Mostrando postagens com marcador oratória. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oratória. Mostrar todas as postagens

01 março 2026

Eloquência

Eloquência é uma palavra que perdeu o seu sentido original. Muitos falam dela de modo pejorativo. Há, porém, boas razões para vê-la dentro de um contexto mais amplo, em que se privilegiam o convencimento e a persuasão daqueles que falam em público. Isto porque, todo o orador, quando fala, quer ser ouvido. Caso contrário, para que falar em público?

Na antiguidade clássica grega a palavra falada era muito exaltada. Os gestos, as posturas, a teatralização e as demais formas de se expressar nada mais eram do que modos diferentes de atrair o público. Naquela época havia um grande prazer em assistir a uma peça oratória, porque esta era a única forma de transmitir conhecimentos. Os livros e a gama enorme dos meios de comunicação de massa que temos nos dias que correm, principalmente os recursos da Internet, eram inexistentes.

Deleitar o espírito dos ouvintes era o principal fim de todas as orações. Nesse mister, há o exemplo de Demóstenes, o imortal ateniense, muito citado nos livros e cursos de oratória. Desde o seu nascimento, fora tolhido por graves deficiências, inclusive a gaguez. Como tinha a ambição de transmitir aos outros os seus pontos de vista, andava na praia com pedrinhas na boca, no sentido de melhorar a nitidez de sua voz. O seu esforço foi tanto que não demorou muito tempo para se tornar o maior orador de todos os tempos.

Observe o que alguns pensadores disseram sobre o tema: para Pascal, "A eloquência é a pintura do pensamento"; para E. Ferri, "A eloquência é o talento de transmitir com força ao espírito dos outros, o sentimento de que o orador está possuído"; para Dammien, "A eloquência é a arte de dizer bem aquilo que é preciso, tudo quanto é preciso, e nada mais do que isso"; para Rui Barbosa, "A eloquência é a sinceridade na ação".

Ilustremos o tema com uma comparação entre o orador e o pintor. O pintor, ao dar vazão ao seu sentimento artístico, fá-lo para si mesmo, para agradar ao seu ego, à sua concepção de arte; o orador, não. Ele tem que falar para atingir a quem ouve, isto é, à plateia. Pergunta-se: como será ouvido se não conseguir prender a atenção de quem o escuta? Este deve ser o grande exercício do orador: agradar aos olhos e aos ouvidos do público. Para tal finalidade, precisa de persuasão e de eloquência.

A eloquência não é falar fácil e corretamente, impressionar os sentidos alheios, mas expressar o pensamento próprio, com graça, equilíbrio, harmonia e muita perspicácia de tempo e lugar.

 

Discurso Político

discurso político fundamenta-se numa decisão sobre o futuro, ao contrário do discurso forense, que julga um fato passado. O estadista, objetivando alcançar o bem comum, concebe um estado ideal (futuro) contraposto ao real (presente). Por isso, a política é a ciência do possível, ou seja, daquilo que pode ser feito.

Os políticos, para melhor atrair a atenção dos ouvintes, valem-se da persuasão e da eloquência. Na persuasão ordenam os pensamentos, de tal modo, que os levam a aceitar seus pontos de vista de modo suave, habilidosamente; na eloquência, exaltam o otimismo, o entusiasmo e a vivência no paraíso terrestre, apesar das dificuldades aparentes. Por saberem que a mente humana condiciona-se melhor à afetividade, apelam mais à emoção do que à razão.

Na alegoria do mito da caverna, Platão descortina-nos novos horizontes para entendermos a essência do discurso político. A busca da verdade a que se empenhou o filósofo, fê-lo distinto dos homens que ficaram na caverna. De posse do conhecimento, sente-se na obrigação de anunciá-lo aos que lá ficaram. Temeroso de que não seja compreendido, cria o mito, isto é, atenua a verdade com o objetivo de ser aceito.

A cada nova eleição centenas de candidatos concorrem às diversas vagas disponíveis. Por conseguinte, serão muitos os discursos que teremos de avaliar. De que maneira podemos constatar a veracidade das teses expostas? Observando e fazendo contas. Suponha-se que haja a promessa de construção de casas próprias. Multiplica-se o número oferecido pelo custo de cada uma e compara-se com os recursos disponíveis. Aos defensores da moral, sondar-lhes o passado. E assim por diante.

O instante do voto é o momento propício para a substituição da classe política dirigente. Cada povo tem o governo que merece, diz o anexim. Somos um ente político, portanto com o poder de modificar a nossa sociedade. Reflitamos, pois, ao colocar um x neste ou naquele pretendente. Esta atitude, constante, em todos os eleitores, será suficiente para a mudança radical do quadro vigente. 

Desconfiemos daqueles que prometem "mundos e fundos". A humildade e a simplicidade cabem em qualquer lugar. Procuremos descobrir essas virtudes nas entrelinhas dos discursos. Agindo assim, teremos melhores condições de bem escolher aqueles que irão nos governar.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

 

Medo de Falar em Público

Medo – do latim metu – significa o sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário. No âmbito da oratória, é a sensação de que se vai esquecer daquilo que se tem de falar, de não agradar ao público, de dizer coisa banais. Seus sintomas são: coração dispara, respiração torna-se ofegante, ondas de calor percorrem o corpo todo, as mão tremem, a voz fica embasbacada etc.

De acordo com a Psicologia e ciências afins, o medo do erro é normal e natural. Somente em 20% dos casos é possível encontrar algum trauma que justifique o surgimento da fobia. A naturalidade prende-se ao fato de nos sentirmos responsáveis por aquilo que estamos informando ao público. Como não queremos passar dados inverossímeis, a apreensão, a ansiedade gera-nos um pequeno desconforto, uma tensão, um nervosismo. Mas, tão logo se começa a falar, voltamos ao nosso estado normal.

No lado oposto, há o fóbico social. Este tem dificuldade de se relacionar, não consegue olhar nos olhos do seu interlocutor, conversar naturalmente com seu superior, apresentar ideias, compartilhar tarefas. "A característica mais marcante desse tipo de fobia é o medo que a pessoa tem do julgamento dos outros". O fóbico social geralmente é muito perfeccionista. Como é impossível agradar a 100% das pessoas ele prefere se omitir. Isola-se e, a cada dia que passa, vai ficando mais isolado. Isto tudo porque, quando não exercitamos os nossos dons, os mesmos nos serão tirados.

Os peritos na arte da oratória dão-nos algumas orientações: prepare-se com antecedência: vá para o evento com o máximo de informações possíveis; faça um roteiro e procure segui-lo; cheque todos os dados quantas vezes achar necessário; se não se sentir seguro, simule uma apresentação em frente ao espelho ou diante dos familiares; tenha consciência de que é impossível agradar a todos que irão ouvi-lo; antes de entrar em cena, procure relaxar. Você pode ouvir música, fazer exercícios respiratórios, rezar, meditar.

O medo é um verdugo impiedoso dos que lhe caem nas mãos, um inimigo traiçoeiro e forte que esmaga os poderosos e enfurece os fracos, um algoz impenitente que destrói tudo o que se lhe oferece, em fim é o agente de males diversos, que dizimam vidas e deformam caracteres, alucinando uns, neurotizando outros, gerando insegurança e timidez ou levando a atos de violência irracional. Mas se pensarmos em termos de um dever a cumprir de uma missão a ser levada a efeito, sem dúvida, conseguiremos diminuí-lo sobremaneira.

Lembremo-nos de que se o medo é um sentimento dos nervos, basta a simples reflexão para eliminá-lo. Contudo, se mesmo assim ele persistir, enfrentemo-lo face a face.

Fonte de Consulta

SILVEIRA, M. Você Tem Medo de quê? Revista Você, setembro de 2001, p. 54 a 59.

 

Sintonia entre o Orador e o Auditório

Sintonia - do grego syntonia - significa acordo mútuo, reciprocidade. Em Psicologia é o estado de quem se encontra em correspondência ou harmonia com o meio. Orador - do lat. oratore -, aquele que ora um discurso em público. Auditório - do lat. auditoriu -, conjunto de ouvintes que assiste a algum discurso.

indutância, a capacitância a ressonância e a própria sintonia em eletricidade oferecem-nos campo para a analogia. Valendo-nos da ressonância, coloquemos quatro pêndulos (dois de comprimento curto e dois de comprimento longo) e movimentemos um deles. Imediatamente, o pêndulo de mesmo comprimento começará a oscilar querendo entrar na mesma freqüência daquele que foi acionado, enquanto os outros dois permanecem fixos. Como interpretar psicologicamente esse fenômeno mecânico?

discurso oratório pressupõe o emissor, a mensagem e o receptor. O orador é o indutor, ou seja, o pêndulo emissor. À sua frente os ouvintes. Para que seja ouvido deve entrar em sintonia com o auditório. Mas, o que é entrar em sintonia com o público? é captar o ponto médio dos ouvintes e trabalhar em cima dele. Pois, se estiver muito acima da média não será entendido e, muito abaixo, tornar-se-á desinteressante.

impacto interpessoal define o ajustamento entre o orador e o público. Para que o orador desperte a atenção consciente dos ouvintes, deve falar somente aquilo que interessa ao auditório. Pressupor público inteligente e falar como se estivesse na condição de ouvinte auxiliam sobremaneira a preparação de nossa peça oratória. Consequentemente, criaremos um campo mental harmonioso entre nossa pessoa e aqueles que nos ouvem.

manutenção do interesse durante a exposição exige diversos cuidados. Primeiramente, o preparo do orador. Este deve ter em mente a sintonia com Deus, consigo próprio e com aqueles que irão ouvi-lo. Em segundo lugar, a preparação do tema. Montar e seguir um roteiro, deixando brechas para a criatividade do momento, em que os Benfeitores Espirituais poderão inspirar-nos o pensamento correto para atender às necessidades do ambiente.

Apliquemos todas as nossas potencialidades para a compreensão do tema a ser exposto. A naturalidade de nossa expressão garantirá a verdadeira sintonia com o público que nos assiste.

 

Ensino e Aprendizagem

Ensino - do lat. "in + signare" = marcar com um sinal - significa transmissão de conhecimentos, de informações ou de conhecimentos úteis ou indispensáveis à educação ou a um fim determinado. Aprendizagem - do lat. apreender -, aquisição de conhecimentos ou habilidades. Para que possamos maximizar a relação ensino-aprendizagem, convém adotarmos uma atitude desarmada e sem preconceitos.

Emissormensagem e receptor são os elementos básicos no processo de ensino. O emissor deve revestir-se de técnicas de oratória, recursos audiovisuais e métodos de ensino, a fim de tornar a mensagem persuasiva. O receptor, por sua vez, deve desenvolver a capacidade de atenção e concentração, para absorver adequadamente as informações recebidas.

Produção do saber é a finalidade do ensino. Professores e oradores revestem-se de técnicas de oratória, educando a voz, postura e gestos para melhor atrair o público. Algumas escolas criaram a "metodomania", isto é, tudo tem que ser ensinado segundo um dado método: Piaget, Montessori, Pestalozzi e outros. Os métodos de ensino auxiliam, mas somente o que carregamos dentro de nós conseguimos transmitir aos demais.

discurso didático deve ser a tônica do ensino. O professor quando descreve, interroga e avalia tem um objetivo: produzir conhecimento. Evita, assim, o discurso ordinário, que é a conversação causal e espontânea. Importa marcar o aluno com um sinal positivo, ou seja, obrigar o aluno a pensar profundamente no que lhe foi transmitido.

A vocação do estudante deve ser sempre ponderada pelo instrutor. Segundo a psicologia, não há dois indivíduos iguais, nem tampouco dois grupos idênticos. A peculiaridade de cada situação exige soluções criativas. Prestando atenção a esses pormenores, consegue-se educar com êxito.

Ensinando, burilemos nossas palavras; aprendendo, eduquemos nossos olhos e ouvidos. Tornando-nos conscientes desta conduta, aumentaremos o rendimento no processo de ensino. Aprendendo mais em menos tempo, liberaremos nossas energias mentais para outros campos de interesse do espírito.

Fonte de Consulta

NÉRICE, I. Educação e Ensino. São Paulo: Ibrasa, 1985.

KNELLER, G. F. Introdução à Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: Zahar
Editores, s.d.p.

MORAIS, R. O Que É Ensinar. São Paulo, E.P.U., 1986.


Discurso

Discurso - do latim discursu(m)- significa ação de correr por ou para várias partes. O termo comporta polivalência de sentido. Em oratória, designa a elocução que visa comover e persuadir; na esfera dos estudos linguísticos, representa a "sucessão coordenada de frases"; em trabalhos de cunho científico, assume a denotação de "tratado", "dissertação", como, por exemplo, o Discurso do Método de Descartes; em filosofia, distingue-se o teor "discursivo" do "intuitivo".

estrutura do discurso fundamenta-se no exórdio, na argumentação e na peroração. Embora tenhamos muitas técnicas para bem iniciar e terminar uma alocução, não resta dúvida que a argumentação é sua trave mestra. Esta é a parte em que o indivíduo mostra o seu conhecimento, a profundidade de seu pensamento. Para que haja comoção e persuasão, os princípios elaborados devem ser lógicos e coerentes.

Expressamo-nos através da palavra pensada, falada ou escrita. A sonoridade da voz e a dicção perfeita auxiliam a propagação de nosso pensamento, porém o que realmente conta é a essência daquilo que queremos transmitir. Voz adocicada e gestos delicados podem, muitas vezes, encobrir o verdadeiro caráter de um indivíduo. Contudo, se nos habituarmos a olhar criticamente, teremos condições de separar o joio do trigo.

Operações intermediárias encadeadas caracterizam o adjetivo "discursivo" oposto a "intuitivo". Urge reconhecer que a descoberta nas ciências e nas artes não segue uma sequência de operações elementares parciais e sucessivas. Ela, muitas vezes, vem abruptamente. A ordenação das ideias surge "a posteriori" como elemento para tornar claro aquilo que se apreendeu de modo vago e obscuro.

O "discurso do homem" é a manifestação da sua personalidade. Melhorando o teor de nossos argumentos, mudaremos o conceito que os outros formam de nós. Leitura metódica, estudo constante e reflexão frequente auxiliam sobremaneira a aquisição de novos valores da vida. Sem esforço perseverante da vontade, nada de útil conseguiremos amealhar em prol de nosso passivo intelectual.

Escolhamos com critério os alimentos material e espiritual, a fim de que o nosso "discurso" seja repleto de força, determinação e otimismo.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

A palavra "aporia" tem origem no grego antigo e significa literalmente "ausência de passagem" ou "impasse". Na filosofia e retórica, ela assume dois significados principais:

Aporia como impasse filosófico: refere-se a um enigma ou paradoxo que surge em um questionamento filosófico. É um ponto de perplexidade onde a razão parece encontrar caminhos contraditórios, sem uma solução evidente. Por exemplo, o paradoxo de Zenão sobre a impossibilidade de movimento levanta uma aporia, pois aparentemente viola nossa intuição sobre o movimento, mas a lógica por trás do paradoxo também parece sólida.

Aporia como estratégia retórica: descreve a situação em que o falante expressa dúvida ou incerteza, mesmo que seja fingida. O objetivo é levar o ouvinte a refletir sobre o assunto e buscar a conclusão pretendida pelo orador. Por exemplo, um advogado criminalista pode dizer: "Não sei como alguém poderia cometer tal crime sem deixar rastros", sutilmente sugerindo a inocência do cliente. (Gemini)





11 novembro 2025

Repetição Oral e Repetição Escrita

Repetição oral. É a repetição feita pela fala, de forma espontânea ou deliberada, durante a comunicação verbal. Suas características principais são: imediata e efêmera, espontânea, expressiva. Exemplo: “Ele vem, vem mesmo! Você vai ver!” Repetição escrita. É a repetição feita por meio da escrita, de forma consciente, planejada e visualmente registrada. Suas características são: duradoura, revisável, intencional, visual e estrutural. Exemplo: “Nada muda, nada cresce, nada floresce.”

Na escrita com a possibilidade de revisão e editoração, com apagamentos sucessivos, só se obtém a versão final diminuindo a presença da repetição. Na fala, em que nada se apaga, a repetição faz parte do processo formulativo. Sua presença na superfície do texto falado é alto, constatando-se que, a cada cinco palavras, em média, uma é repetida. Há uma grande diferença repetir elementos linguísticos e repetir o mesmo conteúdo. (1)

Na fala, pensamos e falamos ao mesmo tempo; por isso, repetimos palavras ou expressões para ganhar tempo enquanto organizamos o pensamento: “Então... então... eu acho que... sabe?” Na escrita, ao contrário, temos tempo para rever e editar. Podemos apagar repetições desnecessárias. Escolhemos palavras com mais cuidado. Buscamos clareza e economia.  Assim, a escrita é reflexiva e condensada, enquanto a fala é espontânea e redundante.

Nos diálogos platônicos, a repetição oral aparece como método de ensino e investigação. Sua função é reforçar uma ideia até que o interlocutor compreenda o conceito. Exemplo: Sócrates repete perguntas de diferentes formas — “O que é a virtude?”, “E o que é o bem?”, “E o justo, é o mesmo que o bom?” A repetição aqui é dialógica, não estética: serve para fazer pensar. (2)

Nos evangelhos, Jesus frequentemente repete expressões como: “Em verdade, em verdade vos digo…” “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Essas repetições orais reforçam a autoridade e a memorização da mensagem. A palavra falada tem poder espiritual — a repetição grava o sagrado no coração do ouvinte. A repetição oral tende ao rito — palavra viva, ação transformadora. A repetição escrita tende ao logos — palavra refletida, ideia pensada. (2)

Repetir para memorizarPara memorizar bem é preciso fazer o esforço de repetir. E é reativando regularmente as informações, para fazer uma revisão, por exemplo, que teremos mais chances de fixá-las na memória de longo prazo. Podemos aplicar o método da repetição espaçada, ou seja, rever o conteúdo em intervalos crescentes (1 dia, 3 dias, 7 dias, 15 dias...)

A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Na oratória, o palestrante — consciente e lúcido —, deve evitar a repetição que soa como lavagem cerebral. O correto é termos ligação com a verdade dos fatos, mesmo porque, para haver persuasão, é preciso haver credibilidade, pois a liderança social é essencialmente dinâmica e criadora, sendo condição vital do líder o prestígio, que se alicerça nas qualidades da persuasão.

(1) JUBRAN, Clélia Cândida Abreu Spinardi e KOCH, Indegore Grunfeld Villaça (Org.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.

(2) ChatGPT



 

03 abril 2024

Oratória Segundo Mário Ferreira dos Santos, A

Notas do vídeo [https://youtu.be/n1-ziza3IpA?si=rtwhQrR3R-mQiCAV]

O título acima refere-se a uma palestra de Sanderson Moura, na Escola Atenas. A escolha de Mário Ferreira dos Santos deveu-se à filosofia do autor.

Há três livros de Mário Ferreira dos Santos sobre a oratória.

Curso de Oratória e Retórica — visão panorâmica. É como estar do alto de uma montanha que pode avistar a cidade em baixo.

Técnica do Discurso Moderno — uma visão mais analítica da oratória.

Prática de Oratória — visão geral e concreta.

Essa visão panorâmica, especifica e concreta aplica-se a tudo em nossa vida.

Uma das mais justas e nobres aspirações do ser humano é querer se expressar bem. Devemos admirar quem o sabe fazer. É o grande meio de aperfeiçoamento do próprio espírito. Tem que haver conteúdo. Aperfeiçoa sua mente e sua intelectualidade.

Antes de falar em público tenha domínio sobre o tema. Senhor do assunto.

As 5 fases da eloquência:

1) Elevação espiritual;

2) Domínio do pathos (paixões e emoções);

3) Variedade. Mesmo tom, não olha para as pessoas, maltrata o público. Monotonia é o segredo da morte;

4) Uso de figuras de linguagem;

5) Harmonia das palavras.

A filosofia é um estudo imprescindível ao orador.

Pensar por si mesmo.

Cultura grega é agregadora.

Uma sugestão para melhorar a voz: Leia em voz alta.

Orador — quer queira quer não — tem de agradar o auditório.

Treinar a dialética dos sofistas: pró e contra.

Memória é a guardiã de todas as passagens.

 

 

 

 

17 março 2024

Instrutor Espírita

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Considerações Iniciais. 3. Importância do Ensino no Centro Espírita: 3.1. Princípios do Ensino; 3.2. Objetivo do Ensino; 3.3 Os Cursos no Centro Espírita. 4. Sobre o Instrutor: 4.1. Características Importantes; 4.2. Preparo de uma Aula ou Palestra; 4.3. Atuando como Instrutor. 5. Formação Doutrinária do Instrutor: 5.1. Ciência, Filosofia e Religião; 5.2. O Problema da Opinião Pessoal; 5.3. O Instrutor diante do Centro Espírita. 6. Conclusão.

1. INTRODUÇÃO

O instrutor (expositor) é o colaborador de um Centro Espírita que tem a incumbência de divulgar os princípios fundamentais do Espiritismo. Discutiremos alguns tópicos deste tema, incluindo a relação ensino-aprendizagem e a interdependência das funções dentro de um Centro Espírita. 

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A divulgação dos conhecimentos adquiridos vem de longa data. Se prestarmos atenção, Jesus se reunia com os seus discípulos, no sentido de formar novos amplificadores de sua doutrina.

A Igreja faz essa amplificação através da catequese, do grego "ressonância", "instruir a viva voz". Instrução metódica e oral sobre coisas religiosas. Por extensão: doutrinação

Instrução liga-se a ensino e ensino liga-se a aprendizagem. Por isso, a discussão da relação ensino-aprendizagem.

Ensino e aprendizagem ligam-se ao método. Por isso, os vários métodos de ensino.

O instrutor deve estar inserido dentro do Centro Espírita. Por isso, a reflexão sobre a interdependência entre as várias atividades exercidas numa Casa Espírita.

3. IMPORTÂNCIA DO ENSINO NO CENTRO ESPÍRITA

3.1. PRINCÍPIOS DO ENSINO

Todo o instrutor deve ter em mente que há princípios fundamentais para o estudo, a aprendizagem e transmissão do conhecimento. Entre tais princípios, citamos: 1.º) é preciso que a pessoa sinta necessidade de adquirir conhecimento - instrução que não é desejada, é educacionalmente negativa; 2.º) que aprenda a fazer as coisas, fazendo também - nossas experiências são a base de nossos pensamentos; 3º) parta do conhecido para o desconhecido - isto é, do simples para o complexo.

3.2. OBJETIVO DO ENSINO

O objetivo do ensino na Casa Espírita é transmitir ao educando informações básicas acerca dos princípios doutrinários, sem ferir o íntimo de cada ouvinte; ao contrário, criar condições favoráveis à recepção destes postulados, lembrando que cada um de nós está em níveis de percepção espiritual diferentes, cabendo ao instrutor ajustar-se às necessidades de cada grupo.

3.3. OS CURSOS NO CENTRO ESPÍRITA

O ensino poderia perfeitamente ser ministrado sem os “cursos”. Os Cursos Regulares, porém, dão outra dinâmica, pois sistematizando as aulas, tem-se um rendimento muito mais efetivo. Os cursos no Centro Espírita não podem seguir a dinâmica dos cursos mundanos, com exames e notas. O ensino no Centro Espírita deve ter o condão de nos levar a refletir que a atitude, tanto de quem ensina como de quem aprende, é formar almas, compenetradas de suas responsabilidades, perante a si mesmos e perante aos outros.

4. SOBRE O INSTRUTOR

4.1. CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES

Para atuar na área de ensino, o colaborador deve ter as seguintes características: 1) não medir esforços para a preparação do assunto que irá expor; 2) ter facilidade de expor idéias aos outros; 3) estar a par das regras de oratória e exposição; 4) ser amante do conhecimento, não só espírita, mas de cultura geral; 5) não se melindrar com críticas e observações acerca de sua exposição; 6) dar abertura à influência do plano espiritual superior.

4.2. PREPARO DE UMA AULA OU PALESTRA

O instrutor deve ter em mente as técnicas de exposição. Hoje, mais do que nunca precisamos estar a par dos avanços da informática: recursos dos programas de PowerPoint, por exemplo. Em se tratando das técnicas de exposição, há os diversos métodos de ensino, que nos orientam sobre palestra, dinâmica de grupo, debates orientados, sessão de brainstormings, entre outros. Tudo deve ser feito com critério, pois como se diz: “Se Jesus, na sua época, tivesse usado o PowerPoint, não teria nenhum discípulo”. Quer dizer, a postura e a empatia do expositor contam mais do que as aparelhagens modernas.

4.3. ATUANDO COMO INSTRUTOR

Em se tratando de uma Casa Espírita, onde nos ensinam que o Espírito já adquiriu conhecimentos em outras existências, o diálogo é de fundamental importância, pois um aluno com vivências passadas mais ricas do que a nossa, pode também nos ensinar muito, tornando a aula mais proveitosa.

5. FORMAÇÃO DOUTRINÁRIA DO INSTRUTOR

5.1. CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO

O instrutor deve procurar expressar a Doutrina Espírita em seu tríplice aspecto, ou seja, em termos da filosofia, da ciência e da religião. Para muitos, a interligação parece difícil, mas o Espiritismo, sendo uma síntese de todo o conhecimento veiculado, pode analisar um assunto qualquer sob estes três aspectos. Com isso, desviamo-nos do comodismo de repetir frases de efeito, que não nos levam muito longe em nossas reflexões sobre a própria doutrina.

5.2. O PROBLEMA DA OPINIÃO PESSOAL

Evitar o “eu acho”, “eu penso”, “eu isso”, “eu aquilo”. Nosso problema é expor a Doutrina, lembrando que o termo doutrinário significa quem obedece rigidamente aos princípios da própria doutrina, prestando atenção à teoria no seu sentido abstrato, mais do que no prático. Podemos e devemos usar as nossas próprias palavras, mas alicerçadas no conhecimento refletido e alicerçado nos fundamentos básicos do espiritismo.

5.3. O INSTRUTOR DIANTE DO CENTRO ESPÍRITA

O instrutor deve ter em mente que ele é uma peça na organização global de uma Casa Espírita. Achar que a sua função é mais importante do que as outras pode fazê-lo desviar da verdade e cair no erro. Lembremo-nos de que cada um dos diversos frequentadores de uma Casa Espírita está ali para desenvolver uma função primordial. Ninguém é mais do ninguém, porque todos trabalhamos para a unidade, que se chama Centro Espírita que, por principio não tem dono. É apenas uma organização religiosa.  

6. CONCLUSÃO

Estejamos convictos de que só ensina quem aprende. Não sejamos os falsos profetas do Evangelho, aqueles que se colocam como disseminadores da doutrina do Cristo e não passam de expositores do erro e da discórdia.  

São Paulo, setembro de 2010.

 

08 agosto 2017

Frases sobre Oratória

"Um homem nunca se torna orador quando tem algo para dizer." (Finley Peter Dunn, humorista do início do século vinte)

Os oradores "Podem ser melhor descritos como [pessoas] que, antes de se levantarem, não sabem o que irão dizer; quando estão falando, não sabem o que dizem; e quando voltam a sentar-se, não sabem o que disseram." (Winston Churchill)

“Bom orador é o que se convence a si mesmo antes do convencer o auditório.” (Carlos Drummond de Andrade)

“O orador vive à espera da catástrofe para transformá-la em motivo de oratória.” (Carlos Drummond de Andrade)

"Oratória: uma conspiração entre o discurso e a ação para enganar a inteligência. Uma tirania atenuada pela estenografia." (Ambrose Bierce)

Oscar Wilde comentou sobre um orador seguro: "Ele sabe exatamente quando não dizer nada."


19 abril 2016

Início de Discurso: Alguns Exemplos

Apologia a Sócrates (Platão)

Ignoro a impressão que vos causaram os discursos de meus acusadores, homens de Atenas; porém, eu ouvindo-os, por pouco não me esqueci de quem sou, tão convincentes foram. Claro que a verdade estava completamente ausente neles. Entre o grande número de suas mentiras surpreendeu-me, particularmente, a afirmação de que deveis ter cuidado para não deixar-vos enganar por mim, por ser eu um grande orador. Não se considera um grande orador, a menos que um grande orador seja aquele que diz a verdade. Os discursos de meus acusadores não contêm um vestígio de verdade, eu, porém, vou dizer toda a verdade...

18 abril 2016

Os Três Inimigos da Oratória

Pectus est quod disertus facit (o coração faz o orador) Lema de Quintiliano. 

Max Eastman, publicista e romancista contemporâneo, no artigo "Oratória, a Arte Esquecida", em Titãs da Oratória, esclarece-nos que "o verdadeiro orador não é loquaz, mas não existem grandes oradores". Diz-nos, também, que na sua melhor acepção, a oratória é uma arte dramática, em que o orador fala sobre algum assunto que preparou antes. Poderíamos melhorar essa arte se soubéssemos claramente os fatores que lhe são negativos. 

O principal inimigo do orador é o microfone. Demóstenes, renomado orador grego, disse que as três qualidades essenciais da oratória sui generis são: a ação... a ação... a ação. Quem ouve, através do microfone, perde essas três. Ninguém vai decorar um discurso para ficar parado como um poste e dizê-lo pelo microfone. 

Outro inimigo da oratória é a ideia que ele é fruto da "inspiração". O bom discurso — como diz Cícero — há de ser "cuidadosa e trabalhosamente elaborado", e, se o foi — afirma também o grande orador romano — seu estilo terá força capaz de impelir o orador, caso se ofereça oportunidade, ao improviso com a mesma eloquência — é como se fosse um barco que, em plena marcha, mantém o rumo e o movimento, mesmo quando os remadores descansam os remos. 

O terceiro inimigo da oratória é a crença errônea de que é necessário falar muito depressa se desejarmos causar impressão. Os grandes estadistas falam devagar. Vez ou outra até param para que o público possa absorver o raciocínio que estavam desenvolvendo. 

Fonte de Consulta

Titãs da Oratória (Volume X). Tradução do Dr. Silvano de Souza. 2.ed., Rio de Janeiro: El Ateneo,

&&&

Dever-se-ia começar o ensino de línguas pelo grego, não o latim.

Algumas das orações pronunciadas por Churchill "lhes exigiam até seis meses de cuidadoso trabalho", segundo relato de sua amiga e biógrafa Virgínia Cowles. 

Quando o auditório é imenso, habituamo-nos a ver o vulto do orador um tanto esvaído pela distância.

Muitas pessoas, que se acreditam importantes, falam mais devagar quando se dirigem ao público, do que quando tomam parte numa conversação. 

O bom discurso é o resultado primoroso da inteligência, da ação, da arte literária e da memória exercitada, treinada. 

Na sua melhor acepção, a oratória é uma arte dramática; é a arte de dizer alguma coisa que se há escrito, de antemão, e de representá-la por si mesmo. 

O bom discurso — como diz Cícero — há de ser "cuidadosa e trabalhosamente elaborado"; e, se o foi — afirma o grande orador romano — seu estilo terá força capaz de impelir o orador, caso se ofereça oportunidade, ao improviso com a mesma eloquência — é como se fosse um barco que, em plena marcha, mantém o rumo e o movimento, mesmo quando os remadores descansam os remos. 

&&&

Lembram a história de certo pastor escocês, homem de grande renome e posição, que graciosamente concedeu fazer uma prédica numa pequena igreja rural dirigida por um combativo e jovem sacerdote que o admirava. O grande homem sobe orgulhosamente a longa escada em espiral que leva até o púlpito e começa a falar por mais de uma hora, apenas para constatar que, ao término, metade da congregação se retirou e a outra metade dorme profundamente. Desanimado, ele desce devagar a longa escada espiralada e pergunta, com humildade, a seu colega o que fez de errado. O jovem sacerdote responde-lhe muito simplesmente: "Se o senhor tivesse subido", diz ele, "da maneira como desceu, poderia ter descido da maneira como subiu". (In: O Coração da Filosofia, de Jacob Needleman) 

 

03 agosto 2012

Retórica: Anedota de Protágoras

A retórica tem relação com a ironia. Muitas crianças chegam até perguntar: como se diz isso em irônico? A palavra grega eirena significa fingimento e dissimulação. Nesse caso, o ouvinte precisará retraduzir a inversão irônica para entender o real significado do que se quis dizer.

Os criadores da retórica tinham um objetivo bem claro: tornar fraco um discurso forte, forte um discurso fraco. A retórica surgiu entre os sofistas gregos, por volta do século V a.C. Se quisermos avaliar os sofistas nos tempos modernos, diríamos que são as estrelas da mídia, que vendem uma mensagem de forma brilhante. 

Sobre esse mister, há uma anedota contada por Protágoras, filósofo grego da Antiguidade, que se tornou famoso pela seguinte tese: o ser humano é a medida de todas as coisas

Ele ensinou retórica a Euathlos e, como este não tinha dinheiro, ficou acordado que o aluno deveria pagar o enorme honorário pela formação apenas quando ganhasse o seu primeiro processo. Contudo, Euathlos não atuou como advogado, mas se dedicou à música, não se vendo dessa forma obrigado a pagar. Assim, Protágoras o processou para obter pagamento dos honorários com a seguinte fundamentação: "Euathlos precisa pagar de qualquer maneira: se não para honrar nosso acordo, pela condenação do tribunal". Euathlos, por sua vez, respondeu: "Não preciso mesmo pagá-lo, pois se eu perder o processo, meu ensino terá sido ruim e o acordo continua a valer. Caso contrário, o tribunal terá que me dar ganho de causa, e não precisarei pagar de qualquer forma". O tribunal não soube como resolver esse paradoxo e arquivou o caso. 

Fonte de Consulta

BURCKHARDT, Martin. Pequena História das Grandes Ideias: Como a Filosofia Inventou nosso Mundo. Tradução de Petê Rissatti. Rio de Janeiro: Tinta Negra Bazar Editorial, 2011 (p. 33 a 37).

 

05 dezembro 2011

Demóstenes e os Quatro Elementos da Retórica

Demóstenes (384-322 a.C.) foi político e orador ateniense. Para vencer a sua gagueira, declamava poemas enquanto corria na praia contra o vento e forçava-se a falar com seixos na boca. Com isso, não só venceu a gaguez, mas conseguiu dar maviosidade à sua voz.

Para Demóstenes, uma peça oratória deveria se fundamentar em:

1) uma grande pessoa;

2) um evento inesquecível;

3) uma mensagem convincente;

4) uma transmissão primorosa.

Para sermos uma grande pessoa, não precisamos ser presidente do país, ou de uma grande multinacional; basta chefiarmos grupos de trabalho, orientarmos alunos e criarmos motivação para jovens em uma comunidade carente. É suficiente que sejamos o melhor naquilo que pudermos ser. Se conseguirmos irradiar entusiasmo, senso de humor, perseverança e otimismo, com certeza, as pessoas que estão à nossa volta vão parar para nos ouvir.

Para que foquemos apenas os eventos inesquecíveis, temos de renunciar àqueles que não os são. Muitas vezes, temos que rejeitar convites para pronunciamentos que não fazem parte de nosso projeto de vida. Isso não é muito fácil, porque queremos sempre agradar ao nosso próximo, ao convite que nos foi feito. Mas, será que ele faz parte de nossas aspirações do momento? Aprendamos a dizer não, quando nossa consciência a isso nos obriga.

Uma mensagem convincente. Para que nossa mensagem seja convincente, precisamos ganhar a simpatia do auditório. Nesse caso, urge prepararmos mentalmente aquilo que vamos proferir em público. Um orador, sem critério, não chega a lugar nenhum. No final do discurso, o público poderá dizer: “falou, falou, mas não disse nada”.

Uma transmissão primorosa. Aqui, devemos ter em mente a postura do orador diante de seu público. São os seus gestos, o timbre de sua voz, o modo como estabelece contato visual com o seu público etc.

 

20 abril 2011

Argumentar: Convencer e Persuadir

Em se tratando de oratória, o primeiro passo é ganhar a confiança do auditório. Para tanto, não se deve ir diretamente ao assunto, mas, com habilidade psicológica, preparar o ânimo do ouvinte para o que há de vir. Enunciar o tema, fazer alusões e contar alguma passagem pitoresca são fundamentais no início de uma palestra.

Na elaboração de um discurso, surgem três palavras, intimamente ligadas, que são: argumentar, convencer e persuadir. Pode-se dizer que argumentar é convencer e persuadir. O argumento é ou um raciocínio destinado a provar ou a refutar uma proposição, ou uma razão isolada apresentada a favor ou contra uma tese. A argumentação é ao mesmo tempo a maneira de expor uma série de argumentos e a série que decorre da exposição.

Convencer e persuadir são termos distintosConvencer é dissuadir o público com provas lógicas indutivas (exemplos) ou dedutivas (argumentação); é ganhar a adesão do ouvinte para o nosso modo de pensar; é expor razões que o leve a comungar com o nosso modo de pensar. A persuasão é apresentar argumentos apelando para a emoção do interlocutor com o objetivo de conseguir sua adesão. Há, assim, dois grandes campos estratégicos: o do convencimento, que lida com fatos, informações, esclarecimentos, e o da persuasão, que gerencia emoções e relacionamentos.

Em suas argumentações de convencimento, o orador deve também propor uma mudança na “visão tubular” que o ouvinte recebe diariamente da mídia. Ele precisa fornecer informações, teses e argumentos que levem o ouvinte a pensar de forma diferente daquela que nos querem passar os grandes meios de comunicação de massa. Em outras palavras, ele deve transformar em conhecimento o fluxo de informações que surgem de todos os lados.

O bom orador é aquele que sabe gerenciar as informações, dosando razão e emoção, para convencer com mais propriedade.

 

 

29 janeiro 2010

Aula versus Palestra

Distingamos, na comunicação de conhecimentos, a noção de aula da de palestra. Não sejamos como aquele expositor que, como instrutor, era um excelente conferencista. Na aula, seguimos uma programação de temas, conectados uns com os outros. Embora cada tema tenha o seu objetivo particular, ele não pode se afastar do objetivo do curso como um todo, sob pena de desfigurar o próprio curso.

Os temas das palestras são propostos aleatoriamente. Na maioria das vezes, sugeridos pelos próprios expositores. Às vezes, o expositor quer aprofundar alguma determinada matéria. O que ele faz? Pensa sobre o tema, consulta livros, navega na Internet, ouve outros conferencistas etc. Depois de absorver as informações desejadas, sente-se no dever de transmiti-las aos demais seres humanos. Aqui, não há necessidade de um tema se relacionar com outro.

A didática da aula não pode ser igual à da palestra. Numa aula, podemos empregar várias técnicas de ensino, tais como, fazer grupos de estudo, trabalhar o tema em forma de perguntas e repostas, colocar perguntas embaixo das cadeiras e pedir para o aluno respondê-la ou fazê-la aos outros colegas de classe. A maiêutica socrática pode ser usada à exaustão, pois com ela faz-se o aluno pensar e tentar buscar com os demais colegas uma resposta adequada aos problemas que lhe são apresentados.

Na palestra, o expositor discorre sobre um determinado tema. Tendo em mente uma ideia central, divide o seu discurso em partes, tais como introdução, desenvolvimento do tema e conclusão. Ele geralmente fala durante um determinado tempo, sem que haja perguntas ou interrupções da plateia. No final de sua oratória, abre espaço para perguntas ou dúvidas dos ouvintes. Na palestra, o orador transmite uma grande quantidade de informações em pouco espaço de tempo.

Façamos um resumo comparativo. Na aula, dialoga-se; na palestra, expõe-se. Na aula, há uma conexão dos temas; na palestra, os temas são variados. Na aula, procura-se informar menos e discutir mais; na palestra, informa-se mais e discute-se menos. Na aula, há uma ligação mais estreita entre aluno e professor; na palestra, a ligação entre o orador e o ouvinte é passageira.

Na qualidade de expositores, reflitamos sobre esses detalhes, porque transformar uma aula numa palestra pode ser muito enfadonho aos alunos, sequiosos de conhecimento.

 

23 novembro 2009

Argumentando com o Auditório

argumentação presta-se a muitas interpretações. No silogismo, é a apresentação de premissas, cujos raciocínios devem nos levar a uma conclusão. De um modo geral, é advogar em causa própria, justificar comportamentos, condenar ou enaltecer pessoas. Pode ser também o método pelo qual uma pessoa — ou um grupo — intenta um auditório a adotar uma posição, um comportamento. Os argumentos são bons quando nos levam a uma conclusão verdadeira; maus, quando nos afastam da verdade.

Aristóteles, nos Tópicos, tratou a argumentação sob a ótica do raciocínio lógico; na Retórica, como um modo de persuadir o auditório. Nos Tópicos, parte de premissas (conhecimentos certos), que levam a conclusões verdadeiras. Na Retórica, parte de opiniões admitidas, que levam ao raciocínio dialético. Em todo o caso, é sempre em função de um auditório que devemos desenvolver qualquer argumentação.

Embora a teoria da informação utilize a argumentação, o seu objetivo difere fundamentalmente da argumentação propriamente dita. Na teoria da informação, há um emissor, uma mensagem e um receptor. Quer-se apenas transmitir uma mensagem (com lógica ou sem lógica). Na argumentação, a comunicação exige um raciocínio (indutivo ou dedutivo) que conduza a uma conclusão. Nesse caso, o emissor deve convencer o auditório pela boa argumentação.

A argumentação é útil a todos os indivíduos, mas muito mais ao expositor, porque terá que observar o elo de ligação de seu raciocínio para não cair em contradições, ou seja, falar uma coisa e concluir com o seu oposto, com a negação da tese. Observe que isso é muito comum de acontecer na fala natural das pessoas. Elas pregam a fraternidade, o interesse do grupo, mas suas ações caminham para o lado oposto, incitando a desunião.

A verdade é sempre verdade, quer queiramos suportá-la, quer não. Por isso, estejamos sempre abertos para argumentar e contra argumentar, no sentido de fazer emergir uma verdade que estava oculta, submersa. A incompreensão de hoje pode ser a luz do dia seguinte. Lembremo-nos de que todos devem ter tempo para absorver novas verdades. A imposição de ideias não condiz com Espíritos superiores; eles deixam brechas, inspirações, para que o ouvinte tome a sua própria decisão.

Construamos bons argumentos, mas não nos apeguemos demasiadamente a eles. Há casos, em que a fluidez do raciocínio deve prevalecer, para o bom andamento dos negócios.

 

21 abril 2009

"O Banquete" de Platão e a Oratória

Tese: o amor visto sob diversos ângulos

"O Banquete", de Platão, é um livro de diálogos de Platão atribuído a ele mesmo e não a Sócrates, seu mestre. Trata-se dos sete discursos a respeito do deus Eros, o deus do amor. Diz-se que depois de muitas festas e bebedeiras, resolveram instituir uma trégua, no sentido de falarem sobre determinado tema, no caso o amor, sugerido por Erixímaco. Os oradores foram: Fedro, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes, Agaton, Sócrates e Alcibíades.

Qual a importância de "O Banquete" para a oratória? O mesmo tema visto por diversos ângulos. A sua dinâmica abre-nos a mente para outros temas de igual valor. Observe a técnica de cada um dos oradores: o começo de cada discurso refere-se ao anterior ou aos anteriores. Cada novo participante diz: o orador que me precedeu falou dessa maneira, mas eu vou partir para este outro caminho. O mesmo deveríamos fazer quando formos convidados a falar, juntamente com outros oradores, de um mesmo assunto.

Fedro, o primeiro orador inscrito, coloca Eros como um dos mais antigos deuses que surgiram depois do Caos da terra, enaltecendo as suas qualidades. Pausânias, o 2.º orador, critica o elogio a Eros, afirmando que existe mais de um Eros, o Eros Celeste e o Eros Vulgar. Erixímaco, o 3.º orador, educado nas artes médicas, discorda do discurso de Pausânias, e diz que o Eros não existe somente nas almas dos homens, mas também na Natureza dos corpos. Aristófanes, o 4.º orador, desenvolve a tese dos andróginos, em que o masculino e o feminino estão no mesmo ser. Agaton, o 5.º orador, discorre sobre a natureza do amor, em que "os semelhantes procuram os semelhantes", ou "os contrários procuram os contrários". Sócrates, o 6.º orador, por sua vez, o mais importante dentre os homens presentes, diz que na juventude foi iniciado na filosofia do amor por Diotima de Mantinea. "Dela hauri toda a ciência que possuo sobre o amor". Ele fala que sendo o Amor, o amor de algo esse algo é por ele certamente desejado. Mas este objeto do amor só pode ser desejado quando lhe falta e não quando possui, pois ninguém deseja aquilo de que não precisa mais. Alcibíades preferiu mais fazer um elogio a Sócrates do que descrever sobre o amor.

Fonte de Consulta

PLATÃO. O Banquete. Edipro de Bolso, 2007.




26 junho 2008

Conversação e Oratória

O orador é um indivíduo que deve estar sempre procurando se melhorar, pois só conseguirá transmitir aquilo que estiver armazenado dentro de si próprio. Nesse sentido, a conversação travada com os semelhantes, oferecer-lhe-á um manancial de informações extremamente úteis à sua elocução pública.

Por que razão o orador deve se preocupar com a conversação, com o diálogo? Porque, antes de falar, ele deve aprender a ouvir. Observe que é numa conversação que nos exercitamos na arte de ouvir. Às vezes, as pessoas contam-nos coisas que não nos interessa. Mesmo assim temos que nos esforçar por ouvir, a fim de educar a nossa paciência e a nossa tolerância para com os seus comportamentos. Na qualidade de orador, estejamos aptos a conversar sobre qualquer assunto e com qualquer pessoa. Interessando-nos por quem nos procura, vamos criando um vínculo de amizade e expansão do nosso eu imortal.

O orador deve saber questionar. Apartear os outros, perguntar no momento certo e dentro das circunstâncias, não é tarefa muito fácil. Ao nos exercitarmos na arte de perguntar, vamos também melhorando a arte de explicar, de expor. É que vamos dando importância às perguntas relevantes, aquelas que realmente contribuem para a compreensão de algum tema ou questão. Se nos habituarmos a agir desta forma, isso também será um preparo para o nosso discurso oratório, pois uma exposição nada mais é do que as respostas a algumas perguntas.

Devemos estar mais dispostos a ouvir do que a instruir. A instrução é uma decorrência do aprendizado. Quanto mais ouvirmos, mais estaremos aprendendo. Logicamente, não devemos ser um túmulo, mas aptos e dóceis a ouvir. Pergunta: será que damos a devida atenção aos nossos familiares? Ouvimo-los com atenção ou estamos sempre com pressa para realizar as nossas obrigações? Quando um filho, um irmão ou outro parente qualquer nos procura, dizemos sempre que não temos tempo, que deve ficar para mais tarde?

"Para o bom entendedor, meia palavra basta". Expressemo-nos sempre com objetividade e dentro da limitação de tempo. Nada de cansar os ouvidos alheios. Se formos bons ouvintes, mesmo numa conversação oca e sem nexo, podemos fazer perguntas relevantes e, com isso, desviar o assunto para coisas mais importantes. A boa pergunta é como soar o sino: a conversação monótona e sem brilho transforma-se num exercício saudável de aprendizado.

Saibamos tirar proveito das nossas conversações. Somente assim construiremos um estoque de conhecimentos, em que nenhum ladrão conseguirá nos roubar.