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01 março 2026

Ensino e Aprendizagem

Ensino - do lat. "in + signare" = marcar com um sinal - significa transmissão de conhecimentos, de informações ou de conhecimentos úteis ou indispensáveis à educação ou a um fim determinado. Aprendizagem - do lat. apreender -, aquisição de conhecimentos ou habilidades. Para que possamos maximizar a relação ensino-aprendizagem, convém adotarmos uma atitude desarmada e sem preconceitos.

Emissormensagem e receptor são os elementos básicos no processo de ensino. O emissor deve revestir-se de técnicas de oratória, recursos audiovisuais e métodos de ensino, a fim de tornar a mensagem persuasiva. O receptor, por sua vez, deve desenvolver a capacidade de atenção e concentração, para absorver adequadamente as informações recebidas.

Produção do saber é a finalidade do ensino. Professores e oradores revestem-se de técnicas de oratória, educando a voz, postura e gestos para melhor atrair o público. Algumas escolas criaram a "metodomania", isto é, tudo tem que ser ensinado segundo um dado método: Piaget, Montessori, Pestalozzi e outros. Os métodos de ensino auxiliam, mas somente o que carregamos dentro de nós conseguimos transmitir aos demais.

discurso didático deve ser a tônica do ensino. O professor quando descreve, interroga e avalia tem um objetivo: produzir conhecimento. Evita, assim, o discurso ordinário, que é a conversação causal e espontânea. Importa marcar o aluno com um sinal positivo, ou seja, obrigar o aluno a pensar profundamente no que lhe foi transmitido.

A vocação do estudante deve ser sempre ponderada pelo instrutor. Segundo a psicologia, não há dois indivíduos iguais, nem tampouco dois grupos idênticos. A peculiaridade de cada situação exige soluções criativas. Prestando atenção a esses pormenores, consegue-se educar com êxito.

Ensinando, burilemos nossas palavras; aprendendo, eduquemos nossos olhos e ouvidos. Tornando-nos conscientes desta conduta, aumentaremos o rendimento no processo de ensino. Aprendendo mais em menos tempo, liberaremos nossas energias mentais para outros campos de interesse do espírito.

Fonte de Consulta

NÉRICE, I. Educação e Ensino. São Paulo: Ibrasa, 1985.

KNELLER, G. F. Introdução à Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: Zahar
Editores, s.d.p.

MORAIS, R. O Que É Ensinar. São Paulo, E.P.U., 1986.


17 junho 2019

Neuropedagogia

Neuropedagogia é uma área de conhecimento que engloba a Pedagogia e a Neurociência. Tem por objeto o estudo do funcionamento do cérebro e sua influência no processo de ensino e aprendizagem. Um curso, com este nome, incluiria o estudo do cérebro, a aprendizagem, o ensino e as relações com a educação especial.

Quanto ao cérebro, destacaríamos: 1) plasticidade. A capacidade que o cérebro tem de se modificar e se adaptar; 2) neurônios. As células responsáveis por transmitir os impulsos nervosos; 3) sistema límbico. O gerenciamento de nossas emoções e comportamentos diante dos outros; 4) memória. A capacidade de nos relacionarmos com o passado, compreender o presente e planejar o futuro.

Quanto à aprendizagem, incluiríamos: 1) estudar e aprender. A ato de obter informações e fazer bom uso delas; 2) importância do ambiente. A cor das paredes, o silêncio exterior, entre outros, ajudam sobremaneira a atenção e concentração no estudo; 3) aprendizagem e as emoções. A pessoa aprende bem quando sente motivação para o que lhe é ensinado; 4) inteligências múltiplas. Dentre as sete, destacamos: inteligência lógico-matemática, linguística e musical; 5) fases da vida e suas características. Crianças de 1 ano de idade têm necessidades totalmente diferentes de outra de 10 anos.

Quanto ao ensino, especificaríamos: 1) o papel do professor. Hoje, diferente de outras épocas, o professor é responsável por formar a "ponte" entre os alunos e os conteúdos a serem ensinados; 2) o papel da escola. Por estar inserida em uma comunidade, deve levar em conta o contexto em que vivem os seus alunos; 3) o papel da família. É essencialmente o de transmitir os valores morais de seus membros; 4) temas transversais. O seu principal objetivo é propor uma educação que tenha preocupação com a cidadania e a vida social e política dos alunos; 5) tecnologias de ensino. Filmes, áudios e uso do computador são bem-vindos.

Quanto à neuropedagogia na educação, teríamos: 1) distúrbios de aprendizagem. São dislexia, discalculia, disgrafia etc.;  2) psicomotricidade. Estuda o corpo em movimento em relação ao seu mundo interno e externo; 3) educação inclusiva. Incluir na escola regular os alunos com necessidades especiais.

Fonte de Consulta

Curso de Neuropedagogia (Cursos 24h)





27 junho 2008

Relação Ensino-Aprendizagem

Ninguém ensina ninguém? É possível o aprendizado? Está correta a frase de Kant em que afirma que não devemos aprender filosofia e sim aprender a filosofar? Há métodos de ensino? E de aprendizagem? Quem é que mais aprende: o professor ou o aluno? Ensinamos somente com as matérias expostas na sala de aula? Reflitamos sobre esse tema da atualidade didática.

Comecemos, primeiramente, com uma certa dose de desconfiança em relação à perfeita sintonia entre o ensino e a aprendizagem, ou seja, entre aquilo que ensinamos e o que o aluno aprende, entre o que transmitimos e o que aluno assimila. A comunicação interpessoal tem muitas barreiras: barulhos, distrações, ignorância do assunto, falta de interesse etc. Isso tudo impossibilita que a mensagem transmitida pelo emissor (professor) chegue inteira na mente do receptor (aluno).

A relação ensino-aprendizagem assemelha-se à Parábola do Semeador. Nessa parábola, contada por Jesus, o semeador saiu a semear: algumas sementes caíram à beira da estrada, outras entre os pedregulhos, outras no meio do espinheiro e outras em terra fértil. As sementes que caíram em terra fértil germinaram e deram frutos cento por um. Do mesmo modo são os ensinamentos: o professor transmite uma única mensagem; como há diversos tipos de cabeças, haverá diversos tipos de aprendizado. Somente a cabeça concentrada na mensagem receberá cento por um.

Um professor, quando prepara a sua aula, pensa na melhor forma de transmitir os seus conhecimentos. Ele planeja o seu roteiro, cria seus gráficos, elabora suas transparências e utiliza toda a sorte de recursos, para tornar o ensino o mais produtivo possível. Se, por outro lado, a cabeça do aluno estiver em outra dimensão, com certeza não atingirá o seu objetivo, porque o ensino foi transmitido, mas não houve recepção por parte do aluno. É por isso que não se pode confiar plenamente nessa relação cômoda de ensino-aprendizagem.

Para que tenha êxito em suas explanações, o professor não deve se colocar como o "sabe-tudo", aquele que é superior ao aluno. Convém partir de um não-saber, de um não-professor, a fim de que tanto um quanto o outro se empenhe numa espécie de "oficina de conceitos", onde, juntos, procurarão uma nova relação entre o ensino e a aprendizagem. Em pé de igualdade, haverá maior produtividade do ensino: muitas coisas que ele imaginava importantes deixam de ser e, muitas outras, que não dava importância acabam tendo.

Se há métodos para ensinar, não os há para aprender: o ensino é público; o aprendizado, pessoal. A aprendizagem depende muito do que o aluno já conhece, do seu interesse em aprender e da sua atitude frente ao conhecimento. É possível que, na educação voltada para a memorização, ele dedique pouco tempo na absorção da matéria; contudo, na educação voltada para o "conceito", ele pode se empenhar cem por cento. Uma árvore produz somente os frutos de que é capaz: um abacateiro só pode dar abacate e não uvas.

É preciso, pois, muita cautela, para transmitir com qualidade. Não nos esqueçamos de que os nossos gestos e a nossa conduta ensinam muito mais do que o discurso didático.

 

26 junho 2008

Ensino

A etimologia da palavra ensino deriva de ensinar, que vem do latim in+signare e significa pôr marcas ou sinais, designar e mostrar coisas. O professor, quando ensina, coloca uma marca no aluno. Na linguagem espanhola, a palavra ensinar corresponde a enseñar e significa mostrar, como na frase enseñame tu livro (mostra-me o teu livro). A dinâmica do ensino tem muito a ver com sua etimologia, ou seja, tornar as coisas legíveis, que se traduz na clareza da exposição para um aprendizado eficiente dos alunos.

O conceito de ensino abarca muitos sentidos. Algumas vezes fala-se de ensino como sendo um setor da organização social de um país, tal como a Saúde e a Segurança Pública; outras vezes, como uma ação da qual se espera um determinado efeito; pode também significar a maneira de estruturar ou organizar a própria ação de ensinar; há ainda a acepção de ensino como domínio de especialização e investigação, consagrado ou não academicamente.

ensino ação remete-nos a uma situação em que o emissor A deve transmitir uma mensagem ao receptor B. A é o professor; B o aluno. Nessa relação há um professor que ensina e um aluno que aprende. Se um ensina e o outro não aprende não podemos dizer que houve ensino. Por isso, o par ensino-aprendizagem tem mais peso do que simplesmente a palavra ensino. Como pôr marcas no outro se este não as aceita, se este não as entende? Por isso, a inclusão dos meios didáticos na relação entre o professor e o aluno é de vital importância.

A comparação entre a Escola Tradicional — docendicêntrica — e a Escola Moderna — discendicêntrica — está sempre presente na relação ensino-aprendizagem. No conceito de escola tradicional aliam-se outros conceitos tais quais diretividade do professor, passivismo do aluno, memorização da aprendizagem e ensino oral. No conceito de escola nova ligam-se conceitos como ativismo do aluno, aprendizagem por intuição e descoberta, ensino audiovisual e não-diretivdade do professor. Esse antagonismo vara os séculos e, ainda hoje, serve de tema para muitos debates a respeito da educação.

Uma avaliação mais crítica mostra que não há uma separação radical entre a Escola Nova e a Escola Velha. Observe que um professor da escola velha pode ser mais dinâmico e mais didático do que o professor da escola nova. O método serve apenas para obter um fim; ele não deve ser um fim em si mesmo. Podemos estar usando as tecnologias modernas, tais como o retroprojetor e o data show e não estarmos comunicando eficientemente as nossas idéias. Por outro lado, o professor que não faz uso desse instrumental pode estar construindo um saber muito mais consistente.

O ensino é o ponto central de qualquer comunicação. Moderemos nossas palavras para transmitirmos tudo com clareza e correção gramatical.

Fonte de Consulta

POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.


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O erro fundamental do projeto de transmissão consiste na crença de que se podem transmitir conhecimentos como se passam os conteúdos de um recipiente para outro, ou como se transfere um objeto de um proprietário para outro.

O conhecimento é a capacidade de ação efetiva ou simbólica, material ou verbal, e essa capacidade está ligada à existência de esquemas provenientes da ação. Um esquema é uma disposição para agir, uma estrutura potencial para ações futuras, tais como elas se desenvolverão segundo formas semelhantes àquela assumida pelas ações anteriormente organizadas em circunstâncias semelhantes. 

"Tudo o que inventa sobre a educação é lastimável, se não refletirmos sobre a dificuldade de pensar." (Alain — Propos sur l'education)

"As crianças de quem se espera menos podem aprender rapidamente se todos simplesmente lhes derem os meios de aprender e se evitar instruí-las." (C. R. Rogers — Liberdade para Aprender)

Fonte de Consulta

NOT, Louis. Ensinando a Aprender: Elementos de Psicodidática Geral. Tradução de Carmem Sylvia Guedes e Cláudia Signorini. São Paulo: Summus, 1993. 




09 junho 2008

Professor Emancipador

A relação ensino-aprendizagem é sempre nova: não há métodos, fórmulas e técnicas definitivos para ensinar, pois em cada um deles sempre encontramos aspectos positivos e negativos. A postura, a sagacidade e o carisma do professor também exercem bastante influência nessa relação. Entretanto, poderíamos perguntar: quando o professor ensina, o aluno realmente aprende? Pode haver ensino sem aprendizagem? E aprendizagem sem ensino, sem um professor? O que significa a palavra ensinar? E a palavra aprender? Rancière, em seu livro, O Mestre Ignorante, discute essa relação à luz da crítica filosófica.

Maître Ignorant conta a história de um professor emancipador, Josep Jacotot, quem, em 1818, enfrenta uma situação inusitada: seus alunos falam uma língua que ele desconhece (flamenco) e eles desconhecem a língua que ele fala (francês). O problema apresentado: como se comunicar sem signo? Contorna-o, porém, com a ajuda de um intérprete. Ao final, consegue que seus alunos aprendam por si mesmos a falar e escrever em francês. Conclui que os alunos aprenderam por si mesmos, mas não sem a presença de um professor. Daí, a dúvida: explicar é ensinar?

Diante desta questão, Rancière elabora a sua crítica da razão explicadora. Para ele, a explicação é a “arte da distância” entre o aprendiz e a matéria a aprender, entre o aprender e o compreender. A função do professor é diminuir essa distância; contudo, observa que a explicação, em vez de diminuir, aumenta a distância, e por várias razões, entre as quais, citamos: 1) o autoritarismo do professor explicador que sabe em relação ao aluno que não sabe; 2) o embrutecimento que decorre da explicação, pois tanto o professor quanto o aluno não se exercitam na emancipação do saber.

Rancière critica também o socratismo. O livro Menon, em que Sócrates ensina um caminho do saber ao escravo, é o seu ponto de referência. De acordo com Rancière, Sócrates embrutece o escravo, embora a sua ação se revista de uma aparência libertadora. Sócrates não estimula o escravo a buscar o saber por si mesmo, apenas permite que este chegue até onde Sócrates sabe. Em seus diálogos, Sócrates diz nada saber, mas quando formula as questões, ele quer que o interlocutor chegue até onde ele sabe. O mestre emancipador vai além da transmissão do conhecimento: permite que o aluno aprenda algo que não sabia no início da relação pedagógica.

O ato de ensinar deve ter como princípio a igualdade das inteligências. Ao admitirmos que, quanto ao pensar, todos somos iguais, estaremos respeitando tanto a nossa quanto a inteligência do nosso próximo. Com isso, todos estaremos mais capacitados para a obtenção do conhecimento, venha de onde vier. Se, ao contrário, supusermos que ensinar tem a ver com explicar, então estaremos embrutecendo e embrutecendo-nos, porque estaremos submetendo os outros às nossas explicações.

O professor emancipador deve ter em mente que todos aprendem pela experiência. Assim, convém que ele esteja sempre propiciando experiências de aprendizado aos seus alunos. Nada de trazer a resposta pronta. Cada qual que a busque por si mesmo.

Fonte de Consulta

KOHAN, Walter Omar. Sobre o Ensinar e o Aprender... Filosofia. In PIOVESAN, Américo et al. (org.). Filosofia e Ensino em Debate. Rio Grande do Sul: Unijui, 2002. (Coleção Filosofia e Ensino, 2).