30 outubro 2009

Existência e Comunicação

O conceito de comunicação pode ser visto sob vários ângulos. O conceito etimológico – busca a origem da palavra, que vem de comunhão, comunidade. O conceito biológico – explica a comunicação em termos da sobrevivência e perpetuação da espécie. O conceito histórico – ao longo do tempo, as teses e as antíteses enaltecem a neutralidade das forças contrárias. O conceito sociológico – abrange o fluxo interativo das relações sociais. O conceito antropológico – ao conviver, o ser humano comunica a transformação que operou sobre a natureza. O conceito pedagógico – a comunicação tem fim educativo. O conceito psicológico – a comunicação pode mudar o comportamento do indivíduo.

As definições de comunicação são variadas. Eis algumas delas: Para G. Miller, a “Comunicação significa informação que passa de um lugar para outro”: L. Thayer diz: “Em seu sentido mais amplo, ocorre comunicação sempre que um indivíduo atribui significado a um estimulo interno ou externo”; S. Stevens assim se expressa: “Comunicação é a resposta discriminativa de um organismo a um estímulo. Ocorre comunicação quando alguma perturbação ambiental (o estímulo) vai de encontro a um organismo e o organismo faz alguma coisa a esse respeito (dá uma resposta discriminativa). Se o estímulo é ignorado pelo organismo, não há comunicação. A prova é uma reação diferencial de alguma espécie. A mensagem que não tem resposta não é comunicação”.

Observando o ser humano desde épocas remotas, compreendemos que o seu existir só é possível por meio da comunicação. Há sempre uma recuperação, um reaproveitamento de uma informação transmitida, que, por sua vez, vai atuar como fonte para a transmissão de novas informações. Assim, o processo da comunicação se refere a algo que está sempre transformando e transformando-se. David Belo diz que "O processo de comunicação é um fenômeno em constante mutação, cujas partes inteligentes influenciam umas às outras e cuja ocorrência, por seu dinamismo intrínseco, não tem começo nem fim fixos".

Aristóteles, na Grécia antiga, já nos dizia que o homem é um animal social, devendo viver em sociedade. Para viver em sociedade, há necessidade de se comunicar com os outros seres humanos. Jesus, percebendo que a comunicação é extremamente necessária à convivência humana, deixou-nos uma ordem: “Não coloqueis a candeia debaixo do alqueire”. Em outras palavras, não guardemos somente para nós os benefícios da vida; repartamos os dons da vida com os nossos semelhantes; quem assim não procede, não ama.

Presentemente, a divulgação de ideias é facilitada pelos meios de comunicação de massa, em especial a Internet. Podemos criar, sem quaisquer custos, sites e blogs e, com isso, divulgar o nosso pensamento. Não há necessidade de os outros serem obrigados a ler o que escrevemos; o que importa é a publicação e o exercício de nosso pensar. Tornando-os público, podem servir para alguém. Assim, estaremos contribuindo para a divulgação da ideia do bem e do belo.

Fonte: BARBOSA, Gustavo e RABAÇA, Carlos Alberto. Dicionário de Comunicação. 2.ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2001 – 6ª Reimpressão.
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14 outubro 2009

O Religioso e a Administração

“O religioso é, antes de tudo, um cristão, um crente, qualquer seja o serviço que desempenhe: servir governando, servir obedecendo”.

Michelina Tenace, em sua pesquisa sobre o serviço dos superiores, percebeu que havia muitos livros sobre a obediência, mas poucos sobre a autoridade; poucos sobre a fisionomia espiritual de quem é chamado a exercer a função de superior, de superiora. Entrou em contato com as obras de grandes religiosos cristãos, extraindo deles anotações úteis à boa administração.

A proposta de São Basílio, que “dá uma colocação nova à figura do superior, não aspira delinear poder autocrático; situa-se na linha do serviço do irmão. O superior deve favorecer a liberdade da ascese, mas garantir, sobretudo, a coesão do grupo como fraternidade”. Faz uma crítica aos eremitas, que preferiam o deserto ao contato humano. Acha que toda a regra existe em função da comunidade, motivo pelo qual não é estranho que os superiores sejam colocados menos em evidência, pois a sua função faz parte da comunidade; não é geradora dela.

O carisma de São bento era o de “afugentar as trevas e irradiar o dom da paz”. Para ele, “a obediência é o sinal da humildade do monge, índice de seu progresso espiritual, que faz parte do caminho de retorno ao Pai”. O superior, amado de Deus, deve querer o bem do seu irmão. O amor a Deus é sempre aquilo que faz crescer, aperfeiçoar, libertar, e colocar em contato com a lei divina.

Para São Francisco, a autoridade é sempre vigária e carismática. A autoridade vigária quer dizer que o superior não pode se sentir sujeito de poder ou de direito, mas somente investido sacramentalmente da autoridade de Cristo, a quem faz referência e de quem manifesta, como sinal consciente, o mistério e a palavra.

Inácio “pressupunha a indiferença” nos seus religiosos, ou seja, supunha que tivessem atingido a liberdade interior como fruto dos exercícios espirituais. Antes de propor uma missão, verificava a inclinação direta ou indiretamente para poder “considerar disposições”, porque contava com pessoas mais do que sobre a ideia do projeto.

Esses religiosos diziam que ninguém deve sentir-se satisfeito em fazer o mínimo, mas desejar sempre que lhe seja acrescida alguma coisa e deseja fazer mais: “a verdade na liberdade não está aquém, mas além da norma”.

Fonte de Consulta

TENACE, Michelina. Guardiões da Sabedoria: O Serviço dos Superiores. Tradução de Francisco de Assis Sant’Ana. Bauru, SP: Edusc, 2008. (Coleção Ecclesia Viva)
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