21 outubro 2005

O Orador e o Tédio

Tédio - do latim taedium significa aborrecimento, fastio, nojo, desgosto. O tédio surge quando há informação a menos devido ao desinteresse ou à falta de compreensão, e quando esta situação não se pode eliminar. Nessa altura, a atenção vira-se para o decurso do tempo na consciência, enquanto, por outro lado, nem sequer pensamos no tempo quando algo é interessante.

tempo é uma variável de difícil mensuração. Deve-se levar em conta o tempo cronológico ou o tempo vivencial? Observe que em termos do tempo vivencial, uma pessoa de quarenta anos pode ter vivido mais do que uma de oitenta. O tempo surge quando não sabemos o que fazer dele. É precisamente nesse momento que o tédio penetra em nossos pensamentos. Na vivência alegre e feliz não há tédio, porque não percebemos o tempo passar.

O que tudo isso tem a ver com o discurso oratório? Suponha um orador que não saiba concluir o seu discurso, que queira explicar tudo nos mínimos detalhes, que fale tão rapidamente que não conseguimos acompanhar o seu raciocínio. Por outro lado, imagine um ouvinte sentado na primeira fila querendo ausentar-se da palestra e, por cortesia da educação, permanece fiel até o fim da exposição. O que se lhe acontece? O tédio penetra em sua mente.

tédio pode ser considerado, também, como a falta de ressonância entre a expectativa do tempo e o que realmente está sucedendo. Nesse sentido, o orador deve perscrutar o fluxo energético do auditório, e utilizar técnicas de persuasão, a fim de despertar o interesse para a questão a ser veiculada. Habituando-se a penetrar na profundidade do seu semelhante, terá mais chances de manter a motivação por aquilo que está desenvolvendo.

O orador deve ser uma pessoa ardente, aquela que sabe comunicar o verbo divino com entusiasmo e determinação. Deve, ao transmitir suas palavras, incendiar as almas com a chama da bondade, da caridade e do amor fraternal.

Fonte de Consulta

PÖPPEL, E. Fronteiras da Consciência, a Realidade e a Experiência do Mundo. Rio de Janeiro, Edições 70, 1989.

 

 

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