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01 março 2026

Discurso Político

discurso político fundamenta-se numa decisão sobre o futuro, ao contrário do discurso forense, que julga um fato passado. O estadista, objetivando alcançar o bem comum, concebe um estado ideal (futuro) contraposto ao real (presente). Por isso, a política é a ciência do possível, ou seja, daquilo que pode ser feito.

Os políticos, para melhor atrair a atenção dos ouvintes, valem-se da persuasão e da eloquência. Na persuasão ordenam os pensamentos, de tal modo, que os levam a aceitar seus pontos de vista de modo suave, habilidosamente; na eloquência, exaltam o otimismo, o entusiasmo e a vivência no paraíso terrestre, apesar das dificuldades aparentes. Por saberem que a mente humana condiciona-se melhor à afetividade, apelam mais à emoção do que à razão.

Na alegoria do mito da caverna, Platão descortina-nos novos horizontes para entendermos a essência do discurso político. A busca da verdade a que se empenhou o filósofo, fê-lo distinto dos homens que ficaram na caverna. De posse do conhecimento, sente-se na obrigação de anunciá-lo aos que lá ficaram. Temeroso de que não seja compreendido, cria o mito, isto é, atenua a verdade com o objetivo de ser aceito.

A cada nova eleição centenas de candidatos concorrem às diversas vagas disponíveis. Por conseguinte, serão muitos os discursos que teremos de avaliar. De que maneira podemos constatar a veracidade das teses expostas? Observando e fazendo contas. Suponha-se que haja a promessa de construção de casas próprias. Multiplica-se o número oferecido pelo custo de cada uma e compara-se com os recursos disponíveis. Aos defensores da moral, sondar-lhes o passado. E assim por diante.

O instante do voto é o momento propício para a substituição da classe política dirigente. Cada povo tem o governo que merece, diz o anexim. Somos um ente político, portanto com o poder de modificar a nossa sociedade. Reflitamos, pois, ao colocar um x neste ou naquele pretendente. Esta atitude, constante, em todos os eleitores, será suficiente para a mudança radical do quadro vigente. 

Desconfiemos daqueles que prometem "mundos e fundos". A humildade e a simplicidade cabem em qualquer lugar. Procuremos descobrir essas virtudes nas entrelinhas dos discursos. Agindo assim, teremos melhores condições de bem escolher aqueles que irão nos governar.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

 

23 novembro 2009

Argumentando com o Auditório

argumentação presta-se a muitas interpretações. No silogismo, é a apresentação de premissas, cujos raciocínios devem nos levar a uma conclusão. De um modo geral, é advogar em causa própria, justificar comportamentos, condenar ou enaltecer pessoas. Pode ser também o método pelo qual uma pessoa — ou um grupo — intenta um auditório a adotar uma posição, um comportamento. Os argumentos são bons quando nos levam a uma conclusão verdadeira; maus, quando nos afastam da verdade.

Aristóteles, nos Tópicos, tratou a argumentação sob a ótica do raciocínio lógico; na Retórica, como um modo de persuadir o auditório. Nos Tópicos, parte de premissas (conhecimentos certos), que levam a conclusões verdadeiras. Na Retórica, parte de opiniões admitidas, que levam ao raciocínio dialético. Em todo o caso, é sempre em função de um auditório que devemos desenvolver qualquer argumentação.

Embora a teoria da informação utilize a argumentação, o seu objetivo difere fundamentalmente da argumentação propriamente dita. Na teoria da informação, há um emissor, uma mensagem e um receptor. Quer-se apenas transmitir uma mensagem (com lógica ou sem lógica). Na argumentação, a comunicação exige um raciocínio (indutivo ou dedutivo) que conduza a uma conclusão. Nesse caso, o emissor deve convencer o auditório pela boa argumentação.

A argumentação é útil a todos os indivíduos, mas muito mais ao expositor, porque terá que observar o elo de ligação de seu raciocínio para não cair em contradições, ou seja, falar uma coisa e concluir com o seu oposto, com a negação da tese. Observe que isso é muito comum de acontecer na fala natural das pessoas. Elas pregam a fraternidade, o interesse do grupo, mas suas ações caminham para o lado oposto, incitando a desunião.

A verdade é sempre verdade, quer queiramos suportá-la, quer não. Por isso, estejamos sempre abertos para argumentar e contra argumentar, no sentido de fazer emergir uma verdade que estava oculta, submersa. A incompreensão de hoje pode ser a luz do dia seguinte. Lembremo-nos de que todos devem ter tempo para absorver novas verdades. A imposição de ideias não condiz com Espíritos superiores; eles deixam brechas, inspirações, para que o ouvinte tome a sua própria decisão.

Construamos bons argumentos, mas não nos apeguemos demasiadamente a eles. Há casos, em que a fluidez do raciocínio deve prevalecer, para o bom andamento dos negócios.