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11 março 2020

5 Passos para Aprender Qualquer Assunto

"Se você não consegue explicar algo de forma simples, então você não entendeu o assunto." (Richard Feynman, prêmio Nobel de Física em 1965)

Seu princípio básico é a verdade. Dizia: "Nunca se auto engane, você é a pessoa mais fácil do mundo que pode enganar." O que eu realmente sei? O que com certeza eu não sei? Sua honestidade intelectual obrigava-o a ir a fundo em tudo que o interessava.

Os 5 Passos

Passo n.º 1 — Escolha um assunto que quer entender e comece a estudá-lo. Busque o máximo de conteúdo disponível [vídeo, livro, internet...]. Depois, escreva em uma página em branco, em tópicos, tudo o que estiver aprendendo sobre o assunto, e de preferência à mão, que é uma das formas (cientificamente comprovada) mais eficazes para assimilar o conteúdo.

Passo n.º 2 — Finja ensinar o assunto aprendido para alguém. Organize as ideias em ordem lógica, com começo, meio e fim, e falando em voz alta para ajudar a reter o que se está falando, usando sempre termos muito simples, evitando ao máximo o uso de jargões técnicos, para facilitar o entendimento de quem ouve.

Passo n.º 3 — Identifique suas falhas na explicação. Mapear as partes que se sentiu inseguro ou quando foi complexo demais. Faça uma marcação nos pontos da exposição que podem ser melhorados.

Passo nº 4 — Corrija o conteúdo aprofundando o conhecimento e simplificando a explicação. Se for falha de conteúdo, volte ao passo , estude mais a fundo e reforce o aprendizado. Se for falha de complexidade excessiva, simplifique, resumindo por meio de analogias.

Passo n.º 5 — Refaça todo processo quantas vezes for necessário.

As partes mais fundamentais da técnica Feynman é o uso de analogias. As analogias visuais ajudam a conexão com o nível de entendimento de quem ouve. É a forma mais simples de explicar um fenômeno desconhecido e complexo.

Não se iluda. Para conseguir simplificar, é necessário dominar o assunto, sendo fiel à teoria ou ao conteúdo a ser explicado

Usar as perguntas (o quê? Como? Por quê?) quantas vezes for necessário.

Vários benefícios

1) Você vai desenvolver sua capacidade de pensar criticamente.

2) Você tomará decisões mais assertivas e melhor embasadas.

3) Ao aprender a ensinar, você se se ensina a aprender.

Fonte de Consulta

(https://youtu.be/TVHUs67kwRk)



22 maio 2015

O Google e a Memória

Na antiguidade, a memória era bastante valorizada; muitas informações só eram obtidas quando repassadas por seus detentores. Na Grécia, berço da civilização ocidental, praticava-se a oratória, onde a memória tinha grande peso. Num tempo não muito distante, ela é ainda acionada, principalmente pelos religiosos, que transmitem de viva voz trechos da Bíblia, sentenças de Jesus e máximas dos grandes pensadores da humanidade. 

O surgimento do Google parece que resolveu o problema da memória: tudo o que precisamos fica guardado no estoque mundial de informações (www). Basta digitarmos uma palavra ou fazermos uma pergunta e o Google nos dá, em poucos segundos, a resposta. Para que isso seja possível, o Google aciona entre 700 e mil computadores de seu banco de dados, cujas informações estão indexadas. 

A facilidade e a gratuidade de uma resposta dão a sensação de algo positivo. Temos a impressão que a coisa é boa e enaltecemos a onipotência desta empresa. A verdade, porém, é que "não existe almoço grátis"; tudo tem o seu preço. O preço que o Google cobra é nossa atenção aos anúncios veiculados. A resposta rápida e fácil, além de ser superficial, deixa o usuário preguiçoso: os textos têm que ser curtos. 

O Google não está interessado no aprendizado do usuário: seu objetivo é dar respostas fáceis e rápidas. Uma observação: onde o Google entra ele destrói ou desarticula o mercado. Desde 2006, o Google vem insistindo em tornar o Gmail exclusivo e vitalício em diversas universidades. Caso isso se concretize, desbancará a Microsoft e o Yahoo. Há que se tomar cuidado com as garras do Google, que se ampliam cada vez mais.

Em vista do exposto, Siva Vaidhyanathan, autor de A Googlelização de Tudo: E Por que Devemos nos Preocupar, propõe-nos o Projeto do Conhecimento Humano, "que identificaria uma série de desafios políticos, necessidades infraestruturais, lampejos filosóficos e desafios tecnológicos com um único objetivo em mente: organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível". 

Tenhamos cuidado com as coisas fáceis. Os antigos já nos diziam que a sabedoria está nas dificuldades vencidas e não numa resposta automática e superficial. 

 


21 março 2012

Tentativa e Erro: Método Eficaz de Aprendizagem

Tentativa. Ação pela qual alguém se esforça para obter determinado resultado; ensaio, experiência. Erro. Ação ou efeito de errar. Opinião, julgamento contrário à verdade. Imprecisão, incorreção.

Comecemos por uma imagem, extraída da filosofia. Suponha um indivíduo, sozinho, no meio de uma floresta, procurando uma saída; como está só, não há ninguém para ajudá-lo. Qualquer ação deverá partir dele mesmo. Poderá optar pelo atalho da direita, da esquerda, da frente ou dos fundos. Fará uma tentativa; pensando ter feito uma escolha errada, volta e começa tudo de novo...

O nosso aprendizado deveria se fundamentar nesse método. Primeiramente, acharmo-nos perdidos no meio da floresta. Esforçarmo-nos por resolver a dificuldade usando os nossos próprios recursos. Somente depois, procurarmos o que os outros descobriram no sentido de ampliar a nossa base de dados. O erro é uma ferramenta básica do aprendizado; ele é empírico, dá-nos a visão real da situação, trazendo em si mesmo, os incentivos para o acerto. Por isso, o ditado: “Errando corrige-se o erro”.

O preparo de alimento. Quem teve a ideia de combinar café com o leite, um produto preto com outro branco? Os cozinheiros não fazem o mesmo? Estão sempre misturando produtos distintos para obter uma receita eficaz. Depois de várias tentativas, com os seus consequentes erros, chegam a uma fórmula, a uma receita, que passa a ser produzida em seu restaurante.   

Pesquisa canadense mostra que os adultos mais velhos estão aprendendo mais pelo simples fato de guardar informações a partir da experiência, em vez de recebê-las passivamente. Segundo estudo publicado na edição eletrônica da revista Psychology and Aging. "Aprender da maneira mais difícil acabou sendo a melhor maneira", afirmou a coordenadora do estudo, Andree-Ann Cyr. O cérebro faz associações e vínculos mais ricos se tiver que se esforçar para buscar as respostas. Na aprendizagem passiva, exige-se menos do cérebro, porque a resposta correta simplesmente é dada. (1)

Como estudar O Livro dos Espíritos pelo método da tentativa e do erro? O habitual é ler uma pergunta e, imediatamente, a sua resposta. Façamos diferente: leiamos uma pergunta e escondamos a resposta. Tentemos responder (de preferência por escrito) com nossas próprias palavras. Feito isso, comparemos os nossos escritos com a resposta dada pelos Espíritos. Percebendo que nossa resposta está muito longe daquela dada pelos Espíritos, façamos outras tentativas, até chegarmos a uma aproximação aceitável.  

A montagem de uma palestra deveria seguir este método. Construí-la por tentativas e erros. Nada de pegar algo já pronto e transformá-lo em slides para a projeção em PowerPoint.

(1) http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/idosos-aprendem-melhor-por-tentativa-e-erro

Tudo é calculado usando o método de Cálculo Hipotético Universal de Tentativa e Erro (C.H.U.T.E).

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Método Tentativa e Erro

Há muitas maneiras de resolver os problemas que nos chegam às mãos. A tentativa e erro é um bom exemplo. Temos que ver isso como método e não como passatempo.

Os passos são:

1) Escolher uma operação plausível;

2) Executar a operação com os dados;

3) Verificar se a meta foi alcançada.

Se a resposta ao item 3 for negativa, devemos repetir o processo até que se atinja a meta ou se evidencie a insolubilidade do problema.

O problema: num cercado de porcos e galinhas, uma pessoa contou 18 cabeças; a outra, 50 pernas. Quantos são os porcos?

Poderíamos resolver este problema por meio da equação matemática.

P+G = 18

4P+2G = 50 

Resolvendo: 

P = 18-G

4(18-G)+2G = 50

72-4G+2G = 50

-2G = -22

G = 11 è P = 7

Como resolvê-lo, porém,  sem uso da equação matemática?

Aí é que entra o Método de Tentativa e Erro.

Comecemos pelos extremos:

Porcos

Galinhas

Pernas

18

0

72 (mais)

0

18

36 (menos)

 

Método Aleatório das Tentativas

 

Porcos

Galinhas

Pernas

3

15

42

10

8

56

16

2

68

12

6

60

5

13

46

2

16

70

7

11

50

Não é eficiente, porque demanda muito tempo.

 

Método Sistemático das Tentativas

 

Porcos

Galinhas

Pernas

0

18

36

1

17

38

2

16

40

3

15

42

4

14

44

5

13

46

6

12

48

7

11

50

Poderá gerar muitas respostas, mas dará certo.

 

Método Orientado das Tentativas

 

Porcos

Galinhas

Pernas

Tentativa seguinte

6

12

48

Acrescente porcos

8

10

52

Reduza porcos

7

11

50

Resolvido

 

Podemos imaginar também que todos os porcos estejam sobre duas pernas. 18x2= 36. Faltam 14. Se dividirmos por 2, teremos 7 porcos.

Este método pode ser aplicado no preparo de uma palestra. Embora tenhamos o esquema básico, ou seja, introdução, meio e conclusão, nada nos impede de buscar outras alternativas para a apreensão dos dados, das informações necessárias à compreensão do tema.

Extraído de

WOOD, Larry E. Estratégias do Pensamento: Técnicas de Aptidão Mental. Tradução de Claudia C. Duarte. São Paulo: Círculo do Livro, 1997.

São Paulo, março de 2009.

 

 

 


15 abril 2011

Abrir a Mente para Aprender Mais

Tese: o cérebro é sempre avesso à mudança.

“O progresso pessoal implica a libertação de coerções.”

Em nosso cérebro foram automatizadas diversas reações, que se tornaram regras, quase que obrigatórias. Quando nos propomos a aprender algo novo, a primeira reação é frear essa atitude, essa disposição, pois o cérebro está acomodado com o velho, com o tradicional, com o mecânico. É preciso que o aprendiz faça um esforço para o novo, para a novidade.

No começo, não é tarefa fácil vencer a inércia desses movimentos automatizados ao longo de vários anos. Contudo, aquele esforço inicial pode quebrar essa norma, essa regra. Uma vez vencida a negação do novo, aí o cérebro começa a produzir mais, pois ele toma o novo como regra, como comportamento. Assim, o que no começo parecia impossível, desfaz-se com a perseverança nos estudos sérios.

A lei do aprendizado é a lei da ampliação. Conforme o aprendiz for recebendo dados, através de leituras, de aulas, de palestras, o cérebro vai requerendo cada vez mais, pois o interesse depende muito do que se conhece anteriormente. Essa lei da ampliação assemelha-se à Parábola do Grão de Mostarda, em que a menor das sementes produziu a maior das árvores.

Em termos de palavras, de estudo, de leitura, uma coisa puxa a outra. Isto aciona o cérebro. Ele pede por esclarecimento. Numa leitura de estudo, encontra-se uma dúvida. Ao pretendermos dirimi-la, vamos em busca de mais leituras, de mais informações. E, no meio dessa pesquisa, podemos encontrar conhecimentos que nem imaginávamos obter. No começo tudo é difícil. Uma vez domado o cérebro, ele começa a produzir cento por um.

Não temamos as contradições e os conflitos. Quanto mais informações a memória possuir, mais conseguirá integrá-la com outros conhecimentos, fazendo uma síntese perfeita de tudo o que aparecer à sua frente.

 

18 fevereiro 2011

Aprendizagem pela Ação

aprendizagem pela ação é uma ferramenta de solução de problemas que tem a capacidade de formar, ao mesmo tempo, líderes, equipes e organizações bem-sucedidas. Esta técnica é utilizada por empresas, tais como, Boeing, Samsung, por instituições públicas e por pequenas e médias empresas em todo o mundo.

Trabalha-se com pequenos grupos.

Os componentes: 1) PROBLEMA; 2) GRUPO; 3) PERGUNTAS; 4) AÇÃO; 5) APRENDIZADO; 6) TREINADOR.

Problema: projeto, dificuldade, oportunidade, questão ou tarefa.

Grupo: composto de 4 a 8 pessoas, com formações diversas, para ter várias perspectivas do assunto em questão.

O processo de questionamento investigativo e do ouvir reflexivo. Aqui, o questionamento está acima das afirmações e opiniões. Deve-se focar a pergunta certa, não a resposta certa.

Ação para resolução de problema. Requer que o grupo seja capaz de tomar providências em relação ao problema no qual está trabalhando. Se o grupo servir apenas para fazer recomendações, perderá sua energia, criatividade e dedicação.

Compromisso com o aprendizado. O aprendizado alcançado por meio desse processo tem maior valor estratégico para a empresa do que a vantagem tática obtida com uma correção prematura do problema.

O treinador da metodologia. O treinador é necessário para que o grupo se concentre no mais importante (isto é, o aprendizado) e também no que é urgente (a solução do problema). Por meio de uma série de perguntas, o treinador induz os membros do grupo a refletirem sobre sua forma de ouvir, como reformularem o problema e como dão feedback uns aos outros.

De acordo com o autor, o poder da aprendizagem pela ação atinge o auge quando os seis compromissos estão em operação.

Fonte de Consulta

MARQUARD, Michael J. O Poder da Aprendizagem pela Ação: Como Solucionar Problemas e Desenvolver Líderes em Tempo Real. Tradução de Anna Lobo. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2005.




14 abril 2010

Aprendizagem Contínua

Questão: como tornar contínua a nossa aprendizagem?

Sentenças: “Você nunca para de aprender”; “Nunca se é velho demais para aprender”; “Todos os dias aprendemos algo novo”.

Dificuldade: fomos instruídos a encher o cérebro de informações; o pensar pela nossa própria cabeça ficou em segundo plano.

Característica da aprendizagem contínua: há liberdade para questionar e discordar; a experiência deve atender às necessidades individuais; os instrutores preocupam-se com os alunos; há muita tolerância com relação ao erro; os aprendizes têm tempo para refletir; estimula-se o ritmo próprio de aprendizagem; todos são forçados a sair da zona do conforto.

Para aprendermos por toda a vida, devemos sempre nos colocar como principiantes. O que é que um principiante faz? Ele tem dúvida, ele questiona, quer saber como as coisas funcionam. Não se contenta com uma única explicação; busca informações com pessoas experientes, em livros e na Internet.

desapego ao cargo é sumamente importante para a aprendizagem continua. Quando nos valemos do que somos, parece que já dominamos tudo. Não tendo a muleta da posição, procuramos novas maneiras de fazer as mesmas coisas.

A aprendizagem contínua diz respeito a uma análise reflexiva de nosso próprio ser. Para tanto, o ser humano deve estar inteiramente naquilo que estiver fazendo. Caso contrário, não atinge a plenitude do seu ser, que é a sua evolução moral e espiritual.

Tiremos proveito das parábolas contadas por Jesus: a cada nova leitura, novas aprendizagens são percebidas.

18 março 2009

Como Estudar e Como Aprender

Rabindranath Tagore, poeta e prosador indiano, incentiva-nos a formular perguntas-chaves — O quê? Por quê? Como? Onde? Quando? — antes de iniciarmos um novo empreendimento. O quê? — Refere-se ao objeto (automóvel, livro, casa) que iremos produzir. Por quê? — Refere-se à finalidade de tal produção. Quando? — Refere-se ao tempo que o produto irá aparecer no mercado. Onde? — Refere-se aos lugares que os produtos serão lançados. Como? — Refere-se à técnica, à maneira como os produtos serão produzidos. Exemplo: em se tratando de um lava-rápido, podemos optar pela máquina, pela mão de obra, ou pela união dos dois. Como estudar e como aprender refere-se às técnicas de estudo, ensino e aprendizagem.

Estudar é aplicar a inteligência para aprender. É concentrar todos os nossos recursos pessoais na captação e assimilação de dados, relações e técnicas inerentes ao domínio de um problema. Quando alguém nos faz uma proposta, dizemos: "Vou estudar o caso", "vou pensar no assunto". Estudar é muito mais do que ler, pois implica raciocinar sobre o tema em questão. Aprender é o resultado, a produtividade do estudo. Diz-se, também, que é mudança de comportamento.

O termo como caracteriza a técnica. Em se tratando de estudar, há quatro fases, a saber: 1) apreensão e captação dos dados: deve ser feita mediante o maior número de vias sensoriais possível (visão, audição, tato, paladar e olfato); 2) retenção e evocação dos dados: não é somente tomar notas e memorizar, mas classificá-los coerentemente; 3) elaboração e integração dos conceitos e critérios resultantes: os dados devem ser interligados de forma racional e objetiva; 4) aplicação do aprendizado em outros campos de interesse: o aprendizado em matemática deve ser utilizado em Química, Biologia, Física etc.

No como aprender, tenhamos em mente os princípios fundamentais da aprendizagem. Eles são: 1) é preciso que a pessoa sinta necessidade de adquirir conhecimento; 2) que aprenda a fazer as coisas, fazendo também; 3) parta do conhecido para o desconhecido, do simples para o complexo. Suponha que queiramos aprender a equação matemática, indo do simples para o complexo, do conhecido para o desconhecido. Comecemos pela equação: y = ax (1.º grau); depois, y = ax2+bx+c (2.º grau); posteriormente, y = ax3+bx2+cx+d (3.º grau). Para chegarmos ao 3.º grau, polinômio, tivemos que passar pelos graus anteriores, de menos dificuldade de compreensão. O mesmo aconteceu com o Espiritismo. Allan Kardec, pedagogo que era, dizia que quando fôssemos falar de Espírito para uma pessoa que nunca ouviu falar de Espiritismo, deveríamos fazê-lo perceber primeiro a realidade espiritual, para depois entrar em pormenores sobre os Espíritos propriamente ditos.

A psicologia da cognição fornece-nos subsídios valiosos para uma melhor compreensão deste tema: 1) Tenhamos em mente que o pensar é uma questão de associação; 2) Um dos mais notáveis aspectos do comportamento humano é a sua maleabilidade a uma quase infinita capacidade de adaptação comportamental do indivíduo em situações diversas; 3) incentiva-nos a procurar sempre uma nova resposta (melhor que a anterior) a uma determinada situação estimuladora, no sentido de conservar e desenvolver o próprio organismo.

Einstein dizia-nos: "Quem lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar". Nesse mister, estudar e aprender não se resume em ler muitos livros, especialmente os romances mediúnicos, mas pensar no aspecto doutrinário do Espiritismo. Um bom método é colocarmos tudo como se fôssemos os produtores do filme. Montar, primeiro, em nossa cabeça aquilo que queremos explicar aos outros. Somente depois, procurar em livros e enciclopédias.

Não tenhamos receio de enfrentar o desconhecido. Ele nada mais é do que a nossa aspiração por novos conhecimentos.

27 junho 2008

Relação Ensino-Aprendizagem

Ninguém ensina ninguém? É possível o aprendizado? Está correta a frase de Kant em que afirma que não devemos aprender filosofia e sim aprender a filosofar? Há métodos de ensino? E de aprendizagem? Quem é que mais aprende: o professor ou o aluno? Ensinamos somente com as matérias expostas na sala de aula? Reflitamos sobre esse tema da atualidade didática.

Comecemos, primeiramente, com uma certa dose de desconfiança em relação à perfeita sintonia entre o ensino e a aprendizagem, ou seja, entre aquilo que ensinamos e o que o aluno aprende, entre o que transmitimos e o que aluno assimila. A comunicação interpessoal tem muitas barreiras: barulhos, distrações, ignorância do assunto, falta de interesse etc. Isso tudo impossibilita que a mensagem transmitida pelo emissor (professor) chegue inteira na mente do receptor (aluno).

A relação ensino-aprendizagem assemelha-se à Parábola do Semeador. Nessa parábola, contada por Jesus, o semeador saiu a semear: algumas sementes caíram à beira da estrada, outras entre os pedregulhos, outras no meio do espinheiro e outras em terra fértil. As sementes que caíram em terra fértil germinaram e deram frutos cento por um. Do mesmo modo são os ensinamentos: o professor transmite uma única mensagem; como há diversos tipos de cabeças, haverá diversos tipos de aprendizado. Somente a cabeça concentrada na mensagem receberá cento por um.

Um professor, quando prepara a sua aula, pensa na melhor forma de transmitir os seus conhecimentos. Ele planeja o seu roteiro, cria seus gráficos, elabora suas transparências e utiliza toda a sorte de recursos, para tornar o ensino o mais produtivo possível. Se, por outro lado, a cabeça do aluno estiver em outra dimensão, com certeza não atingirá o seu objetivo, porque o ensino foi transmitido, mas não houve recepção por parte do aluno. É por isso que não se pode confiar plenamente nessa relação cômoda de ensino-aprendizagem.

Para que tenha êxito em suas explanações, o professor não deve se colocar como o "sabe-tudo", aquele que é superior ao aluno. Convém partir de um não-saber, de um não-professor, a fim de que tanto um quanto o outro se empenhe numa espécie de "oficina de conceitos", onde, juntos, procurarão uma nova relação entre o ensino e a aprendizagem. Em pé de igualdade, haverá maior produtividade do ensino: muitas coisas que ele imaginava importantes deixam de ser e, muitas outras, que não dava importância acabam tendo.

Se há métodos para ensinar, não os há para aprender: o ensino é público; o aprendizado, pessoal. A aprendizagem depende muito do que o aluno já conhece, do seu interesse em aprender e da sua atitude frente ao conhecimento. É possível que, na educação voltada para a memorização, ele dedique pouco tempo na absorção da matéria; contudo, na educação voltada para o "conceito", ele pode se empenhar cem por cento. Uma árvore produz somente os frutos de que é capaz: um abacateiro só pode dar abacate e não uvas.

É preciso, pois, muita cautela, para transmitir com qualidade. Não nos esqueçamos de que os nossos gestos e a nossa conduta ensinam muito mais do que o discurso didático.

 

26 junho 2008

Aprendizagem e Memorização

Aprendizagem significa a aquisição de conhecimentos e habilidades. Em Psicologia, fala-se em mudança de comportamento, em reagir de forma diferente a uma situação por causa de uma resposta pretérita à situação. As atividades dos psicólogos da aprendizagem baseiam-se em: o experimento de Pavlov (reflexo inato e condicionado); a aprendizagem por ensaio-e-erro, a aprendizagem por impulsos adquiridos, a aprendizagem por recompensas secundárias. Há, inclusive, a discussão sobre o estímulo-resposta com reforço e o estímulo-resposta sem reforço.

A memória é a retenção de informações. Para que ela exista, o Sistema Nervoso deve ser capaz de "voltar a criar" em nível posterior (ulteriormente) o mesmo padrão espacial e temporal do estímulo no Sistema Nervoso Central. A memorização é tão importante que Simonides, na Antiguidade grega, já nos falava em associar os conhecimentos com as imagens de uma casa. O aprendiz deveria relacionar cada novo conhecimento a um compartimento da casa. Quando dele precisasse, era só vasculhar esse compartimento. É como uma ficha que se tira de um fichário.

O que leva uma pessoa a aprender? Há necessidade da memória? Em que ela ajuda ou atrapalha a aprendizagem? A relação memória-aprendizagem necessita de uma reflexão. Há indícios de que o excesso de memória atrapalha o bom uso da inteligência. É o caso do médico que tinha dificuldade de prescrever a receita, em virtude de sua estupenda memória. Diz-se, em termos religiosos, que devemos tirar muitas coisas de nossa memória, no sentido de cedermos espaços às outras informações, mais condizentes com as nossas necessidades de progresso espiritual.

De acordo com estudos psicológicos, deve-se tentar rememorar um assunto tão logo ele se nos apresente aos olhos e aos ouvidos. Isso faz-nos aplicar um fluxo energético ao que o nosso cérebro achou importante enfatizar. Se assim não fizermos, vamos acumulando tantas informações que não seremos capazes de selecionar aquelas que servem para o nosso propósito na vida. Em outras palavras, o excesso de informações prejudica a atenção e a concentração. 

Há uma fórmula — SQ4R —, que vem do inglês, e nos ajuda a memorizar. S, de survey (pesquisa), Q, de questions (perguntas), R, de read (ler), R, de recall (recordar), R, de repeat (repetir), R, de review (rever). Aplicando-a em nosso dia-a-dia, poderemos ter uma memória bem robustecida. A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Exercitemos a nossa memorização. Escolhamos, porém, aquilo que condiz com a necessidade peremptória de nosso espírito imortal.

 

Aprender a Desaprender

Aprender a desaprender é uma atividade que merece todo o nosso cuidado. Com o passar do tempo, percebemos um sem-número de introjeções em nossa maneira de pensar e de agir. Uma delas pode perfeitamente se referir aos livros. Dizem-nos: você tem que ler isso, você tem que ler de tudo, você tem que saber o conteúdo de tais e tais livros. Essa postura do ter de ler leva-nos a abarrotar a nossa biblioteca e, consequente, o nosso cérebro, dificultando a invenção, a criação.

Desaprender é jogar no lixo o que não nos serve mais. Juntamos um livro aqui, uma revista ali, um artigo acolá e, pronto, a nossa biblioteca fica repleta. Olhamos para ela e verificamos que não sobra espaço para mais nada. Acrescentamos uma nova estante e, em pouco tempo, fica cheia de novo. O mesmo acontece com o nosso cérebro, que também fica saturado de informações. Pensamos: preciso eliminar alguma coisa, esvaziá-lo. Aí está o problema. No momento em que estamos prestes a nos desfazer de algo, surge a lembrança de quem o deu, e recuamos. Dizemos para conosco: o que essa pessoa pensaria de mim vendo o seu presente ir para o cesto de lixo?

Desaprender é saber dizer não. Quantas não são as vezes que dizemos "sim" e nossa vontade era a de dizer "não". Nosso chefe, no escritório, pede para fazermos isso, depois aquilo e assim por diante. Às vezes somos obrigados a levar serviço para casa, nos fins de semana, a fim de atender ao seu pedido, o que nos deixa estressados. Por medo ou covardia, não sabemos dizer a ele que a quantidade de trabalho extrapola a nossa capacidade física e mental. O estresse, porém, continua a aumentar. Um "não" muito demorado pode ser fatal para o nosso equilíbrio físico e espiritual.

Desaprender é fazer as mesmas coisas, mas de modo diferente. Este é um apelo à criatividade e à liberdade do espírito. Dependendo do método adotado pelo professor, uma aula pode ser chata ou produtiva. Se o professor, na época moderna, continuar com o método da Idade Média, em que só ele sabia e os alunos eram ignorantes, a aula poderá se tornar chata. Contrariamente, adotando uma postura liberal, poderá torná-la produtiva, com a participação espontânea dos alunos.

Desaprender é pensar pela própria cabeça. Nesse caso, convém verificarmos se está havendo equilíbrio entre a nossa produção literária e a informação que estamos buscando dos outros. É preferível errar pela falta do que pelo excesso de dados externos. Lembremo-nos de que educar é deseducar no sentido de eliminar o que de errado se aprendeu em outras épocas. O ser humano culto não é aquele que sabe o conteúdo de todos os livros, mas aquele que sabe se situar no meio deles.

Desaprender implica aprender com segurança e produtividade. A verdade é uma só. Busquemo-la com todas as forças de nossa alma. Somente ela é capaz de nos libertar, como asseverava Cristo em suas prédicas.