Mostrando postagens com marcador método de ensino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador método de ensino. Mostrar todas as postagens

21 março 2012

Tentativa e Erro: Método Eficaz de Aprendizagem

Tentativa. Ação pela qual alguém se esforça para obter determinado resultado; ensaio, experiência. Erro. Ação ou efeito de errar. Opinião, julgamento contrário à verdade. Imprecisão, incorreção.

Comecemos por uma imagem, extraída da filosofia. Suponha um indivíduo, sozinho, no meio de uma floresta, procurando uma saída; como está só, não há ninguém para ajudá-lo. Qualquer ação deverá partir dele mesmo. Poderá optar pelo atalho da direita, da esquerda, da frente ou dos fundos. Fará uma tentativa; pensando ter feito uma escolha errada, volta e começa tudo de novo...

O nosso aprendizado deveria se fundamentar nesse método. Primeiramente, acharmo-nos perdidos no meio da floresta. Esforçarmo-nos por resolver a dificuldade usando os nossos próprios recursos. Somente depois, procurarmos o que os outros descobriram no sentido de ampliar a nossa base de dados. O erro é uma ferramenta básica do aprendizado; ele é empírico, dá-nos a visão real da situação, trazendo em si mesmo, os incentivos para o acerto. Por isso, o ditado: “Errando corrige-se o erro”.

O preparo de alimento. Quem teve a ideia de combinar café com o leite, um produto preto com outro branco? Os cozinheiros não fazem o mesmo? Estão sempre misturando produtos distintos para obter uma receita eficaz. Depois de várias tentativas, com os seus consequentes erros, chegam a uma fórmula, a uma receita, que passa a ser produzida em seu restaurante.   

Pesquisa canadense mostra que os adultos mais velhos estão aprendendo mais pelo simples fato de guardar informações a partir da experiência, em vez de recebê-las passivamente. Segundo estudo publicado na edição eletrônica da revista Psychology and Aging. "Aprender da maneira mais difícil acabou sendo a melhor maneira", afirmou a coordenadora do estudo, Andree-Ann Cyr. O cérebro faz associações e vínculos mais ricos se tiver que se esforçar para buscar as respostas. Na aprendizagem passiva, exige-se menos do cérebro, porque a resposta correta simplesmente é dada. (1)

Como estudar O Livro dos Espíritos pelo método da tentativa e do erro? O habitual é ler uma pergunta e, imediatamente, a sua resposta. Façamos diferente: leiamos uma pergunta e escondamos a resposta. Tentemos responder (de preferência por escrito) com nossas próprias palavras. Feito isso, comparemos os nossos escritos com a resposta dada pelos Espíritos. Percebendo que nossa resposta está muito longe daquela dada pelos Espíritos, façamos outras tentativas, até chegarmos a uma aproximação aceitável.  

A montagem de uma palestra deveria seguir este método. Construí-la por tentativas e erros. Nada de pegar algo já pronto e transformá-lo em slides para a projeção em PowerPoint.

(1) http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/idosos-aprendem-melhor-por-tentativa-e-erro

Tudo é calculado usando o método de Cálculo Hipotético Universal de Tentativa e Erro (C.H.U.T.E).

&&&

Método Tentativa e Erro

Há muitas maneiras de resolver os problemas que nos chegam às mãos. A tentativa e erro é um bom exemplo. Temos que ver isso como método e não como passatempo.

Os passos são:

1) Escolher uma operação plausível;

2) Executar a operação com os dados;

3) Verificar se a meta foi alcançada.

Se a resposta ao item 3 for negativa, devemos repetir o processo até que se atinja a meta ou se evidencie a insolubilidade do problema.

O problema: num cercado de porcos e galinhas, uma pessoa contou 18 cabeças; a outra, 50 pernas. Quantos são os porcos?

Poderíamos resolver este problema por meio da equação matemática.

P+G = 18

4P+2G = 50 

Resolvendo: 

P = 18-G

4(18-G)+2G = 50

72-4G+2G = 50

-2G = -22

G = 11 è P = 7

Como resolvê-lo, porém,  sem uso da equação matemática?

Aí é que entra o Método de Tentativa e Erro.

Comecemos pelos extremos:

Porcos

Galinhas

Pernas

18

0

72 (mais)

0

18

36 (menos)

 

Método Aleatório das Tentativas

 

Porcos

Galinhas

Pernas

3

15

42

10

8

56

16

2

68

12

6

60

5

13

46

2

16

70

7

11

50

Não é eficiente, porque demanda muito tempo.

 

Método Sistemático das Tentativas

 

Porcos

Galinhas

Pernas

0

18

36

1

17

38

2

16

40

3

15

42

4

14

44

5

13

46

6

12

48

7

11

50

Poderá gerar muitas respostas, mas dará certo.

 

Método Orientado das Tentativas

 

Porcos

Galinhas

Pernas

Tentativa seguinte

6

12

48

Acrescente porcos

8

10

52

Reduza porcos

7

11

50

Resolvido

 

Podemos imaginar também que todos os porcos estejam sobre duas pernas. 18x2= 36. Faltam 14. Se dividirmos por 2, teremos 7 porcos.

Este método pode ser aplicado no preparo de uma palestra. Embora tenhamos o esquema básico, ou seja, introdução, meio e conclusão, nada nos impede de buscar outras alternativas para a apreensão dos dados, das informações necessárias à compreensão do tema.

Extraído de

WOOD, Larry E. Estratégias do Pensamento: Técnicas de Aptidão Mental. Tradução de Claudia C. Duarte. São Paulo: Círculo do Livro, 1997.

São Paulo, março de 2009.

 

 

 


06 agosto 2009

Métodos de Ensino

Método. Do grego méthodos – “caminho para chegar a um fim”. Processo ou técnica de ensino. O método depende dos propósitos que se tenha, da habilidade do professor ou líder, da disposição do aluno, do tamanho do grupo, do tempo disponível e dos materiais de trabalho. Os mais comuns são:

Preleção. É o método clássico, onde o orador faz seu discurso diante do auditório. Use-o quando vai dar informação, quando os discípulos já estão interessados e quando o grupo é demasiado grande para empregar outros métodos. Vantagens: transmissão de grande quantidade de informações em pouco tempo; pode ser empregado com grupos grandes; requer uso de pouco material. Limitações: impede que o aluno participe contestando; dificulta o poder de retenção; poucos conferencistas são bons oradores.

Dinâmica de Grupo. É a divisão de um grupo grande em diversas equipes. Estas equipes discutem problemas já assinalados anteriormente, geralmente com o propósito de informar depois ao grupo maior. Use-o quando o grupo é demasiadamente grande para que todos os membros participem; quando se exploram vários aspectos de um assunto; quando o tempo é limitado. Vantagens –estimula os alunos tímidos; desperta um sentimento cordial de amizade; desenvolve a habilidade para dirigir. Limitações – pode ser o resultado de um conjunto de deficiência; os grupos podem desviar-se do assunto em questão; a direção pode ser mal organizada.

Debate Orientado. O debate é o método no qual os oradores apresentam seus pontos de vista e falam pró ou contra uma determinada proposição. Use-o quando os assuntos requeiram sutileza; para estimular a análise; para apresentar diferentes pontos de vista. Vantagens – apresenta os dois aspectos de um problema; aprofunda os assuntos em discussão; desperta o interesse. Limitações – o desejo de “ganhar” pode ser demasiadamente enfatizado; requer muita preparação; pode produzir demasiada emoção. 

Outros Métodos:

Maiêutica — método socrático, onde o instrutor desenvolve sua exposição fazendo perguntas aos alunos. Deve-se evitar o pseudo-diálogo;

Cochicho — durante a aula, permitir que pares de alunos conversem sobre o tema em questão;

Brain storming — deixar espaço para a criatividade, onde cada aluno é livre para falar o que quiser, sem medo de reproche;

Exame — é considerado um método, porque permite ao aluno reorganizar a matéria dada.

&&&

Mesa Redonda. É um encontro entre várias pessoas para discutir um tema específico. Durante a reunião, um moderador permite que cada integrante do grupo possa expressar livremente seus pensamentos. Às vezes serve para aprofundar temas; outras vezes pode chegar a conclusões com poder de decisão legal sobre algum tópico importante.

A mesa redonda funciona da seguinte forma: há as pessoas com conhecimento técnico sobre o tema. O coordenador do evento tem a incumbência de iniciar a discussão e apresentar os expositores. Estes geralmente têm um tempo para ler o seu trabalho; depois, segue-se o debate com o público presente. 

 


28 junho 2008

Ver, Julgar, Agir

Ver-Julgar-Agir é um método de ensino. Ele pode ser, tranquilamente, aplicado em grupos pequenos, sejam quais forem os seus objetivos. No que ele consiste? Em exercitar o senso crítico, que é ter plena consciência dos nossos atos. Por quê? Há grupos que se formam somente para a ação; há grupos que se formam apenas para a reflexão. Neste caso, propõe-se a ação fundamentada na reflexão, reflexão esta auxiliada pela aplicação dos ensinos morais trazidos por Jesus Cristo.

O método ver-julgar-agir permite que os grupos tenham uma visão mais acurada da realidade. Muitos grupos arrumadinhos acabam formando quase que um gueto: todos pensam do mesmo modo, sem contradições, o que pode ocasionar o comodismo. Muitos nem sabem o que se passa ao seu redor, nos seus bairros, nas suas escolas, nem qual é o sentimento daqueles que os acompanham diuturnamente. É preciso, pois, quebrar essas amarras do pensamento. Como? Aplicando esse método em tudo o que passar pela nossa cabeça.

Há, na sociedade, muitos dispositivos para nos iludir. A propaganda, na televisão, por exemplo, quer nos vender produtos de que não temos necessidade. Observe com que tintas e com que cores são pintadas as propagandas de cigarros e bebidas. Vende-se a ideia de que, saboreando aquela bebida ou aquele cigarro, seremos pessoas importantes, teremos o nosso automóvel, conquistaremos parceiros ou parceiras bonitas e tudo o mais. Aí está a falsa realidade que precisa ser repensada.

Educação, como é comentada nos meios acadêmicos, pode tomar dois rumos bem diferentes: a) como "recipiente vazio"; b) como libertadora de consciência. Na educação tipo "recipiente vazio", também chamada "educação bancária", porque ela funciona como uma conta bancária, em que se deposita e saca-se dinheiro, não há manuseio das informações. Há o professor que explica e o aluno que aprende. Na educação libertadora, tanto o aluno quanto o professor aprendem.

Na educação para a liberdade, os alunos também ensinam. Observe que a tese espírita muito concorre para essa percepção. Segundo o Espiritismo, o Espírito já viveu muitas vidas. A idade física não tem muita relação com a idade intelectual e moral. Se um Espírito fez progressos em encarnações passadas, ele pode perfeitamente estar matriculado como aluno numa sala de aula, mas possuir mais conhecimento do que o professor que o ensina, de modo que ele, com sua experiência de outras vidas, pode também ser útil à propagação do ensino.

Olhemos tudo com muita atenção, procurando exercitar o juízo crítico, não de crítica. Posteriormente, lembremo-nos de colocar em prática o que foi exaustivamente refletido. Este é o método por excelência.

Fonte de Consulta

BORAN, J. O Senso Crítico e o Método Ver-Julgar-Agir: Para Pequenos Grupos. São Paulo: Loyola, 1971.

 

26 junho 2008

Aprendizagem e Memorização

Aprendizagem significa a aquisição de conhecimentos e habilidades. Em Psicologia, fala-se em mudança de comportamento, em reagir de forma diferente a uma situação por causa de uma resposta pretérita à situação. As atividades dos psicólogos da aprendizagem baseiam-se em: o experimento de Pavlov (reflexo inato e condicionado); a aprendizagem por ensaio-e-erro, a aprendizagem por impulsos adquiridos, a aprendizagem por recompensas secundárias. Há, inclusive, a discussão sobre o estímulo-resposta com reforço e o estímulo-resposta sem reforço.

A memória é a retenção de informações. Para que ela exista, o Sistema Nervoso deve ser capaz de "voltar a criar" em nível posterior (ulteriormente) o mesmo padrão espacial e temporal do estímulo no Sistema Nervoso Central. A memorização é tão importante que Simonides, na Antiguidade grega, já nos falava em associar os conhecimentos com as imagens de uma casa. O aprendiz deveria relacionar cada novo conhecimento a um compartimento da casa. Quando dele precisasse, era só vasculhar esse compartimento. É como uma ficha que se tira de um fichário.

O que leva uma pessoa a aprender? Há necessidade da memória? Em que ela ajuda ou atrapalha a aprendizagem? A relação memória-aprendizagem necessita de uma reflexão. Há indícios de que o excesso de memória atrapalha o bom uso da inteligência. É o caso do médico que tinha dificuldade de prescrever a receita, em virtude de sua estupenda memória. Diz-se, em termos religiosos, que devemos tirar muitas coisas de nossa memória, no sentido de cedermos espaços às outras informações, mais condizentes com as nossas necessidades de progresso espiritual.

De acordo com estudos psicológicos, deve-se tentar rememorar um assunto tão logo ele se nos apresente aos olhos e aos ouvidos. Isso faz-nos aplicar um fluxo energético ao que o nosso cérebro achou importante enfatizar. Se assim não fizermos, vamos acumulando tantas informações que não seremos capazes de selecionar aquelas que servem para o nosso propósito na vida. Em outras palavras, o excesso de informações prejudica a atenção e a concentração. 

Há uma fórmula — SQ4R —, que vem do inglês, e nos ajuda a memorizar. S, de survey (pesquisa), Q, de questions (perguntas), R, de read (ler), R, de recall (recordar), R, de repeat (repetir), R, de review (rever). Aplicando-a em nosso dia-a-dia, poderemos ter uma memória bem robustecida. A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Exercitemos a nossa memorização. Escolhamos, porém, aquilo que condiz com a necessidade peremptória de nosso espírito imortal.

 

09 junho 2008

Professor Emancipador

A relação ensino-aprendizagem é sempre nova: não há métodos, fórmulas e técnicas definitivos para ensinar, pois em cada um deles sempre encontramos aspectos positivos e negativos. A postura, a sagacidade e o carisma do professor também exercem bastante influência nessa relação. Entretanto, poderíamos perguntar: quando o professor ensina, o aluno realmente aprende? Pode haver ensino sem aprendizagem? E aprendizagem sem ensino, sem um professor? O que significa a palavra ensinar? E a palavra aprender? Rancière, em seu livro, O Mestre Ignorante, discute essa relação à luz da crítica filosófica.

O Maître Ignorant conta a história de um professor emancipador, Josep Jacotot, quem, em 1818, enfrenta uma situação inusitada: seus alunos falam uma língua que ele desconhece (flamenco) e eles desconhecem a língua que ele fala (francês). O problema apresentado: como se comunicar sem signo? Contorna-o, porém, com a ajuda de um intérprete. Ao final, consegue que seus alunos aprendam por si mesmos a falar e escrever em francês. Conclui que os alunos aprenderam por si mesmos, mas não sem a presença de um professor. Daí, a dúvida: explicar é ensinar?

Diante desta questão, Rancière elabora a sua crítica da razão explicadora. Para ele, a explicação é a “arte da distância” entre o aprendiz e a matéria a aprender, entre o aprender e o compreender. A função do professor é diminuir essa distância; contudo, observa que a explicação, em vez de diminuir, aumenta a distância, e por várias razões, entre as quais, citamos: 1) o autoritarismo do professor explicador que sabe em relação ao aluno que não sabe; 2) o embrutecimento que decorre da explicação, pois tanto o professor quanto o aluno não se exercitam na emancipação do saber.

Rancière critica também o socratismo. O livro Menon, em que Sócrates ensina um caminho do saber ao escravo, é o seu ponto de referência. De acordo com Rancière, Sócrates embrutece o escravo, embora a sua ação se revista de uma aparência libertadora. Sócrates não estimula o escravo a buscar o saber por si mesmo, apenas permite que este chegue até onde Sócrates sabe. Em seus diálogos, Sócrates diz nada saber, mas quando formula as questões, ele quer que o interlocutor chegue até onde ele sabe. O mestre emancipador vai além da transmissão do conhecimento: permite que o aluno aprenda algo que não sabia no início da relação pedagógica.

O ato de ensinar deve ter como princípio a igualdade das inteligências. Ao admitirmos que, quanto ao pensar, todos somos iguais, estaremos respeitando tanto a nossa quanto a inteligência do nosso próximo. Com isso, todos estaremos mais capacitados para a obtenção do conhecimento, venha de onde vier. Se, ao contrário, supusermos que ensinar tem a ver com explicar, então estaremos embrutecendo e embrutecendo-nos, porque estaremos submetendo os outros às nossas explicações.

O professor emancipador deve ter em mente que todos aprendem pela experiência. Assim, convém que ele esteja sempre propiciando experiências de aprendizado aos seus alunos. Nada de trazer a resposta pronta. Cada qual que a busque por si mesmo.

Fonte de Consulta

KOHAN, Walter Omar. Sobre o Ensinar e o Aprender... Filosofia. In PIOVESAN, Américo et al. (org.). Filosofia e Ensino em Debate. Rio Grande do Sul: Unijui, 2002. (Coleção Filosofia e Ensino, 2).