19 abril 2016

Início de Discurso: Alguns Exemplos

Apologia a Sócrates (Platão)

Ignoro a impressão que vos causaram os discursos de meus acusadores, homens de Atenas; porém, eu ouvindo-os, por pouco não me esqueci de quem sou, tão convincentes foram. Claro que a verdade estava completamente ausente neles. Entre o grande número de suas mentiras surpreendeu-me, particularmente, a afirmação de que deveis ter cuidado para não deixar-vos enganar por mim, por ser eu um grande orador. Não se considera um grande orador, a menos que um grande orador seja aquele que diz a verdade. Os discursos de meus acusadores não contêm um vestígio de verdade, eu, porém, vou dizer toda a verdade...

Sobre o Furto (Santo Agostinho)

Duas palavras do Apóstolo: Para que possa exortar segundo a sã doutrina e refutar os contraditores (Tit. I9).

Em primeiro lugar, e com o auxílio de Deus, exporei o que seja refutar os contraditores. Nem todos os contraditores são de uma mesma espécie, pois raríssimos são os de palavra, enquanto abundam os que nos contradizem vivendo mal. Há cristão que se atreve a dizer-me: "É bom roubar o alheio", quando nem sequer nos permite o guardar tenazmente o próprio?...

Sobre a Ciência (Einstein)

(Pronunciado em Buenos Aires, 1931)

Magnífico Reitor, Professores e Estudantes da Universidade

Nestes dias de lutas econômicas e políticas, e de divisões nacionalistas, constitui uma grande alegria, sem dúvida, saber que alguns homens se reúnem exclusivamente para dedicar sua atenção aos altos valores que todos têm em comum apreço. É para mim motivo de contentamento poder falar, nesta terra bendita, a um pequeno número de homens interessados em assuntos científicos, nos problemas que formam o principal objetivo de minhas meditações.

Há, na ciência de todos os tempos, duas ordens de empenhos contraditórios que, complementando-se, contribuem para o progresso: o esforço em busca da expansão e enriquecimento do nosso saber individual, e o empenho em alcançar a unidade sistemática do conhecimento. Como os meus trabalhos sempre têm tido por objetivo o último desses esforços, quero expor aqui, com mais precisão, algumas considerações a esse respeito...

O Homem e sua Circunstância (Ortega Y Gasset)

De que falaremos, meus amigos, nestes dias em que se comemora o aniversário de Ateneu de Gijon? Não se pode deixar de saber que hoje, pela primeira vez, e afortunadamente, a Espanha está preocupada com a política. Não se fala de outra coisa, de mar a mar, desde Maladetta até Guadix. Em alguns, essa preocupação está amadurecida de ansiedade e de esperança; em outros, está cheia de temor e de angústia. Magnífico. Quer dizer: a Espanha começa realmente a viver.

Então, que é a verdadeira vida? A verdadeira vida é, em suma, o ato de sentir ânsias, esperanças, angústias e temores...

O Sentido da Profissão (Gabriela Mistral)

A nobre Universidade de Porto Rico quis ceder a palavra, neste ato de colação de grau, a um estrangeiro e, mais ainda, a uma mulher: dupla generosidade e dupla dívida minha, à que tenho de corresponder. Para esquecer a minha qualidade de estrangeira, ajuda-me a lembrança de Eugênio Maria de Hostos, um homem de Porto Rico, mas um educador no Chile. Não tenho nenhuma intenção de esquecer a de mulher, e, para onde vá um grupo de homens receber uma honra coletiva e algum encargo na vida, sempre está a mulher afirmando sua admiração que lhe é fácil sentir e exprimir, porque ela nasceu para admirar os homens. Mas, a que elogia tem o direito de dar ao seu elogio, algumas vezes, o sabor agridoce da crítica e da imposição de obrigações, porque também ela nasceu para ser guardiã da vida e como uma sócia natural de todos os negócios vitais.

Aos Estudantes da Arte (Oscar Wilde)

No discurso que esta noite tenho a honra de pronunciar diante de vós, tratarei de não dar nenhuma definição abstrata da beleza, pois os que trabalhamos na arte não podemos aceitar nenhuma teoria em troca da beleza, e assim, longe de pretender isolá-la numa fórmula dirigida à inteligência, procuraremos, ao contrário, materializá-la numa imagem que outorgou alegria à alma, por meio dos sentidos. Nós queremos, em suma, criar a beleza e não defini-la. A definição deveria seguir, acompanhar a obra, e não a obra adaptar-se à definição.

No Centenário de Pombal (Rui Barbosa)

Minhas Senhoras

Meus Senhores

Todas as notas da elegia das aflições humanas soluçam no quadro de suprema angústia, que, num dia inolvidável, apavorou, há cento e vinte e sete anos essa gloriosa extrema europeia dos Lusíadas,

Onde a terra se acaba, e o mar começa. (1)

Esse largo sorriso, azul como a onda jônia, da Europa ao Oceano, deslizado em curvas graciosas à foz sussurrante do Tejo, anegra-se e contrai-se numa expressão de inenarrável desespero. Era a manhã de Todos os Santos, em 1755. Uma convulsão atroz agita a soberba cidade em violentas contorções. O solo desloca-se, gemendo, nos espasmos de um fenômeno assombroso, cujo circulo de oscilações estende-se de Dantzig a Marrocos, da Inglaterra a Madrid...

(1) Camões: Lus. III, XX.

Autores dos Discursos

Agostinho
 de Hipona, conhecido como Santo Agostinho (354-430). foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo, cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental.

Barbosa, Rui
 (1849-1923). Orador, político e jurisconsulto brasileiro de universal renome.

Albert Einstein
 (1879-1955). Ainda ecoa no ambiente — e por muitos anos continuará ecoando — o nome deste sábio que pela voz unânime, não de um país apenas, mas de toda a Humanidade, foi consagrado como "a luz de nosso século".

Gabriela Mistral
 (1889-1956). Nome literário da escritora chilena Lucila Godoy alcayaga. Aos 20 anos foi abalada pelo suicídio de seu noivo, mergulhando na mais profunda desolação. Dando lugar a sua dor, escreveu os Sonetos da Morte (1914) que consagraram seu nome ao país. Desde simples professora rural soube elevar-se até os píncaros da glória literária e do sacrossanto apostolado cultural. "Anjo da guarda da república do Chile" — a intitula d'Ors.

Ortega Y Gasset
 (1883-1955). Filósofo espanhol, catedrático de metafísica durante muitos anos na Universidade de Madri e uma das figuras mais vultuosas no campo filosófico moderno.

Platão
 (428-347 a.C.). Filósofo ateniense, um dos maiores de todas as épocas, mestre de Aristóteles e discípulo de Sócrates, cujo pensamento transvaza em seus Diálogos imortais.

Wilde, Oscar [Fingal O'Flahertie Wills]
 (1854-1900). Foi um influente escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa.

Fonte de Consulta

Titãs da Oratória
 (Volume X). Tradução do Dr. Silvano de Souza. 2.ed., Rio de Janeiro: El Ateneo.






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18 abril 2016

Os Três Inimigos da Oratória

Max Eastman, publicista e romancista contemporâneo, no artigo "Oratória, a Arte Esquecida", em Titãs da Oratória, esclarece-nos que "o verdadeiro orador não é loquaz, mas não existem grandes oradores". Diz-nos, também, que na sua melhor acepção, a oratória é uma arte dramática, em que o orador fala sobre algum assunto que preparou antes. Poderíamos melhorar essa arte se soubéssemos claramente os fatores que lhe são negativos. 

O principal inimigo do orador é o microfone. Demóstenes, renomado orador grego, disse que as três qualidades essenciais da oratória sui generis são: a ação... a ação... a ação. Quem ouve, através do microfone, perde essas três. Ninguém vai decorar um discurso para ficar parado como um poste e dizê-lo pelo microfone. 

Outro inimigo da oratória é a ideia que ele é fruto da "inspiração". O bom discurso — como diz Cícero — há de ser "cuidadosa e trabalhosamente elaborado", e, se o foi — afirma também o grande orador romano — seu estilo terá força capaz de impelir o orador, caso se ofereça oportunidade, ao improviso com a mesma eloquência — é como se fosse um barco que, em plena marcha, mantém o rumo e o movimento, mesmo quando os remadores descansam os remos. 

O terceiro inimigo da oratória é a crença errônea de que é necessário falar muito depressa se desejarmos causar impressão. Os grandes estadistas falam devagar. Vez ou outra até param para que o público possa absorver o raciocínio que estavam desenvolvendo. 

In: Titãs da Oratória (Volume X). Tradução do Dr. Silvano de Souza. 2.ed., Rio de Janeiro: El Ateneo, 
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13 abril 2016

Notas do Livro "Oratória Descomplicada"

Notas extraídas do livro Oratória Descomplicada, de Adriane Werner.

Introdução

Desde a Antiguidade, as habilidades de comunicação são admiradas nas pessoas. Para que alguém seja comunicativo, ele não precisa ter nascido com dom especial. Basta um pouco de boa vontade e muito treino. 

A tradição oral era a tônica na Grécia Antiga. Na época, os gregos só liam em voz alta. 

Demóstenes, considerado o maior orador grego, era feio, franzino, gago e cheio de cacoetes. Com muito treino e muito sofrimento físico, como por exemplo, colocar pedras na boca para melhorar a dicção, tornou-se um grande orador. 

Lembrete: em todas as áreas de atuação, os profissionais mais comunicativos tendem a obter melhores resultados. 

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04 abril 2016

Notas do Livro "Confissões de um Orador Público"

Notas do livro Confissões de um Orador Público, de Scott Berkun.

AVISO LEGAL

Este livro é muito dogmático, pessoal e cheio de histórias de bastidores. 

Embora tudo neste livro seja verdadeiro e escrito para ser útil, se você nem sempre gosta de ouvir a verdade, ele pode não ser para você. 

Este livro é escrito com fé na ideia de que se todos falássemos com ponderação e ouvíssemos com cuidado, o mundo seria um lugar melhor. 

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