07 outubro 2022

Como Ser um Bom Líder

Por que se preocupava com os empregos de pedreiro e semelhantes? “Não estou construindo essas coisas para mim, mas para minha cidade natal.” Lema de Plutarco: “A cidade antes de mim”.

Neste texto, reunimos alguns apontamentos do capítulo "Como ser um bom líder", do livro Como se Tornar um Líder, de Plutarco. 

Para Plutarco, a melhor maneira de aprender sobre a vida política era servir como aprendiz a um homem de experiência que estivesse interessado em guiar novatos e aumentar a confiança deles. Entre os tópicos que ele discute, há integridade pessoal, a importância de amizades, como melhor persuadir seus cidadãos, como não provocar seus superiores, os perigos inerentes a rivalidades e invejas.

Acha que a vida política deve estar colocada como uma base segura e forte, tendo princípio, julgamento e razão, e não ser instável por causa de uma reputação vazia, ou por rivalidade com alguém, ou pela impossibilidade de ter outras atividades. Enfrentar as dificuldades do cargo com perseverança e entusiasmo. 

Depois de decidir se dedicar de maneira firme e inflexível à política, o político precisa compreender o caráter dos cidadãos. Como exemplo, o povo ateniense é facilmente motivado para a raiva, mas também facilmente modificado para a piedade. Já o povo cartaginês é amargo, triste, obediente aos governantes, duro com os súditos... O político precisa ajustar-se a essa maneira de ser do povo ao qual governa. 

Cita que Temístocles, quando pensava em dar início à vida pública, afastou-se das bebidas e dos festejos, fazendo vigílias, ficando sóbrio e cuidadoso. Também Péricles modificou-se, em questões de corporais e de regime, para andar calmamente, conversar mansamente, sempre mostrar um olhar sério.

Em se tratando do poder do discurso, ao considerar a retórica não como a criadora, mas como cooperadora do convencimento, corrige o dito de Menandro: “É o caráter do falante que convence, não o discurso em si.” Na verdade, é tanto o caráter quanto o discurso.

O homem político necessita ter em si a mente que dirige e a palavra que incita. Quando Címon era grande, junto com Efialtes e Tucídides, este, perguntado por Arquidamo, o rei dos espartanos, sobre quem lutava melhor, se ele ou Péricles, disse: “Ninguém saberia, pois, quando eu o derrubo na luta, ele faz um discurso afirmando não ter caído, vence convence os espectadores.” 

Observação: em nota, o tradutor diz que a tradução literal deste texto é “conselhos políticos”, mas, tendo em vista o contexto mais amplo do livro, decidiu seguir a tradução inglesa.

PLUTARCO. Como se Tornar um Líder: Um guia Clássico sobre Liderança Eficaz. Tradução de Marco Lucchesi. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2020. Organização Jeffrey Beneker.

 

10 julho 2022

O Esforço Intelectual

Entre o fato e a ideia. Mas em que consiste o esforço intelectual? Passar de um plano de ideias para um outro plano. Pensemos no seguinte: é o fato iluminado por uma ideia; ou seja, a ideia encarnada no fato. O fato deve ser transportado a uma lei geral. E do mesmo modo, uma lei pura e abstrata não é concebível: a lei deve sintetizar uma multidão de fatos. Por isso, a capacidade de adaptação, que é a habilidade do espírito.

Dizia Foch, na Escola de Guerra: “Ponhamos de lado esses esquemas automáticos, retenhamos princípios gerais, depois apliquemos esses mesmos princípios ao caso novo e inédito, colocando-nos, sem cessar, o problema da finalidade, problema que o cérebro tanto despreza”. O mesmo deve ser aplicado aos trabalhos do intelecto.

Quando nos pomos a escrever, tudo se nos parece obscuro, pois estamos diante de uma ideia global. Em seguida, as primeiras palavras do orador ou do escritor constroem uma espécie de andaime para o que virá depois. Por isso, muitos se surpreendem com o poder de rascunhar as suas ideias, mesmo nas horas contadas de um exame.

Dai-me uma alavanca!”. Onde encontrar o ponto de aplicação? “Dai-me uma alavanca!”, dizia Arquimedes. “Dai-me, sobretudo, um ponto de apoio para nele aplicar a alavanca, e ela funcionará”. O erro está em procurar demasiado; eliminemos, simplifiquemos, substituamos as incógnitas por símbolos; façamos como se o problema estivesse resolvido. Repitamos esta regra natural: ir, em tudo, do conhecido para o desconhecido.

As fronteiras, passagens, analogias. O instinto do gênio consiste em reparar nas coisas singulares que contêm em si o universal em potência e que são suscetíveis de dar-nos, graças ao acréscimo da analogia, muitos outros conhecimentos. Cavamos no lugar onde estamos até que encontremos a galeria escavada pelo nosso vizinho e percebamos então a convergência de todos esses esforços.

Para distinguir o conhecimento profundo do superficial, fez uso da circunferência e um ponto a dentro dela. Se a pessoa rodar o a em círculo, terá um conhecimento enciclopédico, mas não o aprofundamento do saber. Vamos dar a esse ponto a um pouco de intuição e aplicação; dotemo-lo de uma potência de esforço e perseverança. Ele escolherá um ponto da circunferência e apontará para o centro da mesma. Essa é a imagem das duas espécies de saber, das quais uma, a da tentação, dispersa-nos à superfície, numa agitação sem fim, arranca-nos de nós próprios e do ser, convencendo-nos de que tudo difere de tudo; e a outra, pelo contrário, reconduz-nos ao centro e demonstra-nos, com encanto, a semelhança que liga as partes da experiência.

Fonte de Consulta

GUITTON, Jean. O Trabalho Intelectual: Conselhos para os que Estudam e para os que Escrevem. Tradução de Lucas Félix de Oliveira Santana. Copyright 1951. São Paulo, Campinas: Kibion, 2018.

 

 

31 março 2022

Bons Ouvintes

Jack Zenger e Joseph Folkman, no capítulo 3 — “O que os bons ouvintes realmente fazem”, do livro Empatia, de autores diversos, da Harvard Business Review, põe em dúvida a avaliação daqueles que se acham bons ouvintes.

Na perspectiva da maioria, ouvir bem se resume em:

— não falar quando os outros estão falando;

— fazer com que seu interlocutor saiba que você está ouvindo por meio de expressões faciais e sons;

— ser capaz de repetir o que os outros disseram, praticamente palavra por palavra.

Depois de analisar o comportamento de 3.492 participantes em um programa de desenvolvimento criado para ajudar os gerentes a se tornarem coaches (instrutores) melhores, foram constatadas 20 características que pareciam diferenciá-los, as quais foram agrupadas em quatro descobertas principais.

Ouvir bem é muito mais do que ficar em silêncio enquanto o ouro fala. Fazer uma boa pergunta diz ao interlocutor que o ouvinte não apenas escutou, mas que quer informações adicionais.

Ouvir bem envolve interações que aumentam a autoestima de uma pessoa. Participar é mais eficiente do que ficar em completo silêncio.

Ouvir bem é visto como parte fundamental de uma conversa colaborativa. O mau ouvinte é competitivo; o bom, colaborativo.

Bons ouvintes tendem a dar sugestões. A sugestão abre caminho alternativo a ser considerado.

12 fevereiro 2022

Administrando as Coisas de Casa

Vez ou outra deveríamos visitar os nossos armários e fazer uma boa avaliação do que lá se encontra. Nessa análise, incluamos tudo o que for possível, tais como, roupas, sapatos, bijuterias, panelas, talheres... Além disso, pode haver também cadeiras, móveis e outros materiais que nunca mais iríamos usar.  

Depois de escolhidos e retirados dos seus respectivos lugares, o próximo passo é nos desvencilharmos deles. Podemos enviá-los a uma creche, a uma casa de caridade, ou mesmo dar para um transeunte, pois aquilo que nos sobra pode ser útil ao nosso irmão, que passa por dificuldades financeiras.

O apego a um determinado objeto pode tolher a nossa liberdade de escolha. Há um livro que nos foi dado por fulano de tal, que é muito nosso amigo. Objetamos: o que ele irá pensar nós se aparecer em casa e não vir o livro em nossa estante? Há um presente que nos foi dado por tal pessoa, muito querida: como reagiremos ante a pergunta sobre o dito objeto? Nessa toada, vamos abarrotando a nossa casa com coisas que nunca chegaremos a usar. Se for conveniente, joguemos o supérfluo no lixo.

Depois de selecionar o que não precisamos mais e entregá-los a quem quer que seja, sentimos um alívio, parece-nos que estamos mais leves, que um peso foi tirado de nossos ombros, e que, doravante não precisamos mais carregá-los. Há um sentimento de liberdade, de novas esperanças, novas luzes.

A ocupação de coisas inúteis pode se dar também com relação à nossa mente. Quando estamos muito presos ao passado, chorando dificuldades e sentindo as dores do remorso, tolhemos o progresso para o futuro. Façamos o mesmo com os pensamentos infelizes, principalmente aqueles ligados à vingança por um mal que alguém cometeu contra nós.   

Mente sã, corpo são. A faxina do lar ajuda-nos a ter uma vida mais saudável.