29 novembro 2009

Líder Judicioso

Há épocas em que a cabeça do dirigente, seja de que organização for, fica apinhada de muitas exigências, desequilibrando-o momentaneamente e impelindo-o a tomar decisões mais drásticas. John Heider, no livro O Tao e a Realização Pessoal, fornece diversas orientações aos líderes judiciosos. Sua intenção é lançar luz sobre os acontecimentos, para que o líder possa tomar decisões mais acertadas e com menos estresse.

Algumas frases do livro: “o líder judicioso, estando ciente de como funcionam as polaridades, não pressiona para que as coisas aconteçam, mas deixa o processo se desenrolar por si mesmo”; “o líder não aceita uma pessoa e se recusa trabalhar com outra”; “o líder não é proprietário das pessoas nem controla a vida delas”; “uma vez que a criação é um todo, a separação é uma ilusão. Gostes ou não disto, somos os integrantes de uma equipe. O poder provém da cooperação; a independência, do serviço e o eu mais pleno provém do altruísmo”.

De acordo com os pressupostos do livro, entendemos que o líder judicioso é o indivíduo que deve esquecer de si mesmo e da sua própria posição. Ele não está ali para mandar, mas para coordenar os anseios, bons ou maus, do grupo. Não deve defender este, nem tomar o partido daquele. Em realidade, ele deve captar as vibrações do grupo e agir em função delas. Forçando para que o grupo caminhe para uma determinada direção, perde tempo e trabalho.

O líder judicioso deve estar aberto para o que vier. Suponhamos que ele queira impor as suas ideias. Mesmo que dê resultado, no longo prazo será prejudicial, porque o modo de proceder de alguém foi violentado. O que poderá acontecer? A pessoa, cujo comportamento foi violentado, pode tornar-se menos receptiva e mais retraída. Lembremo-nos de que todos os acontecimentos tomam forma, crescem, trazem as suas lições, declinam e caem no esquecimento.

“Estando presente aos acontecimentos, e consciente do que está acontecendo, o líder pode fazer menos e, ainda assim, realizar mais”. A chave para uma boa administração não é querer fazer muito, intervir a torto e a direito, passando por cima deste e daquele. A função primordial do líder é colocar-se como ouvinte, tanto dos que ofendem como dos ofendidos. Cada qual tem razão no seu interesse pessoal.

O líder judicioso não busca proteger as pessoas. A sua liderança é de serviço esclarecedor e não de egoísmo. Sua meta é lançar luz sobre todos os acontecimentos.
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23 novembro 2009

Interesse Próprio e do Grupo

Enaltecemos os objetivos da organização, mas agimos de acordo com os nossos próprios interesses. Observe as seguintes colocações de pessoas investidas de cargos públicos: meu computador, minha sala, meu departamento. Se a coisa é pública, por que a tomamos como se fosse nossa? Não há um desvio de percepção? Modificar essas atitudes e comportamentos é um bom exercício para a melhoria de nossa conduta em sociedade.

Há algum governo que possa distribuir o que não tenha antes arrecadado? Por que razão, então, os detentores do poder propagam que fizeram isto e aquilo? Eles não percebem que estão revestidos de um cargo público e, que, por isso, têm deveres a cumprir junto à população? Se essas pessoas agissem como usufrutuárias desses bens, como nos exortam as máximas do Evangelho, com certeza alocariam eficientemente os recursos naturais à sua disposição.

A repetição e a propagação do erro transformam-no em uma verdade? Muitos assim pensam, mas a verdade não admite contestação. A verdade é verdade, quer queiramos suportá-la, quer não. Por isso, não tenhamos medo de argumentar e contra-argumentar para que a verdade possa fazer a sua trajetória, para que possa iluminar mais mentes, mais consciências. A incompreensão de hoje pode ser a luz de amanhã.

Num primeiro momento, a luz da verdade pode parecer estranha. Depois, toma vulto e vai ampliando a sua iluminação. Por isso, fala-se com razão que os filósofos convivem conosco, ou seja, as suas ideias, incompreendidas ontem, são difundidas hoje. Lembremo-nos dos ensinamentos trazidos por Jesus há 2000 anos. Quem poderia supor que um simples carpinteiro pudesse influenciar boa parte da humanidade?

A Doutrina dos Espíritos ensina-nos, por intermédio da lei de reencarnação, que o acaso não existe. Hoje, recebemos o impacto de ontem; amanhã, receberemos o impacto de hoje. Usando de forma indevida, tanto o dinheiro quanto a autoridade, seremos, por força da lei, obrigados a sofrer-lhes as consequências. Pobreza e riqueza complementam-se.

Os Espíritos superiores estão sempre nos incentivando a divulgar o Evangelho de Jesus. Semeemos a boa semente. Não tenhamos pressa, contudo, quanto à sua germinação.
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Argumentando com o Auditório

A argumentação presta-se a muitas interpretações. No silogismo, é a apresentação de premissas, cujos raciocínios devem nos levar a uma conclusão. De um modo geral, é advogar em causa própria, justificar comportamentos, condenar ou enaltecer pessoas. Pode ser também o método pelo qual uma pessoa – ou um grupo – intenta um auditório a adotar uma posição, um comportamento. Os argumentos são bons quando nos levam a uma conclusão verdadeira; maus, quando nos afastam da verdade.

Aristóteles, nos Tópicos, tratou a argumentação sob a ótica do raciocínio lógico; na Retórica, como um modo de persuadir o auditório. Nos Tópicos, parte de premissas (conhecimentos certos), que levam a conclusões verdadeiras. Na Retórica, parte de opiniões admitidas, que levam ao raciocínio dialético. Em todo o caso, é sempre em função de um auditório que devemos desenvolver qualquer argumentação.

Embora a teoria da informação utilize a argumentação, o seu objetivo difere fundamentalmente da argumentação propriamente dita. Na teoria da informação, há um emissor, uma mensagem e um receptor. Quer-se apenas transmitir uma mensagem (com lógica ou sem lógica). Na argumentação, a comunicação exige um raciocínio (indutivo ou dedutivo) que conduza a uma conclusão. Nesse caso, o emissor deve convencer o auditório pela boa argumentação.

A argumentação é útil a todos os indivíduos, mas muito mais ao expositor, porque terá que observar o elo de ligação de seu raciocínio para não cair em contradições, ou seja, falar uma coisa e concluir com o seu oposto, com a negação da tese. Observe que isso é muito comum de acontecer na fala natural das pessoas. Elas pregam a fraternidade, o interesse do grupo, mas suas ações caminham para o lado oposto, incitando a desunião.

A verdade é sempre verdade, quer queiramos suportá-la, quer não. Por isso, estejamos sempre abertos para argumentar e contra-argumentar, no sentido de fazer emergir uma verdade que estava oculta, submersa. A incompreensão de hoje pode ser a luz do dia seguinte. Lembremo-nos de que todos devem ter tempo para absorver novas verdades. A imposição de ideias não condiz com Espíritos superiores; eles deixam brechas, inspirações, para que o ouvinte tome a sua própria decisão.

Construamos bons argumentos, mas não nos apeguemos demasiadamente a eles. Há casos, em que a fluidez do raciocínio deve prevalecer, para o bom andamento dos negócios.
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04 novembro 2009

Como Melhorar Gradativamente uma Palestra

Tema escolhido: “Quem me segue não anda em trevas”.

Preparemos, primeiramente, um roteiro, sem consulta alguma; nele, coloquemos a ideia central, os tópicos principais e os secundários.

Depois de tudo pronto, pesquisemos o texto bíblico. Ele está em João 8,12: “Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo: quem me segue não anda em trevas, mais terá a luz da vida”. Já começamos a ampliar o texto inicial, que era somente “quem me segue não anda em trevas”. Percebemos que Jesus já tinha falado antes; deduzimos que seja da própria luz. Ele acrescenta que é a luz do mundo. Diz, ainda, que quem o seguir terá a luz da vida.

Podemos comentar cada um desses acréscimos: tomemos apenas algumas citações sobre a luz. Em João, 1, 4 a 9: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam”. Em João, 3,19: “A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”. Em João, 9,5: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. Há muitos outros textos sobre a luz do mundo. Basta procurarmos nos Evangelhos.

Esta passagem evangélica vem depois dos versículos sobre a mulher adúltera. 

Poderíamos resumi-la nos seguintes termos:

Os escribas e fariseus levaram uma mulher, pega em flagrante de adultério, para o julgamento de Jesus. Diziam que, segundo a lei de Moisés, aquela mulher deveria ser apedrejada em praça pública. Depois das insistências dos fariseus, Jesus responde: “Aquele que estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. Ouvindo isso, os escribas e fariseus retiraram-se, um após o outro, começando pelos mais velhos. A sós com a mulher, disse-lhe: “Vá e não peques mais”.

É depois desse diálogo que surge a frase: “Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo: quem me segue não anda em trevas, mais terá a luz da vida”. Nesse caso, poder-se-ia aprofundar a frase “luz do mundo” e a “luz da vida”.

O que queremos retratar aqui? as ideias associam-se umas às outras. Mas, para que isso aconteça, temos que provocá-las. E o método é pensar, raciocinar, antes de ler os textos, que tratam do tema.
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