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11 novembro 2025

Repetição Oral e Repetição Escrita

Repetição oral. É a repetição feita pela fala, de forma espontânea ou deliberada, durante a comunicação verbal. Suas características principais são: imediata e efêmera, espontânea, expressiva. Exemplo: “Ele vem, vem mesmo! Você vai ver!” Repetição escrita. É a repetição feita por meio da escrita, de forma consciente, planejada e visualmente registrada. Suas características são: duradoura, revisável, intencional, visual e estrutural. Exemplo: “Nada muda, nada cresce, nada floresce.”

Na escrita com a possibilidade de revisão e editoração, com apagamentos sucessivos, só se obtém a versão final diminuindo a presença da repetição. Na fala, em que nada se apaga, a repetição faz parte do processo formulativo. Sua presença na superfície do texto falado é alto, constatando-se que, a cada cinco palavras, em média, uma é repetida. Há uma grande diferença repetir elementos linguísticos e repetir o mesmo conteúdo. (1)

Na fala, pensamos e falamos ao mesmo tempo; por isso, repetimos palavras ou expressões para ganhar tempo enquanto organizamos o pensamento: “Então... então... eu acho que... sabe?” Na escrita, ao contrário, temos tempo para rever e editar. Podemos apagar repetições desnecessárias. Escolhemos palavras com mais cuidado. Buscamos clareza e economia.  Assim, a escrita é reflexiva e condensada, enquanto a fala é espontânea e redundante.

Nos diálogos platônicos, a repetição oral aparece como método de ensino e investigação. Sua função é reforçar uma ideia até que o interlocutor compreenda o conceito. Exemplo: Sócrates repete perguntas de diferentes formas — “O que é a virtude?”, “E o que é o bem?”, “E o justo, é o mesmo que o bom?” A repetição aqui é dialógica, não estética: serve para fazer pensar. (2)

Nos evangelhos, Jesus frequentemente repete expressões como: “Em verdade, em verdade vos digo…” “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Essas repetições orais reforçam a autoridade e a memorização da mensagem. A palavra falada tem poder espiritual — a repetição grava o sagrado no coração do ouvinte. A repetição oral tende ao rito — palavra viva, ação transformadora. A repetição escrita tende ao logos — palavra refletida, ideia pensada. (2)

Repetir para memorizarPara memorizar bem é preciso fazer o esforço de repetir. E é reativando regularmente as informações, para fazer uma revisão, por exemplo, que teremos mais chances de fixá-las na memória de longo prazo. Podemos aplicar o método da repetição espaçada, ou seja, rever o conteúdo em intervalos crescentes (1 dia, 3 dias, 7 dias, 15 dias...)

A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Na oratória, o palestrante — consciente e lúcido —, deve evitar a repetição que soa como lavagem cerebral. O correto é termos ligação com a verdade dos fatos, mesmo porque, para haver persuasão, é preciso haver credibilidade, pois a liderança social é essencialmente dinâmica e criadora, sendo condição vital do líder o prestígio, que se alicerça nas qualidades da persuasão.

(1) JUBRAN, Clélia Cândida Abreu Spinardi e KOCH, Indegore Grunfeld Villaça (Org.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.

(2) ChatGPT



 

18 fevereiro 2025

Processo de Redação

Escrever bem não é tarefa fácil. Exige um esforço pela clareza, pela concisão, pelo uso correto das palavras, pela aversão aos jargões, pela superação dos bloqueios de escritor, pela organização das ideias. A poetisa, escritora e professora Betty Sue Flowers cunhou uma sigla que resume bem o trabalho de escritor: LACJ: em português seria Louco-Arquiteto-Carpinteiro-Juiz.

Louco — Nesta fase, há a procura de informações em livros, jornais, revistas, TV, rádios e demais fontes de informações. São ideias que vamos anotando sobre o tema, no sentido de obter o maior número de dados que, em princípio, estão desconectados. Aqui não há restrição moral, nem técnica, nem se são verdadeiros ou falsos. O trabalho é o de garimpagem, anotando tudo em uma folha de papel. Assemelha-se à “tempestade de ideais”, ao brainstorming.  

Arquiteto — Como bem sabemos, o arquiteto planeja casas, edifícios, distribuindo da melhor maneira os espaços disponíveis. No caso da escrita, organiza as informações e prepara um esboço mesmo que simples. O arquiteto vai elaborar um plano que se fundamenta na regra básica do discurso — começo, meio e fim. O objetivo, porém, não é atingir o ouvinte, mas o leitor. 

Carpinteiro — nessa fase, deve-se escrever o mais rápido possível — sem se preocupar em aperfeiçoar o texto. As correções virão depois. Não percamos tempo tentando corrigir e melhorar o texto. Se optarmos por essa ação poderemos ter o “bloqueio do escritor”. Mantenhamos o juiz bem longe de nossa vista.

Juiz — Por último vem o juiz, aquele que decide. É hora de pesar as palavras, preencher lacunas, ampliar algo e abreviar outro tanto. Lembremo-nos da frase atribuída a Blaise Pascal: "Se tivesse mais tempo, a minha resposta seria breve”. Ela reflete a ideia de que, muitas vezes, a clareza e a concisão exigem mais tempo e reflexão do que uma resposta longa. Por isso, um único rascunho pode não ser suficiente para a abordagem do tema.

Como vemos, há sempre um nova maneira de fazer o mesmo trabalho. Tenhamos sempre em mente o exercício da boa escrita.

Fonte de Consulta

GARNER, Bryan A. A Arte de Escrever bem no Trabalho. Tradução Paulo Afonso. Rio de Janeiro: Sextante, 2022. (Coleção Harvard: um guia acima da média)