01 março 2026

Eloquência

Eloquência é uma palavra que perdeu o seu sentido original. Muitos falam dela de modo pejorativo. Há, porém, boas razões para vê-la dentro de um contexto mais amplo, em que se privilegiam o convencimento e a persuasão daqueles que falam em público. Isto porque, todo o orador, quando fala, quer ser ouvido. Caso contrário, para que falar em público?

Na antiguidade clássica grega a palavra falada era muito exaltada. Os gestos, as posturas, a teatralização e as demais formas de se expressar nada mais eram do que modos diferentes de atrair o público. Naquela época havia um grande prazer em assistir a uma peça oratória, porque esta era a única forma de transmitir conhecimentos. Os livros e a gama enorme dos meios de comunicação de massa que temos nos dias que correm, principalmente os recursos da Internet, eram inexistentes.

Deleitar o espírito dos ouvintes era o principal fim de todas as orações. Nesse mister, há o exemplo de Demóstenes, o imortal ateniense, muito citado nos livros e cursos de oratória. Desde o seu nascimento, fora tolhido por graves deficiências, inclusive a gaguez. Como tinha a ambição de transmitir aos outros os seus pontos de vista, andava na praia com pedrinhas na boca, no sentido de melhorar a nitidez de sua voz. O seu esforço foi tanto que não demorou muito tempo para se tornar o maior orador de todos os tempos.

Observe o que alguns pensadores disseram sobre o tema: para Pascal, "A eloquência é a pintura do pensamento"; para E. Ferri, "A eloquência é o talento de transmitir com força ao espírito dos outros, o sentimento de que o orador está possuído"; para Dammien, "A eloquência é a arte de dizer bem aquilo que é preciso, tudo quanto é preciso, e nada mais do que isso"; para Rui Barbosa, "A eloquência é a sinceridade na ação".

Ilustremos o tema com uma comparação entre o orador e o pintor. O pintor, ao dar vazão ao seu sentimento artístico, fá-lo para si mesmo, para agradar ao seu ego, à sua concepção de arte; o orador, não. Ele tem que falar para atingir a quem ouve, isto é, à plateia. Pergunta-se: como será ouvido se não conseguir prender a atenção de quem o escuta? Este deve ser o grande exercício do orador: agradar aos olhos e aos ouvidos do público. Para tal finalidade, precisa de persuasão e de eloquência.

A eloquência não é falar fácil e corretamente, impressionar os sentidos alheios, mas expressar o pensamento próprio, com graça, equilíbrio, harmonia e muita perspicácia de tempo e lugar.

 

Escrever

Escrever e falar podem ser sempre aprimorados. Existe alguma técnica específica? Como proceder? Há livros, cursos, professores e a Internet. Todos estes veículos de comunicação oferecem-nos sugestões valiosas, mas o trabalho maior pertence a nós mesmos. Quer dizer, se quisermos escrever temos de pegar a caneta, o papel e colocar mãos à obra. Em outras palavras, temos de aprender a escrever, escrevendo. Vejamos algumas dessas regras.

Coerência, clareza e concisão são as primeiras recomendações. A coerência diz respeito ao fluxo de ideias. A frase anterior tem que ter relação com a presente e esta com a seguinte, pois se não seguirem esse fluxo lógico, o leitor terá dificuldade para entender a lógica de um raciocínio. Para obter a clareza, as frases não devem ser rebuscadas, nem conter ambiguidade ou mesmo a vaguidade. Concisão é exprimir muito em poucas palavras. A navalha de Ockham é digna de nota: "onde houver duas definições, a que tiver menor número de palavras deve ser a preferida".

Compromisso com a verdade. Todos os que se colocam como propagadores da informação devem fazê-lo dentro de uma ética profissional, ou seja, evitar a perda de tempo do leitor. O mesmo se aplica ao discurso falado. Sobre esse mister, há uma advertência interessante: "aquele que não fosse sincero com o ouvinte ou leitor deveria morrer na cadeira elétrica". O tempo é o bem mais precioso que possuímos. Não deveríamos desperdiçá-lo com palavras vãs, discurso oco e histórias que não contribuem para o engrandecimento moral e espiritual do ser humano.

A introdução é um entrave? Em ensaios, ou trabalhos mais longos do que uma simples página, temos dificuldade de fazer a introdução. Os entendidos no assunto instruem-nos a deixar essa fase para o final do trabalho. Ao mesmo tempo, aconselham-nos a anotar o transcurso do pensamento, sem nos preocuparmos com a sua apresentação. Depois que tudo estiver documentado, forma-se naturalmente em nossa cabeça as palavras introdutórias ao tema. Basta apenas colocá-las no seu devido lugar.

A limitação de palavras imposta ao tema é difícil de ser seguida? Não desistamos. Se nos pedirem x linhas, devemos entregá-lo em x linhas, nem mais e nem menos. Como conseguir? Façamos por etapas: escrevamos o primeiro esboço; depois, vamos complementando-o. O computador auxilia, pois podemos ir acrescentando ao que já estiver digitado. Observe a montagem de um filme em que o diretor focaliza um tema específico e vai criando imagens acerca daquele tópico. A criatividade consiste nisso: ampliar as informações acerca de um mesmo tema.

Busquemos a coerência conosco mesmos. Ao escrever, escrevamos para informar ou educar, mas nunca para nos mostrarmos superiores aos outros.

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Palavras e Expressões dos Modernosos

O modernoso gosta de “atingir patamares”, “alavancar processos”, “desenvolver atitudes proativas” e “otimizar resultados”. Para ele, é preciso “tirar decisões”, “priorizar espaços”, “encontrar soluções” – “a nível de país”. E mais

Ele não vive sem o “beach-soccer”, o “delivery”, o “coffee-break” e o evento “in-company”, atividades que devem melhorar o “empowerment”.

Ele não convive; “vivencia”. Ele não anexa; “atacha”.

Para o perfeito “mix”, falta-lhe adotar “randomicamente” atitudes emblemáticas “enquanto ser humano”.

OLIVEIRA, J. P. Moreira de, MOTTA, C. A. de Paula. Como Escrever Melhor. São Paulo: Publifolha, 2000.

 

Símbolo e Comunicação

Símbolo - do gr. symbolon = neutro - vem de symbolé‚ que significa aproximação, ajustamento, encaixamento, cuja origem etimológica é indicada pelo prefixo syn, com e bolé, donde vem o nosso termo bola, roda, círculo. Referia-se, deste modo, à moeda usada como sinal. O símbolo é, pois, tudo quanto está em lugar de outro. Comunicação - do lat. communicatio, de communis = comum -, ação de tornar algo comum a muitos. É o estabelecimento de uma corrente de pensamento, dirigida de um indivíduo a outro, com o fim de informar, persuadir ou divertir.

A comunicação de uma ideia deve estar inserida dentro do contexto simbólico do ouvinte. Observe, por exemplo, o anúncio de uma nova descoberta científica a um grupo de indígenas. É preciso muito tato e muita sabedoria para fazê-los entender, visto pertencerem a um universo de valores diametralmente oposto ao discurso científico. Às vezes, essa distância é tão grande, que torna inviável qualquer comunicação.

O homem é um animal simbólico. Fabrica mitos, ídolos, salvadores da pátria, e vive de acordo com essas concepções. Há, na Filosofia, a simbólica, ou seja, uma matéria voltada para o estudo da gênese, do desenvolvimento, da vida, da morte e da ressurreição dos símbolos. A simbólica tem por objetivo descobrir o que está escondido atrás dos ritos e dos dogmas sob emblemas tão diversos. Por isso, utiliza-se do método dialético-simbólico, no sentido de, através da analogia, tornar compreensível o processo mágico, as fantasias e os mistérios.

O símbolo é a espécie e o sinal o gênero. Quer dizer, todo símbolo é sinal, mas nem todo sinal é símbolo. Para que o sinal seja símbolo ele tem que estar no lugar de outro. O sinal pode ser apenas convencional, arbitrário. O símbolo, não. Este deve repetir, analogicamente, algo do simbolizado. Além disso, o símbolo é meio de acesso às realidades pessoais, misteriosas e inacessíveis a uma observação direta e imediata. Por exemplo: o signo bandeira simboliza os vários graus de heroísmo.

O homem, praticamente, não dispõe de um símbolo mais privilegiado para a comunicação do que a palavra. Imagine um indivíduo feito uma estátua. Nessa circunstância, é difícil sondar-lhe o pensamento e o sentimento. Porém, ao se expressar, torna-se logo conhecido. Além da transmissão de conteúdo, a palavra é muito mais um instrumento de comunicação espiritual: faculta ao ouvinte a elaboração de novas ideias sobre o discurso proferido.

A palavra é um dom divino. Revistamo-la da simbologia necessária, mas não nos esqueçamos de que ela deve ser usada para instruir, educar e elucidar as almas que nos rodeiam.

Discurso Político

discurso político fundamenta-se numa decisão sobre o futuro, ao contrário do discurso forense, que julga um fato passado. O estadista, objetivando alcançar o bem comum, concebe um estado ideal (futuro) contraposto ao real (presente). Por isso, a política é a ciência do possível, ou seja, daquilo que pode ser feito.

Os políticos, para melhor atrair a atenção dos ouvintes, valem-se da persuasão e da eloquência. Na persuasão ordenam os pensamentos, de tal modo, que os levam a aceitar seus pontos de vista de modo suave, habilidosamente; na eloquência, exaltam o otimismo, o entusiasmo e a vivência no paraíso terrestre, apesar das dificuldades aparentes. Por saberem que a mente humana condiciona-se melhor à afetividade, apelam mais à emoção do que à razão.

Na alegoria do mito da caverna, Platão descortina-nos novos horizontes para entendermos a essência do discurso político. A busca da verdade a que se empenhou o filósofo, fê-lo distinto dos homens que ficaram na caverna. De posse do conhecimento, sente-se na obrigação de anunciá-lo aos que lá ficaram. Temeroso de que não seja compreendido, cria o mito, isto é, atenua a verdade com o objetivo de ser aceito.

A cada nova eleição centenas de candidatos concorrem às diversas vagas disponíveis. Por conseguinte, serão muitos os discursos que teremos de avaliar. De que maneira podemos constatar a veracidade das teses expostas? Observando e fazendo contas. Suponha-se que haja a promessa de construção de casas próprias. Multiplica-se o número oferecido pelo custo de cada uma e compara-se com os recursos disponíveis. Aos defensores da moral, sondar-lhes o passado. E assim por diante.

O instante do voto é o momento propício para a substituição da classe política dirigente. Cada povo tem o governo que merece, diz o anexim. Somos um ente político, portanto com o poder de modificar a nossa sociedade. Reflitamos, pois, ao colocar um x neste ou naquele pretendente. Esta atitude, constante, em todos os eleitores, será suficiente para a mudança radical do quadro vigente. 

Desconfiemos daqueles que prometem "mundos e fundos". A humildade e a simplicidade cabem em qualquer lugar. Procuremos descobrir essas virtudes nas entrelinhas dos discursos. Agindo assim, teremos melhores condições de bem escolher aqueles que irão nos governar.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

 

Medo de Falar em Público

Medo – do latim metu – significa o sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário. No âmbito da oratória, é a sensação de que se vai esquecer daquilo que se tem de falar, de não agradar ao público, de dizer coisa banais. Seus sintomas são: coração dispara, respiração torna-se ofegante, ondas de calor percorrem o corpo todo, as mão tremem, a voz fica embasbacada etc.

De acordo com a Psicologia e ciências afins, o medo do erro é normal e natural. Somente em 20% dos casos é possível encontrar algum trauma que justifique o surgimento da fobia. A naturalidade prende-se ao fato de nos sentirmos responsáveis por aquilo que estamos informando ao público. Como não queremos passar dados inverossímeis, a apreensão, a ansiedade gera-nos um pequeno desconforto, uma tensão, um nervosismo. Mas, tão logo se começa a falar, voltamos ao nosso estado normal.

No lado oposto, há o fóbico social. Este tem dificuldade de se relacionar, não consegue olhar nos olhos do seu interlocutor, conversar naturalmente com seu superior, apresentar ideias, compartilhar tarefas. "A característica mais marcante desse tipo de fobia é o medo que a pessoa tem do julgamento dos outros". O fóbico social geralmente é muito perfeccionista. Como é impossível agradar a 100% das pessoas ele prefere se omitir. Isola-se e, a cada dia que passa, vai ficando mais isolado. Isto tudo porque, quando não exercitamos os nossos dons, os mesmos nos serão tirados.

Os peritos na arte da oratória dão-nos algumas orientações: prepare-se com antecedência: vá para o evento com o máximo de informações possíveis; faça um roteiro e procure segui-lo; cheque todos os dados quantas vezes achar necessário; se não se sentir seguro, simule uma apresentação em frente ao espelho ou diante dos familiares; tenha consciência de que é impossível agradar a todos que irão ouvi-lo; antes de entrar em cena, procure relaxar. Você pode ouvir música, fazer exercícios respiratórios, rezar, meditar.

O medo é um verdugo impiedoso dos que lhe caem nas mãos, um inimigo traiçoeiro e forte que esmaga os poderosos e enfurece os fracos, um algoz impenitente que destrói tudo o que se lhe oferece, em fim é o agente de males diversos, que dizimam vidas e deformam caracteres, alucinando uns, neurotizando outros, gerando insegurança e timidez ou levando a atos de violência irracional. Mas se pensarmos em termos de um dever a cumprir de uma missão a ser levada a efeito, sem dúvida, conseguiremos diminuí-lo sobremaneira.

Lembremo-nos de que se o medo é um sentimento dos nervos, basta a simples reflexão para eliminá-lo. Contudo, se mesmo assim ele persistir, enfrentemo-lo face a face.

Fonte de Consulta

SILVEIRA, M. Você Tem Medo de quê? Revista Você, setembro de 2001, p. 54 a 59.

 

Etimologia e Semântica

Etimologia - ciência que investiga as origens próximas e remotas das palavras e sua evolução histórica. Do grego étymon (étimo) vocábulo que é origem de outro. Semântica - estudo das mudanças que no espaço e no tempo, experimenta a significação das palavras consideradas como sinais das ideias: semasiologia; sematologia; semiologia. Do grego sëma-tos "sinal, marca, significação".

As contradições nos debates são muitas vezes fruto das diferentes interpretações que a mesma palavra oferece. Nesse sentido, Sócrates, filósofo grego da Antiguidade, orientava-nos para bem definir o termo antes de começarmos a discutir. Adquirindo o hábito de enunciar a terminologia correta, pouparemos o tempo que o grupo gasta na compreensão do seu significado.

A percepção do conceito pressupõe a superação do preconceito. Este caracteriza-se pela cristalização de certas ideias, sem fundamento racional e científico. Se permanecermos "fechados" no passado, perderemos as oportunidades de evolução que o curso da vida nos oferece. Assim, uma postura aberta ao novo cria em nós uma mentalidade livre do espírito de sistema.

Etimologia e semântica vêm a calhar. Para bem exprimirmos o conteúdo do nosso pensamento, temos de consultar muitas obras literárias. Desta forma, a lembrança de que devemos ler com lápis, papel e dicionário à mão é muito oportuna. Isto porque, à medida que a dúvida surge, temos condições de dirimi-la e melhorar a compreensão daquilo que estivermos estudando.

Aprender o "sinal" correto da ideia é uma obrigação, desde que queiramos bem expressar o nosso pensamento. Contudo, não devemos nos fiar inteiramente neste objetivo, porque transmitimos muito mais pelo que somos do que pelo que dizemos. Reconheçamos que a linguagem do pensamento é universal e veiculada através das ondas mentais. Voz, gestos e dicção auxiliam, mas a essência é a nossa conduta moral.

Aliemos ao estudo a meditação e a inspiração, a fim de melhor penetrar no âmago do conhecimento superior.

Sintonia entre o Orador e o Auditório

Sintonia - do grego syntonia - significa acordo mútuo, reciprocidade. Em Psicologia é o estado de quem se encontra em correspondência ou harmonia com o meio. Orador - do lat. oratore -, aquele que ora um discurso em público. Auditório - do lat. auditoriu -, conjunto de ouvintes que assiste a algum discurso.

indutância, a capacitância a ressonância e a própria sintonia em eletricidade oferecem-nos campo para a analogia. Valendo-nos da ressonância, coloquemos quatro pêndulos (dois de comprimento curto e dois de comprimento longo) e movimentemos um deles. Imediatamente, o pêndulo de mesmo comprimento começará a oscilar querendo entrar na mesma freqüência daquele que foi acionado, enquanto os outros dois permanecem fixos. Como interpretar psicologicamente esse fenômeno mecânico?

discurso oratório pressupõe o emissor, a mensagem e o receptor. O orador é o indutor, ou seja, o pêndulo emissor. À sua frente os ouvintes. Para que seja ouvido deve entrar em sintonia com o auditório. Mas, o que é entrar em sintonia com o público? é captar o ponto médio dos ouvintes e trabalhar em cima dele. Pois, se estiver muito acima da média não será entendido e, muito abaixo, tornar-se-á desinteressante.

impacto interpessoal define o ajustamento entre o orador e o público. Para que o orador desperte a atenção consciente dos ouvintes, deve falar somente aquilo que interessa ao auditório. Pressupor público inteligente e falar como se estivesse na condição de ouvinte auxiliam sobremaneira a preparação de nossa peça oratória. Consequentemente, criaremos um campo mental harmonioso entre nossa pessoa e aqueles que nos ouvem.

manutenção do interesse durante a exposição exige diversos cuidados. Primeiramente, o preparo do orador. Este deve ter em mente a sintonia com Deus, consigo próprio e com aqueles que irão ouvi-lo. Em segundo lugar, a preparação do tema. Montar e seguir um roteiro, deixando brechas para a criatividade do momento, em que os Benfeitores Espirituais poderão inspirar-nos o pensamento correto para atender às necessidades do ambiente.

Apliquemos todas as nossas potencialidades para a compreensão do tema a ser exposto. A naturalidade de nossa expressão garantirá a verdadeira sintonia com o público que nos assiste.

 

Ensino e Aprendizagem

Ensino - do lat. "in + signare" = marcar com um sinal - significa transmissão de conhecimentos, de informações ou de conhecimentos úteis ou indispensáveis à educação ou a um fim determinado. Aprendizagem - do lat. apreender -, aquisição de conhecimentos ou habilidades. Para que possamos maximizar a relação ensino-aprendizagem, convém adotarmos uma atitude desarmada e sem preconceitos.

Emissormensagem e receptor são os elementos básicos no processo de ensino. O emissor deve revestir-se de técnicas de oratória, recursos audiovisuais e métodos de ensino, a fim de tornar a mensagem persuasiva. O receptor, por sua vez, deve desenvolver a capacidade de atenção e concentração, para absorver adequadamente as informações recebidas.

Produção do saber é a finalidade do ensino. Professores e oradores revestem-se de técnicas de oratória, educando a voz, postura e gestos para melhor atrair o público. Algumas escolas criaram a "metodomania", isto é, tudo tem que ser ensinado segundo um dado método: Piaget, Montessori, Pestalozzi e outros. Os métodos de ensino auxiliam, mas somente o que carregamos dentro de nós conseguimos transmitir aos demais.

discurso didático deve ser a tônica do ensino. O professor quando descreve, interroga e avalia tem um objetivo: produzir conhecimento. Evita, assim, o discurso ordinário, que é a conversação causal e espontânea. Importa marcar o aluno com um sinal positivo, ou seja, obrigar o aluno a pensar profundamente no que lhe foi transmitido.

A vocação do estudante deve ser sempre ponderada pelo instrutor. Segundo a psicologia, não há dois indivíduos iguais, nem tampouco dois grupos idênticos. A peculiaridade de cada situação exige soluções criativas. Prestando atenção a esses pormenores, consegue-se educar com êxito.

Ensinando, burilemos nossas palavras; aprendendo, eduquemos nossos olhos e ouvidos. Tornando-nos conscientes desta conduta, aumentaremos o rendimento no processo de ensino. Aprendendo mais em menos tempo, liberaremos nossas energias mentais para outros campos de interesse do espírito.

Fonte de Consulta

NÉRICE, I. Educação e Ensino. São Paulo: Ibrasa, 1985.

KNELLER, G. F. Introdução à Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: Zahar
Editores, s.d.p.

MORAIS, R. O Que É Ensinar. São Paulo, E.P.U., 1986.


Disurso

Discurso - do latim discursu(m)- significa ação de correr por ou para várias partes. O termo comporta polivalência de sentido. Em oratória, designa a elocução que visa comover e persuadir; na esfera dos estudos linguísticos, representa a "sucessão coordenada de frases"; em trabalhos de cunho científico, assume a denotação de "tratado", "dissertação", como, por exemplo, o Discurso do Método de Descartes; em filosofia, distingue-se o teor "discursivo" do "intuitivo".

estrutura do discurso fundamenta-se no exórdio, na argumentação e na peroração. Embora tenhamos muitas técnicas para bem iniciar e terminar uma alocução, não resta dúvida que a argumentação é sua trave mestra. Esta é a parte em que o indivíduo mostra o seu conhecimento, a profundidade de seu pensamento. Para que haja comoção e persuasão, os princípios elaborados devem ser lógicos e coerentes.

Expressamo-nos através da palavra pensada, falada ou escrita. A sonoridade da voz e a dicção perfeita auxiliam a propagação de nosso pensamento, porém o que realmente conta é a essência daquilo que queremos transmitir. Voz adocicada e gestos delicados podem, muitas vezes, encobrir o verdadeiro caráter de um indivíduo. Contudo, se nos habituarmos a olhar criticamente, teremos condições de separar o joio do trigo.

Operações intermediárias encadeadas caracterizam o adjetivo "discursivo" oposto a "intuitivo". Urge reconhecer que a descoberta nas ciências e nas artes não segue uma sequência de operações elementares parciais e sucessivas. Ela, muitas vezes, vem abruptamente. A ordenação das ideias surge "a posteriori" como elemento para tornar claro aquilo que se apreendeu de modo vago e obscuro.

O "discurso do homem" é a manifestação da sua personalidade. Melhorando o teor de nossos argumentos, mudaremos o conceito que os outros formam de nós. Leitura metódica, estudo constante e reflexão frequente auxiliam sobremaneira a aquisição de novos valores da vida. Sem esforço perseverante da vontade, nada de útil conseguiremos amealhar em prol de nosso passivo intelectual.

Escolhamos com critério os alimentos material e espiritual, a fim de que o nosso "discurso" seja repleto de força, determinação e otimismo.

Fonte de Consulta

TRINGALE, D. Introdução à Retórica (a Retórica como Crítica Literária). São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1988.

A palavra "aporia" tem origem no grego antigo e significa literalmente "ausência de passagem" ou "impasse". Na filosofia e retórica, ela assume dois significados principais:

Aporia como impasse filosófico: refere-se a um enigma ou paradoxo que surge em um questionamento filosófico. É um ponto de perplexidade onde a razão parece encontrar caminhos contraditórios, sem uma solução evidente. Por exemplo, o paradoxo de Zenão sobre a impossibilidade de movimento levanta uma aporia, pois aparentemente viola nossa intuição sobre o movimento, mas a lógica por trás do paradoxo também parece sólida.

Aporia como estratégia retórica: descreve a situação em que o falante expressa dúvida ou incerteza, mesmo que seja fingida. O objetivo é levar o ouvinte a refletir sobre o assunto e buscar a conclusão pretendida pelo orador. Por exemplo, um advogado criminalista pode dizer: "Não sei como alguém poderia cometer tal crime sem deixar rastros", sutilmente sugerindo a inocência do cliente. (Gemini)