01 março 2026

Eloquência

Eloquência é uma palavra que perdeu o seu sentido original. Muitos falam dela de modo pejorativo. Há, porém, boas razões para vê-la dentro de um contexto mais amplo, em que se privilegiam o convencimento e a persuasão daqueles que falam em público. Isto porque, todo o orador, quando fala, quer ser ouvido. Caso contrário, para que falar em público?

Na antiguidade clássica grega a palavra falada era muito exaltada. Os gestos, as posturas, a teatralização e as demais formas de se expressar nada mais eram do que modos diferentes de atrair o público. Naquela época havia um grande prazer em assistir a uma peça oratória, porque esta era a única forma de transmitir conhecimentos. Os livros e a gama enorme dos meios de comunicação de massa que temos nos dias que correm, principalmente os recursos da Internet, eram inexistentes.

Deleitar o espírito dos ouvintes era o principal fim de todas as orações. Nesse mister, há o exemplo de Demóstenes, o imortal ateniense, muito citado nos livros e cursos de oratória. Desde o seu nascimento, fora tolhido por graves deficiências, inclusive a gaguez. Como tinha a ambição de transmitir aos outros os seus pontos de vista, andava na praia com pedrinhas na boca, no sentido de melhorar a nitidez de sua voz. O seu esforço foi tanto que não demorou muito tempo para se tornar o maior orador de todos os tempos.

Observe o que alguns pensadores disseram sobre o tema: para Pascal, "A eloquência é a pintura do pensamento"; para E. Ferri, "A eloquência é o talento de transmitir com força ao espírito dos outros, o sentimento de que o orador está possuído"; para Dammien, "A eloquência é a arte de dizer bem aquilo que é preciso, tudo quanto é preciso, e nada mais do que isso"; para Rui Barbosa, "A eloquência é a sinceridade na ação".

Ilustremos o tema com uma comparação entre o orador e o pintor. O pintor, ao dar vazão ao seu sentimento artístico, fá-lo para si mesmo, para agradar ao seu ego, à sua concepção de arte; o orador, não. Ele tem que falar para atingir a quem ouve, isto é, à plateia. Pergunta-se: como será ouvido se não conseguir prender a atenção de quem o escuta? Este deve ser o grande exercício do orador: agradar aos olhos e aos ouvidos do público. Para tal finalidade, precisa de persuasão e de eloquência.

A eloquência não é falar fácil e corretamente, impressionar os sentidos alheios, mas expressar o pensamento próprio, com graça, equilíbrio, harmonia e muita perspicácia de tempo e lugar.

 

Escrever

Escrever e falar podem ser sempre aprimorados. Existe alguma técnica específica? Como proceder? Há livros, cursos, professores e a Internet. Todos estes veículos de comunicação oferecem-nos sugestões valiosas, mas o trabalho maior pertence a nós mesmos. Quer dizer, se quisermos escrever temos de pegar a caneta, o papel e colocar mãos à obra. Em outras palavras, temos de aprender a escrever, escrevendo. Vejamos algumas dessas regras.

Coerência, clareza e concisão são as primeiras recomendações. A coerência diz respeito ao fluxo de ideias. A frase anterior tem que ter relação com a presente e esta com a seguinte, pois se não seguirem esse fluxo lógico, o leitor terá dificuldade para entender a lógica de um raciocínio. Para obter a clareza, as frases não devem ser rebuscadas, nem conter ambiguidade ou mesmo a vaguidade. Concisão é exprimir muito em poucas palavras. A navalha de Ockham é digna de nota: "onde houver duas definições, a que tiver menor número de palavras deve ser a preferida".

Compromisso com a verdade. Todos os que se colocam como propagadores da informação devem fazê-lo dentro de uma ética profissional, ou seja, evitar a perda de tempo do leitor. O mesmo se aplica ao discurso falado. Sobre esse mister, há uma advertência interessante: "aquele que não fosse sincero com o ouvinte ou leitor deveria morrer na cadeira elétrica". O tempo é o bem mais precioso que possuímos. Não deveríamos desperdiçá-lo com palavras vãs, discurso oco e histórias que não contribuem para o engrandecimento moral e espiritual do ser humano.

A introdução é um entrave? Em ensaios, ou trabalhos mais longos do que uma simples página, temos dificuldade de fazer a introdução. Os entendidos no assunto instruem-nos a deixar essa fase para o final do trabalho. Ao mesmo tempo, aconselham-nos a anotar o transcurso do pensamento, sem nos preocuparmos com a sua apresentação. Depois que tudo estiver documentado, forma-se naturalmente em nossa cabeça as palavras introdutórias ao tema. Basta apenas colocá-las no seu devido lugar.

A limitação de palavras imposta ao tema é difícil de ser seguida? Não desistamos. Se nos pedirem x linhas, devemos entregá-lo em x linhas, nem mais e nem menos. Como conseguir? Façamos por etapas: escrevamos o primeiro esboço; depois, vamos complementando-o. O computador auxilia, pois podemos ir acrescentando ao que já estiver digitado. Observe a montagem de um filme em que o diretor focaliza um tema específico e vai criando imagens acerca daquele tópico. A criatividade consiste nisso: ampliar as informações acerca de um mesmo tema.

Busquemos a coerência conosco mesmos. Ao escrever, escrevamos para informar ou educar, mas nunca para nos mostrarmos superiores aos outros.

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Palavras e Expressões dos Modernosos

O modernoso gosta de “atingir patamares”, “alavancar processos”, “desenvolver atitudes proativas” e “otimizar resultados”. Para ele, é preciso “tirar decisões”, “priorizar espaços”, “encontrar soluções” – “a nível de país”. E mais

Ele não vive sem o “beach-soccer”, o “delivery”, o “coffee-break” e o evento “in-company”, atividades que devem melhorar o “empowerment”.

Ele não convive; “vivencia”. Ele não anexa; “atacha”.

Para o perfeito “mix”, falta-lhe adotar “randomicamente” atitudes emblemáticas “enquanto ser humano”.

OLIVEIRA, J. P. Moreira de, MOTTA, C. A. de Paula. Como Escrever Melhor. São Paulo: Publifolha, 2000.

 

Símbolo e Comunicação

Símbolo - do gr. symbolon = neutro - vem de symbolé‚ que significa aproximação, ajustamento, encaixamento, cuja origem etimológica é indicada pelo prefixo syn, com e bolé, donde vem o nosso termo bola, roda, círculo. Referia-se, deste modo, à moeda usada como sinal. O símbolo é, pois, tudo quanto está em lugar de outro. Comunicação - do lat. communicatio, de communis = comum -, ação de tornar algo comum a muitos. É o estabelecimento de uma corrente de pensamento, dirigida de um indivíduo a outro, com o fim de informar, persuadir ou divertir.

A comunicação de uma ideia deve estar inserida dentro do contexto simbólico do ouvinte. Observe, por exemplo, o anúncio de uma nova descoberta científica a um grupo de indígenas. É preciso muito tato e muita sabedoria para fazê-los entender, visto pertencerem a um universo de valores diametralmente oposto ao discurso científico. Às vezes, essa distância é tão grande, que torna inviável qualquer comunicação.

O homem é um animal simbólico. Fabrica mitos, ídolos, salvadores da pátria, e vive de acordo com essas concepções. Há, na Filosofia, a simbólica, ou seja, uma matéria voltada para o estudo da gênese, do desenvolvimento, da vida, da morte e da ressurreição dos símbolos. A simbólica tem por objetivo descobrir o que está escondido atrás dos ritos e dos dogmas sob emblemas tão diversos. Por isso, utiliza-se do método dialético-simbólico, no sentido de, através da analogia, tornar compreensível o processo mágico, as fantasias e os mistérios.

O símbolo é a espécie e o sinal o gênero. Quer dizer, todo símbolo é sinal, mas nem todo sinal é símbolo. Para que o sinal seja símbolo ele tem que estar no lugar de outro. O sinal pode ser apenas convencional, arbitrário. O símbolo, não. Este deve repetir, analogicamente, algo do simbolizado. Além disso, o símbolo é meio de acesso às realidades pessoais, misteriosas e inacessíveis a uma observação direta e imediata. Por exemplo: o signo bandeira simboliza os vários graus de heroísmo.

O homem, praticamente, não dispõe de um símbolo mais privilegiado para a comunicação do que a palavra. Imagine um indivíduo feito uma estátua. Nessa circunstância, é difícil sondar-lhe o pensamento e o sentimento. Porém, ao se expressar, torna-se logo conhecido. Além da transmissão de conteúdo, a palavra é muito mais um instrumento de comunicação espiritual: faculta ao ouvinte a elaboração de novas ideias sobre o discurso proferido.

A palavra é um dom divino. Revistamo-la da simbologia necessária, mas não nos esqueçamos de que ela deve ser usada para instruir, educar e elucidar as almas que nos rodeiam.

Discurso Político

discurso político fundamenta-se numa decisão sobre o futuro, ao contrário do discurso forense, que julga um fato passado. O estadista, objetivando alcançar o bem comum, concebe um estado ideal (futuro) contraposto ao real (presente). Por isso, a política é a ciência do possível, ou seja, daquilo que pode ser feito.

Os políticos, para melhor atrair a atenção dos ouvintes, valem-se da persuasão e da eloquência. Na persuasão ordenam os pensamentos, de tal modo, que os levam a aceitar seus pontos de vista de modo suave, habilidosamente; na eloquência, exaltam o otimismo, o entusiasmo e a vivência no paraíso terrestre, apesar das dificuldades aparentes. Por saberem que a mente humana condiciona-se melhor à afetividade, apelam mais à emoção do que à razão.

Na alegoria do mito da caverna, Platão descortina-nos novos horizontes para entendermos a essência do discurso político. A busca da verdade a que se empenhou o filósofo, fê-lo distinto dos homens que ficaram na caverna. De posse do conhecimento, sente-se na obrigação de anunciá-lo aos que lá ficaram. Temeroso de que não seja compreendido, cria o mito, isto é, atenua a verdade com o objetivo de ser aceito.

A cada nova eleição centenas de candidatos concorrem às diversas vagas disponíveis. Por conseguinte, serão muitos os discursos que teremos de avaliar. De que maneira podemos constatar a veracidade das teses expostas? Observando e fazendo contas. Suponha-se que haja a promessa de construção de casas próprias. Multiplica-se o número oferecido pelo custo de cada uma e compara-se com os recursos disponíveis. Aos defensores da moral, sondar-lhes o passado. E assim por diante.

O instante do voto é o momento propício para a substituição da classe política dirigente. Cada povo tem o governo que merece, diz o anexim. Somos um ente político, portanto com o poder de modificar a nossa sociedade. Reflitamos, pois, ao colocar um x neste ou naquele pretendente. Esta atitude, constante, em todos os eleitores, será suficiente para a mudança radical do quadro vigente. 

Desconfiemos daqueles que prometem "mundos e fundos". A humildade e a simplicidade cabem em qualquer lugar. Procuremos descobrir essas virtudes nas entrelinhas dos discursos. Agindo assim, teremos melhores condições de bem escolher aqueles que irão nos governar.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

 

Medo de Falar em Público

Medo – do latim metu – significa o sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário. No âmbito da oratória, é a sensação de que se vai esquecer daquilo que se tem de falar, de não agradar ao público, de dizer coisa banais. Seus sintomas são: coração dispara, respiração torna-se ofegante, ondas de calor percorrem o corpo todo, as mão tremem, a voz fica embasbacada etc.

De acordo com a Psicologia e ciências afins, o medo do erro é normal e natural. Somente em 20% dos casos é possível encontrar algum trauma que justifique o surgimento da fobia. A naturalidade prende-se ao fato de nos sentirmos responsáveis por aquilo que estamos informando ao público. Como não queremos passar dados inverossímeis, a apreensão, a ansiedade gera-nos um pequeno desconforto, uma tensão, um nervosismo. Mas, tão logo se começa a falar, voltamos ao nosso estado normal.

No lado oposto, há o fóbico social. Este tem dificuldade de se relacionar, não consegue olhar nos olhos do seu interlocutor, conversar naturalmente com seu superior, apresentar ideias, compartilhar tarefas. "A característica mais marcante desse tipo de fobia é o medo que a pessoa tem do julgamento dos outros". O fóbico social geralmente é muito perfeccionista. Como é impossível agradar a 100% das pessoas ele prefere se omitir. Isola-se e, a cada dia que passa, vai ficando mais isolado. Isto tudo porque, quando não exercitamos os nossos dons, os mesmos nos serão tirados.

Os peritos na arte da oratória dão-nos algumas orientações: prepare-se com antecedência: vá para o evento com o máximo de informações possíveis; faça um roteiro e procure segui-lo; cheque todos os dados quantas vezes achar necessário; se não se sentir seguro, simule uma apresentação em frente ao espelho ou diante dos familiares; tenha consciência de que é impossível agradar a todos que irão ouvi-lo; antes de entrar em cena, procure relaxar. Você pode ouvir música, fazer exercícios respiratórios, rezar, meditar.

O medo é um verdugo impiedoso dos que lhe caem nas mãos, um inimigo traiçoeiro e forte que esmaga os poderosos e enfurece os fracos, um algoz impenitente que destrói tudo o que se lhe oferece, em fim é o agente de males diversos, que dizimam vidas e deformam caracteres, alucinando uns, neurotizando outros, gerando insegurança e timidez ou levando a atos de violência irracional. Mas se pensarmos em termos de um dever a cumprir de uma missão a ser levada a efeito, sem dúvida, conseguiremos diminuí-lo sobremaneira.

Lembremo-nos de que se o medo é um sentimento dos nervos, basta a simples reflexão para eliminá-lo. Contudo, se mesmo assim ele persistir, enfrentemo-lo face a face.

Fonte de Consulta

SILVEIRA, M. Você Tem Medo de quê? Revista Você, setembro de 2001, p. 54 a 59.

 

Etimologia e Semântica

Etimologia - ciência que investiga as origens próximas e remotas das palavras e sua evolução histórica. Do grego étymon (étimo) vocábulo que é origem de outro. Semântica - estudo das mudanças que no espaço e no tempo, experimenta a significação das palavras consideradas como sinais das ideias: semasiologia; sematologia; semiologia. Do grego sëma-tos "sinal, marca, significação".

As contradições nos debates são muitas vezes fruto das diferentes interpretações que a mesma palavra oferece. Nesse sentido, Sócrates, filósofo grego da Antiguidade, orientava-nos para bem definir o termo antes de começarmos a discutir. Adquirindo o hábito de enunciar a terminologia correta, pouparemos o tempo que o grupo gasta na compreensão do seu significado.

A percepção do conceito pressupõe a superação do preconceito. Este caracteriza-se pela cristalização de certas ideias, sem fundamento racional e científico. Se permanecermos "fechados" no passado, perderemos as oportunidades de evolução que o curso da vida nos oferece. Assim, uma postura aberta ao novo cria em nós uma mentalidade livre do espírito de sistema.

Etimologia e semântica vêm a calhar. Para bem exprimirmos o conteúdo do nosso pensamento, temos de consultar muitas obras literárias. Desta forma, a lembrança de que devemos ler com lápis, papel e dicionário à mão é muito oportuna. Isto porque, à medida que a dúvida surge, temos condições de dirimi-la e melhorar a compreensão daquilo que estivermos estudando.

Aprender o "sinal" correto da ideia é uma obrigação, desde que queiramos bem expressar o nosso pensamento. Contudo, não devemos nos fiar inteiramente neste objetivo, porque transmitimos muito mais pelo que somos do que pelo que dizemos. Reconheçamos que a linguagem do pensamento é universal e veiculada através das ondas mentais. Voz, gestos e dicção auxiliam, mas a essência é a nossa conduta moral.

Aliemos ao estudo a meditação e a inspiração, a fim de melhor penetrar no âmago do conhecimento superior.

Sintonia entre o Orador e o Auditório

Sintonia - do grego syntonia - significa acordo mútuo, reciprocidade. Em Psicologia é o estado de quem se encontra em correspondência ou harmonia com o meio. Orador - do lat. oratore -, aquele que ora um discurso em público. Auditório - do lat. auditoriu -, conjunto de ouvintes que assiste a algum discurso.

indutância, a capacitância a ressonância e a própria sintonia em eletricidade oferecem-nos campo para a analogia. Valendo-nos da ressonância, coloquemos quatro pêndulos (dois de comprimento curto e dois de comprimento longo) e movimentemos um deles. Imediatamente, o pêndulo de mesmo comprimento começará a oscilar querendo entrar na mesma freqüência daquele que foi acionado, enquanto os outros dois permanecem fixos. Como interpretar psicologicamente esse fenômeno mecânico?

discurso oratório pressupõe o emissor, a mensagem e o receptor. O orador é o indutor, ou seja, o pêndulo emissor. À sua frente os ouvintes. Para que seja ouvido deve entrar em sintonia com o auditório. Mas, o que é entrar em sintonia com o público? é captar o ponto médio dos ouvintes e trabalhar em cima dele. Pois, se estiver muito acima da média não será entendido e, muito abaixo, tornar-se-á desinteressante.

impacto interpessoal define o ajustamento entre o orador e o público. Para que o orador desperte a atenção consciente dos ouvintes, deve falar somente aquilo que interessa ao auditório. Pressupor público inteligente e falar como se estivesse na condição de ouvinte auxiliam sobremaneira a preparação de nossa peça oratória. Consequentemente, criaremos um campo mental harmonioso entre nossa pessoa e aqueles que nos ouvem.

manutenção do interesse durante a exposição exige diversos cuidados. Primeiramente, o preparo do orador. Este deve ter em mente a sintonia com Deus, consigo próprio e com aqueles que irão ouvi-lo. Em segundo lugar, a preparação do tema. Montar e seguir um roteiro, deixando brechas para a criatividade do momento, em que os Benfeitores Espirituais poderão inspirar-nos o pensamento correto para atender às necessidades do ambiente.

Apliquemos todas as nossas potencialidades para a compreensão do tema a ser exposto. A naturalidade de nossa expressão garantirá a verdadeira sintonia com o público que nos assiste.

 

Ensino e Aprendizagem

Ensino - do lat. "in + signare" = marcar com um sinal - significa transmissão de conhecimentos, de informações ou de conhecimentos úteis ou indispensáveis à educação ou a um fim determinado. Aprendizagem - do lat. apreender -, aquisição de conhecimentos ou habilidades. Para que possamos maximizar a relação ensino-aprendizagem, convém adotarmos uma atitude desarmada e sem preconceitos.

Emissormensagem e receptor são os elementos básicos no processo de ensino. O emissor deve revestir-se de técnicas de oratória, recursos audiovisuais e métodos de ensino, a fim de tornar a mensagem persuasiva. O receptor, por sua vez, deve desenvolver a capacidade de atenção e concentração, para absorver adequadamente as informações recebidas.

Produção do saber é a finalidade do ensino. Professores e oradores revestem-se de técnicas de oratória, educando a voz, postura e gestos para melhor atrair o público. Algumas escolas criaram a "metodomania", isto é, tudo tem que ser ensinado segundo um dado método: Piaget, Montessori, Pestalozzi e outros. Os métodos de ensino auxiliam, mas somente o que carregamos dentro de nós conseguimos transmitir aos demais.

discurso didático deve ser a tônica do ensino. O professor quando descreve, interroga e avalia tem um objetivo: produzir conhecimento. Evita, assim, o discurso ordinário, que é a conversação causal e espontânea. Importa marcar o aluno com um sinal positivo, ou seja, obrigar o aluno a pensar profundamente no que lhe foi transmitido.

A vocação do estudante deve ser sempre ponderada pelo instrutor. Segundo a psicologia, não há dois indivíduos iguais, nem tampouco dois grupos idênticos. A peculiaridade de cada situação exige soluções criativas. Prestando atenção a esses pormenores, consegue-se educar com êxito.

Ensinando, burilemos nossas palavras; aprendendo, eduquemos nossos olhos e ouvidos. Tornando-nos conscientes desta conduta, aumentaremos o rendimento no processo de ensino. Aprendendo mais em menos tempo, liberaremos nossas energias mentais para outros campos de interesse do espírito.

Fonte de Consulta

NÉRICE, I. Educação e Ensino. São Paulo: Ibrasa, 1985.

KNELLER, G. F. Introdução à Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: Zahar
Editores, s.d.p.

MORAIS, R. O Que É Ensinar. São Paulo, E.P.U., 1986.


Disurso

Discurso - do latim discursu(m)- significa ação de correr por ou para várias partes. O termo comporta polivalência de sentido. Em oratória, designa a elocução que visa comover e persuadir; na esfera dos estudos linguísticos, representa a "sucessão coordenada de frases"; em trabalhos de cunho científico, assume a denotação de "tratado", "dissertação", como, por exemplo, o Discurso do Método de Descartes; em filosofia, distingue-se o teor "discursivo" do "intuitivo".

estrutura do discurso fundamenta-se no exórdio, na argumentação e na peroração. Embora tenhamos muitas técnicas para bem iniciar e terminar uma alocução, não resta dúvida que a argumentação é sua trave mestra. Esta é a parte em que o indivíduo mostra o seu conhecimento, a profundidade de seu pensamento. Para que haja comoção e persuasão, os princípios elaborados devem ser lógicos e coerentes.

Expressamo-nos através da palavra pensada, falada ou escrita. A sonoridade da voz e a dicção perfeita auxiliam a propagação de nosso pensamento, porém o que realmente conta é a essência daquilo que queremos transmitir. Voz adocicada e gestos delicados podem, muitas vezes, encobrir o verdadeiro caráter de um indivíduo. Contudo, se nos habituarmos a olhar criticamente, teremos condições de separar o joio do trigo.

Operações intermediárias encadeadas caracterizam o adjetivo "discursivo" oposto a "intuitivo". Urge reconhecer que a descoberta nas ciências e nas artes não segue uma sequência de operações elementares parciais e sucessivas. Ela, muitas vezes, vem abruptamente. A ordenação das ideias surge "a posteriori" como elemento para tornar claro aquilo que se apreendeu de modo vago e obscuro.

O "discurso do homem" é a manifestação da sua personalidade. Melhorando o teor de nossos argumentos, mudaremos o conceito que os outros formam de nós. Leitura metódica, estudo constante e reflexão frequente auxiliam sobremaneira a aquisição de novos valores da vida. Sem esforço perseverante da vontade, nada de útil conseguiremos amealhar em prol de nosso passivo intelectual.

Escolhamos com critério os alimentos material e espiritual, a fim de que o nosso "discurso" seja repleto de força, determinação e otimismo.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

A palavra "aporia" tem origem no grego antigo e significa literalmente "ausência de passagem" ou "impasse". Na filosofia e retórica, ela assume dois significados principais:

Aporia como impasse filosófico: refere-se a um enigma ou paradoxo que surge em um questionamento filosófico. É um ponto de perplexidade onde a razão parece encontrar caminhos contraditórios, sem uma solução evidente. Por exemplo, o paradoxo de Zenão sobre a impossibilidade de movimento levanta uma aporia, pois aparentemente viola nossa intuição sobre o movimento, mas a lógica por trás do paradoxo também parece sólida.

Aporia como estratégia retórica: descreve a situação em que o falante expressa dúvida ou incerteza, mesmo que seja fingida. O objetivo é levar o ouvinte a refletir sobre o assunto e buscar a conclusão pretendida pelo orador. Por exemplo, um advogado criminalista pode dizer: "Não sei como alguém poderia cometer tal crime sem deixar rastros", sutilmente sugerindo a inocência do cliente. (Gemini)





07 janeiro 2026

Educação Cognitiva

Educação cognitiva tem o objetivo de desenvolver o processamento de informações e habilidades mentais (atenção, memória, raciocínio, resolução de problemas) em vez de apenas transmitir conteúdo, visando uma aprendizagem mais profunda e significativa, que usa o funcionamento do cérebro para criar conhecimento e autonomia no aluno, indo além da memorização. Apoia-se na psicologia cognitiva e na neurociência.

Ao focar no processo mental de aprendizagem e não apenas na transmissão de conteúdos, a educação cognitiva busca ensinar o aluno a aprender melhor, ajudando-o a compreender como o conhecimento é construído e como pode ser aplicado em diferentes situações. Enfatiza-se, assim, o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo, a compreensão mais do que a memorização mecânica.

Qual seria o objetivo central da educação cognitiva? Formar sujeitos capazes de analisar, interpretar, argumentar e tomar decisões conscientes. Em síntese, visa preparar o indivíduo não apenas para reproduzir respostas, mas para pensar de forma autônoma e inteligente diante de situações da vida real.

Autores ligados à educação cognitiva. 1) Piaget (Teoria do desenvolvimento cognitivo) — A aprendizagem ocorre por estágios de desenvolvimento. 2) Vygotsky (Teoria sociocultural) — A aprendizagem ocorre na interação social. O professor atua como mediador. 3) Ausubel (Aprendizagem significativa) — O aluno aprende melhor quando relaciona novos conteúdos a conhecimentos prévios. Defende o uso de organizadores prévios. 4) Feuerstein (Modificabilidade Cognitiva) — A inteligência pode ser desenvolvida. Propõe a mediação intencional e o programa PEI.

Efeito Pigmaleão e educação cognitiva. O “efeito Pigmaleão” (ou profecia autorrealizável) é o fenômeno em que as expectativas do professor sobre o aluno influenciam seu desempenho. Nesse caso, quando o professor acredita que o aluno é capaz de aprender e se desenvolver, ele tende a criar condições que fazem esse aluno realmente avançar. Quer dizer, expectativas positivas estimulam os processos cognitivos.

Aplicação do efeito Pigmaleão dentro de um sala da aula. Em vez de dizer “Você errou de novo. Esse conteúdo é difícil pra você.”, diga “Você avançou bastante. Vamos analisar juntos onde a estratégia falhou e tentar outra.” Em vez de dar a resposta certa, o professor conduz o aluno a reconstruí-la. Mensagem implícita: “Você é capaz de encontrar a resposta.” 

Fonte de Consulta

FONSECA, Vitor da. Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem: Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica. 7.ed., Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

IA

 

31 dezembro 2025

Cérebro, Prazer, Celular e a Criança

Entendimento moderno sobre o cérebro. Eis alguns pontos importantes: 1) o cérebro não é fixo — ele muda com a experiência (neuroplasticidade); 2) pensamentos e emoções têm base biológica, mas também são influenciados por ambiente, cultura e história de vida; 3) regiões diferentes têm funções especializadas, mas trabalham em rede; 4) cérebro e mente não são idênticos, mas estão profundamente interligados.

Dopamina e cérebro

1) A dopamina é uma substância química produzida por neurônios que funciona como neurotransmissor — ou seja, ela permite a comunicação entre células do cérebro. Ela é produzida principalmente em regiões como: substância negra, área tegmental ventral (ATV), hipotálamo. A partir daí, projeta-se para várias áreas do cérebro.

2) Relação entre dopamina e funcionamento cerebral. Em vez de ser “o hormônio do prazer”, como muitos dizem, a dopamina está mais ligada a motivação, expectativa de recompensa, tomada de decisão, aprendizado por reforço. Ela ajuda o cérebro a responder a sinais do tipo: “Isso vale a pena repetir.” Por isso, ela está conectada ao comportamento de busca, hábitos e objetivos.

3) Funções principais da dopamina no cérebro: 1) Motivação e recompensa. A dopamina reforça comportamentos que deram certo; 2) Movimento. Nos gânglios da base, a dopamina regula os circuitos motores; 3) Atenção e cognição. A dopamina também atua no córtex pré-frontal, influenciando: foco, controle inibitório, planejamento, tomada de decisão; 4) Emoções e comportamento. Ela participa da regulação de: prazer e interesse, curiosidade, iniciativa, busca de novidade.

4) Resumo. A dopamina: não é o “hormônio da felicidade”, não “causa prazer” diretamente, é um sinal de motivação e aprendizado. Ela informa ao cérebro: “Isso foi importante — aprenda e repita.” E, por isso, afeta movimento, motivação, atenção e comportamento.

Presentemente, há diversos livros tratando do problema do prazer e do uso do celular pelas crianças. Há interesse de educadores, psicólogos e neurocientistas. Por que o celular desperta tanto interesse nas crianças? Isto ocorre em função das estratégias como notificações imprevisíveis, cores e sons estimulantes, recompensas rápidas (likes, pontos, conquistas), rolagem infinita, vídeos curtos e repetidos. Esse padrão cria um ciclo: estímulo → expectativa → recompensa → repetição. Ou seja: o cérebro aprende que o uso do celular “vale a pena repetir”.

Por que as crianças são mais vulneráveis? O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, principalmente o córtex pré-frontal (autocontrole), os circuitos de atenção e mecanismos de planejamento e limites. Crianças têm mais sensibilidade a recompensas imediatas, menor capacidade de adiar prazer e mais dificuldade em perceber excesso. Por isso, os estímulos digitais têm impacto maior nelas do que nos adultos. Não é “falta de disciplina” — é maturação cerebral. O problema não é o celular — e sim o uso sem mediação. 

Sobre os limites de tempo de tela por faixa etária. Não existe um número único perfeito — depende do contexto. Em geral, recomenda-se: até 2 anos → evitar telas (exceto interações supervisionadas); 2 a 5 anos → uso curto e acompanhado; 6 a 12 anos → combinar horários e pausas; adolescentes → priorizar sono, estudo e convivência

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

28 novembro 2025

Uso de Tela

“A moral da história é a seguinte: deem telas a seus filhos, os fabricantes de telas continuarão dando livros aos deles.” Guillaume Erner, jornalista francês e doutor em sociologia.

Tela. Compreende a tela que usamos para a interação com o nosso computador, smartphone ou outros dispositivos eletrônicos. Na tela podemos visualizar informações, tais como, imagens, texto e vídeos. Algumas questões: quanto tempo devemos usar a tela? Temos consciência de seu uso? A idade tem importância no uso da tela? Quem mais ganha com o uso gratuito da tela?

A geração dos nativos digitais apresenta três traços marcantes: o zapping, a impaciência e o coletivo. Para eles, tudo deve ser rápido e, se possível, rapidíssimo. Aprenderam a trabalhar em equipe, possuindo uma cultura digital intuitiva. Muitos fogem do raciocínio demonstrativo, dedutivo, o passo a passo, preferindo o tateamento favorecido pelos links de hipertextos.

Estudos tem mostrado a influência do uso de telas no cérebro e na formação da personalidade. Muitos dizem que de 0 a 6 anos a criança não deveria de modo algum ter contato com a tela. Por quê? A rapidez dos itens passados dá a sensação à criança de que ela está aprendendo alguma coisa útil. Observe a reação de algumas crianças, quando mãe demora para atender ao seu pedido: choram e, impacientam-se.

22 novembro 2025

O Cérebro e o Mundo Audiocentrado

O cérebro, composto por bilhões de neurônios, é um órgão que atua como a central de controle de todas as funções vitais, movimentos, pensamentos, emoções e memória. Sendo o centralizador dos sinais recebidos, pode se adaptar com facilidade. Seu lado mecânico: recebe e interpreta sinais do ambiente e envia mensagens para o resto do corpo. Nesse sentido, ele pode se tornar preguiçoso (lei do menor esforço). Forçando-o a novos desafios, ele também vai se tornando mais produtivo.  

mundo audiocentrado refere-se a uma perspectiva cultural e social que coloca a audição e a comunicação oral como o sentido e o meio de interação predominantes e superiores. A voz, a imagem e o vídeo tornam-se os meios de comunicação em detrimento da escrita. Ao dar ênfase na audição, podem marginalizar ou desvalorizar a cultura e as sociedades das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

18 novembro 2025

Frases do Livro Como Fazer Apresentações com Segurança

Oratória não é comunicação. Finley Peter Dunn, um humorista do início do século vinte, declarou certa vez: "Um homem nunca se torna orador quando tem algo a dizer."

Sir Winston Churchill assim expressou sua opinião acerca dos oradores: "Podem ser melhor descritos como [pessoas] que, antes de se levantarem, não sabem o que irão dizer; quando estão falando, não sabem o que dizem; e quando voltam a sentar-se, não sabem o que disseram."

Como orador, você está imbuído de uma responsabilidade seriíssima. O reverendo Jenkin Lloyd Jones escreveu em um de seus livros: "O homem que faz uma palestra desinteressante de trinta minutos desperdiça apenas meia hora de seu tempo. Mas ele desperdiça uma centena de horas do tempo de sua plateia mais de quatro dias, o que deveria ser considerado crime passível de pena de morte."

11 novembro 2025

Repetição Oral e Repetição Escrita

Repetição oral. É a repetição feita pela fala, de forma espontânea ou deliberada, durante a comunicação verbal. Suas características principais são: imediata e efêmera, espontânea, expressiva. Exemplo: “Ele vem, vem mesmo! Você vai ver!” Repetição escrita. É a repetição feita por meio da escrita, de forma consciente, planejada e visualmente registrada. Suas características são: duradoura, revisável, intencional, visual e estrutural. Exemplo: “Nada muda, nada cresce, nada floresce.”

Na escrita com a possibilidade de revisão e editoração, com apagamentos sucessivos, só se obtém a versão final diminuindo a presença da repetição. Na fala, em que nada se apaga, a repetição faz parte do processo formulativo. Sua presença na superfície do texto falado é alto, constatando-se que, a cada cinco palavras, em média, uma é repetida. Há uma grande diferença repetir elementos linguísticos e repetir o mesmo conteúdo. (1)

Na fala, pensamos e falamos ao mesmo tempo; por isso, repetimos palavras ou expressões para ganhar tempo enquanto organizamos o pensamento: “Então... então... eu acho que... sabe?” Na escrita, ao contrário, temos tempo para rever e editar. Podemos apagar repetições desnecessárias. Escolhemos palavras com mais cuidado. Buscamos clareza e economia.  Assim, a escrita é reflexiva e condensada, enquanto a fala é espontânea e redundante.

Nos diálogos platônicos, a repetição oral aparece como método de ensino e investigação. Sua função é reforçar uma ideia até que o interlocutor compreenda o conceito. Exemplo: Sócrates repete perguntas de diferentes formas — “O que é a virtude?”, “E o que é o bem?”, “E o justo, é o mesmo que o bom?” A repetição aqui é dialógica, não estética: serve para fazer pensar. (2)

Nos evangelhos, Jesus frequentemente repete expressões como: “Em verdade, em verdade vos digo…” “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Essas repetições orais reforçam a autoridade e a memorização da mensagem. A palavra falada tem poder espiritual — a repetição grava o sagrado no coração do ouvinte. A repetição oral tende ao rito — palavra viva, ação transformadora. A repetição escrita tende ao logos — palavra refletida, ideia pensada. (2)

Repetir para memorizarPara memorizar bem é preciso fazer o esforço de repetir. E é reativando regularmente as informações, para fazer uma revisão, por exemplo, que teremos mais chances de fixá-las na memória de longo prazo. Podemos aplicar o método da repetição espaçada, ou seja, rever o conteúdo em intervalos crescentes (1 dia, 3 dias, 7 dias, 15 dias...)

A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Na oratória, o palestrante — consciente e lúcido —, deve evitar a repetição que soa como lavagem cerebral. O correto é termos ligação com a verdade dos fatos, mesmo porque, para haver persuasão, é preciso haver credibilidade, pois a liderança social é essencialmente dinâmica e criadora, sendo condição vital do líder o prestígio, que se alicerça nas qualidades da persuasão.

(1) JUBRAN, Clélia Cândida Abreu Spinardi e KOCH, Indegore Grunfeld Villaça (Org.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.

(2) ChatGPT



 

30 outubro 2025

Inteligência Artificial: Ganhos e Perdas

Questão 1 — Quais são os ganhos e perdas no uso da inteligência artificial?

O uso da inteligência artificial (IA) traz ganhos e perdas que se manifestam em diferentes áreas: educação, trabalho, relações humanas, ética, arte, entre outras. Abaixo faço um panorama equilibrado:

A) GANHOS (benefícios)

1. Agilidade e eficiência. A IA automatiza tarefas repetitivas, processa grandes volumes de dados e otimiza processos em segundos. Exemplo: diagnósticos médicos mais rápidos, análises financeiras em tempo real, produção de textos e traduções instantâneas.

2. Acesso ampliado ao conhecimento. Ferramentas de IA democratizam o saber, tornando o aprendizado e a pesquisa mais acessíveis a qualquer pessoa com internet. Na educação, atua como “tutor inteligente”, adaptando-se ao ritmo e estilo de cada aluno.

3. Criação e inovação. Estimula novas formas de arte, literatura, música e design. Colabora com cientistas e inventores em descobertas e simulações complexas.

4. Tomada de decisão mais informada. A IA auxilia na interpretação de dados e oferece previsões baseadas em padrões invisíveis ao olhar humano.

5. Apoio em acessibilidade. Ferramentas de voz, leitura automática e tradução ampliam a inclusão digital e social.

B) PERDAS (riscos e desafios)

1. Desumanização e dependência. O uso excessivo pode enfraquecer a reflexão crítica, o esforço intelectual e o contato humano. “Pensar” pode ser terceirizado às máquinas, empobrecendo a experiência de aprender.

2. Desemprego e desigualdade A automação substitui profissões manuais e cognitivas, criando um abismo entre quem domina e quem é dominado pela tecnologia.

3. Manipulação da informação. Deepfakes, desinformação e viés algorítmico podem distorcer a verdade e influenciar opiniões.

4. Perda de privacidade O uso de dados pessoais sem consentimento expõe os indivíduos à vigilância e ao controle social.

5. Crise ética e identitária. Surge a pergunta: o que é “humano” quando uma máquina pode criar, pensar e até sentir de forma simulada?

C) Síntese filosófica

O uso da IA é, ao mesmo tempo, ampliação e ameaça do humano. Ela potencializa a inteligência — mas também testa nossos limites éticos e espirituais. Como disse Heidegger, a técnica não é apenas um instrumento: é um modo de revelar o mundo. A questão é quem conduz quem: o homem a máquina ou a máquina o homem? 

Questão 2 — Qual é o grau de confiança de uma informação dada por uma inteligência artificial (como o ChatGPT)?

1. A natureza da informação produzida pela IA

O ChatGPT não “sabe” como um ser humano sabe. Ele gera respostas com base em padrões linguísticos e probabilidades — isto é, ele “prevê” qual sequência de palavras faz mais sentido segundo os dados em que foi treinado.

Por isso:

Ele pode soar muito convincente, mesmo quando está errado.

Ele não tem consciência, opinião nem verificação empírica direta.

Ele não acessa a verdade, mas reproduz padrões de linguagem sobre a verdade.

2. Grau de confiança: depende do tipo de informação

Tipo de informação

Grau de confiança

Observação

Fatos objetivos e amplamente documentados

(datas históricas, definições científicas, biografias conhecidas)

Alto

(80–95%)

A IA acerta com frequência, mas erros ainda podem ocorrer.

Informações recentes ou em mudança constante

(notícias, atualizações tecnológicas, leis novas)

Médio a baixo

 (40–70%)

A IA pode estar desatualizada; o ideal é verificar fontes atuais.

Interpretações filosóficas, literárias ou artísticas

Médio

(60–85%)

As respostas são coerentes, mas refletem síntese de visões já publicadas, não uma experiência própria.

Questões éticas, morais ou subjetivas

Variável

A IA pode argumentar com base em perspectivas conhecidas, mas não tem julgamento moral real.


3. Como aumentar a confiabilidade

1. Verificar fontes: sempre que possível, peça referências ou pesquise os fatos em sites oficiais e acadêmicos.

2Conferir coerência: se algo parecer muito simplificado ou contraditório, vale confrontar com outras fontes.

3Atualizar o contexto: para temas em constante evolução (como leis, ciência, política), use versões com acesso à web.

4. Usar o discernimento humano: a IA é ferramenta, não autoridade. O juízo crítico ainda é o que garante a verdade.

Síntese filosófica

A IA não substitui o saber, mas simula a linguagem do saber. O grau de confiança depende do grau de vigilância humana. Em termos epistemológicos, ela é um auxiliar da razão, não o seu fundamento.

Como dizia Sócrates, “saber é saber que nada se sabe”. Com a IA, esse princípio volta a ter pleno sentido: quanto mais ela sabe, mais precisamos saber discernir.

Fonte de Consulta: ChatGPT

 

13 setembro 2025

Explicar é Desdobrar

Explicar. Refere-se ao ato ou processo de tornar algo compreensível. É esclarecer, descrever, ou justificar algo de forma que outra pessoa consiga entender. É apresentar razões causais, significados ou contextos que ajudem alguém a compreender um fato, ideia, fenômeno ou comportamento. Desdobrar é abrir algo que está fechado ou enrolado, tornar visível o que estava oculto, revelar as parte de algo mais complexo.

Ao explicar, abrimos um conceito para que fique mais claro, mostramos passo a passo como algo funciona ou por que algo acontece. O implícito se torna explícito, o complexo se torna acessível. Exemplo: imagine um novelo de lã todo enrolado (ideia complexa). Explicar é como desenrolar esse novelo até que o fio fique reto e claro a seguir.

Uma explicação é boa quando há: 1) clareza — a ideia é apresentada de forma compreensível sem ambiguidade; 2) estrutura lógica — a explicação tem começo, meio e fim, com ideias conectadas de forma coerente. Primeiro o problema, depois as causas, em seguida os efeitos. Bons explicadores usam comparações para facilitar a compreensão. Exemplo: explicar é como abrir um guarda-chuva — você mostra todas as partes que estavam escondidas.

Para que uma explicação seja considerada boa, deve haver objetividade, quer dizer, deve-se ir direto ao ponto, sem enrolar ou fugir do tema. Além disso, o explicador deve adquirir a capacidade de antecipar dúvidas. Uma boa explicação já responde às perguntas que surgiriam naturalmente.

Uma explicação é ruim quando: 1) a linguagem é confusa ou complexa demais; 2) uso de termos técnicos sem necessidade ou frases longas demais; 3) desvio de foco, afastando-se do assunto principal ou misturando muitos tópicos; 4) pressupor conhecimento que o outro não tem; 5) falar como se todos soubessem do que se trata, sem contextualizar; 6) ausência de exemplos; 7) falar com tom arrogante e impaciente.

Ao nos comunicarmos com os outros, vejamos se não estamos utilizando uma linguagem inconveniente. Posteriormente, façamos os esforços necessários para aprimorar a boa veiculação de nossas ideias.