26 junho 2008

Argumentação Científica

O imaginário e o real fazem parte do nosso universo de valores. Dizemos que a Ciência é positiva, isto é, que ela se baseia exclusivamente nos "fatos" ou nos "experimentos". A Física, por exemplo, é separada da Metafísica e da Teologia, a fim de ser pensada logicamente. Mas, como separar o físico de suas concepções de vida?

A argumentação científica fundamenta-se na formulação e na comprovação das hipóteses, através da "experimentação". Procede-se indutivamente, fazendo-se um corte na realidade, no intuito de aprofundar a compreensão do seu objeto de estudo. Alguns biólogos poderão interessar-se pela explicação da origem da vida; alguns físicos, pela propagação da luz; alguns economistas pela distribuição de renda. As informações coletadas e testadas estatisticamente adquirem caráter de teoria transformando-se em paradigmas das respectivas ciências.

Para elaborarmos corretamente a ciência, devemos agir à semelhança do cientista anárquico. Para ele, tudo vale; além disso, está sempre fortalecendo o argumento fraco. Utiliza-se a contra-indução, que é o processo de rejeitar aquilo que já foi provado. Nesse sentido, destaca aqueles pontos em que não houve adequação exata entre a realidade e a teoria. Estuda-os com o devido cuidado, a fim de chegar ao verdadeiro conhecimento que os fatos revelam.

A defesa das causas perdidas é uma postura que auxilia o nosso poder de argumentação. Empenhando-nos denodadamente na perquirição dos fatos adversos, penetraremos no âmago da pureza científica. Desta forma, seremos advertidos contra os falsos profetas. O verniz do sensacionalismo passa, mas a essência da verdade fica, no fundo, como um farol para a eternidade.

Falar não significa argumentar. Às vezes, desejosos de aparecermos em público, tecemos comentários e mais comentários. Contudo, não chegamos a pensar; simplesmente expressamos pensamentos. Uma reação consciente ao que está acontecendo no "aqui e agora" tem mais valor do que toda a tagarelice mental. Assim, vigiemo-nos constantemente, para não sermos vítimas dos desmandos intelectuais.

Argumentar não é tarefa fácil. Geralmente expressamo-nos tais quais os "mortos-vivos" e, depois, queremos ser aureolados como se fôssemos os grandes formadores de opiniões. Cuidemos, pois, de entrar pela porta estreita porque larga é a porta da perdição.

Fonte de Consulta

FEYERABEND, P. Contra o Método. Rio de Janeiro, F. Alves,1977.

São Paulo, 04/10/1995

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