07 janeiro 2026

Educação Cognitiva

Educação cognitiva tem o objetivo de desenvolver o processamento de informações e habilidades mentais (atenção, memória, raciocínio, resolução de problemas) em vez de apenas transmitir conteúdo, visando uma aprendizagem mais profunda e significativa, que usa o funcionamento do cérebro para criar conhecimento e autonomia no aluno, indo além da memorização. Apoia-se na psicologia cognitiva e na neurociência.

Ao focar no processo mental de aprendizagem e não apenas na transmissão de conteúdos, a educação cognitiva busca ensinar o aluno a aprender melhor, ajudando-o a compreender como o conhecimento é construído e como pode ser aplicado em diferentes situações. Enfatiza-se, assim, o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo, a compreensão mais do que a memorização mecânica.

Qual seria o objetivo central da educação cognitiva? Formar sujeitos capazes de analisar, interpretar, argumentar e tomar decisões conscientes. Em síntese, visa preparar o indivíduo não apenas para reproduzir respostas, mas para pensar de forma autônoma e inteligente diante de situações da vida real.

Autores ligados à educação cognitiva. 1) Piaget (Teoria do desenvolvimento cognitivo) — A aprendizagem ocorre por estágios de desenvolvimento. 2) Vygotsky (Teoria sociocultural) — A aprendizagem ocorre na interação social. O professor atua como mediador. 3) Ausubel (Aprendizagem significativa) — O aluno aprende melhor quando relaciona novos conteúdos a conhecimentos prévios. Defende o uso de organizadores prévios. 4) Feuerstein (Modificabilidade Cognitiva) — A inteligência pode ser desenvolvida. Propõe a mediação intencional e o programa PEI.

Efeito Pigmaleão e educação cognitiva. O “efeito Pigmaleão” (ou profecia autorrealizável) é o fenômeno em que as expectativas do professor sobre o aluno influenciam seu desempenho. Nesse caso, quando o professor acredita que o aluno é capaz de aprender e se desenvolver, ele tende a criar condições que fazem esse aluno realmente avançar. Quer dizer, expectativas positivas estimulam os processos cognitivos.

Aplicação do efeito Pigmaleão dentro de um sala da aula. Em vez de dizer “Você errou de novo. Esse conteúdo é difícil pra você.”, diga “Você avançou bastante. Vamos analisar juntos onde a estratégia falhou e tentar outra.” Em vez de dar a resposta certa, o professor conduz o aluno a reconstruí-la. Mensagem implícita: “Você é capaz de encontrar a resposta.” 

Fonte de Consulta

FONSECA, Vitor da. Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem: Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica. 7.ed., Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

IA

 

05 janeiro 2026

Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem (Notas de Livro)

Título: Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem: Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica

Autor: Vitor da Fonseca

7.ed., Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

Introdução — Educação Cognitiva, Por que e Para quê?

Abordar a cognição e a aprendizagem numa perspectiva de educação cognitiva com uma visão multifacetada que inclua uma introdução teórica com bases filogenéticas e neuropsicológicas e que integre duas componentes práticas: um novo modelo de diagnóstico do potencial de aprendizagem e uma nova intervenção pedagógica não são tarefa fácil, num momento de grandes incertezas e de grandes desafios educacionais. Conscientes deste risco, procuramos neste pequeno livro levantar questões sobre tão importantes paradigmas e apontar um rumo possível e viável à luz de algumas pesquisas que vamos realizando no plano da clínica psicopedagógica.

03 janeiro 2026

Reprogramar o Cérebro com Ajuda da Neurociência

Tese: transformar consciência em ação, evitando o acúmulo de informação.

1 — Reduza o ruído mental (todos os dias). Lembrete: 1) crie pelo menos 2 momentos de silêncio por dia (5 a 10 minutos); 2) evite consumir conteúdo enquanto realiza tarefas simples; 3) caminhe, tome banho ou faça refeições sem estímulos digitais. [O silêncio ajuda o cérebro a focar melhor em nossas necessidades prementes].

2 — Abandone a multitarefa. Lembrete: 1) escolha uma tarefa principal por bloco de tempo; 2) use blocos de 25 a 50 minutos de foco; 3) desligue notificações durante tarefas cognitivas importantes. [É um erro pensarmos que fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, estamos produzindo mais. Lembremo-nos da frase: "atividade e não agitação".]

3 — Reeduque sua dopamina. Lembrete: 1) não use o celular na primeira hora do dia; 2) construa dopamina com esforço leve: movimento, organização, escrita; 3) evite estímulos altamente prazerosos logo pela manhã. [As primeiras atividades do dia são valiosas para o decorrer das outras horas]. 

4 — Trate o corpo como base do cérebro. Lembrete: 1) durma em horários consistentes; 3) hidrate-se ao acordar; 3) movimente o corpo diariamente, mesmo que pouco. [Quando insistimos num esforço de aprendizado, isso tem repercussão no cômputo geral de nossa vida]

5 — Pare de reviver o passado. Lembrete: 1) quando pensamentos surgirem, nomeie-os sem julgamento; 2) traga o corpo para o presente com respiração consciente; 3) redirecione atenção para o que está sob seu controle agora. [É um aviso do Estoicismo, ou seja, verificar sempre o que está sob nosso controle e o que não está]. 

6 — Pare de lutar contra pensamentos. Lembrete: 1) observe pensamentos como eventos, não verdades; 2) evite discutir mentalmente com eles; 3) repita: ‘isso é um pensamento, não um fato’. [O importante em nossa vida é mudar os reflexos condicionados automatizados ao longo do tempo]. 

7 — Consuma menos, aplique mais. Lembrete: 1) escolha no máximo um conteúdo educativo por dia; 2) anote apenas uma ideia prática; 3) aplique antes de consumir algo novo. [Com a facilidade dos meios de comunicação, muitas vezes não temos paciência de chegar ao fim de um vídeo]. 

8 — Crie espaço antes de responder. Lembrete: 1) não responda imediatamente a tudo; 2) espere, respire e escolha; 3) proteja sua energia cognitiva. [Discernir entre aquilo que julgamos urgente do aquilo que é realmente urgente]. 

9 — Abandone a auto-cobrança excessiva. Lembrete: 1) alterne esforço com descanso; 2) entenda que descanso faz parte do progresso; 3) evite comparar seu ritmo com o de outras pessoas. [Quantas coisas não fazemos durante o dia que nada tem a ver com o nosso progresso espiritual]. 

10 — Mude de forma sustentável. Lembrete: 1) escolha um hábito por vez; 2) repita diariamente; 3) confie no processo de repetição, não na intensidade. [A teoria do minimalismo é muito útil, pois orienta-nos a nos desfazermos de tudo o que é supérfluo e atrapalha a nossa atenção]. 

A maioria de nós já conhece alguns desses lembretes, porém a tomada de consciência deles faz-nos colocá-los em prática novamente, caso os tenhamos esquecidos. 

Fonte de Consulta

Vídeo do YouTube: https://youtu.be/-_gvwemZgTU



31 dezembro 2025

Cérebro, Prazer, Celular e a Criança

Entendimento moderno sobre o cérebro. Eis alguns pontos importantes: 1) o cérebro não é fixo — ele muda com a experiência (neuroplasticidade); 2) pensamentos e emoções têm base biológica, mas também são influenciados por ambiente, cultura e história de vida; 3) regiões diferentes têm funções especializadas, mas trabalham em rede; 4) cérebro e mente não são idênticos, mas estão profundamente interligados.

Dopamina e cérebro

1) A dopamina é uma substância química produzida por neurônios que funciona como neurotransmissor — ou seja, ela permite a comunicação entre células do cérebro. Ela é produzida principalmente em regiões como: substância negra, área tegmental ventral (ATV), hipotálamo. A partir daí, projeta-se para várias áreas do cérebro.

2) Relação entre dopamina e funcionamento cerebral. Em vez de ser “o hormônio do prazer”, como muitos dizem, a dopamina está mais ligada a motivação, expectativa de recompensa, tomada de decisão, aprendizado por reforço. Ela ajuda o cérebro a responder a sinais do tipo: “Isso vale a pena repetir.” Por isso, ela está conectada ao comportamento de busca, hábitos e objetivos.

3) Funções principais da dopamina no cérebro: 1) Motivação e recompensa. A dopamina reforça comportamentos que deram certo; 2) Movimento. Nos gânglios da base, a dopamina regula os circuitos motores; 3) Atenção e cognição. A dopamina também atua no córtex pré-frontal, influenciando: foco, controle inibitório, planejamento, tomada de decisão; 4) Emoções e comportamento. Ela participa da regulação de: prazer e interesse, curiosidade, iniciativa, busca de novidade.

4) Resumo. A dopamina: não é o “hormônio da felicidade”, não “causa prazer” diretamente, é um sinal de motivação e aprendizado. Ela informa ao cérebro: “Isso foi importante — aprenda e repita.” E, por isso, afeta movimento, motivação, atenção e comportamento.

Presentemente, há diversos livros tratando do problema do prazer e do uso do celular pelas crianças. Há interesse de educadores, psicólogos e neurocientistas. Por que o celular desperta tanto interesse nas crianças? Isto ocorre em função das estratégias como notificações imprevisíveis, cores e sons estimulantes, recompensas rápidas (likes, pontos, conquistas), rolagem infinita, vídeos curtos e repetidos. Esse padrão cria um ciclo: estímulo → expectativa → recompensa → repetição. Ou seja: o cérebro aprende que o uso do celular “vale a pena repetir”.

Por que as crianças são mais vulneráveis? O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, principalmente o córtex pré-frontal (autocontrole), os circuitos de atenção e mecanismos de planejamento e limites. Crianças têm mais sensibilidade a recompensas imediatas, menor capacidade de adiar prazer e mais dificuldade em perceber excesso. Por isso, os estímulos digitais têm impacto maior nelas do que nos adultos. Não é “falta de disciplina” — é maturação cerebral. O problema não é o celular — e sim o uso sem mediação. 

Sobre os limites de tempo de tela por faixa etária. Não existe um número único perfeito — depende do contexto. Em geral, recomenda-se: até 2 anos → evitar telas (exceto interações supervisionadas); 2 a 5 anos → uso curto e acompanhado; 6 a 12 anos → combinar horários e pausas; adolescentes → priorizar sono, estudo e convivência

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

29 dezembro 2025

Por Que Pessoas Inteligentes Falam Tão Pouco? (Transcrição de Vídeo)

Muita gente faz você acreditar que falar pouco é sinal de frieza, timidez ou falta de assunto. Mas a psicologia mostra que em muitas pessoas esse silêncio não é um defeito.  É um sinal de mente rara, inteligente e sensível. 

Sinal um — pensar em camadas. Pessoas muito inteligentes não pensam em linha reta, elas pensam em camadas. Quando alguém faz uma pergunta simples, sua mente não responde só sim ou não. Ela analisa contexto, consequência, intenção, risco, histórico, tudo ao mesmo tempo. Enquanto a maioria responde na hora, você demora, pesa, sente e muitas vezes prefere não falar nada. Esse silêncio não é vazio, é processamento mental. 

Sinal dois — economia de energia social. Para uma mente inteligente, cada conversa é um gasto de energia cognitiva e emocional. Conversas rasas, fofoca e repetição drenam você. Então o seu cérebro começa a filtrar. Eu realmente preciso entrar nessa conversa? Isso aqui vale o dispêndio da minha energia agora? Na maior parte do tempo, a resposta é não. Não é desinteresse pelas pessoas, é filtro. Você não consegue fingir entusiasmo por assuntos que não fazem sentido para você. Seu silêncio é um mecanismo de autoproteção de energia mental.

Sinal três — você pensa muito antes de falar. Pessoas inteligentes têm o hábito de pensar demais antes de falar [autoconsciência forte]. Você se pergunta como isso vai soar? Vão entender? Isso pode machucar alguém? Enquanto muita gente fala por impulso, você revisa internamente antes de abrir a boca. Esse processo é tão intenso que, às vezes, quando a frase fica pronta, a conversa já passou; então você guarda. Você fala pouco, mas pensa demais. Isso não é travamento social, é um ajuste fino, interno que a maioria nem sabe que existe.

Sinal quatro — você sente o clima mais do que as palavras. Mentes inteligentes leem o clima mais do que palavras sensíveis; não escutam só o conteúdo. Elas leem tom, expressão, tensão, ironia, clima do ambiente. Às vezes você entra numa conversa e sente algo como: "Melhor ficar na minha, esse assunto não é seguro". Ninguém aqui parece realmente aberto. Então você fala pouco, não porque não sabe interagir, mas porque seu sistema emocional está o tempo todo lendo o ambiente. Você percebe micro expressões, rejeição disfarçada, competição de ego. Quando a energia é superficial, agressiva ou cansativa, sua resposta natural é o silêncio. Por isso, você fala muito mais com uma ou duas pessoas específicas em ambientes íntimos do que em grupos grandes. Sua mente foi feita para profundidade, não para diálogos de fachada.

Sinal cinco — você prefere significado, não barulho. Pessoas inteligentes têm necessidade de falar menos para falar melhor [coerência]. Falar só por falar te desgasta. Você se sente muito mais vivo quando fala de ideias, livros, projetos, propósito, mudanças reais. Quando a conversa é honesta, você se abre. Quando é só ruído, você se recolhe. Isso faz você falar menos na maior parte do tempo para conseguir falar mais intensamente quando encontra alguém que realmente te entende. É como se o seu cérebro dissesse: "Se não for para ser verdadeiro, eu fico em silêncio".

Se você se identificou com esses sinais, talvez tenha passado a vida ouvindo: Você é esquisito. Você é frio. Você não se enturma. Você precisa falar mais. Mas a verdade é outra. Você nunca foi pouco sociável. Você sempre foi profundo demais para viver na superfície. Seu  silêncio não mostra vazio, ele mostra refino. Você sente mais, percebe mais, observa mais. E numa sociedade que valoriza barulho, a mente silenciosa parece estranha, quando na verdade é uma das formas mais sofisticadas de inteligência e sensibilidade. Você não é errado, você é raro.

Fonte de Consulta: https://youtu.be/KNxFUM_r-sg

  

28 novembro 2025

Todo Mundo Devia Escrever (Notas de Livro)

Título: Todo Mundo Devia Escrever: a Escrita como Disciplina de Pensamento

Autor: Georges Picard

Tradução: Marcos Marcionilo

PICARD, Georges. Todo Mundo Devia Escrever: A Escrita como Disciplina do Pensamento. Tradução de Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2008.

Para mim, que considero a palavra embaraçada, habitualmente hesitante, excepcionalmente explosiva e excessiva, um pensamento rico ou sutil não pode encontrar uma forma adequada fora da escrita.

Escrever para pensar, mais do que pensar para escrever: estranha inversão de prioridades nos domínios didáticos, mas, me parece, posicionamento natural em literatura.

Todo mundo devia escrever para si mesmo, na concentração e na solidão: um bom meio de saber aquilo que se sabe e de entrever aquilo que se ignora sobre o mecanismo do próprio cérebro, sobre o próprio poder de apreensão e de interpretação dos estímulos externos.

Uso de Tela

“A moral da história é a seguinte: deem telas a seus filhos, os fabricantes de telas continuarão dando livros aos deles.” Guillaume Erner, jornalista francês e doutor em sociologia.

Tela. Compreende a tela que usamos para a interação com o nosso computador, smartphone ou outros dispositivos eletrônicos. Na tela podemos visualizar informações, tais como, imagens, texto e vídeos. Algumas questões: quanto tempo devemos usar a tela? Temos consciência de seu uso? A idade tem importância no uso da tela? Quem mais ganha com o uso gratuito da tela?

A geração dos nativos digitais apresenta três traços marcantes: o zapping, a impaciência e o coletivo. Para eles, tudo deve ser rápido e, se possível, rapidíssimo. Aprenderam a trabalhar em equipe, possuindo uma cultura digital intuitiva. Muitos fogem do raciocínio demonstrativo, dedutivo, o passo a passo, preferindo o tateamento favorecido pelos links de hipertextos.

Estudos tem mostrado a influência do uso de telas no cérebro e na formação da personalidade. Muitos dizem que de 0 a 6 anos a criança não deveria de modo algum ter contato com a tela. Por quê? A rapidez dos itens passados dá a sensação à criança de que ela está aprendendo alguma coisa útil. Observe a reação de algumas crianças, quando mãe demora para atender ao seu pedido: choram e, impacientam-se.

27 novembro 2025

Millôr Fernandes: a Bíblia do Caos (Notas de Livro)

Título: Millôr Definitivo: a Bíblia do Caos

Autor: Millôr Fernandes

Porto Alegre: L&PM, 2011.

Explicação e Agradecimento 

Foi um livro difícil. Tomou exatamente cinquenta anos para ser feito. Começando em jornal antes de completar 14 anos, desde cedo, sem que soubesse por que, chamado humorista, o autor escreveu e desenhou ininterruptamente em periódicos sem periodicidade definida, e em publicações semanais e jornais diários. Pra ser exato: 25 anos na revista O Cruzeiro, 14 anos na revista Veja, 6 anos no Pasquim, 10 anos em IstoÉ, 8 anos no Jornal do Brasil e períodos de alguns anos na Tribuna de Imprensa e Correio da Manhã. O passar desses anos, se não ampliou um talento apenas comum (talento não potência) trouxe um certo aprimoramento de forma e, sem dúvida, talvez pela exaustão e pelo tédio (ou pela consciência profissional de não encher o saco do leitor), um grande poder de concisão e uma filosofia a respeito: não se escreve com 11 palavras o que se pode escrever com 10 (a não ser que você seja americano e ganhe por palavra; aí a proposição deve ser invertida).

22 novembro 2025

O Cérebro e o Mundo Audiocentrado

O cérebro, composto por bilhões de neurônios, é um órgão que atua como a central de controle de todas as funções vitais, movimentos, pensamentos, emoções e memória. Sendo o centralizador dos sinais recebidos, pode se adaptar com facilidade. Seu lado mecânico: recebe e interpreta sinais do ambiente e envia mensagens para o resto do corpo. Nesse sentido, ele pode se tornar preguiçoso (lei do menor esforço). Forçando-o a novos desafios, ele também vai se tornando mais produtivo.  

mundo audiocentrado refere-se a uma perspectiva cultural e social que coloca a audição e a comunicação oral como o sentido e o meio de interação predominantes e superiores. A voz, a imagem e o vídeo tornam-se os meios de comunicação em detrimento da escrita. Ao dar ênfase na audição, podem marginalizar ou desvalorizar a cultura e as sociedades das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

18 novembro 2025

Frases do Livro Como Fazer Apresentações com Segurança

Oratória não é comunicação. Finley Peter Dunn, um humorista do início do século vinte, declarou certa vez: "Um homem nunca se torna orador quando tem algo a dizer."

Sir Winston Churchill assim expressou sua opinião acerca dos oradores: "Podem ser melhor descritos como [pessoas] que, antes de se levantarem, não sabem o que irão dizer; quando estão falando, não sabem o que dizem; e quando voltam a sentar-se, não sabem o que disseram."

Como orador, você está imbuído de uma responsabilidade seriíssima. O reverendo Jenkin Lloyd Jones escreveu em um de seus livros: "O homem que faz uma palestra desinteressante de trinta minutos desperdiça apenas meia hora de seu tempo. Mas ele desperdiça uma centena de horas do tempo de sua plateia mais de quatro dias, o que deveria ser considerado crime passível de pena de morte."

11 novembro 2025

Repetição Oral e Repetição Escrita

Repetição oral. É a repetição feita pela fala, de forma espontânea ou deliberada, durante a comunicação verbal. Suas características principais são: imediata e efêmera, espontânea, expressiva. Exemplo: “Ele vem, vem mesmo! Você vai ver!” Repetição escrita. É a repetição feita por meio da escrita, de forma consciente, planejada e visualmente registrada. Suas características são: duradoura, revisável, intencional, visual e estrutural. Exemplo: “Nada muda, nada cresce, nada floresce.”

Na escrita com a possibilidade de revisão e editoração, com apagamentos sucessivos, só se obtém a versão final diminuindo a presença da repetição. Na fala, em que nada se apaga, a repetição faz parte do processo formulativo. Sua presença na superfície do texto falado é alto, constatando-se que, a cada cinco palavras, em média, uma é repetida. Há uma grande diferença repetir elementos linguísticos e repetir o mesmo conteúdo. (1)

Na fala, pensamos e falamos ao mesmo tempo; por isso, repetimos palavras ou expressões para ganhar tempo enquanto organizamos o pensamento: “Então... então... eu acho que... sabe?” Na escrita, ao contrário, temos tempo para rever e editar. Podemos apagar repetições desnecessárias. Escolhemos palavras com mais cuidado. Buscamos clareza e economia.  Assim, a escrita é reflexiva e condensada, enquanto a fala é espontânea e redundante.

Nos diálogos platônicos, a repetição oral aparece como método de ensino e investigação. Sua função é reforçar uma ideia até que o interlocutor compreenda o conceito. Exemplo: Sócrates repete perguntas de diferentes formas — “O que é a virtude?”, “E o que é o bem?”, “E o justo, é o mesmo que o bom?” A repetição aqui é dialógica, não estética: serve para fazer pensar. (2)

Nos evangelhos, Jesus frequentemente repete expressões como: “Em verdade, em verdade vos digo…” “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Essas repetições orais reforçam a autoridade e a memorização da mensagem. A palavra falada tem poder espiritual — a repetição grava o sagrado no coração do ouvinte. A repetição oral tende ao rito — palavra viva, ação transformadora. A repetição escrita tende ao logos — palavra refletida, ideia pensada. (2)

Repetir para memorizarPara memorizar bem é preciso fazer o esforço de repetir. E é reativando regularmente as informações, para fazer uma revisão, por exemplo, que teremos mais chances de fixá-las na memória de longo prazo. Podemos aplicar o método da repetição espaçada, ou seja, rever o conteúdo em intervalos crescentes (1 dia, 3 dias, 7 dias, 15 dias...)

A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Na oratória, o palestrante — consciente e lúcido —, deve evitar a repetição que soa como lavagem cerebral. O correto é termos ligação com a verdade dos fatos, mesmo porque, para haver persuasão, é preciso haver credibilidade, pois a liderança social é essencialmente dinâmica e criadora, sendo condição vital do líder o prestígio, que se alicerça nas qualidades da persuasão.

(1) JUBRAN, Clélia Cândida Abreu Spinardi e KOCH, Indegore Grunfeld Villaça (Org.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.

(2) ChatGPT



 

06 novembro 2025

100 Fábulas Fabulosas (Notas de Livro)

Título: 100 Fábulas Fabulosas

Autor: Millôr Fernandes

Rio de Janeiro: Record, 2003. 

Uma Sátira Virada de Ponta-Cabeça.

Neste livro, entre outras descobertas etimologicamente fabulosas, o autor revela como os animais falavam no tempo em que deram origem a tantas fábulas. Fixando hieróglifos da Rosetta e cruzando-os com ícones do Obelisco Negro de Shalmanazar (858 a.C.), o autor conseguiu reverter diversas fábulas, retirando destas sua moral original.

As fábulas passeiam da China aos nichos do INSS. Das mais simples e básicas emoções humanas até as filosofias mais complexas. Tudo isso temperado por uma noção surpreendente do mundo.

30 outubro 2025

Inteligência Artificial: Ganhos e Perdas

Questão 1 — Quais são os ganhos e perdas no uso da inteligência artificial?

O uso da inteligência artificial (IA) traz ganhos e perdas que se manifestam em diferentes áreas: educação, trabalho, relações humanas, ética, arte, entre outras. Abaixo faço um panorama equilibrado:

A) GANHOS (benefícios)

1. Agilidade e eficiência. A IA automatiza tarefas repetitivas, processa grandes volumes de dados e otimiza processos em segundos. Exemplo: diagnósticos médicos mais rápidos, análises financeiras em tempo real, produção de textos e traduções instantâneas.

2. Acesso ampliado ao conhecimento. Ferramentas de IA democratizam o saber, tornando o aprendizado e a pesquisa mais acessíveis a qualquer pessoa com internet. Na educação, atua como “tutor inteligente”, adaptando-se ao ritmo e estilo de cada aluno.

3. Criação e inovação. Estimula novas formas de arte, literatura, música e design. Colabora com cientistas e inventores em descobertas e simulações complexas.

4. Tomada de decisão mais informada. A IA auxilia na interpretação de dados e oferece previsões baseadas em padrões invisíveis ao olhar humano.

5. Apoio em acessibilidade. Ferramentas de voz, leitura automática e tradução ampliam a inclusão digital e social.

B) PERDAS (riscos e desafios)

1. Desumanização e dependência. O uso excessivo pode enfraquecer a reflexão crítica, o esforço intelectual e o contato humano. “Pensar” pode ser terceirizado às máquinas, empobrecendo a experiência de aprender.

2. Desemprego e desigualdade A automação substitui profissões manuais e cognitivas, criando um abismo entre quem domina e quem é dominado pela tecnologia.

3. Manipulação da informação. Deepfakes, desinformação e viés algorítmico podem distorcer a verdade e influenciar opiniões.

4. Perda de privacidade O uso de dados pessoais sem consentimento expõe os indivíduos à vigilância e ao controle social.

5. Crise ética e identitária. Surge a pergunta: o que é “humano” quando uma máquina pode criar, pensar e até sentir de forma simulada?

C) Síntese filosófica

O uso da IA é, ao mesmo tempo, ampliação e ameaça do humano. Ela potencializa a inteligência — mas também testa nossos limites éticos e espirituais. Como disse Heidegger, a técnica não é apenas um instrumento: é um modo de revelar o mundo. A questão é quem conduz quem: o homem a máquina ou a máquina o homem? 

Questão 2 — Qual é o grau de confiança de uma informação dada por uma inteligência artificial (como o ChatGPT)?

1. A natureza da informação produzida pela IA

O ChatGPT não “sabe” como um ser humano sabe. Ele gera respostas com base em padrões linguísticos e probabilidades — isto é, ele “prevê” qual sequência de palavras faz mais sentido segundo os dados em que foi treinado.

Por isso:

Ele pode soar muito convincente, mesmo quando está errado.

Ele não tem consciência, opinião nem verificação empírica direta.

Ele não acessa a verdade, mas reproduz padrões de linguagem sobre a verdade.

2. Grau de confiança: depende do tipo de informação

Tipo de informação

Grau de confiança

Observação

Fatos objetivos e amplamente documentados

(datas históricas, definições científicas, biografias conhecidas)

Alto

(80–95%)

A IA acerta com frequência, mas erros ainda podem ocorrer.

Informações recentes ou em mudança constante

(notícias, atualizações tecnológicas, leis novas)

Médio a baixo

 (40–70%)

A IA pode estar desatualizada; o ideal é verificar fontes atuais.

Interpretações filosóficas, literárias ou artísticas

Médio

(60–85%)

As respostas são coerentes, mas refletem síntese de visões já publicadas, não uma experiência própria.

Questões éticas, morais ou subjetivas

Variável

A IA pode argumentar com base em perspectivas conhecidas, mas não tem julgamento moral real.


3. Como aumentar a confiabilidade

1. Verificar fontes: sempre que possível, peça referências ou pesquise os fatos em sites oficiais e acadêmicos.

2Conferir coerência: se algo parecer muito simplificado ou contraditório, vale confrontar com outras fontes.

3Atualizar o contexto: para temas em constante evolução (como leis, ciência, política), use versões com acesso à web.

4. Usar o discernimento humano: a IA é ferramenta, não autoridade. O juízo crítico ainda é o que garante a verdade.

Síntese filosófica

A IA não substitui o saber, mas simula a linguagem do saber. O grau de confiança depende do grau de vigilância humana. Em termos epistemológicos, ela é um auxiliar da razão, não o seu fundamento.

Como dizia Sócrates, “saber é saber que nada se sabe”. Com a IA, esse princípio volta a ter pleno sentido: quanto mais ela sabe, mais precisamos saber discernir.

Fonte de Consulta: ChatGPT

 

24 outubro 2025

Palestra Espírita, Como Fazer (Notas de Livro)

Título: Palestra Espírita, Como Fazer

Autor: Louis Neilmoris 

Edição revisada em Agosto, 2011

Prólogo

A abrangência da palestra espírita chega mesmo a ser, não para poucos, um dos maiores problemas atuais do Espiritismo, pois o que se ouve num centro é questionado em outro e rechaçado em determinada casa espírita. Há palestras que nada explicam, outras que só confundem e algumas mais que revoltam. É que elas são proferidas conforme o entendimento de seu expositor e bem pouca triagem se faz, por parte dos dirigentes espíritas, de quem fará uso da palavra. Também nos circundam polêmicas clássicas acerca da doutrina, por exemplo, a velha questão de a Doutrina Espírita ser ou não uma religião.

07 outubro 2025

A Vida Íntima das Frases (Notas de Livro)

Título: A Vida Íntima das Frases

Autor: Deonísio da Silva

São Paulo: A Girafa Editora, 2003.

B

A Burrice é Contagiosa; o Talento, não

Esta é uma das muitas frases célebres de autoria do crítico literário Agripino Grieco (1888-1973), famoso por tiradas cheias de verve e maledicência, proferidas contra pomposos escritores nacionais, até então convictos de que, dado o ofício que praticavam, muitas vezes confundido por sua posição social ou política, não poderiam ter suas obras criticadas, a não ser em comentários favoráveis. O corajoso paraibano, entretanto, culto e irônico, não poupava ninguém e legou à posteridade uma obra de crítica literária desassombrada, imune às tradicionais igrejinhas e confrarias tão presentes na cultura brasileira. Entre seus livros estão Vivos e mortos, Recordações de um mundo perdido e Gralhas e pavões.

De Onde Vêm as Palavras (Notas de Livro)

Título De Onde Vêm as Palavras. São Paulo

Autor: Deonísio da Silva

São Paulo: A Girafa, 2004. (Coleção o mundo são palavras)

Adoração: do latim adorationis, genitivo de adoratio, ato de adorar, adoração. A formação desta palavra remonta ao latim oris, boca, e à preposição ad, junto, em direção a. O gesto significa, pois, levar algo à boca. Em seus primórdios, o ato de adoração consistia em levar a mão à boca e, com o braço estendido, jogar um beijo à divindade. Além deste gesto, havia ainda a prosternação e a genuflexão, mas os cristãos cultivaram mais este último. 

Alcorão. Do árabe al-qur'an, a leitura, isto é, a melhor leitura que se pode fazer. Segundo os muçulmanos, o Alcorão, cuja variante é Corão, foi ditado pelo anjo Gabriel ao profeta Maomé, entre os anos de 612 a 632, em Meca e em Medina. À semelhança da Bíblia, é dividido em capítulos, chamados suratas, e versículos. 

13 setembro 2025

Explicar é Desdobrar

Explicar. Refere-se ao ato ou processo de tornar algo compreensível. É esclarecer, descrever, ou justificar algo de forma que outra pessoa consiga entender. É apresentar razões causais, significados ou contextos que ajudem alguém a compreender um fato, ideia, fenômeno ou comportamento. Desdobrar é abrir algo que está fechado ou enrolado, tornar visível o que estava oculto, revelar as parte de algo mais complexo.

Ao explicar, abrimos um conceito para que fique mais claro, mostramos passo a passo como algo funciona ou por que algo acontece. O implícito se torna explícito, o complexo se torna acessível. Exemplo: imagine um novelo de lã todo enrolado (ideia complexa). Explicar é como desenrolar esse novelo até que o fio fique reto e claro a seguir.

Uma explicação é boa quando há: 1) clareza — a ideia é apresentada de forma compreensível sem ambiguidade; 2) estrutura lógica — a explicação tem começo, meio e fim, com ideias conectadas de forma coerente. Primeiro o problema, depois as causas, em seguida os efeitos. Bons explicadores usam comparações para facilitar a compreensão. Exemplo: explicar é como abrir um guarda-chuva — você mostra todas as partes que estavam escondidas.

Para que uma explicação seja considerada boa, deve haver objetividade, quer dizer, deve-se ir direto ao ponto, sem enrolar ou fugir do tema. Além disso, o explicador deve adquirir a capacidade de antecipar dúvidas. Uma boa explicação já responde às perguntas que surgiriam naturalmente.

Uma explicação é ruim quando: 1) a linguagem é confusa ou complexa demais; 2) uso de termos técnicos sem necessidade ou frases longas demais; 3) desvio de foco, afastando-se do assunto principal ou misturando muitos tópicos; 4) pressupor conhecimento que o outro não tem; 5) falar como se todos soubessem do que se trata, sem contextualizar; 6) ausência de exemplos; 7) falar com tom arrogante e impaciente.

Ao nos comunicarmos com os outros, vejamos se não estamos utilizando uma linguagem inconveniente. Posteriormente, façamos os esforços necessários para aprimorar a boa veiculação de nossas ideias.