28 março 2012

Persuadir ou Ensinar: Fedro


De acordo com o Prof. Antônio Alves de Carvalho, O Fedro pertence ao grupo dos Diálogos centrais de Platão. Conjuntamente à República e ao Banquete, expõe os temas fundamentais do sistema filosófico desse filósofo. O Diálogo da maturidade do autor foi escrito aproximadamente em 374 a.C. Na catalogação dos 35 Diálogos, realizada por Trásilo, o Fedro vem colocado na terceira tetralogia junto ao Parmênides, Filebo e O Banquete.

Sócrates criticava os sofistas: mostrava que com habilidade pode-se persuadir qualquer pessoa de qualquer coisa, mesmo de algo que não seja verdadeiro. A filosofia, ao contrário, tinha compromisso exclusivamente com a verdade.

No trecho que se segue, Sócrates dá-nos orientaçõs sobre como preparar e expor um discurso.  

Sócrates, assumindo uma postura de professor, recapitula tudo o que foi dito desde o inicio e indica a finalidade própria desse Diálogo: “Toda nossa discussão anterior mostrou que o discurso, seja o que pretende persuadir, seja o que pretende ensinar, não pode ser construído cientificamente, na medida em que sua natureza permite um tratamento científico, a menos que as seguintes condições sejam satisfeitas. Em primeiro lugar, deve-se conhecer a verdade sobre o assunto de que trata no discurso oral ou escrito, deve ser capaz de defini-lo genericamente, e sendo capaz disso dividi-lo nos vários tipos específicos até o limite da divisibilidade. Em seguida, deve-se analisar de acordo com os mesmos princípios a natureza da alma e descobrir que tipo de discurso é adequado a cada tipo de alma. Finalmente, deve-se organizar o discurso de tal maneira que os discursos simples sejam dirigidos às almas simples e os discursos mais complexos e abrangentes, às almas mais elevadas”. (277c) 
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21 março 2012

Tentativa e Erro: Método Eficaz de Aprendizagem

Tentativa. Ação pela qual alguém se esforça para obter determinado resultado; ensaio, experiência. Erro. Ação ou efeito de errar. Opinião, julgamento contrário à verdade. Imprecisão, incorreção.

Comecemos por uma imagem, extraída da filosofia. Suponha um indivíduo, sozinho, no meio de uma floresta, procurando uma saída; como está só, não há ninguém para ajudá-lo. Qualquer ação deverá partir dele mesmo. Poderá optar pelo atalho da direita, da esquerda, da frente ou dos fundos. Fará uma tentativa; pensando ter feito uma escolha errada, volta e começa tudo de novo...

O nosso aprendizado deveria se fundamentar nesse método. Primeiramente, acharmo-nos perdidos no meio da floresta. Esforçarmo-nos por resolver a dificuldade usando os nossos próprios recursos. Somente depois, procurarmos o que os outros descobriram no sentido de ampliar a nossa base de dados. O erro é uma ferramenta básica do aprendizado; ele é empírico, dá-nos a visão real da situação, trazendo em si mesmo, os incentivos para o acerto. Por isso, o ditado: “Errando corrige-se o erro”.

O preparo de alimento. Quem teve a ideia de combinar café com o leite, um produto preto com outro branco? Os cozinheiros não fazem o mesmo? Estão sempre misturando produtos distintos para obter uma receita eficaz. Depois de várias tentativas, com os seus consequentes erros, chegam a uma fórmula, a uma receita, que passa a ser produzida em seu restaurante.   

Pesquisa canadense mostra que os adultos mais velhos estão aprendendo mais pelo simples fato de guardar informações a partir da experiência, em vez de recebê-las passivamente. Segundo estudo publicado na edição eletrônica da revista Psychology and Aging. "Aprender da maneira mais difícil acabou sendo a melhor maneira", afirmou a coordenadora do estudo, Andree-Ann Cyr. O cérebro faz associações e vínculos mais ricos se tiver que se esforçar para buscar as respostas. Na aprendizagem passiva, exige-se menos do cérebro, porque a resposta correta simplesmente é dada. (1)

Como estudar O Livro dos Espíritos pelo método da tentativa e do erro? O habitual é ler uma pergunta e, imediatamente, a sua resposta. Façamos diferente: leiamos uma pergunta e escondamos a resposta. Tentemos responder (de preferência por escrito) com nossas próprias palavras. Feito isso, comparemos os nossos escritos com a resposta dada pelos Espíritos. Percebendo que nossa resposta está muito longe daquela dada pelos Espíritos, façamos outras tentativas, até chegarmos a uma aproximação aceitável.  

A montagem de uma palestra deveria seguir este método. Construí-la por tentativas e erros. Nada de pegar algo já pronto e transformá-lo em slides para a projeção em PowerPoint.

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