoa de quem se é o discípulo.” (pág. 74)

Norberto Bobbio não encontrava melhor maneira de definir o bom mestre do que invocando Sócrates. Sua figura é a do mestre que não impõe seu saber, ou até a daquele que, em sua insciência, interroga sem afirmar e que, provocando pelo diálogo espécie de parto, leva o discípulo a encontrar o Saber que possui em si. (pág. 83)

O professor de Ciências Políticas Mario Tronti, em entrevista concedida quando se aposentava, apresentou nesses termos bem transparentes: “Eu nunca me considerei um docente, e sim um mestre. O docente transmite um saber, preenche os alunos com disciplina de fora para dentro; o mestre retira do jovem o que este tem dentro de si.” (pág. 84)

“Meu mestre e meu autor”, dizia Antonio Niccolini ao evocar publicamente Giuseppe Averani, do qual fora discípulo. Lembremos que auctor significa literalmente aquele que aumenta, que faz avançar, progredir; donde os sentidos clássicos de garantia, fonte, modelo, conselheiro, promotor, fundador. Sinônimo de “mestre” — a palavra pode traduzir-se assim —, “autor” revela instancia fecunda, porque o mestre é reconhecido enquanto alguém produz, por sua ciência autoridade. “Autoridade” remete aqui ao reconhecimento do poder da pessoa que, por seu saber, é digna de confiança, respeito admiração, não à adesão forçada pelas injunções de poder dominador. (pág. 264)

WAQUET, Françoise. Os Filhos de Sócrates: Filiação Intelectual e Transmissão do saber do século XVII ao XXI. Tradução de Marcelo Rouanet. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.

 

21 maio 2022

Curso de Reeducação Postural Global

A RPG, também conhecida por Reeducação Postural Global, é uma técnica fisioterápica desenvolvida na França, por volta de 1980, pelo fisioterapeuta Phillippe Emmanuel Souchard. Trata-se de um método voltado para correção de diversos problemas de postura, como: escoliose, hipercifose, gibosidade (corcunda), hiperlordose, entre outras.

Esses problemas de postura, também chamados de desvios posturais, na maioria dos casos causada de forma involuntária pelo paciente em razão da forma inadequada de se sentar, por exemplo, trazem grandes problemas de saúde que tendem a piorar se não forem tratados de forma adequada.

Um exemplo muito comum, presente em grande parte da população é a hiperlordose. Trata-se de uma curvatura acentuada na coluna lombar que “empurra” a barriga para frente, criando uma aparência desagradável e muito dolorida.

Muitas pessoas acreditam que se trata apenas de obesidade, achando que apenas um bom regime vai resolver, quando na verdade, o problema é muito maior, necessitando de um tratamento de médio a longo prazo.

Outro sinal de como a postura da coluna é importante, é o caso de hérnia de disco causada por escoliose. A RPG (Reeducação Postural Global) oferece resultado para esses e outros problemas posturais.

É um tratamento agradável, sem uso de medicamentos. Apenas com manipulações sobre a coluna, pernas e braços do paciente.

Acesse o Curso de Reeducação Postural Global dos Cursos 24 horas 



14 maio 2022

Nós e a Internet

A pedra lascada, no período de nossa pré-história, pode ser considerada um dos primeiros instrumentos de comunicação (e apresentação) das informações. Depois vieram a pintura das cavernas em 17.000 a.C.; a invenção do alfabeto sumeriano em 4.000 a.C.; o papel em 105; o tipo móvel em 1476; o quadro de giz em 1700; a fotografia em 1822; o telefone em 1876; o projetor de filme em 1887; a televisão (imagens em movimento) em 1926; o projetor de transparências em 1944; o videoteipe em 1956; o projetor de slide em 1961.

A partir de 1980 tivemos a invenção da planilha e do processador de texto, o banco de dados baseado em texto, a editoração eletrônica, o gráfico em computador em alta resolução e a multimídia em 1990. Presentemente, o computador tem tido um avanço sem limites, pois a eletrônica descobre a cada dia uma nova forma de veicular o conhecimento.

Hoje, temos a internet, recheada de opções para postagem de informações. Observe que pesquisa promovida pelo Comitê Gestor da Internet revelou que, em 2020, o país chegou a 152 milhões de usuários - um aumento de 7% em relação a 2019. Com isso, 81% da população com mais de 10 anos têm internet em casa.

Há várias empresas que oferecem espaço nas nuvens para guardarmos o que bem quisermos. Entre as principais estão o Google, a Amazon e a Microsoft. Há espaços gratuitos e pagos.

O importante é sabermos aproveitar aquilo que nos oferecem.

No meu caso, tudo o que pesquisei, anotei, copiei, escrevi, falei estão na internet. Eis uma postagem, com o título blog e sites do autor (http://sbgespiritismo.blogspot.com.br/2011/11/links-para-os-blogs-e-sites-do-autor.html)

Site: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/

Blog do Google: Administração e Oratória / Economia e Política / Espiritismo / Filosofia / Cinema

Sites.Google: Anotações Diversas / Aprofundamento Doutrinário [Temas Diversos] / Dicionário de Espiritualismo / Dicionário de Filosofia / Dicionário de Mitologia / Dicionário de Pensadores / Dicionário de Pensamento / Dicionário de Símbolos / Dicionário Enciclopédico / Humor e Ilustração / Livro / Livro Espírita / Nossa Língua Portuguesa / Notas de Livros /Poesia / Temas Diversos: Compilação

Arquivos: Áudio de Palestras (Google Drive) / Textos em Português/Inglês / Livros Sumarizados (epub) / Livro (epub) / Livro Espírita (epub) / Arquivos no OneDrive

Livros editados na Internet: Clube de Autores / Kobo-Cultura / Kindle-Amazon


06 abril 2022

Dalai Lama e Inteligência Emocional

Andrea Ovans, no capítulo 10 — “O que Dalai Lama ensinou a Daniel Coleman sobre inteligência emocional”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, relata a entrevista que fez com Daniel Coleman, que vai além da empatia.

HBR: O que é compaixão, de acordo com sua descrição?

Coleman: A compaixão leva a empatia um passo adiante. Quando você sente compaixão, sente angústia quando testemunha outra pessoa sofrendo — e, por causa disso, quer ajudar essa pessoa.

Você poderia me dar um exemplo de como isso pode funcionar no mundo dos negócios?

Pesquisas mostram que o tipo mais baixo de desempenho estava em uma atitude do tipo: “Vou obter o melhor negócio que possa agora e não me importa como isso afeta a outra pessoa”. Faz a venda, mas pode perder o relacionamento.

Como podemos cultivar a compaixão quando não a sentimos?

Os neurocientistas vêm estudando a compaixão, e algumas universidades estão testando metodologias para aumentar a compaixão. Há, para tanto, a sugestão da meditação na qual o indivíduo cultiva uma atitude de bondade amorosa.

O que podemos aprender com Dalai Lama?

O Dalai Lama pensa em termos de gerações e do que é melhor para a humanidade como um todo. Como sua visão é muito abrangente, ele pode abordar os maiores desafios, em vez de desafios pequenos, estreitamente definidos.

 

 

 

 

Limites da Empatia

Adam Waytz, no capítulo 9 — “Os limites da empatia”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, mostra-nos que ela pode ser exaustiva, e destaca três problemas.

Problema n.º 1: É exaustiva

Assim como tarefas cognitivas pesadas, como manter várias informações em mente ao mesmo tempo ou evitar distrações em um ambiente tumultuado, a empatia esgota nossos recursos mentais. Pode levar à “fadiga da compaixão”. Isso acontece quando se sacrifica as próprias necessidades pelas dos outros.

Problema n.º 2: É uma questão de soma zero (um ganha e outro perde)

A empatia não drena apenas energia e recursos cognitivos — ela também se esgota. Quanto mais empatia dedico ao meu cônjuge, menos tenho para dedicar à minha mãe.

Problema n.º 3: Pode comprometer a ética

A empatia pode causar lapsos no julgamento ético. No local de trabalho, a empatia em relação aos colegas pode inibir a denúncia de irregularidades.

Como frear o excesso de empatia

Divida o trabalho

Faça com que seja menos sacrificante

Dê às pessoas um tempo para descansar.

Facebook e Empatia

Melissa Luu-Van, no capítulo 8 — “Como o Facebook usa a empatia para manter os dados dos usuários em segurança”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, destaca o esforço de entender as pessoas que você está protegendo.

Segundo a autora, a segurança envolve a empatia entre os fornecedores do serviço e os seus usuários. Muitas vezes, a ferramenta está lá, mas o usuário não a encontra com facilidade. Por isso, preocupar-se mais com o usuário e descobrir as suas reais necessidades.

Três maneiras de tornar os esforços de segurança mais empáticos.

1. Metas viáveis e específicas voltadas para o consumidor.

Primeiro, eles precisam ser mais fáceis de encontrar.

Segundo, eles precisam ser mais visíveis e dar às pessoas mais controle.

2. Equipes colaborativas e multifocais.

3. Foco nos resultados, em vez de no que chega até nós.

Primeiro, ter empatia pelos usuários mantém você focado em ajudá-los a fazer ajustes pequenos porém úteis.

Segundo, usar uma linguagem empática na comunicação com o consumidor torna a segurança menos intimidadora e mais acessível.   

05 abril 2022

Design de Produto Empático

Jon Kolko, no capítulo 7 — “Um processo para design de produto empático”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, mostra-nos que a disciplina de gestão de produtos está mudando — de um foco externo no mercado, ou um foco interno na tecnologia, para um foco empático nas pessoas.

Neste capítulo — que trata de estudantes e recrutadores, a pesquisa quantitativa foca o que as pessoas fazem, e não o que elas dizem. Ouvia as conversas dos estudantes e, também, as conversas dos recrutadores com os candidatos a atuar no processo de contratação.

Constatação: “Os alunos fazem currículos para encontrar emprego”. “Por que os alunos elaboram currículos para encontrar emprego?” “Porque eles acham que os empregadores querem ver um currículo”.

“Os estudantes acham que têm uma ideia do que os empregadores querem em um candidato, mas muitas vezes estão errados”. Por outro lado, “recrutadores fazem julgamentos precipitados, impactando diretamente as chances de sucesso de um candidato”.

Diante desses fatos, criou-se o MyEduProfile: um registro altamente visual que ajuda os universitários a destacar suas realizações acadêmicas e a apresentá-las aos empregadores no contexto do recrutamento.

Poder e Empatia

Por que um simples mortal se modifica radicalmente quando lhe conferem o poder?

Lou Solomon, no capítulo 6 — “Quanto mais poder, menos empatia”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, mostra-nos que a pessoa que detém o poder deveria pedir feedback para manter os pés no chão.

Dacher Keltner, autora e psicóloga social da Universidade da Califórnia em Berkeley, conduziu estudos empíricos demonstrando que pessoas com poder têm um decréscimo de empatia. Isso porque o poder é realmente capaz de mudar a forma como o cérebro funciona.

As falhas mais comuns não envolvem fraudes, corrupção, mas o enaltecimento do ego.

A transformação acontece lentamente, como, por exemplo, pelo ato sutil de “mostrar quem manda”: exigir tratamento especial, tomar decisões sozinho, e fazer tudo a seu modo. Líderes que são barrados pela polícia por excesso de velocidade ou por dirigirem alcoolizados ficam indignados e irritados: “Você sabe com quem está falando”?

Algumas perguntas

Você tem um coach executivo, um mentor ou confidente?

Recebeu feedback sobre não agir de acordo com o que fala? Como foi isso?

Você exige privilégios?...

 

 

03 abril 2022

Empatia entre os que Estão na Mesma Situação

Rachel Ruttan, Mary Hunter McDonell e Loran Nordgren, no capítulo 5 — “É mais difícil ser empático com as pessoas se você já esteve no lugar delas”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, mostram-nos que, recorrer à pessoa que passou pelo mesmo problema que estamos passando, não é a atitude correta.

Geralmente, recorremos a alguém que tenha passado pelo nosso problema, pressupondo que a sua experiência, que se assemelha à nossa, o torne capaz de nos auxiliar. Pesquisas recentes mostram que essa intuição está errada.

Em vista da série de experimentos, os autores refletem sobre três situações: 1.ª) a pessoa que ia dar um “mergulho polar”, ou seja, um salto no gelado lago Michigan no inverno, mas acabou desistindo; 2.ª) compaixão para com a pessoa desempregada; 3.ª) compaixão em relação a um adolescente que sofreu bullying.

“Em conjunto, esses resultados indicam que os indivíduos que passaram por uma experiência difícil são particularmente propensos a penalizar aqueles que lutam para lidar com uma situação semelhante”.

Por que isso acontece?

1.º) As pessoas não lembram plenamente o ocorrido no passado.

2.º) Se eles foram capazes de superar o problema, por que o outro não o seria?

Os líderes precisam abrir mão de seu ponto de vista — dar menos ênfase, e não mais, a seus próprios desafios do passado.

 

 

01 abril 2022

Empatia e Reunião Proveitosa

Annie Mckee, no capítulo 4 — “A empatia é segredo para uma reunião proveitosa”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, aborda alguns pontos que podem aumentar a eficácia de uma reunião, pois sentimentos negativos interferem na criatividade e na inovação.

Embora muitos odeiem as reuniões, elas ainda são o espaço em que maior colaboração, criatividade e inovação acontecem. 

Se este for o nosso caso, há necessidade de desenvolver a empatia e autocontrole.

A empatia é uma competência que lhe permite ler as pessoas. 

A empatia permite que você identifique e gerencie as dinâmicas do poder. 

Aprender a ler como o fluxo de poder está se movendo e mudando pode ajudá-lo a liderar a reunião.

31 março 2022

Bons Ouvintes

Jack Zenger e Joseph Folkman, no capítulo 3 — “O que os bons ouvintes realmente fazem”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, põe em dúvida a avaliação daqueles que se acham bons ouvintes.

Na perspectiva da maioria, ouvir bem se resume em:

— não falar quando os outros estão falando;

— fazer com que seu interlocutor saiba que você está ouvindo por meio de expressões faciais e sons;

— ser capaz de repetir o que os outros disseram, praticamente palavra por palavra.

Depois de analisar o comportamento de 3.492 participantes em um programa de desenvolvimento criado para ajudar os gerentes a se tornarem coaches (instrutores) melhores, foram constatadas 20 características que pareciam diferenciá-los, as quais foram agrupadas em quatro descobertas principais.

Ouvir bem é muito mais do que ficar em silêncio enquanto o ouro fala. Fazer uma boa pergunta diz ao interlocutor que o ouvinte não apenas escutou, mas que quer informações adicionais.

Ouvir bem envolve interações que aumentam a autoestima de uma pessoa. Participar é mais eficiente do que ficar em completo silêncio.

Ouvir bem é visto como parte fundamental de uma conversa colaborativa. O mau ouvinte é competitivo; o bom, colaborativo.

Bons ouvintes tendem a dar sugestões. A sugestão abre caminho alternativo a ser considerado.

Compaixão como Tática Gerencial

Emma Seppälä, no capítulo 2 — “Por que a compaixão é uma tática gerencial melhor do que a agressividade”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, desenvolve o tema tendo como base o seguinte questionamento: como devemos reagir quando um funcionário não tem um bom desempenho ou comete um erro?

O que acontece quando um subalterno comete um erro? A primeira reação do responsável é a frustração. Depois, pensa em repreendê-lo pela falta cometida.  No entanto, alguns gestores preferem lançar mão da compaixão e da curiosidade, entendendo que uma reação agressiva destrói a lealdade e a confiança.

Quem está na posição de comando tem que perceber que ele precisa do funcionário para a realização das tarefas em conjunto. Sendo agressivo, destrói a lealdade. Contudo, pesquisas mostram que a melhor estratégia é a reação mais compassiva, porque lhe trará resultados mais robustos.

Outras pesquisas mostram que funcionários que confiam no chefe têm um desempenho melhor.

Algumas dicas

1. Espere um pouco. Entendamos, primeiramente, as nossas próprias emoções, tais como, raiva, frustação, desgosto. Devemos, antes de tudo, controlá-las. Não adianta fingir que não estamos com raiva. Dar um passo atrás e esfriar a cabeça é mais produtivo.

2. Coloque-se no lugar do seu funcionário. Dar um passo atrás ajuda-nos a sentir empatia pelo funcionário. Essa atitude amplia a nossa capacidade de julgamento. Estudos mostram que essa abordagem leva-nos a ver detalhes que antes não tínhamos percebido.

3. Perdoe. A empatia ajuda-nos a perdoar. Perdoando, o nosso coração se sente mais leve. Quando a confiança é alta e o estresse á baixo, os funcionários são mais felizes e produtivos, e a rotatividade é menor.

 

 

30 março 2022

Empatia

Daniel Coleman, no capítulo 1 — “O que é empatia e por que ela é importante”, do livro Empatia, por autores diversos, da Harvard Business Review, dá-nos algumas orientações acerca desse assunto.

O fundamento da empatia é focar os outros. Tem muito a ver com a atenção, que significa “voltar-se para algo”. Em sua exposição, orienta-nos que é um erro vê-la sob um único ponto de vista.  

Há, assim, diferentes tipos de empatia

Empatia cognitiva: a habilidade de entender o ponto de vista do outro.

Empatia emocional: a habilidade de sentir o que a outra pessoa sente.

Interesse empático: a habilidade de perceber o que a outra pessoa quer de você.

Na empatia cognitiva, os líderes devem se esforçar para que o seu pensamento seja claro para os seus subordinados. Eis o que disse um executivo: “Sempre quis aprender tudo, entender todo mundo que estivesse à minha volta — por que pensavam o que pensavam, por que faziam o que faziam, o que funcionava para eles.”

Na empatia emocional, acrescenta-se uma camada de conhecimento à empatia cognitiva. Precisamos entender os nossos próprios sentimentos para que possamos entender os sentimentos dos outros. A empatia emocional pode ser desenvolvida. Alguns líderes sugerem até exercícios de respiração profunda. Cultivar certo distanciamento dos problemas para senti-los mais profundamente é um outro tipo de exercício proposto.

Por fim o interesse empático, ou seja, o que precisamos dos outros e o que outros precisam de nós. Nesse sentido, todos podem oferecer uma cooperação ao seu próximo.

 

21 fevereiro 2022

Manual de Ginástica Mental: Algumas Notas

Introdução

 “Força mental é exercício, não descanso.” Alexander Pope, poeta do século XVIII.

Passando em frente de uma academia mental, um indivíduo resolve entrar e submeter-se ao questionamento do responsável. Depois de várias perguntas e respostas, ouve o seguinte: “você está mentalmente fora de forma”. “Se o seu cérebro fica à toa, sem exercitar, os músculos mentais ficam fracos”. Isso pode causar a “prisão de ventre mental”.

Anatomia da boa forma mental. É preciso aprender a dispor de tempo para absorver a intensidade de um objeto, de um fato, de uma dada situação. A decisão precipitada pode ocasionar muitos transtornos futuros. Quanto mais se pensa, por exemplo, sobre a laranja, maior é o número de ideias, associações e conexões na imaginação. Cada vez que dirigirmos nossa mente para uma tarefa que exige concentração, estaremos fortalecendo a força mental.

Algumas perguntas: estamos mentalmente em forma? Nosso cérebro fica à toa? Temos sido inovadores e criativos? Temos resistido ao novo? Sabemos relaxar? Como está a nossa concentração? Aplicamo-nos ao estudo com a devida profundidade? Por que a mente de algumas pessoas é ágil e de outras lenta, sonolenta?

Tom Wujec, em seu Manual de Ginástica Mental: Como Aproveitar ao Máximo sua Capacidade de Raciocínio e Adquirir maior Rapidez Mental, dá-nos, em suas 12 estações, algumas instruções: 1) Relaxando; 2) Movimento Mental; 3) Halterofilismo Mental; 4) Ginástica Mental I; 5) Ginástica Mental II; 6) Força Mental; 7) Jogos Mentais; 8) Lembrando-se; 9) Flexibilidade Mental; 10) Equilíbrio Mental; 11) Improvisando; 12) Desempenho Máximo.


Estação 1 — Relaxando: Focalizando a Atenção

“Uma mente calma cura tudo.” Robert Burton, filósofo do século XVII.

Jogo da Atenção. Parte de nossa atenção é drenada quando alguns dos nossos músculos estão tensos. Outra parte da atenção é desviada em razão das distrações e preocupações. O relaxamento acaba sendo um fator essencial à boa forma.

Relaxamento Físico. A chave para relaxar o corpo é focalizar a sensação física do relaxamento. O médico Rolf Alexander sugeriu visualizar uma cruz dupla através do corpo. Suponha que essa cruz seja feita de material muito forte e flexível, que gira e flexiona quando o corpo se move.

Relaxando por Dentro. A ideia de relaxar mentalmente é simples, mas muito difícil a sua prática. Relaxar a mente significa abandonar a necessidade de acompanhar cada pensamento que passa pelo cérebro. Um bom método é contar números de 1 a 10 e de 10 a 1. Disse-nos o lama budista Tarthang Tulku: “Em sua mente, o que está acontecendo é o que você está fazendo."

Descartando o lixo mental. O fato de escrevermos tudo o que se passa pela nossa cabeça produz o efeito psicológico de remover a confusão mental. Escrevamos os nossos problemas, as coisas que temos de resolver, a consulta médica que marcamos, a resolução de questões financeiras...

Dicas de relaxamento

Dica 1Mantenha a mente alerta relaxando o corpo. Acomode-se numa poltrona agradável, relaxe todos os músculos que não precisa usar, regularize a respiração e mergulhe em suas sensações.

Dica 2. Ordene o pensamento, identificando o que você precisa pensar. Escreva uma lista de exigências, necessidades, desejos, pressões, ansiedades e tudo o que estiver em sua mente. Libere as preocupações ocultas examinando a situação como um todo.

Dica 3. Traga sua mente para o aqui e agora. Desenvolva uma técnica para retomar os sentidos. Aprenda a melhor maneira de concentrar cem volts de atenção e focalizá-los onde desejar.

Dica 4. Periodicamente, dedique algum tempo a relaxar e liberar as tensões. Desenvolva a capacidade de relaxar completamente, reservando certo tempo diário para não fazer nada.


Estação 2 — Movimento Mental: Concentração

“A principal conquista da força de vontade é enfrentar um assunto difícil e mantê-lo em foco na mente.” William James, psicólogo do século XIX.

Atenção: Seu Músculo mais Importante. Que característica poderia ser mais importante para a boa forma mental do que a capacidade de concentrar-se. Os psicólogos avaliam que a maioria da pessoas memoriza, no máximo, sete unidades distintas de informação. A mente de dois minutos é um dos melhores exercícios para treinar a atenção.

Posturas Físicas: Uma coisa de Cada Vez. Quando você precisa concentrar-se, adote uma postura física que torne mais fácil focalizar a atenção. Relaxe os músculos, imagine a cruz de dois braços ao longo da sua espinha e evite movimentos desnecessários.

Posturas Emocionais: Descobrindo Incentivos. Quanto mais se força a mente, mais difícil torna-se a concentração. O interesse força os músculos mentais. Da próxima vez que sentir tédio, como numa reunião ou numa conversa, expulse a monotonia procurando aspectos interessantes, mesmo que sua mente não queira. William James diz: “A atenção é mais fácil quanto mais rico o aprendizado e quanto mais fresca e original for a mente. O intelecto que não dispõe de material, estagnado e corriqueiro, dificilmente poderá deter-se num assunto por muito tempo.”

Dicas de concentração

Dica 1. Adote uma postura física que facilite a concentração. Relaxe o corpo e evite desperdiçar movimentos. Pablo Picasso disse: “Enquanto trabalho, deixo meu corpo do lado de fora, assim como os muçulmanos tiram os sapatos antes de entrar na mesquita.” 

Dica 2. Adote uma postura emocional que facilite a concentração. Interesse-se pela tarefa realizada. Conduza com suavidade a mente, através de encorajamento, não através de força. Veja os aspectos interessantes da tarefa e relacione-os a outros interesses.

Dica 3. Adote uma postura mental que facilite a concentração. Identifique com clareza suas tarefas e estabeleça objetivos definidos. Encontre um ritmo mental que produza um impulso para o trabalho.

Dica 4. Quando não conseguir concentrar-se finja. Finja estar absorto no que faz. Pergunte a si mesmo em que posição o corpo estaria se estivesse concentrado? Como seria a demonstração de interesse? O que estaria pensando se estivesse prestando atenção? Se você continuar esse exercício, acabará apresentando uma atitude de concentração, que evolui naturalmente.


Estação 3 — Halterofilismo Mental: Aumentando a Resistência

“Para propósitos de ação, nada é mais útil que a estreiteza de pensamentos combinada com a energia da vontade.” Henri Frederic Amiel, filósofo do século XIX.

Aumentando a Força Mental. Newton, pai da física, tinha a capacidade admirável de concentrar-se por períodos longos. Em suas próprias palavras: “Se prestei ao público algum serviço, foi devido ao pensamento paciente.” Baseando-se no livro de A. R. Orage Mental Exercises and Essays (Exercícios e Ensaios Mentais), propõe-nos uma série de exercícios.

Exercícios com Números. Recite as seguintes séries numéricas: somando 1: 1, 2, 3, 4... 100. Subtraindo 1: 100, 99, 98, 97... 1. Outras séries: somando 2, duplas alternadas, triplas ascendentes...

Exercícios com Letras. Recite os seguintes pares de números-letras: A1 B2 C3 D4 E5... Z26; 1A 2B 3C 4D 5E... 26Z.

Exercícios com Palavras. Leia e depois repita estas sentenças de trás para frente, palavra a palavra: “Um por todos e todos por um.” — Alexandre Dumas. / “Aquele que deseja e não age, cria pestilência." — William Blake.

Dicas de Resistência

Dica 1. Pratique aeróbica mental lentamente. A cada dia, realize uma atividade que exija concentração.

Dica 2. Preste atenção nos exercícios que acha fáceis e nos que acha difíceis. Para melhores resultados, trabalhe naqueles que não vêm naturalmente a você. Lembre-se do ditado: “Sem dor, não há ganho”.

Dica 3. Faça seus próprios exercícios de condicionamento mental. Invente variações dos exercícios de números, de letras, de palavras e de versos. Quanto você acha que pode fazer sua mente realizar?


Estação 4 — Ginástica Mental (I): Pensando com Imagens

“A alma nunca pensa sem uma imagem mental.” Aristóteles, filósofo do século V a.C.

O Mundo da Imaginação. A formação de imagens representa um papel importante na vida mental de muitas pessoas. A palavra “imagem” vem do latim imitari, que significa “imitar”. Imagem mental é uma imitação interna, ou representação, de um objeto. Os psicólogos falam da capacidade de visualização em termos de dois fatores: nitidez e controle.

Nitidez e Controle. Nicolas Tesla, o inventor da lâmpada fluorescente, do gerador de corrente alternada e da eletricidade de alta voltagem, visualizava nitidamente imagens tridimensionais de máquinas complicadas. Tesla provavelmente possuía uma “mente fotográfica”. Exercício: imagine o jantar de ontem.

Uma Olhada Rápida é Suficiente. Propõe uma bateria de exercícios para melhorar a nitidez e o controle de suas imagens: objetos reais, objetos inexistentes, quartos e quadrantes, visão periférica mental...

Ainda: Imaginação Auditiva, Imaginação Tátil, Paladar, Odor...

Dicas de Imagens Mentais:

Dica 1. Treine sua imaginação para responder melhor. Lute para fazer cópias estáveis e exatas do que escuta, vê, cheira, prova e sente.

Dica 2. Encoraje seus sentidos interiores a tornarem-se mais vívidos. Avance além das imagens monótonas e encoraje sua mente a ver o colorido, o bizarro e o inesperado. Tenha a disposição de tornar seu mundo interior tão grande quanto você deseja.

Dica 3. Preste atenção às imagens mentais do cotidiano, que fluem em sua mente. Repare qual tipo de imagem o deixa deprimido e qual lhe serve de inspiração. Esteja consciente de seu poder de reescrever o filme mental sempre que deseja.


Estação 5 — Ginástica Mental (II): Pensando com Palavras

“Através das palavras, a mente é excitada e o espírito elevado.” Aristófanes, dramaturgo do século. V a. C.

Música Mental. Se sua mente é um instrumento musical, então as palavras — aquelas que você pensa em silêncio e pronuncia em voz alta — são notas musicais que se harmonizam em melodias e sinfonias de pensamento.

Escalas Práticas. Leia as palavras penso, logo existo. Escute mentalmente o som em várias velocidades. Faça soar as palavras e concentre-se em seu significado...

Frases Musicais. Escolha uma e pondere vagarosamente o seu significado. Exemplo: “Uma palavra aos sábios é suficiente.” (Titus Plautus) / “A única maneira de ficar livre da tentação é ceder a ela.” (Oscar Wilde).

Dicas sobre Palavras:

Dica 1. Preste atenção à qualidade dos pensamentos. Melhore sua articulação mental, variando a velocidade dos pensamentos. Diminua o ritmo, depois acelere.

Dica 2. Arranje tempo para ler. A leitura é um poderoso exercício mental, que encoraja a atenção a firmar-se e a imaginação a tornar-se mais vívida.

Dica 3. Coloque as ideias no papel. Escrever ajuda a colocar coisas para fora, desenvolver os próprios pontos de vista, a mudar e desafiar opiniões, a explorar seus sentimentos e pensar sobre o que deseja pensar.

Dica 4. Preste atenção ao que você diz a si mesmo. Escute seu monólogo mental e descubra como as mensagens que passam por você o dia inteiro podem afetar sua visão. Qual é sua história interna?


Estação 6 — Força mental: Resolvendo Problemas

“Viver é ter problemas e resolver problemas é crescer intelectualmente.” J. P. Guildford, psicólogo.

Desafios Interiores. Boas soluções para problemas dependem de um conjunto básico de habilidades, que pode ser aplicado a qualquer tipo de problema — abstratos, de relacionamento, financeiros, no trabalho. Algumas dessas habilidades são: abordagem direta, organização, manipulação e teste.

Organização Interior. Imagens. Descobrindo Padrões. Raciocínio. Raciocínio Lateral.

Dicas para Resolver Problemas:

Dica1. Antes de tentar resolver um problema, certifique-se de saber exatamente qual é a questão. Pergunte a si mesmo que forma terá a solução.

Dica 2. Organize as informações dadas. Tente simplificar o problema, enunciando-o com suas próprias palavras.

Dica 3. Faça alguma coisa com as informações. Desenhe ou faça um esboço da situação, compare o problema com outros que você conhece e esteja pronto para olhar em diferentes direções. Em resumo, faça um pouco de adivinhação dirigida.


Estação 7 — Jogos Mentais: Brincando com a Cabeça

“Inteligência é a capacidade de enxergar muitos pontos de vista sem pirar completamente.” Douglas Adams, escritor.

Divertido e Brincalhão. Muitas vezes aparecem novas ideias quando você está relaxando ou brincando. Alguns exercícios para encorajar uma forma de pensar original.

Batendo Bola. Uma forma divertida de dirigir a mente para novos rumos é perguntar a si mesmo: “E se...?”, seguida por uma situação hipotética ou condição hipotética. E se o céu sempre tivesse sido escuro? E se o tempo corresse para trás? E se vivêssemos seiscentos anos?

Ainda: Manipulação Mental, A Fita de Möebus, O Incomparável Mulá Nasrudin, Estimulantes Mentais, Pensamentos Interessantes, Simplesmente Divertido, Círculos Viciosos, Paradoxo de Russell, Brotos e Go.

Dicas de Jogos Mentais:

Dica 1. Periodicamente, olhe para as coisas de cabeça para baixo. Fique em pé, curve-se e olhe por entre os joelhos. Não apenas você altera a perspectiva normal das coisas, como faz uma saudável quantidade extra de sangue fluir para o cérebro.

Dica 2. Procure nova ideias que sejam bizarras, incomuns, chocantes, profundas, incríveis e divertidas. Mantenha um estoque delas na mente e use-as quando precisar.

Dica 3. Se você sente um bocado de pressão, se está levando as coisas muito a sério ou se seu pensamento “empacou”, faça uma pausa para descanso.


Estação 8 — Lembrando-se: Os Músculos da Memória

“A memória é o tesouro e o guardião de todas as coisas.” Cícero, orador do século I a.C.

A Passagem do Tempo. Por que lembramos de determinadas coisas às vezes e as esquecemos em outras oportunidades? Por que as lembranças de algumas pessoas parecem dissolver-se com o tempo, perdendo o sabor original, e outras permanecem tão vívidas como se tivessem acontecido ontem? Por que lembramos os personagens de um romance lido há cinco anos, mas esquecemos o nome de alguém que conhecemos ontem?

Anatomia da Memória. Os psicólogos nos informam que existem três tipos de memória: memória de registro sensorial, memória de curto prazo e memória de longo prazo.

Ainda: Descobrir o Que É Importante, Pistas, Exercícios de Memória, O Presente, Pensamentos Passados, Presentes e Futuros,

Dicas de Memória:

Dica 1. Preste atenção apenas no que deseja reter. Não tente se lembrar de tudo, selecione apenas os itens dos quais deseja lembrar-se e não se incomode com o resto.

Dica 2. Organize o material que deseja reter num plano geral. Aprenda com uma ideia geral, ao invés de dividir em partes. Concentre-se no significado e no contexto.

Dica 3. Use pistas para ajudá-lo a apreender o material. Visualize, associe, coloque suas ideias numa história. Isso ajudará a incluir a informação na memória de longo prazo. Desenvolva suas próprias técnicas para ajudá-lo a lembrar-se melhor.

Dica 4. Mantenha sua memória ativa exercitando periodicamente os músculos da memória. De vez em quando, pergunte a si mesmo o que deseja saber ou precisa lembrar-se sobre o passado. Que lições aprendeu ontem e hoje, de que precisa se lembrar amanhã?


Estação 9 — Flexibilidade Mental: Análise e Síntese

“Todos os homens veem os mesmos objetos, mas não os compreendem igualmente. Inteligência é a linguagem que os diferencia, e os prova.” Thomas Traherne, poeta do século XVII.

Saltos Mentais. Para elaborar um sentido a partir da confusão de visões, sons, texturas, aromas e gostos que formam a vida, constantemente usamos duas habilidades mentais: análise e síntese.  

Colapso Mental. Exercício: descreva sua aparência.

Ainda: Descobrindo padrões. Exercícios de Análise. Pontos de Vista. Estimativas. Exercícios de Síntese. Procurando evidências.

Dicas de Análise e Síntese  

Dica 1. Habitue-se a estar consciente de como você divide mentalmente sua experiência. Que categorias utiliza para organizar suas observações?

Dica 2. Reconheça os padrões que você usa para ordenar o mundo. Pratique a mudança de pontos de vista. Coloque-se no lugar de outras pessoas, enxergando as coisas com os olhos delas.

Dica 3. Utilize o método científico sempre que possível. Não acredite nas coisas pelo valor aparente, mas faça uma observação cuidadosa, teste ideias, esteja pronto a alterar sua opinião baseado nas evidências que encontrar. 


Estação 10 — Equilíbrio Mental: Tomando Decisões

“O mais importante princípio de crescimento humano está na capacidade de opção.” George Eliot, escritor do século XIX.

A Anatomia da Opção. Quantas decisões você tem que tomar num dia? Dez? Vinte? Cem? Mil? Você decide a todo o momento. A forma como está sentado, as palavras que escolhe, a maneira como reage a sua família e seus amigos — embora mascarados pelo hábito e pela rotina — são resultado de opções.

Afirme seu Propósito. Com frequência, a primeira parte do processo decisório é negligenciada. Para tomar a melhor decisão, você precisa saber claramente o que quer. Precisa criar um objetivo, um alvo para você mesmo.

Ainda: Estabelecendo Critérios. Buscando Alternativas.  Avaliando e Testando Alternativas. Decisões, Decisões, Decisões... Decisão Automática. Lista de Desejos.

Dicas de Tomadas de Decisões  

Dica 1. Torne-se mais consciente de suas decisões. Reconheça quais decisões são feitas por hábito e quais são analisadas conscientemente.

Dica 2. Quando confrontado com uma decisão, afirme seu objetivo. Use a sigla CD — Curto e Direto — para estabelecer seus objetivos. Lembre-se de que um problema mal definido pode ter infinitas soluções.

Dica 3. Estabeleça os critérios pelos quais tomará a sua decisão. Divida a sua escolha nos vários componentes que pode usar como base de comparação, ao invés de fazer escolhas gerais. Tente distinguir bem entre as alternativas.  

Dica 4. Quando você estiver a ponto de tomar uma decisão importante, consulte seus pensamentos e sentimentos. Tente chegar a uma alternativa que o faça sentir-se bem. Lembre-se sempre de manter seus objetivos principais ao escolher. Uma vez tomada a decisão, aceite-a.


Estação 11 — improvisando: O Ato Criativo

“O pensamento criativo pode significar simplesmente perceber que não há virtude alguma em fazer as coisas do modo como sempre foram feitas.” Roger von Oech, consultor de criatividade.

O Processo Criativo. A criatividade é o coração da inteligência. Criatividade significa você ter ideias próprias, em vez de copiá-las dos outros.

Olhe Além da Primeira Resposta Certa. Grande parte de nosso pensamento é dirigida para encontrar uma única resposta certa. Com essa abordagem de “única solução correta”, encorajada por exames, testes de múltipla escolha e respostas curtas, absorvemos os conceitos de sim e não, certo e errado, preto e branco.

Ainda: Fazendo Conexões. Palavras-Gatilho. Metáforas e Comparações. Dividir e Unir. Mudança de Contexto. Seja Aberto. Não-Pensamento Criativo. Exercícios de Improvisação.

Dicas de Criatividade  

Dica 1. Veja além da primeira resposta. Habitue-se a procurar mais e cavar só mais um pouco.  

Dica 2. Faça conexões. Use metáforas, comparações e analogias para gerar novas ideias. Procure material fora de sua área de interesses.

Dica 3. Assuma riscos criativos. Se você pretende obter ideias originais — originais para você mesmo — deve fazer alguma coisa diferente do que habitualmente faz. Isso significa aventurar-se no desconhecido e tentar algo novo. Não tenha medo de colocar sua de safári mental.   

Dica 4. Novas descobertas, inspirações e saltos criativos da imaginação podem aparecer em qualquer lugar, a qualquer hora — no chuveiro, no almoço, quando você acorda de manhã. Frequentemente elas desaparecem com rapidez, assim como vieram. Esteja preparado para gravá-las quando vierem: anote em algum lugar ou faça um esquema com sua ideia.


Estação 12 — Desempenho Máximo: Aprendendo sobre Aprender

“Eu escuto, eu esqueço. Eu vejo, eu lembro. Eu faço, eu entendo.” Provérbio Chinês

Pegando o Jeito. Como se aprende a nadar? Entrando na água. Batendo as mãos e os pés. Observando os outros nadadores com mais experiência. Aprender é um processo de criar novos hábitos. A cada vez que você domina uma nova ideia ou habilidade, estabelece um padrão de ligações entre suas células nervosas.

Ainda: Criando a Necessidade. Prontidão mental. Blocos Mentais. Aptidão Mental. A Mente que não Sabe. Ver Aprendendo. Proteínas e Carboidratos Mentais. A Viagem. Teste sua Forma Mental. Desenvolvendo uma Rotina de Exercícios.  

Dicas para Manter-se em Forma  

Dica 1. Assuma a responsabilidade por sua condição mental. Afinal de contas, se você não cuidar do seu cérebro, quem o fará?

Dica 2. Encoraje sua mente a pensar ativamente, ao invés de apenas abrigar pensamentos.  Resolva sobre o que você deseja pensar e vá em frente, pense.

Dica 3. Pratique exercícios mentais regularmente. Quanto mais você se exercita, mais fácil se torna. Quanto mais fácil se torna, mais você aprecia. Quanto mais você aprecia, melhor se sente. Torne um hábito massagear regularmente seus músculos mentais. Não pense no assunto. Faça.