12 março 2006

Aprendizagem e Rede de Computadores

O modelo estrutural de ensino, ao longo dos séculos, mostra o professor como o detentor de um acesso privilegiado à informação. A aula deste professor assemelhava-se ao tipo magister dixit, ou seja, o professor é que sabe e o aluno é quem deve aprender. A partir do aparecimento do livro Emílio, de Rousseau, esse modelo sofreu modificações radicais. Não é o professor que ensina; é o aluno que aprende. Daí a expressão "revolução coperniciana" da educação, ou seja, uma guinada de 360 graus na relação entre professor e aluno.

A informação, porém, cresceu em quantidade, o que propiciou o aumento dos meios de propagação, principalmente a rede de computadores: o aluno não recebe a informação só do professor; pega-a também diretamente da fonte. Neste contexto, o professor foi pouco a pouco perdendo a sua função de guardião do saber. Hoje, qualquer pessoa pode produzir um texto e colocá-lo na Internet e, em poucos minutos, todo o Planeta Terra poderá auferir os ensinamentos ali veiculados.

A relação professor aluno transforma-se numa inter-relação, em que o aluno pode também ensinar o professor. Como a informação está na Internet, o aluno – muitas vezes, com mais tempo livre do que o do professor – poderá achar a informação, absorvê-la, e, depois, passá-la ao professor. Esta deverá ser a tônica das relações futuras entre ensino e aprendizagem. A função do professor será a de orientar, moderar e estimular permanentemente as descobertas dos alunos, dentro de um espírito crítico e criativo.

A rede de computadores, por sua vez, tende a se ampliar cada vez mais. Imaginemos a pesquisa de um assunto através dos sites de busca. Do título digitado, aparecem inúmeros sites que tratam do tema. É possível que muitos não atendam ao objetivo da busca, porém haverá outros que nos trarão a informação a que estamos procurando. Os estudiosos da Internet afirmam que essas informações tendem a aumentar cada vez mais, pois tão logo elas são postadas, elas já se tornam ultrapassadas.

O que nos cabe fazer? Estarmos atentos a essas mudanças. A realidade é o que é. De nada adianta dizermos isso ou aquilo, que está certo ou errado, ou que deveria ser diferente. As circunstâncias não existem para satisfazer os nossos desejos. Elas estão à nossa frente e devemos nos esforçar para tirar delas o maior proveito possível. Por isso, adaptar-se ao novo não é tarefa fácil, porque temos que renunciar ao que deu certo, àquilo que serviu de êxito no passado. Mudar, antes que a crise nos obrigue, será sempre o melhor caminho.

Esforcemo-nos sempre para adquirir valores intelectuais e morais, porque estes representarão as riquezas do nosso eu imortal, as quais levaremos conosco aonde formos.
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