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26 junho 2008

O Indivíduo e o Grupo

Um grupo deve decidir tudo por unanimidade. A votação nem sempre mostra o consenso. É preferível discutir mais e esperar por uma oportunidade melhor do que impor um ponto de vista, pois isto fere a suscetibilidade das pessoas. Para obter a unanimidade, os membros do grupo devem fazer concessões, ou seja, os mais fortes devem diminuir o ímpeto de monopólio e os mais fracos esforçar-se por mais espaço nas discussões e debates. A formação de grupo-análise, uma espécie de feedback do comportamento, ajuda sobremaneira a participação consciente do indivíduo no grupo.

Todo o indivíduo é sumamente importante para o grupo. É um erro grave deixar alguém marginalizado, porque destrói a natureza humana. A relação entre o indivíduo e o grupo pode ser comparada ao átomo social, ou seja, o tecido de relações do indivíduo com as outras pessoas. Nesse sentido, o lixeiro e o Presidente da República, embora exerçam funções distintas, cooperam para o equilíbrio socioeconômico de um país. Fazer parte de um grupo não é ter o nome listado numa ata, mas contribuir assiduamente com ideias e ações concretas.

Participar de um grupo é comprometer-se com aquilo que foi decidido. E uma vez tomada uma decisão – após as devidas considerações – não violar a regra, sob pena de mexer na unidade preestabelecida. Um grupo coeso exige de seus membros respeito a suas normas, fidelidade a seus objetivos, estima mútua e espírito de sacrifício. Nesse caso, após uma iniciação, que é a área de segredo do grupo, todos devem carregar a sua bandeira, ou seja, defender ardentemente o que foi proposto e aceito.

“Não há líder, há liderança”. A liderança é a permissão que um grupo autônomo dá a cada um de seus membros para assumir a regulação do conjunto (coordenação do grupo) na ocasião em que a situação corresponde às aptidões específicas de cada um deles. Esse tipo de liderança é denominado de liderança emergencial, para significar que a emergência faz o líder. Não há sentido falar de qualidades naturais de um líder: só a circunstância dirá que membro do grupo, naquela ocasião, é o mais indicado para assumir a liderança. Em cada momento, a liderança se corporifica em cada um dos membros do grupo.

Os que se intitulam líderes naturais devem, portanto, revisar este conceito. Quem sabe não estão fazendo o papel de caudilhos, condutores e chefetes, uma vez que não permitem que a suposta liderança transite pelos membros do grupo? Eles esquecem-se de que a escolha do líder emergencial, em geral, é unânime, espontânea e sem discussão, como se o grupo tivesse tido um insight: parece que todos os membros deslocam os seus olhares para uma única pessoa.

Estamos nos preparando para assumir a liderança emergencial? E se formos indicados para desempenhar uma função de comando, em que se exige muita responsabilidade? Aceitaremos o cargo (e o encargo) ou deixaremos para os outros?

Fonte de Consulta

LIMA, Lauro de Oliveira. Treinamento em Dinâmica de Grupo: No Lar, na Empresa, na Escola. 2.ed., Rio de Janeiro: Vozes, 1970.


Grupo: Pontos Fortes e Fracos

O estilo de vida de uma pessoa nada mais é do que o seu comportamento, a sua confissão pública. O estilo pode ser caracterizado pelos hábitos de escolha, pela maneira de se vestir, pela organização de acontecimentos, pelos tipos de tomada de decisões, pelo modo de se relacionar com chefes e subalternos. O estilo é o orientador da vida e da conduta, induzindo, inclusive, que outras pessoas possam até prever o tipo de reação que este ou aquele terá diante de um problema, de uma dificuldade e de um relacionamento qualquer.

A formação de um grupo de trabalho coeso requer a diversidade de estilos. Há casos de empresas que quiseram contratar somente as melhores cabeças, e acabaram tendo problemas porque, sendo todos de temperamento forte, ninguém ocupava os lugares que exigiam pessoas de temperamento mais fraco. Quando uma pessoa excessivamente técnica se une a uma pessoa excessivamente vendedora, o resultado pode ser muito promissor. As qualidades que faltam em um é compensada pelas que sobram no outro. Um grupo eficiente é aquele em que os seus líderes sabem distribuir adequadamente as oportunidades para todos os participantes.

Compararmo-nos aos outros pode ser um erro fatal. Geralmente vemos nos outros a força, e querendo nos igualar a eles, acabamos aumentando as nossas fraquezas, fazendo surgir, inclusive, o complexo de inferioridade. O correto não é nos voltarmos para as nossas fraquezas, mas imaginar a nossa força aumentando cada vez mais. Observe que o princípio do ensino-aprendizagem fundamenta-se na atualização das virtualidades inscritas na consciência do ser.

O respeito mútuo é uma das condições mais essenciais para o trabalho em equipe. Por respeito mútuo, entendemos a maneira como nós tratamos o próximo. É preciso ter sempre em mente a máxima evangélica de “fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito”, caso estivéssemos no lugar deles. Esta máxima aplica-se a todo e qualquer tipo de relacionamento. Não é apanágio de uma religião ou de tópico de mudança comportamental. É uma norma para uma conduta mais ética e eficaz.

O outro deve sempre ser valorizado naquilo que ele tem de melhor. Por pior que seja o seu ponto fraco, criar condições para que possa desenvolver o seu ponto forte. Nesse sentido, não é conveniente dizer que alguém é um zero à esquerda, que não serve para nada, que é um bronco. Antes, porém, verifiquemos o que ele tem de bom; depois, motivemo-lo a desenvolver ainda mais essas qualidades. Esse modo de agir cria o que se chama de sinergia, ou seja, a energia do grupo é maior do que a soma das energias de cada pessoa.

Tomar consciência do que esteja acontecendo com o grupo. Fortalecer o processo através de conversação e discussões amigáveis, onde seja fácil fazer um feedback, tanto positivo como negativo.

 

Grupo e Oposição

Os grupos constituem-se, têm uma dada duração e se desfazem. Do mesmo modo que o indivíduo, cada agrupamento é único e, por isso, deve ser tratado diferenciadamente. Uns são apáticos, outros antipáticos e poucos amadurecidos.

Os opositores são fatores positivos. Nenhuma ideia nova é aceita com facilidade. De qualquer forma, a comunicação do pensamento obriga-os a discutir o assunto. Estando na qualidade de chefe, convém analisar imparcialmente as objeções dos comandados. Quase sempre eles têm razão, mas nem tudo pode ser atendido, principalmente, quando se foge aos fins propostos. Nesse caso, devemos manter-nos inflexíveis, mesmo correndo o risco de ficarmos sós.

Nas situações críticas do grupo, devemos levar em conta os princípios da ação. Convém, assim, colocarmo-nos diante das seguintes questões: de que se trata? O que realmente está em jogo? São os interesses próprios? Os do conjunto? Quando agimos exclusivamente para o proveito pessoal, o grupo se ressente e torna-se rebelde. Todavia, se atuarmos em benefício de todos, desinteressados e ardentes, eles ficarão nossos amigos.

Jamais perder de vista a finalidade. A maioria de nós age em função da utilidade. Por isso, confundimos os meios com os fins. Nesse sentido, o pensamento deve se situar além da técnica. Às vezes, os participantes de um agrupamento se metem em discussões acaloradas sobre o como fazer. Não nos importemos, porque o tempo tudo resolve.

As árvores são reconhecidas pelos seus frutos. Importa-nos trabalhar na edificação de almas compenetradas de si mesmas. Alguns grupos não oferecem dificuldades, mas, também, nada produzem; outros, são rebeldes e criam problemas, contudo fornecem boas obras à sociedade. Não devemos ter preferência por este ou por aquele. Reagirmos plenamente e a "fundo" ao que está ocorrendo "aqui e agora", tem mais eficácia.

A educação de almas não é tarefa fácil. Para que tenhamos bom êxito, devemos sondar-lhes o íntimo, tomando consciência das suas dificuldades. Depois, esquecendo-nos de nós mesmos, trabalharmos arduamente pela melhoria da humanidade

Fonte de Consulta

LEBRET, L. J. Princípios para a Ação. 4. ed. (revista e aumentada), São Paulo, Duas Cidades, 1961.

 

10 junho 2008

Discussão em Grupo

Muitos grupos se formam espontaneamente. Todos, contudo, têm como objetivo chegar ao consenso sobre determinado assunto, sobre determinada matéria. Um aluno de filosofia certa feita fez o seguinte comentário: “O objetivo de cada advogado é ganhar a causa, quer ele tenha a verdade quer não, ao passo que o objetivo de cada filósofo é chegar à verdade, quer ele ganhe o argumento quer não”. Significa dizer que a filosofia não é um processo antagônico como dois advogados (o de acusação e o de defesa). Em filosofia, quando se debate, busca-se a verdade e nada mais.

A discussão, quando a palavra é dada livremente a todos, pode caminhar para uma situação confusa. Alguém sempre tende a monopolizar a palavra e achar que as suas ideias são as mais sábias e devem ser impostas ao grupo. Em outra ocasião, os participantes acabam fugindo do tema proposto. Às vezes há um enorme atropelo de palavras, pois todos querem falar ao mesmo tempo e ninguém deixa o outro terminar o seu raciocínio. Com isso, cria-se uma tensão exagerada no grupo, propiciando o enfraquecimento e a deterioração do mesmo.

O controle de uma reunião, em que haja pessoas com temperamentos fortes, não é tarefa fácil. Mas, quando o facilitador da reunião tem consciência do que está acontecendo no grupo, ele não agirá de modo a querer que as coisas sucedam como ele quer. Ele ruminará em sua mente a atuação de cada um, verificará o grau de responsabilidade que lhe cabe e aquele que cabe aos membros do grupo. Só o fato de meditar sobre isso, a sua mente se aclarará sobre o fato e poderá conduzi-lo a uma liderança eficaz. Forçar para que aconteça deste ou daquele jeito é o menos produtivo.

Parar uma discussão e fazer um feedback em que todos os envolvidos possam expressar livremente o que pensam, é uma boa técnica. Nesse mister, é interessante que haja vozes dissonantes, ou seja, aquelas que nos falam a verdade, mesmo que isso venha nos ferir o orgulho. É preferível ter no grupo pessoas autênticas, aquelas que nos criticam, aquelas que nos desafiam o brio, do que aquelas que nos bajulam de frente, para nos atacar pelas costas.

Ouvir crítica alheia é uma virtude. À primeira palavra que nos desagrade, o nosso ímpeto é reagir. Se não gostamos da pessoa que falou, queremos logo eliminá-lo do convívio do grupo. As técnicas de liderança, contudo, exigem outra postura. Na qualidade de líder temos que saber ouvir. É ouvindo as partes que se chega a um consenso do todo. O grupo é o todo. O trabalho do líder é fazer com que todos os envolvidos sejam exercitados a tomar consciência de que eles fazem parte desse todo. Procurar outro grupo não resolve o problema. É junto às pessoas, daquele grupo específico, que resolveremos as nossas desavenças.

Não nos preocupemos com o aparente mal-estar. Tenhamos confiança nas pessoas, entendendo que todo o acontecimento tende para um equilíbrio. O ser humano tem uma extraordinária capacidade de se adaptar às circunstâncias.