28 novembro 2025

Uso de Tela

“A moral da história é a seguinte: deem telas a seus filhos, os fabricantes de telas continuarão dando livros aos deles.” Guillaume Erner, jornalista francês e doutor em sociologia.

Tela. Compreende a tela que usamos para a interação com o nosso computador, smartphone ou outros dispositivos eletrônicos. Na tela podemos visualizar informações, tais como, imagens, texto e vídeos. Algumas questões: quanto tempo devemos usar a tela? Temos consciência de seu uso? A idade tem importância no uso da tela? Quem mais ganha com o uso gratuito da tela?

A geração dos nativos digitais apresenta três traços marcantes: o zapping, a impaciência e o coletivo. Para eles, tudo deve ser rápido e, se possível, rapidíssimo. Aprenderam a trabalhar em equipe, possuindo uma cultura digital intuitiva. Muitos fogem do raciocínio demonstrativo, dedutivo, o passo a passo, preferindo o tateamento favorecido pelos links de hipertextos.

Estudos tem mostrado a influência do uso de telas no cérebro e na formação da personalidade. Muitos dizem que de 0 a 6 anos a criança não deveria de modo algum ter contato com a tela. Por quê? A rapidez dos itens passados dá a sensação à criança de que ela está aprendendo alguma coisa útil. Observe a reação de algumas crianças, quando mãe demora para atender ao seu pedido: choram e, impacientam-se.

22 novembro 2025

O Cérebro e o Mundo Audiocentrado

O cérebro, composto por bilhões de neurônios, é um órgão que atua como a central de controle de todas as funções vitais, movimentos, pensamentos, emoções e memória. Sendo o centralizador dos sinais recebidos, pode se adaptar com facilidade. Seu lado mecânico: recebe e interpreta sinais do ambiente e envia mensagens para o resto do corpo. Nesse sentido, ele pode se tornar preguiçoso (lei do menor esforço). Forçando-o a novos desafios, ele também vai se tornando mais produtivo.  

mundo audiocentrado refere-se a uma perspectiva cultural e social que coloca a audição e a comunicação oral como o sentido e o meio de interação predominantes e superiores. A voz, a imagem e o vídeo tornam-se os meios de comunicação em detrimento da escrita. Ao dar ênfase na audição, podem marginalizar ou desvalorizar a cultura e as sociedades das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

18 novembro 2025

Frases do Livro Como Fazer Apresentações com Segurança

Oratória não é comunicação. Finley Peter Dunn, um humorista do início do século vinte, declarou certa vez: "Um homem nunca se torna orador quando tem algo a dizer."

Sir Winston Churchill assim expressou sua opinião acerca dos oradores: "Podem ser melhor descritos como [pessoas] que, antes de se levantarem, não sabem o que irão dizer; quando estão falando, não sabem o que dizem; e quando voltam a sentar-se, não sabem o que disseram."

Como orador, você está imbuído de uma responsabilidade seriíssima. O reverendo Jenkin Lloyd Jones escreveu em um de seus livros: "O homem que faz uma palestra desinteressante de trinta minutos desperdiça apenas meia hora de seu tempo. Mas ele desperdiça uma centena de horas do tempo de sua plateia mais de quatro dias, o que deveria ser considerado crime passível de pena de morte."

11 novembro 2025

Repetição Oral e Repetição Escrita

Repetição oral. É a repetição feita pela fala, de forma espontânea ou deliberada, durante a comunicação verbal. Suas características principais são: imediata e efêmera, espontânea, expressiva. Exemplo: “Ele vem, vem mesmo! Você vai ver!” Repetição escrita. É a repetição feita por meio da escrita, de forma consciente, planejada e visualmente registrada. Suas características são: duradoura, revisável, intencional, visual e estrutural. Exemplo: “Nada muda, nada cresce, nada floresce.”

Na escrita com a possibilidade de revisão e editoração, com apagamentos sucessivos, só se obtém a versão final diminuindo a presença da repetição. Na fala, em que nada se apaga, a repetição faz parte do processo formulativo. Sua presença na superfície do texto falado é alto, constatando-se que, a cada cinco palavras, em média, uma é repetida. Há uma grande diferença repetir elementos linguísticos e repetir o mesmo conteúdo. (1)

Na fala, pensamos e falamos ao mesmo tempo; por isso, repetimos palavras ou expressões para ganhar tempo enquanto organizamos o pensamento: “Então... então... eu acho que... sabe?” Na escrita, ao contrário, temos tempo para rever e editar. Podemos apagar repetições desnecessárias. Escolhemos palavras com mais cuidado. Buscamos clareza e economia.  Assim, a escrita é reflexiva e condensada, enquanto a fala é espontânea e redundante.

Nos diálogos platônicos, a repetição oral aparece como método de ensino e investigação. Sua função é reforçar uma ideia até que o interlocutor compreenda o conceito. Exemplo: Sócrates repete perguntas de diferentes formas — “O que é a virtude?”, “E o que é o bem?”, “E o justo, é o mesmo que o bom?” A repetição aqui é dialógica, não estética: serve para fazer pensar. (2)

Nos evangelhos, Jesus frequentemente repete expressões como: “Em verdade, em verdade vos digo…” “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Essas repetições orais reforçam a autoridade e a memorização da mensagem. A palavra falada tem poder espiritual — a repetição grava o sagrado no coração do ouvinte. A repetição oral tende ao rito — palavra viva, ação transformadora. A repetição escrita tende ao logos — palavra refletida, ideia pensada. (2)

Repetir para memorizarPara memorizar bem é preciso fazer o esforço de repetir. E é reativando regularmente as informações, para fazer uma revisão, por exemplo, que teremos mais chances de fixá-las na memória de longo prazo. Podemos aplicar o método da repetição espaçada, ou seja, rever o conteúdo em intervalos crescentes (1 dia, 3 dias, 7 dias, 15 dias...)

A Psicologia ensina-nos, também, que a repetição tem que ser moderada, pois com poucas repetições há grande aprendizado, enquanto com muitas o rendimento cai. Os psicólogos aconselham-nos a deixar espaço para o cérebro trabalhar por conta própria, principalmente durante o sono físico.

Na oratória, o palestrante — consciente e lúcido —, deve evitar a repetição que soa como lavagem cerebral. O correto é termos ligação com a verdade dos fatos, mesmo porque, para haver persuasão, é preciso haver credibilidade, pois a liderança social é essencialmente dinâmica e criadora, sendo condição vital do líder o prestígio, que se alicerça nas qualidades da persuasão.

(1) JUBRAN, Clélia Cândida Abreu Spinardi e KOCH, Indegore Grunfeld Villaça (Org.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.

(2) ChatGPT