22 maio 2015

O Google e a Memória

Na antiguidade, a memória era bastante valorizada; muitas informações só eram obtidas quando repassadas por seus detentores. Na Grécia, berço da civilização ocidental, praticava-se a oratória, onde a memória tinha grande peso. Num tempo não muito distante, ela é ainda acionada, principalmente pelos religiosos, que transmitem de viva voz trechos da Bíblia, sentenças de Jesus e máximas dos grandes pensadores da humanidade. 

O surgimento do Google parece que resolveu o problema da memória: tudo o que precisamos fica guardado  no estoque mundial de informações (www). Basta digitarmos uma palavra ou fazermos uma pergunta e o Google nos dá, em poucos segundos, a resposta. Para que isso seja possível, o Google aciona entre 700 e mil computadores de seu banco de dados, cujas informações estão indexadas. 

A facilidade e a gratuidade de uma resposta dão a sensação de algo positivo. Temos a impressão que a coisa é boa e enaltecemos a onipotência desta empresa. A verdade, porém, é que "não existe almoço grátis"; tudo tem o seu preço. O preço que o Google cobra é nossa atenção aos anúncios veiculados. A resposta rápida e fácil, além de ser superficial, deixa o usuário preguiçoso: os textos têm que ser curtos. 

O Google não está interessado no aprendizado do usuário: seu objetivo é dar respostas fáceis e rápidas. Uma observação: onde o Google entra ele destrói ou desarticula o mercado. Desde 2006, o Google vem insistindo em tornar o Gmail exclusivo e vitalício em diversas universidades. Caso isso se concretize, desbancará a Microsoft e o Yahoo. Há que se tomar cuidado com as garras do Google, que se ampliam cada vez mais.

Em vista do exposto, Siva Vaidhyanathan, autor de A Googlelização de Tudo: E Por que Devemos nos Preocupar, propõe-nos o Projeto do Conhecimento Humano, "que identificaria uma série de desafios políticos, necessidades infraestruturais, lampejos filosóficos e desafios tecnológicos com um único objetivo em mente: organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível". 

Tenhamos cuidado com as coisas fáceis. Os antigos já nos diziam que a sabedoria está nas dificuldades vencidas e não numa resposta automática e superficial. 

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