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22 novembro 2025

O Cérebro e o Mundo Audiocentrado

O cérebro, composto por bilhões de neurônios, é um órgão que atua como a central de controle de todas as funções vitais, movimentos, pensamentos, emoções e memória. Sendo o centralizador dos sinais recebidos, pode se adaptar com facilidade. Seu lado mecânico: recebe e interpreta sinais do ambiente e envia mensagens para o resto do corpo. Nesse sentido, ele pode se tornar preguiçoso (lei do menor esforço). Forçando-o a novos desafios, ele também vai se tornando mais produtivo.  

O mundo audiocentrado refere-se a uma perspectiva cultural e social que coloca a audição e a comunicação oral como o sentido e o meio de interação predominantes e superiores. A voz, a imagem e o vídeo tornam-se os meios de comunicação em detrimento da escrita. Ao dar ênfase na audição, podem marginalizar ou desvalorizar a cultura e as sociedades das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

28 junho 2008

Ouvir os Outros

Segundo Ralph G. Nichols e Leonard A. Stevens "A eficácia da palavra falada não depende tanto do modo como as pessoas falam, mas principalmente de como elas escutam". Podemos afirmar, sem medo de errar, que a maioria dos seres humanos não sabe ouvir corretamente. Entre tais desvios da audição encontra-se a falta de tolerância para com as necessidades de expressão do interlocutor. Quando lhe fechamos os ouvidos, além de sermos injustos, não lhe concedemos o respeito que merece como ser humano.

Fomos educados para a leitura e não para a audição. Se tomarmos qualquer unidade escolar – do primário ao doutorado –, verificaremos que a educação está centrada na leitura. Esquecemo-nos de que ¾ da nossa vida de relação se processa através dos ouvidos. A palavra nos vem por intermédio do rádio, da televisão, da conferência, da aula. Se todos os empregados de uma empresa fossem bons ouvintes, não haveria necessidade de tantos papéis circulando em forma de memorando.

Qual o principal entrave à audição? De acordo com alguns estudiosos do assunto, a grande dificuldade está em ajustar a velocidade do pensamento com a velocidade das palavras articuladas. A velocidade média com que as pessoas falam é aproximadamente 125 palavras por minuto. Pergunta-se: enquanto estamos ouvindo, o que estão fazendo as bilhões de células do nosso cérebro? Observe que o tédio surge justamente quando temos de ouvir algo e não sabemos o que fazer da audição, ou quando não sabemos adaptar o fluxo de informações com o fluxo do pensamento.

Como ouvir melhor? Há alguma regra? A principal delas é ajustar o pensamento às palavras recebidas. Ao falarmos, transformamos o pensamento em palavras; ao ouvirmos, fazemos o contrário, ou seja, transformamos as palavras em pensamento lógico. Em virtude do nosso interesse e dos nossos filtros emocionais, a quantidade de informações armazenadas em nosso cérebro acaba sendo irrisória. Isto porque só admitimos a entrada daquilo que afirma nossas próprias convicções. O que nos contraria é eliminado logo de entrada.

Quais são os ganhos de sermos bons ouvintes? Primeiramente, haverá maior eficácia na comunicação, pois todos os interessados ficam concentrados no tema. Em segundo lugar, aproveitaremos melhor o tempo, pois não faremos crítica de imediato, esperando o término da exposição para tal mister. Quando nos exercitamos em ouvir bem, o nosso pensamento antecipa as palavras que o interlocutor irá proferir. Além do mais, estando com a mente aberta podemos, de vez em quando, fazer um resumo mental do que o orador disse e com isso nos mantermos focalizados no objeto da discussão.

Esforcemo-nos por ouvir coisas que nos contrariam. Esta atitude mental amplia sobremaneira a nossa capacidade de tratarmos racionalmente os problemas que nos visitam. Tornamo-nos mais flexíveis e cônscios de que os outros também pensam e têm as suas razões.

Fonte de Consulta

HARVARD BUSINESS REVIEW. Comunicação nas Empresas. Tradução por Marylene Pinto Maciel. Rio de Janeiro: Campus, 2001 (Harvard Business Review)

 


26 junho 2008

Educar os Ouvidos

"Dois olhos, dois ouvidos, só a boca que não tem par. Por isso, é mais prudente ver ouvir do que falar".

Ouvir é solidarizar-se com o próximo, é prestar o devido respeito à sua personalidade. Quem ouve pratica a caridade dos ouvidos, pois os empresta a quem fala. A caridade de ouvir, porém, deve ser espontânea, fazendo parte do desenvolvimento integral do ser humano. Reflitamos sobre a arte de ouvir, muito esquecida nos dias que correm.

Ouvirmo-nos mutuamente é um aprendizado constante. As escolas ainda não perceberam essa verdade, pois dão mais ênfase ao ler (usar os olhos) do que ao ouvir. Esquecemo-nos de que passamos muito mais tempo ouvindo do que falando. E, mesmos sozinhos, estamos ouvindo a voz de nossa consciência, que é como algo que fala ao nosso ouvido, ao nosso cérebro. É na alteridade que os seres humanos se complementam. Assim, podemos aprender muito ouvindo o trabalhador braçal, o arquiteto e também o homem religioso.

Aristóteles, em sua Metafísica, deu muita importância ao olhar, mas não se descuidou do ouvir. J. Grimm, por sua vez, afirma que "O olho é um senhor, o ouvido um escravo, aquele olha em redor, para onde ele quer, este acolhe o que a ele é levado". Daí, a tirania do olhar desenvolvida no ocidente. A religião, ao contrário, procurou atingir os ouvidos dos seus fiéis. Observe que Martinho Lutero, bem como todo o movimento protestante posterior, enfatizou a dimensão do ouvir a palavra em oposição à veneração e contemplação da imagem.

O ouvido é a porta de entrada às orientações espirituais. Para captarmos, porém, as vozes dos Espíritos superiores, há um requisito básico: fazermos silêncio interior e exterior. Pergunta-se: como os Espíritos de luz podem se comunicar conosco, se permanecemos o tempo todo presos às necessidades materiais da subsistência física? É preciso reservar alguns minutos do nosso precioso tempo para o cultivo de nossa vida espiritual. Para tanto, convém escolher dia e hora, mantendo-os disciplinadamente.

Uma amizade deve ser regrada pelo ouvir e pelo falar. Muito mais pelo ouvir. Por que? Quando ouvimos o outro, criamos uma empatia, que é "entrar dentro do outro", "sentir as suas emoções". A simpatia (união das emoções) e a antipatia (oposição das emoções) não auxiliam muito, porque deturpam o verdadeiro sentimento, ora influenciado pelo otimismo exagerado, ora pelo pessimismo perverso. Cabe-nos, no exercício do ouvir, eliminar paulatinamente os dogmas e os preconceitos.

Ouçamos atentamente o que o nosso irmão tem a nos dizer. Ele não foi colocado em nosso caminho por acaso. Percebamos, antes, o tipo de ensinamento ele está nos transmitindo.

 

 


Por que Ouvimos Mal?

A audição está relacionada com a atenção. Embora a palavra atenção contenha certa ambiguidade, ela pode ser expressa em sentido periférico ou dirigido. Em sentido periférico, somos passíveis de ouvir todos os sons que nos rodeiam; em sentido dirigido, só captamos aquilo a que a nossa mente atentar. Assim, a atenção dirigida pode ser também interpretada como uma atenção concentrativa.

Ouvir é um ato consciente, é a renúncia do "eu", é um esforço infatigável da vontade. Ouvimos mal porque não colocamos as sentinelas do interesse naquilo que estivermos fazendo, porque não damos o devido respeito ao próximo, porque nos julgamos superiores a tudo e a todos. Como estamos sempre centrados sobre o nosso projeto de vida, os nossos pensamentos e a nossa maneira de ser, nosso primeiro impulso é falar sobre estes temas e não o de ouvir o próximo. Ouvi-lo faz-nos perder tempo, e raciocinamos da seguinte forma: eu é que sei; o outro não sabe nada.

Preconceito é um tipo de juízo que afeta negativamente a nossa audição. Pré-conceito significa formar um conceito antecipado das coisas. Como o nosso cérebro possui um dispositivo que faz parecer ouvir quando nada ouvimos, podemos estar imersos em nós mesmos dando a impressão que estamos ouvindo o outro. Muitas vezes somos parecidos aos homens que Platão colocou dentro da caverna: olhamos apenas nossas sombras e não somos capazes de perceber as luzes do outro, daquele que saiu ao Sol. É que a estima própria dificulta olharmos os outros como eles realmente são.

A preocupação também dificulta a boa audição. Por que? Observe que a palavra preocupação, que significa prender a atenção, é uma ocupação antecipada à própria ocupação, por isso pré-ocupação. Assim, se nossa mente estiver envolta com os problemas do desemprego, da doença, do mau relacionamento no lar e da falta de dinheiro, convém nos retirarmos, buscarmos a solidão e o silêncio, para não faltarmos com devido respeito ao outro. Lembremo-nos de que toda a preocupação é intermitente. Cicatrizada a ferida, estaremos novamente aptos para melhor ouvir o nosso interlocutor.

Numa palestra, a fala e a audição devem estar em perfeita harmonia. Se estivermos na qualidade de ouvintes, esforcemo-nos por manter a mente absorta no que nos estão comunicando, quer soe bem ou mal aos nossos ouvidos; na qualidade de oradores, chamemos a atenção do ouvinte e procuremos manter acesa a chama do seu interesse. Sabedores de que a mente se distrai a cada 5 minutos, convém estarmos constantemente modificando o timbre de voz, o ritmo do discurso e as posturas das expressões corporais.

Por fim, atentemos para o grande ensinamento contido nesses pequenos versos: "Dois olhos, dois ouvidos, só a boca que não tem par, por isso é mais prudente ver e ouvir do que falar".

Fonte de Consulta

PENTEADO, J. R. W. A Técnica da Comunicação Humana. São Paulo, Pioneira, 1964.

 

 

A Arte de Calar

A arte de calar não é um tratado de recolhimento ou de êxtase: visa, paradoxalmente, a falar bem, o que se traduz em comunicar aos semelhantes coisas dignas de serem ouvidas, ou seja, assuntos relacionados à virtude, à sabedoria e à utilidade prática da vida. A arte de calar convida-nos a "governar" a língua, concedendo-lhe apenas a "liberdade moderada", no sentido de melhorar a eloquência muda do corpo e do rosto.

Ouvimos mal porque não colocamos em prática os preceitos da sabedoria, que primeiramente traduz-se em saber calar; em segundo lugar, em saber falar pouco e moderar-se no discurso; em terceiro, em falar muito sem falar mal e sem falar demais. Ouvimos mal porque raramente nos lembramos da frase evangélica que diz: "Os que têm ouvidos de ouvir, ouçam". Ouvimos mal porque o nosso silêncio é interesseiro, zombeteiro e dissimulador: estamos sempre maquinando coisas para ludibriar, enganar ou passar por cima de nosso interlocutor.

Alguns princípios necessários para calar: 1) só se deve deixar de calar quando se tem algo a dizer que valha mais do que o silêncio; 2) há um tempo de falar, assim como há um tempo de calar; 3) o tempo de calar deve vir em primeiro lugar, e nunca se pode bem falar quando não se aprendeu antes a bem calar; 4) há menos riscos em calar do que em falar; 5) quando se tem uma coisa importante para dizer, deve-se prestar a ela uma atenção muito especial: é necessário dizê-la a si mesmo, e depois de tal precaução, voltar a dizê-la, para evitar que haja arrependimento quando já não se tiver o poder de voltar atrás no que se declarou.

Escrevemos mal porque escrevemos coisas inúteis e muito longamente as melhores coisas. Esse é o defeito de autores pouco judiciosos que não sabem decidir nem escolher matéria que seja de utilidade. É o caso dos escritores de romance, de anedotas. Eles perdem grande tempo compondo as suas histórias, para que nós, depois, também perdemos o nosso ao lê-las. Na realidade, deveríamos delimitar o que escrevemos; o defeito da extensão é porque não empregamos tempo necessário para limitar, riscar, suprimir e reduzir na justa medida a matéria que temos em mãos.

Alguns princípios necessários para se explicar pelos escritos e pelos livros: 1) só se deve deixar de deter a pena quando se tem algo a escrever que valha mais do que o silêncio; 2) há um tempo de escrever, como há um tempo de deter a pena; 3) não há mais mérito em explicar o que se sabe, do que em calar o que se ignora; 4) a reserva em escrever muitas vezes passa por sabedoria em um tolo e por capacidade em um ignorante; 5) mesmo que se tenha propensão a deter a própria pena, sempre se deve desconfiar de si mesmo; e para impedir a si mesmo de escrever alguma coisa, basta que se tenha muita paixão por escreve-la.

"O silêncio é de ouro e a palavra de prata", diz o anexim. Saibamos moderar o nosso verbo, a fim de que as palavras que saírem de nossa boca ou do nosso punho sejam sempre para estimular, enaltecer, incentivar e nunca para destruir aqueles que convivem conosco.

Fonte de Consulta

DINOUART, Abade. A Arte de Calar. Tradução por Luís Filipe Ribeiro. São Paulo, Martins Fontes, 2001. (Coleção Breves Encontros)

 


A Arte da Audição

Passamos a maior parte do nosso tempo ouvindo: rádio, televisão, palestras, aulas etc.; a sós, ouvimos a voz do nosso pensamento; ao falarmos em público, quem primeiro ouve são os nossos ouvidos. Mas, será que sabemos ouvir ativamente? Nossa atenção afasta-se, constantemente, do orador? Temos largos períodos de "sonhos acordados"? Conseguimos nos lembrar de muitas coisas que nos foram ditas?

Algumas experiências americanas sugerem que a velocidade do pensamento é quinhentas vezes maior do que a velocidade da fala (125 palavras por minuto). Como o pensamento é mais rápido do que a fala, surgem os "devaneios", a "fuga" e os "sonhos", que são o preenchimento do intervalo de tempo entre a fala e a audição. Para racionalizar esse hiato de tempo, convém reeducar os nossos hábitos de leitura e de audição. Nesse contexto, a fórmula para ouvir (S-I-O-A) é bastante pertinaz.

A fórmula (S-I-O-A) significa: Sintoniza – Informa – Ouve – Avalia. Antes de assistirmos a uma palestra, devemos sintonizar-nos com o título e com o comprimento de onda do orador. Enquanto o orador estiver falando, convém ir anotando questões, para serem respondidas durante a exposição. Não sejamos um "semi-ouvinte", mas um "ouvinte ativo", em que o expositor fala conosco e não para nós. Por fim, façamos uma avaliação do que foi dito, analisando os prós e os contras, e formulando publicamente a pergunta que não foi respondida durante o discurso.

Essa técnica não é novidade uma vez que a fazemos inconscientemente. O propósito é torná-la consciente em nossos atos do cotidiano. Como acontecem com a maioria de nossos hábitos, eles vão acomodando-se, caem no esquecimento e diminuem a nossa produtividade intelectual. Convém estar sempre lembrando e envidando novos esforços de aprendizagem para que se fixem indelevelmente em nossos Espíritos.

A audição para ser eficaz tem de ser ativa. Depois de entrarmos em contato com o padrão vibratório do orador, devemos concentrar-nos exclusivamente no conteúdo do tema, colocando o nosso pensamento um pouco à frente do que irá dizer. Estar inteiro naquilo que estiver fazendo, é uma verdade fundamental que jamais podemos perder de vista. É que espiritualmente ouvimos por todo o nosso ser e não somente pelos ouvidos materiais. Nesse sentido, muito auxiliam o desprendimento das preocupações e dos problemas de ordem material.

Tomemos consciência de nossa forma de ouvir. Não admitamos que os nossos ouvidos estacionem nas coisas negativas. Vejamos sempre o lado bom do acontecimento.

Fonte de consulta

O'MEARA, P., SHIRLEY, D. e WALSHE, R. D. Como Estudar Melhor. Lisboa, Editorial Presença, 1988.