28 agosto 2012

Objetivo e Empreendimento

"Antes de empreender, necessário se faz definir o objetivo".

Qual o objetivo a ser alcançado? Qual o motivo para iniciá-lo? Sem saber aonde se pretende chegar, é difícil determinar o porto para o qual se dirigir. Napoleon Hill diria: “O homem que sabe o que quer já percorreu um longo caminho para alcançá-lo”.

De maneira geral, não temos o hábito de pensar e refletir sobre as consequências de um determinado projeto. Um lampejo pode parecer, à primeira vista, uma ideia genial. De posse dela, passamos  a distribuir tarefas no sentido de concretizá-la. Guiados pelo impulso, não visualizamos nenhum  tipo de malogro. Quando o futuro se torna presente, aparecem as falhas que poderiam ter sido evitadas. Mas agora já é tarde.  

Suponha o seguinte evento: comemoração de aniversário (50, 60 ou 70 anos de fundação) da entidade que participamos. Como o número é grande e redondo, salta-nos à mente o ritual de renovação: devemos fazer algo especial, ou seja, convidar pessoas famosas (de fora) para fazer discursos e abrilhantar a nossa festa. Diante dessa evidência, passamos para a prática organizacional. 

O que faltou? Explicitar claramente o objetivo do evento. Será realmente necessário convidar um orador famoso para esse aniversário? Não seria mais conveniente aproveitar a experiência de um fundador da empresa, uma pessoa que deu duro para mantê-la de pé todo esse tempo? Convidando alguém de fora, deixamos de lado o que contribuiu eficazmente, ratificando o provérbio: "Santo de casa não faz milagres".  
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Mudando a Resposta Habitual


Exercício: somos diretores de uma empresa e temos uma vaga só nossa no estacionamento. Outro funcionário, hierarquicamente mais abaixo, toma-a para si. Chegamos com o nosso carro e não temos onde colocá-lo. Qual a nossa reação? Queremos esganá-lo, despedi-lo. E se mudarmos esta reação do falso “eu”? Podemos adquirir uma nova percepção que criará um mundo totalmente diferente.

Este exemplo chama a nossa atenção para a mudança comportamental diante de quaisquer tipos de dificuldades. Eis alguns tópicos para reflexão.

Querer ser aprovado pelos outros. É uma armadilha. Ninguém tem necessidade de ser aprovado pelos outros; devemos ser aprovados por nós mesmos. Em outras palavras, façamos o que precisa ser feito e ponto final.

Temos que ajudar os outros. Lembremo-nos de que um falso senso de dever prejudica a harmonia do ser humano. Não queiramos fazer algo para alguém; sejamos, primeiro, alguém para ele.

Diante de uma pessoa encrenqueira, não a identifiquemos como cruel, estúpida, grosseira etc. Ao contrário, vejamo-la como uma pessoa amedrontada. Tratando-a negativamente, atraímos para nós a negatividade.

O enriquecimento interior deve estar em primeiro lugar. Tendo-o em mente, nunca nos sentiremos aborrecidos, ressentidos ou coisa parecida. Para transformar os outros, primeiramente nos transformemos. 
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03 agosto 2012

Retórica: Anedota de Protágoras

A retórica tem relação com a ironia. Muitas crianças chegam até perguntar: como se diz isso em irônico? A palavra grega eirena significa fingimento e dissimulação. Nesse caso, o ouvinte precisará retraduzir a inversão irônica para entender o real significado do que se quis dizer. 

Os criadores da retórica tinham um objetivo bem claro: tornar fraco um discurso forte, forte um discurso fraco. A retórica surgiu entre os sofistas gregos, por volta do século V a.C. Se quisermos avaliar os sofistas nos tempos modernos, diríamos que são as estrelas da mídia, que vendem uma mensagem de forma brilhante. 

Sobre esse mister, há uma anedota contada por Protágoras, filósofo grego da Antiguidade, que se tornou famoso pela seguinte tese: o ser humano é a medida de todas as coisas

Ele ensinou retórica a Euathlos e, como este não tinha dinheiro, ficou acordado que o aluno deveria pagar o enorme honorário pela formação apenas quando ganhasse o seu primeiro processo. Contudo, Euathlos não atuou como advogado, mas se dedicou à música, não se vendo dessa forma obrigado a pagar. Assim, Protágoras o processou para obter pagamento dos honorários com a seguinte fundamentação: "Euathlos precisa pagar de qualquer maneira: se não para honrar nosso acordo, pela condenação do tribunal". Euathlos, por sua vez, respondeu: "Não preciso mesmo pagá-lo, pois se eu perder o processo, meu ensino terá sido ruim e o acordo continua a valer. Caso contrário, o tribunal terá que me dar ganho de causa, e não precisarei pagar de qualquer forma". O tribunal não soube como resolver esse paradoxo e arquivou o caso. 


BURCKHARDT, Martin. Pequena História das Grandes Ideias: Como a Filosofia Inventou nosso Mundo. Tradução de Petê Rissatti. Rio de Janeiro: Tinta Negra Bazar Editorial, 2011 (p. 33 a 37).
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